Miserere nobis

Aparecida (Segunda-feira, 23-04-2012, Gaudium Press) Na 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, que acontece em Aparecida (SP), os bispos estão tratando, entre outros temas, da tradução do Missal Romano.

Segundo o Arcebispo de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, em todas Assembleias, a liturgia recebe um destaque especial. “O que estamos vendo é uma tradução mais adequada das orações que estão em latim, sejam as orações da Missa, sejam as orações também eucarísticas que são fixas e esta tradução é importante para que haja sempre uma melhor compreensão e fidelidade ao texto original”.

Esta tradução estão sendo feita com muito cuidado e zelo para que depois seja encaminhada à Santa Sé para sua aprovação final. Dom Gil afirma que o fato de a tradução estar sendo discutida há algum tempo, é o fato de que a Igreja é muito minunciosa “temos todo o cuidado, não palavra por palavra, mas vírgula por vírgula”.

Este cuidado todo, segundo o Arcebispo de Juiz de Fora, é porque “a liturgia é o ápice, o ponto alto da comunidade com Deus e por isso, a Igreja tem de ser muito cuidadosa neste aspecto para que nada saia errado, para que não haja nenhum sinal, nenhuma palavra, nenhuma preposição que possa causar dificuldade no entendimento naquilo que se reza, que é a expressão da fé”.

Por este motivo, segundo Dom Gil, é que esta tradução não é um texto fácil de ser concluído mas, “esperamos que seja finalizado em breve, mas eu não tenho a ilusão de saia de hoje para amanhã”.

Luciano Batista

Abusos litúrgicos: a fumaça de satanás na Igreja

“O Papa Montini, por Satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de Satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do Maligno. Portanto, o fumo de Satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.”

Cardeal Virgílio Noé, explicando o que Paulo VI queria dizer com “fumaça de Satanás” na Igreja

Liturgia não rima com simpatia (simpatia barata ou as invenções “cativantes”)

"A liturgia não vive de surpresas ‘simpáticas’, de invenções ‘cativantes’, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado" (J. Ratzinger).

Está aí uma citação que expressa muito bem a minha compreensão da liturgia da Igreja. Se não recebermos a liturgia como um dom, ela se tornará simplesmente disponível e já não nos poderá educar para o Mistério. Salvemos a liturgia!

Pe. Elílio de Faria Matos Júnior

“Chegou a hora”, pelo “retorno da verdadeira liturgia da Igreja”

Desejo expressar, primeiramente, minha gratidão a todos vós pelo zelo e entusiasmo com que promoveis a causa da restauração das verdadeiras tradições litúrgicas da Igreja.

Como sabeis, é a liturgia que aperfeiçoa a fé e sua heróica realização na vida. Ela é o meio com que os seres humanos são elevados ao nível do transcendente e do eterno: o lugar de um profundo encontro entre Deus e o homem.

A liturgia, por esta razão, nunca pode ser criada pelo homem. Pois se rezamos da forma como queremos e ajustamos as normas a nós mesmos, corremos, então, o risco de recriar o bezerro de ouro de Aarão. Devemos constantemente insistir na liturgia enquanto participação naquilo que o próprio Deus faz, correndo o risco, de outra forma, de cair na idolatria. O simbolismo litúrgico nos ajuda a nos elevarmos acima do que é humano, em direção ao divino. A esse respeito, é minha firme convicção de que o Vetus Ordo representa em grande extensão e de maneira mais satisfatória aquele chamado místico e transcendente a um encontro com Deus na liturgia. Portanto, chegou para nós a hora de não só renovarmos, por mudanças radicais, o conteúdo da nova Liturgia, mas de também encorajarmos mais e mais o retorno do Vetus Ordo, como um caminho para uma verdadeira renovação da Igreja, que foi o que os Padres da Igreja assentados no Concílio Vaticano II tanto desejaram.

A cuidadosa leitura da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, demonstra que as imprudentes mudanças introduzidas posteriormente na Liturgia nunca estiveram nas mentes dos Padres do Concílio.

Assim, chegou a hora de sermos corajosos no trabalho por uma verdadeira reforma da reforma e também pelo retorno da verdadeira liturgia da Igreja, que se desenvolveu por sua história bimilenar em um contínuo fluxo. Desejo e rezo para que isso ocorra.

Possa Deus abençoar os vossos esforços com sucesso.

+Malcolm Cardeal Ranjith

Arcebispo de Colombo

24/8/2011

Carta do Cardeal Ranjith à 20ª Assembléia Geral da Foederatio Internationalis Una Voce, ocorrida em 5 e 6 de novembro de 2011, em Roma. Tradução: Fratres in Unum.com

Atenciosamente,

Moisés Gomes.

Depto. de Distribuição Centro-Sul

Centro de Serviço de Icó, Projetos e Obras
Fone: (88) 3561-1894 Ramal: 833-2207.

moises

“Onde os sentidos são senhores as almas são escravas, e a escravidão da alma é a pior das calamidades” (H. Colas).

A verdadeira dança litúrgica

via Salvem a Liturgia! de Cleiton Robson

* David G. Bonagura Jr.

Trad. e Adapt. Cleiton Robson.

A simples menção de “dança litúrgica” chama a atenção para alguns dos piores abusos na Missa no Novus Ordo: Mulheres e meninas como um todo, têm ido à frente com os dons, com as danças tribais, na intenção de entreter o povo, durante as Missas da juventude; e tudo isso como tentativas de tornar a Liturgia “mais relevante” para os fiéis. A dança na Missa é uma falha, como o Cardeal Joseph Ratzinger explicou em “O Espírito da Liturgia”, porque é incompatível com o objetivo essencial da Liturgia do “Justo Sacrifício.”

Enquanto, a dança em si não pertence à Missa, mas é inteiramente adequado descrever esta última como uma dança: uma série sagrada de movimentos rítmicos e gestos, muitas vezes acompanhada por música, que visa "entreter", isto é, oferecer culto perfeito a Deus. Na verdade, quando a Missa é celebrada com solenidade e reverência adequada, tem, do começo ao fim, um ritmo interno e dinâmica própria, uma vez que ela marcha conforme os ditames da história da Igreja e da salvação. Com isso, pode-se afirmar que a ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência.

Durante décadas os católicos que se inclinam para o culto litúrgico solene demandaram uma "reforma da reforma" – uma revisão da Missa no Novus Ordo, em conformidade com o seu rito latino antecessor. O Papa Bento XVI acentuou esta meta, utilizando-se de suas liturgias papais, em parte, como modelos para a celebração da Missa reverentemente. A solenidade destas liturgias não vem apenas dos parâmentos musicais bem ornados, mas a partir do ritmo interno que resulta da correta ars celebrandi da Missa. Assim como uma dança majestosa secular tem uma qualidade magnética que atrai espectadores em sua dinâmica interna, o ritmo sagrado da Missa atrai os fiéis, envolvendo a mente e o coração na participação plena, consciente e real.

A “dança litúrgica”, que é a celebração do sacrifício de Cristo de uma vez por todas, pode, como nas danças seculares, “atravessar” ou entrar em colapso totalmente, por incursões de fora ou falhas de dentro. Ambas ocorrem em muitas Missas no Novus Ordo, na maneira como elas são geralmente celebradas. Mas a falta de ritmo interno da Forma Ordinária não nasce somente de abusos: algumas das rubricas por si mesmas proibem uma verdadeira harmonia litúrgica, e com ela, solenidade.

Uma incursão externa, por exemplo, vem imediatamente antes do fim da Missa: logo que o fiel recebeu a Eucaristia, rezou em silêncio e juntou-se com a oração conclusiva dita pelo sacerdote, uma voz vinda do ambão, pede a todos para sentarem-se para alguns avisos breves (Instrução Geral do Missal Romano, nº 90). E isto, convidando os fiéis para o café, bingo, ou mesmo para a devoção das Quarenta Horas (N.T.: No Brasil, existe uma devoção análoga – mas que não suprime as ‘Quarenta Horas’ – chamada de “Cerco de Jericó”), quebrando assim, a dinâmica da Eucaristia, que é o clímax, e a conclusão da Missa.

A ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência!

Restabelecer um caráter de solenidade torna-se impossível após esta invasão do profano no que é sagrado, na maior parte das finalizações. De maneira similar, as antífonas de entrada e da comunhão lidas "pelos fiéis, ou por algum deles, ou por um leitor" (IGMR nºs 48 e 87) perdem alguns dos seus efeitos quando precedidas por um anúncio espalhafatoso de data, número de página e volume do missal [ou ainda, da “liturgia diária”, do folheto].

Internamente, o ritmo do Novus Ordo sofre de silêncios impostos em lugares onde o silêncio se torna desagradável ao invés de propício à meditação, como no rito penitencial (IGMR 51) e o tempo depois da comunhão (IGMR 88), quando o silêncio faz parte da dinâmica de pedir perdão a Deus ou agradecê-lo pelo dom de Si mesmo. Mas os momentos de silêncio antes, durante e depois da Liturgia da Palavra (IGMR 56), embora bem intencionados, na verdade, interrompem a ação litúrgica; vários segundos de cabeça baixa dificilmente podem permitir a compreensão da leitura da Palavra de Deus. Durante a Liturgia da Palavra, há o problema adicional do movimento de leitores e cantores para o ambão. Nestes movimentos, falta o ritmo e o decoro de uma procissão do Evangelho, e sua falta de uniformidade tende a tornar a Liturgia artificial e não natural.

Todas estas práticas litúrgicas contêm um pouco mais de interrupções profanas e artificiais; todos existem para um propósito comum: eles são encaminhados para os fiéis e sua experiência com a Liturgia. Como tal, eles quebram o ritmo da Missa, porque desviam a ação sagrada de seu objeto próprio: Deus.

O que, então, pode ser feito para restaurar a harmonia da forma ordinária? Em sua carta de acompanhamento para o Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI expressou sua esperança de que as duas formas do Rito Romano da Missa “enriquecer-se-iam mutuamente”. A Forma Extraordinária, seja em uma Missa baixa ou Missa solene, é o epítome da dança litúrgica: o seu movimento contínuo, o silêncio orgânico, e os gestos rubricizados para todos os participantes asseguram a solenidade dos movimentos da dança em sintonia com seu objetivo: adorar a Deus.

O profano não deve interromper esta Forma da Missa, que é absorvida e transformada em parte do rito sagrado em si. Se a Forma Ordinária seguir a sua irmã mais velha nas áreas acima, ela irá encontrar o seu ritmo restaurado e a solenidade descoberta.

A dança litúrgica adequadamente compreendida não é um abuso na Missa, mas a sua expressão mais alta e mais bonita. Quando cada movimento litúrgico e gesto são direcionados para adorar a Deus, a Missa se torna a dança mais solene e profunda deste lado do paraíso.

* David G. Bonagura Jr. é professor adjunto de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, NY.

Texto Original disponível AQUI.

Comunhão na boca, de joelhos e das mãos do sacerdote

via APOSTOLADO TRADIÇÃO EM FOCO de Luciano Beckman

CATECISMO ROMANO

"Devemos, pois, ensinar que só aos sacerdotes foi dado poder de consagrar a Sagrada Eucaristia, e de distribuí-la aos fiéis cristãos. Sempre foi praxe da Igreja que o povo fiel recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes, e os sacerdotes comungassem por si próprios, ao celebrarem os Sagrados Mistérios. Assim o definiu o Santo Concílio de Trento; e determinou que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa de sua origem apostólica, e porque também Cristo Nosso Senhor nos deu o exemplo, quando consagrou Seu Corpo Santíssimo, e por Suas próprias mãos O distribuiu aos Apóstolos.

De mais a mais, com o intuito de salvaguardar, sob todos os aspectos, a dignidade de tão augusto Sacramento, não se deu unicamente aos sacerdotes o poder de administrá-lo: como também se proibiu, por uma lei da Igreja, que, salvo grave necessidade ninguém sem Ordens Sacras ousasse tomar nas mãos ou tocar vasos sagrados, panos de linho, e outros objetos necessários à confecção da Eucaristia.

Destas determinações podem todos, os próprios sacerdotes e os demais fiéis, inferirquão virtuosos e tementes a Deus devem ser aqueles que se dispõem a consagrar, a ministrar, ou a receber a Sagrada Eucaristia".

CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X

"No ato de receber a sagrada Comunhão, devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior. Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta".

MISSAL ROMANO (Forma Extraordinária)

O Missal Romano determina que a partir do momento da consagração, o sacerdote deve manter juntos os dedos indicador e polegar, de tal forma que, ao elevar o cálice, ao virar as páginas do missal ou ao abrir o sacrário, aqueles dedos toquem somente a Hóstia consagrada. No final da missa, o sacerdote passa com a patena sobre o corporal e limpa-o para dentro do cálice, para que possa ser recolhida e consumida com reverência a menor Partícula que possa ter aí ficado. Após a comunhão, as mãos do sacerdote são lavadas sobre o cálice com água e vinho – consumidos reverentemente, impedindo que alguma Partícula seja profanada.

SANTO TOMÁS DE AQUINO

"Pertence ao sacerdote distribuir o Corpo de Cristo por três motivos.

Primeiro, porque é ele que consagra na pessoa de Cristo. Assim como Cristo consagrou o seu corpo na Ceia, assim também distribuiu-o aos discípulos. Por isso, assim como pertence ao sacerdote consagrar o Corpo de Cristo, assim também o de distribuí-lo.

Segundo, porque o sacerdote se constitui intermediário entre Deus e o povo. Portanto, como lhe pertence apresentar a Deus as oferendas do povo, assim também lhe pertence distribuir ao povo os dons divinamente santificados.

Terceiro, porque por respeito à Eucaristia, nada a deve tocar que não esteja consagrado. Por isso, consagram-se os corporais, os cálices, igualmente as mãos do sacerdote para tocarem este sacramento. Não é lícito, pois, a ninguém mais tocá-lo, a não ser em caso de necessidade, por exemplo se cair no chão ou em outro caso semelhante"

(Suma Teológica, III, q.82, a.III).

"Depois da consagração, o celebrante une os dedos, isto é o polegar com o indicador, que tocaram o Corpo consagrado de Cristo, para que, se alguma partícula aderira a eles, não desprenda. Manifesta o respeito devido ao sacramento" (Suma Teológica, III, q.83, a.VI, ad5).

SÃO FRANCISCO DE SALES

"Começa já na véspera do dia da comunhão a te preparar com repetidas aspirações do amor divino e deita-te mais cedo que de costume, para te levantares também mais cedo. Se acordas durante a noite, santifica esses momentos por algumas palavras devotas ou por um sentimento que impregne tua alma de felicidade de receber o divino esposo; enquanto dormes, ele está velando sobre o teu coração e preparando as graças que te quer dar em abundância, se te achar devidamente preparada. Levanta-te de manhã com este fervor e alegria que uma tal esperança te deve inspirar, e depois da confissão aproxima-te com uma grande confiança e profunda humildade da mesa sagrada, para receber este alimento celeste, que te comunicará a imortalidade. Depois de pronunciares as palavras: "Senhor, eu não sou digno …", já não deves mover a cabeça ou os lábios para rezar ou suspirar; mas, abrindo um pouco a boca e elevando a cabeça de modo que o padre possa ver o que faz, estende um pouco a língua e recebe com fé, esperança e caridade aquele que é de tudo isso ao mesmo tempo o princípio, o objeto, o motivo e o fim".

Fonte: Ultimas e derradeiras graças.

Redemptionis Sacramentum em pílulas para os “inovadores” da Liturgia

1ª dráguea:

 

todos os fiéis cristãos gozam do direito de celebrar uma liturgia verdadeira, especialmente a celebração da santa Missa, que seja tal como a Igreja tem querido e estabelecido, como está prescrito nos livros litúrgicos e nas outras leis e normas. Além disso, o povo católico tem direito a que se celebre por ele, de forma íntegra, o santo Sacrifício da Missa, conforme toda a essência do Magistério da Igreja. Finalmente, a comunidade católica tem direito a que de tal modo se realize para ela a celebração da Santíssima Eucaristia, que apareça verdadeiramente como sacramento de unidade, excluindo absolutamente todos os defeitos e gestos que possam manifestar divisões e facções na Igreja.” (Redemptionis Sacramentum, nº. 12)

De quem é a Missa? Ou: a RCC pode “mecher” na Liturgia?

A resposta à primeira perguntra do título deste post é: com certeza não é da R.C.C., nem de nem uma pastoral ou de qualquer padre que se arrogue. A resposta à segunda é óbvia: NÃO!

Por quê de citar a R.C.C. neste post? Ora, por que eu não gosto dela :-) [momento brincadeirinha, é claro]

Na verdade é por que a R.C.C. é famosa e patente em abusos e desrespeitos com relação a Sagrada Liturgia, apesar de [infelizmente] não ser a única. Mas também por que fiquei “encucado” com o comentário de um leitor do blog.

Neste comentário, mole, sem nexo, pé ou cabeça, como a maioria dos comentários carismáticos aqui postados, o cara diz que a T.L.”torna da liturgia algo totalmente maleável, como se não houver valor algum toda a tradição catolica” mas que a R.C.C. não! Não a R.C.C.! Ela que é o baluarte da Tradição Católica não faz isso! A R.C.C. “não visa nenhuma mudança, mas alguns acrescimos quanto a momentos que não existe nenhuma restrição de acrescimentos, tais como comentarios e momentos de oração em comunidade“.

Não preciso nem dizer que isto é um absurdo. E a minha resposta a tal comentário (e olha que tem comentários que nem respondo, apago logo!, pois não tenho tempo pra isso) é simplesmente: nem a R.C.C. nem a T.L. têm permissão para alterar a Sagrada Liturgia, pois não pertencem a elas!

E não sou eu que o digo, é a Igreja:

(…) a autoridade eclesiástica regule a sagrada Liturgia de forma plena e eficaz, para que nunca seja considerada a liturgia como «propriedade privada, nem do celebrante, nem da comunidade em que se celebram os Mistérios»” (Redemptionis Sacramentum, nº. 18 )

Ou seja, quem diz o que deve o que não deve ter na Sagrada Liturgia é a autoridade eclsiástica e não a R.C.C. ou a T.L. ou quem quer que seja. Não me venha com negocinho de “acrescimos onde não existe restrição” que isso não existe! É coisa protestantóide pra protestantizar a Missa.

Ora, se “cada Bispo e a mesma Conferência não têm nenhuma capacidade para permitir experimentos sobre os textos litúrgicos ou sobre outras coisas que se indicam nos livros litúrgicos” (cf. Redemptionis Sacramentum, nº. 27 ), quanto mais a R.C.C. fazer “acrescimos onde não existe restrição”.

Então para novidadezinhas protestantóides carismáticas ou para celbraçõezinhas comuno-libertacionistas nota ZERO!

Por que não palmas na Santa Missa, por D. Roberto Francisco

Primeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.

Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.

Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Raztinger sobre os desvios da Iiturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Iiturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão …. Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio , em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a Iiturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-Ia a banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz Bispo Auxiliar de Niterói

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