Habemus Papam Fraciscum! O reformador.


Talvez ninguém tenha parado pra perceber ainda, e é compreensível, mas notem que a escolha de “Franciscum” por S.S. Papa Francisco está em total continuidade com a escolha de Bento XVI por “Benedictus”. Explico:

O Bispo Emérito de Roma havia escolhido este nome em “homenagem” a São Bento, conhecidamente um grande reformador da Europa e dos mosteiros de sua época. S.S. Bento XVI fez jus ao nome que escolheu carregar: foi de fato um verdadeiro reformador, aliás um “reformador da reforma”, se é que vocês me entendem. Seus gestos litúrgicos foram muito significantes nessa “reforma da reforma”. Também a sua sempre vigilante atenção doutrinária. Bento XVI foi um reformador doutrinal. Onde entra então nosso querido Papa Francisco?

Entra exatamente no seu nome: Francisco. É evidente que tal escolha é inspirada em São Francisco de Assis. Outro grande reformador da Igreja Católica. Reformador de costumes, principalmente. Um reformador moral. E talvez seja exatamente esta a reforma de que a Igreja necessita hoje. Após as sólidas bases doutrinais deixadas por S.S. Bento XVI, ou seja, o reformador doutrinal, entra em cena agora “Fracesco” o reformador moral. Sim, moral. O reformador de uma cúria desmoralizada e desacreditada por escândalos de corrupção e chantagem.

Minhas esperanças

Com base no exposto acima, espero então ver uma igreja – isso com “i” minúsculo – fortalecida moral e doutrinalmente, não aberta, mas fechada para este mundo moderno. Isso mesmo, fechada para toda imoralidade que o mundo moderno tenta infiltrar nela a todo instante. Isso é possível. Nós tempos um clero santo bem maior que um minúsculo clero pecador, que infelizmente é quem faz a fama da “i”greja. Agora, falando de Igreja – com “i” maiúsculo: não tenho dúvidas, segue firme e forte como rocha referencial em meio as tribulações deste vale de lágrimas.

Habemus Papam! Não estamos mais órfãos! Nunca estivemos. Viva Sua Santidade o Papa Francisco… Da Argentina (mero detalhe)

Decano do colégio cardinalício: “A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas”


SANTA MISSA «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE»

HOMILIA DO CARDEAL ANGELO SODANO
DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

Basílica Patriarcal de São Pedro
Terça-feira, 12 de março de 2013

[Vídeo]

 

Queridos Concelebrantes, distintas Autoridades, Irmãos e Irmãs no Senhor!

“Cantarei, eternamente, as bondades do Senhor” é o canto que mais uma vez ressoou junto ao túmulo do Apóstolo Pedro nesta ora importante da história da Santa Igreja de Cristo. São as palavras do Salmo 88 que afloraram em nossos lábios para adorar, agradecer e suplicar ao Pai que está nos Céus. “Misericordias Domini in aeternum cantabo“: é o bonito texto latino, que nos introduziu na contemplação d’Aquele que sempre vela com amor a sua Igreja, sustentado-a em seu caminho ao longo dos séculos e vivificando-a com o seu Espírito Santo.

Também nós hoje com tal atitude interior queremos oferecer-nos com Cristo ao Pai que está nos Céus para agradecer-lhe pela amorosa assistência que sempre reserva à sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º Sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão.

Ao mesmo tempo hoje queremos implorar do Senhor que mediante a solicitude pastoral dos Padres Cardeais queira em breve conceder outro Bom Pastor à sua Santa Igreja. Certamente, auxilia-nos nesta ora a fé na promessa de Cristo sobre o caráter indefectível da sua Igreja. De fato, Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cfr. Mt 16,18).

Meus irmãos, as leituras da Palavra de Deus que acabamos de ouvir podem nos ajudar a compreender melhor a missão que Cristo confiou a Pedro e a seus Sucessores.

1. A mensagem do amor

A primeira leitura repropôs-nos um célebre oráculo messiânico da segunda parte do livro de Isaías, aquela parte que é chamada “o Livro da consolação” (Is 40-66). É uma profecia dirigida ao povo de Israel destinado ao exílio na Babilônia. Deus anuncia para o povo de Israel o envio de um Messias cheio de misericórdia, um Messias que poderá dizer: “O espírito do Senhor repousa sobre mim… enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar um ano de graças da parte do Senhor” (Is 61,1-3)

O cumprimento de tal profecia realizou-se plenamente em Jesus, vindo ao mundo para tornar presente o amo do Pai pelos homens. É um amor que se faz notar particularmente no contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza, com todas as fragilidades do homem, tanto físicas quanto morais. É conhecida, a esse propósito, a célebre Encíclica do Papa João Paulo II Dives in misericordia, que acrescentava: “o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica «misericórdia» (Ibidem, n. 3).

Esta missão de misericórdia foi confiada por Cristo aos Pastores da sua Igreja. É uma missão que empenha todo sacerdote e bispo, mas empenha ainda mais o Bispo de Roma, Pastor da Igreja universal. De fato, Jesus disse a Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?… Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15). É conhecido o comentário de S. Agostinho a essas palavras de Jesus: “seja, portanto, missão do amor apascentar o rebanho do Senhor”; “sit amoris officium pascere dominicum gregem” (In Iohannis Evangelium, 123, 5; PL 35, 1967).

Na realidade, é este amor que impele os Pastores da Igreja a realizar a sua missão de serviço aos homens de todos os tempos, do serviço caritativo mais imediato até o serviço mais alto, o serviço de oferecer aos homens a luz do Evangelho e a força da graça.

Assim o indicou Bento XVI na Mensagem para a Quaresma deste ano (cfr. n. 3). De fato, lemos em tal mensagem: “De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16)”.

2. A mensagem da unidade

A segunda leitura é extraída da Carta aos Efésios, escrita pelo Apóstolo Paulo justamente nesta cidade de Roma durante a sua primeira prisão (anos 62-63 d.C.).

É uma leitura sublime na qual Paulo apresenta o mistério de Cristo e da Igreja. Enquanto a primeira parte é mais doutrinal (cap. 1-3), a segunda, onde se insere o texto que ouvimos, é de tom mais pastoral (cap. 4-6). Nesta parte Paulo ensina as conseqüências práticas da doutrina apresentada antes e começa com um forte apelo à unidade eclesial: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade, mansidão, e paciência. Suportai-vos caridosamente uns aos outros. Esforçai-vos por conservara unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4,1-3)”.

S. Paulo explica em seguida que na unidade da Igreja existe uma diversidade de dons, segundo a multiforme graça de Cristo, mas essa diversidade está em função da edificação do único corpo de Cristo: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, visando o aperfeiçoamento dos cristãos, e o trabalho na obra da construção do corpo de Cristo” (cfr. 4,11-12).

É justamente para a unidade do seu Corpo Místico que Cristo em seguida enviou o seu Espírito Santo e, ao mesmo tempo, estabeleceu os seus Apóstolos, entre os quais Pedro tem a primazia como o fundamento visível da unidade da Igreja.

Em nosso texto São Paulo ensina-nos que também todos nós devemos colaborar para edificar a unidade da Igreja, porque para realizá-la é necessária “a colaboração de cada conexão, segundo a energia própria de cada membro” (Ef 4,16). Todos nós, portanto, somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesial.

3. A missão do Papa

Irmãos e irmãs no Senhor, o Evangelho de hoje reconduz-nos à última ceia, quando o Senhor disse aos seus Apóstolos: “Este é o meu mandamento: que vós ameis uns aos outros, com eu vos amei” (Jo 15,12). O texto se une assim também à primeira leitura do profeta Isaías sobre o agir do Messias, para recordar-nos que a atitude fundamental dos Pastores da Igreja é o amor. É aquele amor que nos impele a oferecer a própria vida pelos irmãos. De fato, Jesus nos diz: “ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos” (Jo 15,12).

A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas(cfr Jo10,15). Isto vale, sobretudo, para o Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. Porque quanto mais alto e mais universal é o ofício pastoral, tanto maior deve ser a caridade do Pastor. Por isto no coração de todo Sucessor de Pedro sempre ressoaram as palavras que o Divino Mestre dirigiu um dia ao humilde pescador da Galileia: “Diligis me plus his? Pasce agnos meos… pasce oves meas“; “Amas-me mais do que estes? Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas!” (cfr. Jo 21,15-17).

No sulco deste serviço de amor pela Igreja e pela humanidade inteira, os últimos Pontífices foram artífices de muitas iniciativas benéficas também para os povos e a comunidade internacional, promovendo sem cessar a justiça e a paz. Rezemos para que o futuro Papa possa continuar esta incessante obra em nível mundial.

Ademais, este serviço de caridade faz parte da natureza íntima da Igreja. Recordou-nos isso o Papa Bento XVI dizendo-nos: “também o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Carta Apostólica em forma de Motu proprio Intima Ecclesiae natura, 11 de novembro de 2012, proêmio; cfr. Carta Encíclica Deus caritas est, n. 25).

É uma missão de caridade que é própria da Igreja, e de modo particular é própria da Igreja de Roma, que, segundo a bela expressão de S. Inácio de Antioquia, é a Igreja que “preside à caridade”; “praesidet caritati” (cfr. Ad Romanos, praef.: Lumen gentium, n. 13).

Meus irmãos, rezemos a fim de que o Senhor nos conceda um Pontífice que realize com coração generoso tal nobre missão. É o que Lhe pedimos por intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, e de todos os Mártires e Santos que ao longo dos séculos deram glória a esta igreja de Roma. Amém!

Cardeais reunidos pela quarta vez. Faltam poucos eleitores. Esta tarde, oração pela Igreja, na basílica de São Pedro


2013-03-06 Rádio Vaticana
Pela quarta vez neste período de Sé Vacante, os membros do Colégio dos Cardeais reuniram-se de novo nesta quarta-feira de manhã, às 9.30h, prosseguindo com diversas intervenções livres, sobre a situação da Igreja e do mundo, a ter em conta no momento de eleger o novo Papa, no Conclave cuja data deve ser estabelecida em breve.
Ontem encontravam-se já em Roma 110 Cardeais dos 115 Eleitores que deverão eleger o sucessor de Bento XVI. Os restantes cinco purpurados, segundo informou Padre Lombardi, porta voz da Sé Apostólica, estão em contacto com o Cardeal Decano e deverão chegar proximamente. São eles: o patriarca Naguib, egípcio, emérito de Alexandria dos Coptos; o alemão Lehmann, de Mainz; John Tong, de Hong Kong; Pham Minh-Man, do Vietname; e o polaco Nicz, arcebispo de Varsóvia. Entretanto, segundo quanto decidiram ontem, os Cardeais promovem esta tarde, às 17 horas, na basílica de São Pedro, junto ao altar da Cátedra, um momento de oração pela Igreja. A celebração terá início com o Terço do Rosário (mistérios gloriosos), em latim e italiano. Seguirá a exposição solene do Santíssimo Sacramento, com um tempo de adoração; finalmente, a recitação de Vésperas (presididas pelo cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica)

Bento XVI e eu


Sou dele, e ele é meu

Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo

Bento XVI é o meu papa. Em 2005 quando assumiu o ministério petrino, em datas marcantes na minha vida particular, este papa era tão relevante pra mim quanto para um ateu. Não que eu fosse ateu. Pelo contrário, era membro da RCC, e procurava atuar na Igreja como um jovem “revolucionário”, no melhor sentido da palavra, e devo admitir, a RCC – da qual atualmente não sou tão “partidário” – me ajudava e impulsionava a isto. Sim caro leitor, é isso mesmo, estou elogiando a RCC, mas não é dela que estou tratando neste post. Não tive tempo suficiente para conhecer João Paulo II, apesar de na sua morte eu já contabilizar meus 18 anos, era um imaturo doutrinal.

O tempo passou, conheci a Montfort (apenas pelo site), deixei a RCC, virei “tiete” do saudoso professor Orlando, depois me solidifiquei mais um pouco na lista tradição católica e hoje cá estou eu a escrever neste blog que quase ninguém lê. Onde entra Bento XVI nesta história? Ora, toda esta trajetória de mudanças radicais em minha vida foi sob a sombra dele. O professor Orlando Fedeli me ensinou a amar este papa. Sim, há muitos contra o professor, há muitos contra algumas coisas que ele ensinou, mas não estou aqui a julgar o professor, também não é o assunto deste post – Orlando Fedeli não era perfeito, mas fincou alguns tijolos na catedral de minh’alma que está em construção. Bento XVI também. Muitos tijolos foram postos por Bento XVI em minh’alma. Spes salvi muito me ajudou neste período de mudanças em minha vida. Deus caritas est conheci quando ainda estava na RCC, e tentei ainda fazer com que se estudasse este documento por lá. Caritaits in veritati me foi elucidadora!

Bento XVI é o meu papa! O seu discurso à cúria de dezembro de 2005! A liberação da Santa Missa em 2007! A corajosa atitude do levantamento das excomunhões posteriormente! O valente combate a pedofilia e homossexualismo, este pai daquele. A defesa da família! A defesa do embrião! O valente combate à AIDS na África e no mundo! Os puxões de orelhas nos prevaricadores bispos brasileiros nas visitas ad limina! A facada na moribunda Teologia da Libertação, seja quando ainda cardeal ao lado de João Paulo II, seja na sua visita ao Brasil para a abertura do CELAM. A facada na ainda viva e atuante Maçonaria, quando ainda era cardeal da Congregação para Doutrina da Fé!  A defesa da vida e da civilização ocidental em processo de autodestruição. Ah Bento XVI… o meu papa! Meu! Que diria eu se diante dele pudesse estar? Obrigado! Era o que diria. Obrigado por me confirmar na fé. Ó doce Cristo na Terra! Sou muito grato, imerecedor, de ter em nossa época um Papa como este. Não, nós não merecemos Bento XVI. Precisamos, é verdade, mas não merecemos.

Quando em um sitiozinho próximo a minha cidade natal, a mais de 400km da capital Fortaleza, e a milhares de quilômetros da Europa do Vaticano recebo a notícia de minha esposa que por telefone havia recebido a notícia de uma prima minha que Bento XVI havia renunciado, o que pensei? Com espírito mundano e cheio de conspirações logo pensei: foi a Maçonaria! Eles deram um jeito de derrubar o papa. Mas quando, de volta a civilização (ou ao que resta dela), leio o discurso do santo padre logo me acalmo, inquieto, triste e frustrado é bem verdade, mas mais calmo. Assim que leio as suas palavras me vêm a mente aquele papa que havia renunciado para ser monge, o qual no momento se quer lembrava o nome, mas assim respondi para a minha esposa quando me perguntara se algum papa já havia tomado semelhante decisão. Acolhi conformado, pois não tinha mais jeito, a sua escolha. Me entristeci. Me senti órfão, abandonado ao relento de um mundo tomado por lobos modernistas. Temi pelo futuro da Igreja. Agora não temo mais. A promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo me alenta, mas também as ultimas e fortes palavras do melhor pontificado da minha breve vida me acalmam, me conformam e me fazem ter confiança no sucessor do papa da minha vida!

Este texto está uma porcaria. Não é o que tinha em mente. Não consegui expor o que realmente queria. Mas não consigo mais do que isso. Não era somente isso que queria falar de Bento XVI. É muito mais. Mas não consigo. Não sei. Não tenho intelecto para mais. Sou um limitado cristão católico vítima da modernidade que viu em S.S. Bento XVI uma luz no fim do túnel. Sou um velho jovem de Bento XVI. Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo. É isto. Podem ir agora. Tchau.

Sé vacante


 

A Sé está vacante.

 

Portões fechados em Castel Gandolfo sinalizam o fim de um dos pontificados mais corajosos da Igreja. Abaixo imagens do interior e exterior destes portões.

Portão

Portão2

Íntegra da ultima audiência de S.S. Bento XVI: “Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão”


Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Autoridades ilustres!
Queridos irmãos e irmãs!

Obrigado por ter vindo em grande número a esta minha última audiência geral.

Obrigado! Eu estou realmente tocado! E eu vejo a Igreja viva! E eu acho que nós também temos que agradecer ao Criador para o clima agradável que nos dá, mesmo agora no inverno.

Como o Apóstolo Paulo no texto bíblico que acabamos de ouvir, eu sinto no meu coração ter de agradecer especialmente a Deus que orienta e edifica a Igreja, que é a semeadora de sua Palavra e, portanto, alimenta a fé em seu povo. Neste momento, meu ânimo se alarga e abraça toda a Igreja em todo o mundo; e eu agradeço a Deus pela “notícia” de que neste ano de ministério petrino eu haver podido receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e o amor que circula realmente no corpo da Igreja que a faz viver no amor, e da esperança que se abre e se orienta para a plenitude da vida, em direção à pátria celeste.

Sinto que trago todos em oração, em um presente que é aquele de Deus, onde eu coleciono cada reunião, a cada viagem, a cada visita pastoral. Tudo e todos se reúnem em oração para confiá-los ao Senhor, porque temos pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual, e por que nos comportamos de maneira digna Dele e de Seu amor, frutificando em toda boa obra (cf. Col 1 0,9-10).

Neste momento, há uma grande confiança em mim, porque eu sei, todos nós sabemos, que a palavra da verdade do Evangelho é o poder da Igreja, que é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, dá frutos, onde a comunidade de crentes ouve e recebe a graça de Deus na verdade e na caridade. Esta é a minha fé, esta é a minha alegria.

Quando, em 19 de abril de quase oito anos atrás, eu concordei em assumir o ministério petrino, tive a firme convicção de que sempre me acompanhou: esta certeza da vida da Igreja, a Palavra de Deus. Naquele momento, como já havia expresso outras vezes, as palavras que foram ditas em meu coração foram: Senhor, por que me pedes isso e que coisa me pedes? É um grande peso que me põe sobre os ombros, mas se Tu me pedes, a tua palavra lançarei as redes, confiante de que vais me guiar, mesmo com todas as minhas fraquezas. E oito anos depois, posso dizer que o Senhor me guiou, me estava próximo, eu podia sentir a sua presença todos os dias. Ela foi uma parte do caminho da Igreja, que teve momentos de alegria e luz, mas momentos também difíceis, eu me senti como São Pedro e os Apóstolos no barco no Mar da Galiléia, o Senhor nos deu muitos dias de sol e uma brisa leve, os dias em que a pesca é abundante, e havia também momentos em que a água era agitada e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas eu sempre soube que naquela barca está o Senhor e eu sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas dEle. E o Senhor não vai deixá-la afundar, é ele quem a conduz, certamente através dos homens que ele escolheu, porque ele queria. Esta foi e é uma certeza de que nada pode ofuscar. E é por isso que hoje meu coração está cheio de gratidão a Deus porque ele não sente falta de toda a Igreja e para mim o seu consolo, a sua luz, seu amor.

Estamos no Ano da Fé, o que eu queria para fortalecer a nossa própria fé em Deus, em um contexto que parece coloca-la mais e mais em um segundo plano. Eu gostaria de convidar a todos para renovar a firme confiança no Senhor, confiar como crianças nos braços de Deus, a certeza de que seu braço nos apoia e é o que nos permite caminhar todos os dias, mesmo na fadiga. Eu gostaria que todos se sintam amados por Deus, que deu o seu Filho por nós e nos mostrou seu amor sem limites. Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão. Em uma bela oração recitada diariamente no período da manhã se diz: “Eu te adoro, meu Deus, eu te amo com todo o meu coração. Agradeço-lhe por ter me criado, feito cristão”. Sim, estamos felizes pelo dom da fé; é a coisa mais preciosa, que ninguém pode tirar de nós! Agradecemos a Deus por isso todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós o amamos!

Mas não é só Deus que eu quero agradecer neste momento. Um Papa não é só na liderança do barco de Pedro, mesmo que seja sua a principal responsabilidade. Não tenho estado nem nunca estive só na alegria e peso do ministério petrino; o Senhor me colocou ao lado de muitas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram e estiveram próximas. Primeiro de tudo vocês, queridos Irmãos Cardeais:  vossa sabedoria, vosso conselho, vossa amizade foram preciosos para mim; meus colaboradores, começando com meu Secretário de Estado que me acompanhou fielmente ao longo dos anos, a Secretaria de Estado e toda a Cúria Romana, bem como todos aqueles que, em diversas áreas, deram o seu serviço à Santa Sé: são muitas faces que não aparecem, permanecem na sombra, no silêncio, no seu trabalho diário, em um espírito de fé e humildade foram o meu apoio seguro e confiável. Um sentimento especial para a Igreja de Roma, a minha diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, pessoas consagradas e todo o Povo de Deus nas visitas pastorais, nas reuniões, nas audiências, viagens, em que sempre recebi grande cuidado e afeto profundo; eu também amei todos e cada um, sem exceção, com a caridade pastoral, que é o coração de todo pastor, especialmente o Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro. Todos os dias eu trouxe cada um de vocês em oração, com o coração do pai.

Eu queria que meus cumprimentos e os meus agradecimentos chegasse a todos então: o coração de um Papa se estende a todo o mundo. E eu gostaria de expressar minha gratidão ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, o que torna esta uma grande família de nações. Aqui eu também acho que de todos aqueles que trabalham para uma boa comunicação e agradeço-lhes por seu serviço importante.

Neste ponto, eu gostaria de agradecer de todo o meu coração a muitas pessoas ao redor do mundo, que nas últimas semanas me enviaram comoventes provas de amizade, atenção e oração. Sim, o Papa nunca está sozinho, agora eu pude experimentá-lo novamente de uma forma tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e a tantas gente me sinto muito próximo a elas. É verdade que eu recebo cartas de grande parte do mundo – por parte dos chefes de Estado, líderes religiosos, representantes do mundo da cultura e assim por diante. Mas eu também recebo muitas cartas de pessoas comuns que escrevem para mim simplesmente a partir de seu coração e me fazem sentir seu afeto que nasce da nossa experiência com Jesus Cristo, na Igreja. Essas pessoas não me escrevem como se escreve a um príncipe ou a um importante que não conhecem. Eu escrevem como irmãos e irmãs, filhos e filhas, com o sentido de laços familiares muito afetuosos. Aqui você pode tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, uma associação para os religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunidade de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. Experimente a Igreja dessa forma e você quase pode tocá-la com as suas mãos o poder de sua verdade e seu amor, é uma fonte de alegria, um momento em que muitos falam de seu declínio. Vejamos como a Igreja está viva hoje!

Nos últimos meses, eu senti que a minha força diminuiu, e eu pedi a Deus fervorosamente em oração para que me iluminasse com a sua luz para me fazer tomar a decisão certa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja . Tomei este passo com plena consciência de sua gravidade e também inovação, mas com uma profunda paz de espírito. Amar a Igreja também significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante o bem da Igreja e não a si mesmo.

Aqui permita-me para voltar mais uma vez a 19 de abril de 2005. A gravidade da decisão foi justamente no fato de que a partir daquele momento eu estava ocupado sempre e para sempre do Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem qualquer privacidade. Sempre e totalmente pertence a todos, a toda a Igreja. Sua vida é, por assim dizer, totalmente privada da esfera privada. Eu pude experimentar, e experimento precisamente agora, que um recebe a vida como Ele dá [tradução incerta]. Eu disse antes que muitas pessoas que amam o Senhor também amam o Sucessor de São Pedro e gostam dele, que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas de todo o mundo, e que ele se sente seguro no abraço de a comunhão, porque já não pertence a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.

O “sempre” é também um “para sempre” – há um retorno para o privado. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério, não o revoga. Não retorno a vida privada, a uma vida de viagens, reuniões, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas estou em um novo modo  unido ao Senhor crucificado. Eu não uso mais do poder de Oficio para o governo da Igreja, mas no serviço da oração, por assim dizer, no pátio de São Pedro. São Bento, cujo nome porto de Papa, me será um grande exemplo disso. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence inteiramente à obra de Deus

Agradeço a todos e a cada um pelo respeito e compreensão com que têm recebido esta importante decisão. Vou continuar a acompanhar o caminho da Igreja, através da oração e da reflexão, com a dedicação ao Senhor e à sua esposa, que tentei viver até agora todos os dias e que quero viver para sempre. Eu peço que lembrem-se de mim diante de Deus, e acima de tudo rezem para os cardeais, que são chamados para uma tarefa tão importante, e pelo novo Sucessor de Pedro: o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito.

Invoco a materna intercessão de Maria, Mãe de Deus e da Igreja que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial, para que nós, confiança profunda.

Queridos amigos! Deus guia Sua Igreja sempre, e especialmente em tempos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vocês, há sempre a certeza alegre que o Senhor está próximo, não nos abandona, perto de nós e nos envolve com seu amor. Obrigado!

___________

Logo após estas palavras, o Santo Padre fez sua saudação em diversas línguas.

Traduzido do original em italiano do site da Santa Sé.

Tradução não oficial e não autorizada feita por mim.

O ultimo bonde para a FSSPX


POR ANDREA TORNIELLI – do Vatican Insider | Tradução §|Olhar Católico|§

Uma carta do Arcebispo Müller convida a sociedade a responder positivamente até 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro
O PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

O PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

CIDADE DO VATICANO – Último ato e última tentativa para os seguidores de D. Lefebvre. A Santa Sé pede a FSSPX para aceitar o acordo proposto por Roma [e responder] em 22 de fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, e, portanto, antes da demissão de Bento XVI entrar em vigor.

Depois da carta “pessoal”, e muito espiritual, enviada em dezembro passado para aos lefebvrianos pelo arcebispo americano D. Augustine Di Noia, uma nova carta datada de 08 de janeiro chegou ao superior da Fraternidade, Dom Bernard Fellay. Não se sabe ao certo se foi apresentado como um verdadeiro “ultimato”, mas certamente o documento – assinado por Dom Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” – coloca pela primeira vez um prazo aos lefebvrianos. Que sob a luz da clamorosa renúncia de Bento XVI acaba por assumir uma dramaticidade particular.

A existência da carta foi confirmada pelo abade Claude Barthe, intérprete cuidadoso das relações entre Roma e o tradicionalismo, em uma entrevista ao “Présent” no dia 16 de fevereiro: “Todo mundo já sabe que a Comissão Ecclesia Dei enviou uma carta ao bispo Fellay em 08 de janeiro e espera uma resposta dele em 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro”. Neste dia, 22 de fevereiro, pode ser datado a criação da Prelazia de São Pio X. Isto representaria a verdadeira conclusão do pontificado de Bento XVI: a reabilitação do Arcebispo Lefebvre. Pode-se imaginar o barulho do trovão e também, indiretamente, o peso da influência deste no evento de Março, ou seja, o conclave.

De acordo com o Abbé Barthe, os esquemas não seriam assim tão fechado. Embora pareça objetivamente improvável que os lefebvrianos aceitem assinar o “preâmbulo doutrinal” que a Santa Sé deu a eles em junho passado. De acordo com o jornal católico francês “La Croix”, em caso de silêncio no prazo de 22 de fevereiro, Roma reserva-se o direito de aplicar a cada um dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com um apelo direto, sem passar pelo seu superior Fellay. Convidando-os a voltar a entrar individualmente em comunhão com Roma. As primeiras reações do clero lefebvriano, no entanto, parecem bastante unidas e alinhadas com a de seu superior.

Como se sabe, em junho passado, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada, entregou nas mãos de Fellay a mais recente versão do preâmbulo doutrinal acompanhado pela proposta de um acordo canônico, que pretendia transformar a Sociedade de São Pio X em uma Prelatura pessoal.

Nesse documento se pedia aos lefebvrianos que reconhecessem que o Magistério é o intérprete autêntico da Tradição, que o Concílio Vaticano II está de acordo com a Tradição, e que o desenvolvimento da reforma litúrgica pós-conciliar promulgado pelo Papa Paulo VI não foi apenas válido, mas também lícita. Estas condições foram discutidas pelo Capítulo Geral da Sociedade, em julho de 2012, mas nenhuma resposta veio a Roma. Declarações e entrevistas do líder dos lefebvrianos , no entanto, deu a entender que era difícil de aceitar as condições.

A renúncia do Papa levará a uma aceleração dos tempos? Difícil dizer. Certamente uma situação tão favorável, com um Papa tão bem preparado, vai ser difícil se repetir no futuro. E, em caso de recusa à Santa Sé, neste caso, o novo Papa terá que decidir o que fazer.

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Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

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