Frei Rojão: “Desistam e vão para casa!!!”

Desistam e vão para casa!!!

do Blog do Frei Clemente Rojão de Frei Clemente Rojão OAAO
A imprensa está infiltrada por petistas e esquerdistas diversos. Por conseqüência, torna-se anticatólica. Salvo loas aos bocoiós Betto & Boff, é cacete na Igreja sempre. Sempre.

Leio as notícias da visita do papa à Cuba e México, e sinto que é “o dia da marmota” da Jornada de Madri. É mais do mesmo. E qual é o mesmo?
Que já era. A Igreja está acabada. Não consegue superar sua crise. É negada por todos os lados. Que deveria se envergonhar de seu passado distante (Inquisição! Cruzadas!) e de seu passado recente (Pedofilia!). Que qualquer pessoa amante do belo, justo e bom é naturalmente contra a Igreja. Que o papa está velho (isso bem é verdade) e acuado, sem apoio, desesperado. Que a Igreja tenta nos aprisionar nas suas garras, nós que estamos libertos pelo sacrossanto estado laico, que compreendem como proibidor de todas as manifestações religiosas. Que o clero não se renova, que as pessoas não mais dão ouvidos à sua pregação, que não atinge os jovens, que não atinge os velhos. Acusam a Igreja por estar ao lado do poder, acusam a Igreja por não ser atuante contra o poder. E dão trela à qualquer grupelho que se diga contra a Igreja buscando holofotes, mesmo que sua credibilidade seja mínima. Finalmente lembram-se da velha novidade das outras igrejas cristãs separadas da nave-mãe romana, lembram-se que luteranos, anglicanos, coptas e outros não segue a Matriz Romana (que novidade!) e minimizam o protagonismo romano como único porta-voz do cristianismo acuado no mundo. A Igreja vai acabar, vai cair de repente como a União Soviética, ainda em nossas vidas.
In summa, quando leio estas abordagens, dá vontade de fechar a paróquia. Não o fechamento da Vigília do Sábado Santo, mas um fechamento por total falência moral e espiritual. Eu me admiro, se a situação da Igreja fosse como os jornais dizem, que teríamos um gato pingado na missa dominical ainda…
No entanto, os eventos do papa são sucessos estrondosos. E esta instituição decadente, anacrônica e caindo de podre, esperando o amanhã para acabar, reúne pessoas aos milhões e milhões. Quantos grupos “florescentes” desejariam nossa decadência…
O que eles não entendem, afeitos a enxergarem conspirações, é que a Igreja é movida sim por uma agenda, que não é nem um pouco secreta, e obedece a um interesse. O interesse de Jesus Cristo! É por Jesus Cristo que a Igreja se move, é Jesus Cristo que puxa os cordões, é Jesus Cristo que manda na Igreja católica. Não é o papa, nem a Cúria, nem os Sínodos dos bispos, nem o Colégio dos Cardeais, nem as Congregações. Estes são no máximo os feitores. É o filho do dono da vinha é quem manda contratar, manda arrendar, manda colher e manda pagar, é quem age de maneira misteriosa porém com mensagem clara pela Igreja.
É impossível entender a Igreja católica dissociada da realidade da existência e da majestade de Jesus Cristo. Não se compreende sua juventude a despeito dos milênios. Não se figura sua unidade. Não se abarca sua diversidade. A hierarquia não se sustenta por seus méritos. A doutrina não é coerente por força humana. Os fiéis não são atraidos por propaganda nem marketing. Uma força eminentemente sobrenatural mantém este edifício de palha erguido coeso com a resistência do cristal. A Igreja tem um segredo que não é secreto, Jesus Cristo e seu Evangelho, que ela proclama e grita, mas o mundo faz-se cego para ele.
Porém tentam nos fazer perder a esperança e a fé, dizendo “desistam e vão para casa, está acabando”. Diga isso a Lúcifer e seus anjos no Inferno, cujo tempo da derrota e castigo definitivo está próximo, Marana-tá!
Não! Não! Não desistiremos! Seja no Egito, seja na Babilonia, seja em Roma, seja em Avignon, seja nas selvas brasileiras, seja nas africanas, seja nos blogs, seja na rua, seja perseguidos na China, seja perseguidos na Arábia, seja perseguidos nos jornais, não desistiremos, porque Jesus Cristo não desiste, tomba com sua cruz três vezes, três vezes se ergue, oferece o braço ao cravo e é erguido no madeiro em sinal de reconciliação. E tal como age o noivo, tal como age a noiva, tal como Cristo não será derrotada a Igreja!

Reinaldo Azevedo desmascara estratégia abortista: eles fogem da raia!

A Janela de Overton – Ou: Como fazer a opinião pública se deslocar de um ponto para outro ignorando o mérito das questões

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O que esta imagem faz aí no alto? Explico.

Se vocês entrarem na Internet para pesquisar o que é “Janela de Overton”, encontrarão duas referências principais: uma delas diz respeito a um conceito de manipulação — ou, se quiserem, de “operação” — da opinião pública segundo conceitos elaborados por Joseph P. Overton, ex-vice-presidente de um think tank chamado Mackinac Center for Public Policy. Outra, relacionada com a primeira, é um romance policial de Glenn Beck, o demonizado (pelas esquerdas) âncora da Fox News, que usou o conceito para imaginar uma grande conspiração contra os EUA. Mas o que é “Janela de Overton”?

A coisa tem sido explicada por aí de modo capenga. Peguemos justamente o caso do aborto no Brasil. A maioria dos brasileiros é contra, e isso obrigou, inclusive, a presidente Dilma a contar uma inverdade na campanha eleitoral sobre a sua real opinião, que ela já havia expressado. Era favorável à legalização —  chegou a empregar essa palavra — e teve de recuar.

Muito bem: a Janela de Overton registra como pensa a maioria da sociedade num dado momento sobre um determinado assunto. As posições, claro, variam do absolutamente contra ao absolutamente a favor. O pensamento da janela é o máximo que um político, a depender de sua ambição, pode sustentar publicamente. É evidente que um militante do aborto pode ser eleito deputado por eleitores abortistas — mas teria problemas para se eleger presidente da República ou senador.

Muito bem! É possível deslocar a janela para um lado ou para outro? É! Isso demanda trabalho de pessoas especializadas em manipulação da opinião pública. Notem: quando emprego a palavra “manipulação”, não estou querendo dizer “conspiração”. Empresas organizadas passam a atuar na sociedade para lhe oferecer valores que levem ao pretendido deslocamento.

Continuemos com o aborto. Mesmo quando era favorável, Dilma dizia que nenhuma mulher pode gostar da coisa em si, que é um sofrimento. O mesmo afirma sua agora ministra Eleonora Menicucci. Há dias, o impressionante Fernando Haddad afirmou que, “como homem”, é contra — nota: creio que tentou dizer que, como político, nem tanto, sei lá… Repararam que, nessas intervenções, deixa-se de discutir o aborto para debater um outro tema? Que outro? A proposta da tal comissão o evidencia: “as condições da mulher”.

O que isso significa? Para tentar deslocar a janela de opinião do “contra” para o “menos contra”, até chegar à “neutralidade” e, quem sabe?, um dia, ao “a favor”, é preciso trabalhar algum outro valor relacionado ao tema. Para esse trabalho, entra em campo um verdadeiro exército de “especialistas em opinião pública”: assessores de imprensa, relações públicas, institutos de pesquisa, think tanks, agências de lobby. E vai por aí.

Peguemos a questão do Código Florestal, outro exemplo gritante. É evidente que a maioria da população se oporia a que famílias fossem desalojadas ou a uma queda na produção de alimentos. Se a maioria é contra, dificilmente um político com ambições nacionais abraçará essa causa. Mas por que não outra? A da “conservação da natureza” certamente é simpática e tem condições de operar o deslocamento da janela. É o que tem conseguido Marina Silva, que conta com assessoria de imagem profissional. É o que têm conseguido ONGs americanas financiadas pelo setor agrícola dos EUA. Criminalizam os agricultores brasileiros, transformando-os em sinônimo de desmatadores. O caso mais bem-sucedido de que se tem notícia nessa área é o terrorismo feito com o tal aquecimento global. O que pode ser maior do que “salvar o planeta”?

Verdades e mentiras Governo e políticos gastam fortunas tentando vender “idéias” à opinião pública. Quase não há pessoa pública no Brasil que não seja cliente de uma empresa — ou de várias — de assessoria e gerenciamento de imagem. O que se pretende é bem mais do que informar a sua “agenda”. O trabalho é mais amplo: trata-se de detectar um determinado sentimento da sociedade e passar a trabalhar para mudá-lo — eventualmente neutralizá-lo. Querem ver?

O tucano José Serra, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, não tocou até agora em palavras como “aborto” e “kit gay”. No PT, já se manifestaram sobre o assunto o pré-candidato do partido, Fernando Haddad; o presidente da legenda, Rui Falcão; o “chefe de quadrilha” (segundo a PGR) José Dirceu, entre outros. O tema passou a ser tratado pelos próprios petistas, COM A AJUDA DE SETORES DA IMPRENSA, sugerindo que o “outro lado” vai explorar esses temas em campanha e que isso, na verdade, é “uma baixaria”. O trabalho é tão bem-feito que foram buscar declarações contrárias àquela que seria à abordagem não-virtuosa dessas questões até de tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Vale dizer: meteram FHC na campanha pró-PT!

Ora, por que isso? Porque o PT tem pesquisas em mãos que demonstram que esses temas são potenciais fontes de desgaste do candidato petista. Então é preciso aplicar uma espécie de vacina, de remédio preventivo. Antes que o adversário se refira a esses assuntos, Haddad já sai gritando: “Isso é uma baixaria!”.

Nesse caso, o trabalho de manipulação da opinião pública consiste, numa ponta, em transformar o aborto numa decorrência natural dos “direitos da mulher”, desfetalizando o debate. O feto passa a ser uma mera derivação do seu corpo; se a incomoda e se ela não quer, tira-se. Também se vai insistir nas escandalosamente mentirosas 200 mil mortes de mulheres em decorrência de abortos clandestinos. Outro argumento forte, que tende a mover uma fatia dos setores mais conservadores, diz respeito à segurança pública: crianças abandonas pelos pais seriam potencialmente violentas e ameaçariam a sociedade. Na outra ponta, qualifica-se de “reacionários”, “conservadores” e “avessos ao progresso” aqueles que têm uma posição contrária, de modo a silenciá-los. Tudo dando certo, a janela se move.

Sacolinhas plásticas Os temas variam dos mais graves, como o aborto e o Código Florestal, que dizem respeito, respectivamente, à vida humana e à segurança alimentar, aos mais bizarros — mas nem por isso menos lucrativos, como as sacolinhas plásticas nos supermercados. Ninguém convenceria de bom grado um consumidor a sair do mercado carregando compras em caixas de papelão ou em sacolas de lona. Os incômodos são muitos. Alevantou-se, como diria o poeta, um valor mais alto — e hoje base de várias teses autoritárias influentes: a conservação da natureza.

Huuummm… Em nome dela, nada mais de sacolinhas feitas de derivado de petróleo! Certo! Considerando que os brasileiros não comem plástico, aquele troço servia, leitor amigo, na sua casa e na minha, de saquinho de lixo, certo? Sem um, aumenta o consumo do outro, e o resultado tende ao empate. Os supermercados podem ganhar uns trocos não fornecendo os saquinhos, a indústria de plástico pode compensar a baixa do consumo de um produto com a elevação do consumo de outro, e só o consumidor se dana. Mas esperem! Há a sacolinha reciclável, feita, parece, com algum derivado do milho… Descobriu-se de pois que havia um único fornecedor para o produto… É mesmo?

Cuidado! É preciso tomar cuidado para não cair na paranóia de que o mundo é uma grande conspiração; de que forças secretas se movem nas sombras e que estamos sempre sendo administrados por alguém. Não deixem que a “Janela de Overton” abra a “Janela da Conspiração” na sua cabeça. Somos sempre influenciados pelo debate público, pelas opiniões alheias, pela propaganda, pelo trabalho, sim!, dos assessores de imprensa, assessores de imagem, administradores de crise, essas coisas… Isso é normal é do mundo livre. Chata era a vida nos países comunas, onde só se podia ser influenciado pelo… partido!

Como, então, distinguir o “meu pensamento” dessa algaravia de outros pensamentos e lobbies organizados? Bem, não tenho a receita. O que costumo recomendar é o seguinte: verifique sempre se as pessoas estão debatendo o mérito da questão ou algum tema associado, que pode até guardar algum parentesco com o assunto principal, mas que é um óbvio desvio.

Se você se pegar falando sobre o desvio, o tema paralelo, não duvide: você caiu na rede profissional dos operadores de opinião pública. Não faz tempo, o caos nos aeroportos brasileiros e o péssimo serviço oferecido por algumas companhias aéreas acabaram surgindo no noticiário como evidências do sucesso do governo petista na política de distribuição de renda, que teria levado os pobres para o avião. A questão essencial ficou de lado: por que aeroportos e companhias aéreas não se organizaram para isso? A janeja da opinião pública, é evidente, estava numa posição crítica, contrária ao governo e à bagaunça das companhias. Mas se deslocou um pouco para recepcionar a tese do “bom caos”, gerado por motivos edificantes.

Encerro No curto prazo, governos investem somas fabulosas em propaganda, divulgando seus feitos. Aquele outro trabalho, de mudança de valores, é mais sutil. As oposições brasileiras não têm sabido enfrentar nem uma coisa nem outra.

O Tradicionalismo é uma Afirmação.

Por Irmão André Marie | Tradução: Fratres in Unum.com

A pequena aldeia de Villatalla, na diocese italiana de Albenga-Imperia, onde os Beneditinos da Imaculada vivem e onde o pequeno campanário ainda convoca as pessoas para assistir à Missa Tradicional em Latim.

Uma das coisas mais importantes que uma pessoa tem é a identidade. Isso explica porque os nomes são tão importantes para nós. Adão recebeu poder para designar as coisas no Jardim do Édem, mostrando que ele tinha domínio sobre o restante da criação, incluindo Eva, a quem nomeou. Quando uma criança descobre que um grande animal de olhar estranho tem um nome, ela encontra conforto neste fato, e se o papai pode identificá-lo, a coisa não deve ser tão terrível. Ela é conhecida.

Os católicos tradicionais, ou tradicionalistas, designam a si mesmos dessa forma por causa de sua adesão às tradições da Igreja; uma vez que eles o fazem em vista do abandono em larga escala daquelas tradições por parte da hierarquia, assim como clero e fiéis, este é o motivo pelo qual a expressão “católicos” nem sempre é suficiente, embora devesse ser. Além desse conceito muito genérico do que é o tradicionalismo, há compreensões múltiplas e discrepantes do que exatamente define a identidade do tradicionalista. Evitando um dogmatismo rígido onde a Igreja não nos deu ainda uma definição dogmática — precisamos estar preparados para morrer pelo dogma católico, porém não por nossas próprias opiniões — gostaria de considerar o que o tradicionalismo é em sua essência.

O contraste clareia a mente, então começarei com o que o tradicionalismo não é. O tradicionalismo não é uma negação. Ele não é uma recusa. Ele não é um apontar de dedos seguido de “você está errado!”. Existe um nome para essa ideologia: protestantismo. O protestantismo não é um conteúdo, mas sim um anti-conteúdo. Ele não é uma afirmação, mas sim uma negação.

Certamente, o católico deve concordar com as condenações da Igreja, bem como com as suas definições, mas uma existência de condenação é contingente a duas coisas: a verdade que veio primeiro, e um erro que nega a verdade. Em outras palavras, uma condenação, embora boa e necessária, somente surge porque algum vilão (talvez o próprio Satanás) elaborou uma negação da verdade de Deus. Mas a verdade de Deus chegou primeiro.

Os textos do Concílio de Trento nos dão uma ilustração disso. Trento afirma a verdade católica em seus decretos, que são textos comparativamente longos que explicam a doutrina católica em detalhes. Ao final daqueles decretos de rico conteúdo, em seguida, o Concílio condena os diversos erros em seus breves cânones.

Assim, a curta resposta à pergunta referente à identidade do tradicionalista é que ele é um católico que afirma as verdades dogmáticas, os ensinamentos morais e às tradições litúrgicas da Igreja. Isso é substancial e primário. O fato de agir assim em face de oposição, não somente do mundo, mas de outras pessoas que se chamam católicos, é secundário e acidental. Não vamos inverter a ordem, se não permitiremos que o inimigo imponha a nossa identidade.

Uma palavra sobre a busca por uma identidade: acredito que isso seja algo muito moderno, um produto da falta de raízes da cultura moderna, que nos serve a partir de nossas tradições, nossa terra e nossa gente. A modernidade nos homogeneíza, efetivamente desenraizando costumes e culturas locais. O católico é um membro da Igreja universal, mas ele não é um cidadão do universo por causa disso. Ele está localizado, e seu encontro com a Fé está no contexto de lugar, idioma e costume. Um católico do século quatorze na França e seu correligionário do quarto século no Egito possuíam a mesma fé, moral e religião (com padres, bispos, Missa, sacramentos, etc.), mas a variedade de idioma, ritual e costume era grande.

Isso é como deveria ser. Recebemos a fé em nível local. Nós a vivemos em nossas famílias. Nós a pronunciamos em nossos idiomas. Nós a praticamos no prédio daquela igreja, com as pessoas daquela comunidade. (A noção italiana de campanirismo e a concepção Carlista de fueros são expressões culturais e políticas dessa realidade.) A vivência da fé verdadeira é o que produz uma cultura católica, e essa cultura é o que deve impressionar por si mesma nossos jovens, formando as suas convicções, inspirando as suas ações, comandando as suas reações. Uma identidade – genuína, em todo caso – é formada dessa maneira orgânica. Nós não as colocamos e retiramos como um aluno de faculdade indeciso faz com sua carreira universitária. Isso é o que o homem moderno, sem raízes e sem descanso, faz, e essa é uma das causas de sua insanidade.

Em nossos dias, é claro, a Fé não está sendo vivida em lugares onde habitualmente estava. Os campanários italianos, que proporcionam àqueles que os ouvem um sentido de lar, ainda soam, mas freqüentemente anunciam o oferecimento de uma liturgia bizarra, a pregação de uma doutrina aguada e uma religiosidade de conformidade aos padrões do mundo. Assim, o campanirismo, “espírito do campanário”, não representa totalmente o que fazia outrora. E isso vale para outros lugares na Igreja universal. Assim, essa é a razão pela qual os tradicionalistas viajam, às vezes grandes distâncias, para ouvir uma Missa tradicional, com a catequese e a cultura que a acompanham.

Mas ainda podemos fazer muito para viver a Fé em nossas famílias e nossas comunidades. Ao fazê-lo, devemos resistir à tentação de transformar o tradicionalismo em uma ideologia, uma reação ou uma negação do que as outras pessoas fazem. O tradicionalismo é aquilo que somos, aquilo que sabemos, e aquilo que fazemos. Aqui, então, catalogaremos algumas das coisas que os tradicionalistas afirmam ou devem afirmar:

Afirmamos o credo católico em toda a sua integridade.

Afirmamos que a Igreja Católica é a única esposa de Cristo, e que a sua Fé e a sua religião são os únicos caminhos divinamente revelados para se acreditar e servir ao Deus vivo. Conseqüentemente, a Igreja Católica é o único caminho para a salvação.

Afirmamos que a verdade divina é atacada por inimigos da Igreja de Deus, e que os fiéis devem “pelejar pela fé, confiada de uma vez para sempre aos santos.” (Judas 1, 3).

Afirmamos a constituição sobrenatural da Igreja, a hierarquia natural da família e o domínio de Cristo Rei na sociedade. Na medida de nossas possibilidades, trabalharemos para preservar ou restaurar essas coisas em nossas próprias famílias e comunidades; porque o mundo, a carne e o demônio estão minando esta ordem estabelecida por Deus.

Afirmamos que o louvor público de Deus pela Igreja e sua liturgia nos foram entregues com grande cuidado por nossos pais na Fé. Isso foi feito em uma bela variedade de ritos. É errôneo jogar fora esses tesouros de séculos de desenvolvimento cuidadoso sob a proteção do Espírito Santo. Assim, nós os praticaremos, honraremos, amaremos e ensinaremos aos nossos filhos.

A resposta autêntica ao mal é uma vida de virtude e santidade cristã, que nada mais é do que a resposta fiel à vocação básica (o chamado batismal à santidade), vivida de acordo com o modo da “vocação secundária” (ou seja, sacerdócio, vida religiosa, matrimônio, o celibato no mundo).

Há muita coisa obscura e má na vida, mas se optarmos por permitir a nós mesmos sermos consumados por essas coisas, então, que vergonha. São Paulo observa que o que perdemos em Adão é muitíssimo superado por aquilo que ganhamos em Cristo (cf. Romanos 5: 15 seg.). Não é necessário ter Fé para ver a maldade e o desespero; eles são óbvios demais aos sentidos. A grande maravilha é a quantidade de bem que realmente existe, e para ver isso é necessário ter Fé: a água regenerando pecadores como filhos de Deus e herdeiros do Céu, o Próprio Deus descendo em nossos altares nas aparências de pão e vinho, o Evangelho sendo pregado aos pobres.

E o próprio Evangelho, Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo! Esta é a “Boa Nova”: Boa, porque procede do bom Deus, e nova, porque precisa ser dita.

Temos um tesouro na liturgia tradicional da Igreja. Também temos grandes comentários sobre ela, nenhum melhor do que o Ano Litúrgico de Dom Gueranger. Também temos a Sagrada Escritura, os escritos dos Padres e Doutores, e os grandes monumentos intelectuais e artísticos da cultura católica que nasceram com as sociedades cristãs. Tudo o que temos, mais o Próprio Deus, os Anjos, os Santos, e a promessa de glória futura se perseverarmos! E não nos esqueçamos que temos Nossa Senhora, a Causa de Toda a nossa Alegria.

Se, com tudo isso, precisarmos sair em busca de uma identidade, ou defini-la em termos puramente negativos contra alguma outra classe de pessoas, então, realmente, não temos idéia alguma sobre o que seja a Tradição.

Frei Rojão: Mentes insanas em corpos sanos

Acima vai um dos meus mais lacônicos, porém mais importantes, posts ironizando uma das figuras cuja atitude é uma das mais deletérias jamais surgidas na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo na Terra de Santa Cruz, o padre Fábio de Melo. Considero sua vida em muito diferente dos grandes santos dos tempos de outrora… e dos nossos, porque Jesus continua tendo muitos santos em sua Igreja. Não critico apenas seu ensinamento aguado, porque sua psicologia barata é tão rala que nem para levar ao Inferno serve. Eu me refiro ao ensinamento do exemplo mesmo, com uma vida de popstar que esconde o sacerdócio, canta músicas mundanas e em tons prenhes de luxúria e vaidade.

E como a má árvore não pode dar bons frutos, como crème de la crème Fábio de Melo admite que votou na abortista Dilma Rousseff. Com sacerdotes assim, para que a Igreja precisa de inimigos, não? Curioso é que em demagogia barata ele diz que colocaria todas as mulheres no poder. Hum… Até a idólatra rainha Jezabel, que quis degolar Elias? A golpista rainha Atalia de Judá que massacrou a casa de Davi? A princesa Salomé que pediu a cabeça de Batista? A falsa profetisa da igreja de Tiatira (Ap 2,20) ? Finalmente, a prostituta Babilônia, embrigada com a sangue dos cristãos?

Um aspecto que me escandaliza pessoalmente é justamente a aparência do Fabio de Melo. Aquela foto foi especialmente auspiciosa. O Tórax. Oh meu Jesus cujo peito foi maltratado pelos tormentos da Paixão, aquilo é tórax de um sacerdote? Aquilo foi cuidadosamente cultivado. Foi exercitado. Levou tempo. E tempo de um sacerdotes são almas salvas!

E cultivado para quê? Os peitorais desenvolvidos de Fabio de Melo são para amar melhor a Nosso Senhor Jesus Cristo? É para melhor acolher os pobres em seu seio? É para amamentar os órfãos? É para caber um coração inchado pelas dores da Paixão de Cristo?

Para que servem peitorais bem definidos na vida cristã? Para nada de bom, só servem para alimentar a vaidade masculina, mal que neste século até aos filhos de Adão atinge.

São Tomás de Aquino, obeso que era, deveria ter peitões bem brancos e caídos. São Jerônimo deveria ter peitos fundos, de tanto estar curvado sobre as Escrituras. São Francisco, que mal tinha outra roupa senão seu hábito surrado, tinha as chagas de Cristo impressas ao lado do peito. Santo Antão do Egito nem peitos deveria ter, magros de jejuns e vigílias que era. São Clemente teve um peito inchado de afogado, atirado ao mar que foi. São Lourenço teve o peito cozido. São Bento deveria ter cicatrizes horrendas em seus peitos, por haver se jogado nu num espinheiro, para espantar a tentação de uma lembrança de uma mulher… Eu me pergunto o que São Bento acharia de cantar num palco músicas mundanas e ter fãs jogadas aos pés. Bento se atirou aos espinheiros, Fábio se atira aos palcos.

Culto ao Corpo é uma porcaria. Para que gastar tempo e esforço com algo que virará comida dos vermes? Triste destino tem nosso corpo, ou será devorado pelas minhocas, ou vai ser incinerado feito lixo (alguém já se interessou para saber a fortuna de gás que se gasta num crematório? Nossos defuntos não são “carbono-zero”).

(Alias, academias de Ginástica pululam. E se chamam apenas “Academias”! Ora bolas, a Academia de Atenas era puxação de ferro? )

Manter a saúde é bom? É justo e nobre. Mas no devido limite. Ninguém quer estragar sua saúde assim como ninguém quer dirigir e estragar seu carro. O desejo de fugir da morte é universal

Porém o argumento da saúde é um belo esconderijo para a vaidade do culto ao corpo. Até hoje não se achou correlação nenhuma entre o que se chama de fitness e longevidade. Volta e meia, fugindo da curva normal da expectativa de vida, acha-se um centenário. Estes centenários ora fumam feito chaminés, ora vivem feito anacoretas. Não tem regra. É aleatório. Ninguém descobriu ainda quem controla o dado de Matusalém, que demorou muito, mas teve sua cova. É irônico que o salmo 89 continua atual após quinze séculos, poucos passam dos oitenta. Mais pessoas chegam aos setenta, mas parece que o velho relógio continua desligando na batida fatal do “Se comeres do fruto, morrerás”. E se morre mesmo! Não se achou quem tenha fugido a esta regra (salvo Henoc, Elias, e, de acordo com algumas leituras do Dogma da Assunção, a Virgem Maria. Mesmo assim três pessoas em bilhões e bilhões de homens estatisticamente não vale muito, não?)

É verdade que não cai um pardal sem que permita Deus. Mas admitamos, caem pardais velhos e despenados, caem pardais na flor da idade, caem pardaizinhos, caem até ovos com o ninho e tudo. Uma coisa é fato, os pardais cairão mais cedo ou mais tarde. E cairão também as águias e os urubus! Enfim, adianta se esforçar por manter algo que vai se acabar em algumas décadas, que é nosso corpo? A beleza então é mais fugidia, passaram os trinta e cinco e já era, nos tornamos caricaturas. E passando dos setenta e poucos, como diria a grande Emília, a Marquesa de Rabicó, viramos hipótese… Parodiando o salmo 48:

Morrem os personal trainers e os atletas igualmente

Morrem os gordos e também os sedentários

E deixam tudo o que possuem aos estranhos…

Pode-se gastar o que quiser nas Academias (não a de Atenas). Uma bala ou um acidente de carro matam hoje em dia quase tanto quanto um belo infarto. Um avião despencando do céu mata os saudáveis e doentes, não importa o colesterol, os triglicérides, a massa muscular, o índice de gordura corporal… Na trincheira da vida, não sobrevive o soldado mais bravo nem mais forte, mas aquele a quem a granada esporádica da fatalidade não chegou.

Deus deu nosso belo cérebro e nossa alma não para sermos fortes feito ursos, ou rápidos feito leopardos. É para sermos espertos feito homens. Tantos cuidam do corpo e esquecem a mente. Mentes insanas abundam em corpos sanos. E quantos mais esquecem da alma… e nada como um belo jejum ou uma bela disciplina no corpo rebelde para domar a alma também… E se para um leigo o culto ao corpo é perigoso, quanto mais a um sacerdote que deveria mais ainda ter obrigação de mortificar e domar sua carne…

Se te olho te leva a pecar, corte-o fora. Se seu corpo sarado te leva a pecar, engorde!

O ABORTO COMO EXPRESSÃO DA LIBERTAÇÃO DA MULHER NÃO É APENAS UMA FRAUDE MORAL, É TAMBÉM UMA MENTIRA HI STÓRICA. O ABORTO SEMPRE FOI E É CONTRA AS MULHERES!

O ABORTO COMO EXPRESSÃO DA LIBERTAÇÃO DA MULHER NÃO É APENAS UMA FRAUDE MORAL, É TAMBÉM UMA MENTIRA HISTÓRICA. O ABORTO SEMPRE FOI E É CONTRA AS MULHERES!

do Reinaldo Azevedo – Blog – VEJA.com

Já escrevi dezenas de textos demonstrando por que o aborto é moralmente injustificável. Neste artigo, quero desmontar algumas falácias históricas. Os que, como este escriba, são contrários à legalização, ganham referências e argumentos novos. Os que não se convencerem, quando menos, podem tentar melhorar os próprios argumentos.

Em dezembro de 2006, escrevi para a VEJA uma longa resenha, que acabou sendo publicada como “matéria especial”, do livro “The Rise of Christianity: a Sociologist Reconsiders History”, do americano Rodney Stark, hoje já traduzido: “O Crescimento do Cristianismo: Um Sociólogo Reconsidera a História”, publicado pela Editora Paulinas. Leiam-no, cristãos e não-cristãos. A íntegra do texto está aqui. Eu me lembrei de livro e resenha ao ler as declarações da nova ministra das Mulheres, Eleonora Menicucci, que considera o aborto uma espécie, assim, de libertação das mulheres, especialmente das mais pobres. Esse também foi o teor de muitos comentários que chegaram, alguns com impressionante violência. Houve até uma senhora que afirmou que eu deveria ser “executado”. Por quê? Bem, entendi que é porque não concordo com ela. Pelo visto, em nome de suas convicções, ela não se limitaria a eliminar os fetos. Nos dias de hoje, melhor ser tartaruga.

Boa parte dos que me atacaram de modo impublicável — sim, há comentários de leitores que discordam de mim — revela, na verdade, um preconceito anticristão, anticatólico em particular, que chega a assustar. Dá para ter uma idéia do que fariam se chegassem ao poder. Estão de tal sorte convictos de que a religião é um mal que chegam a revelar uma semente missionária. Se o estado pelo qual anseiam se concretizasse, aceitariam a tarefa de eliminar os “papa-hóstias” e os evangélicos em nome do progresso social. Constato, um tanto escandalizado, que a defesa incondicional do aborto, em muitos casos, é só uma das manifestações da militância anti-religiosa. Há nesses espíritos certa, como chamarei?, compulsão da desmistificação. Por que alguns fetos não poderiam pagar por isso, não é mesmo?

Mas volto àquela magnífica tese do “aborto como expressão a libertação das mulheres”. Retomo parte daquela resenha para que se desnude uma mentira. Vamos a um breve passeio pelos primeiros séculos do cristianismo para que possamos voltar aos dias de hoje.

Em seu magnífico livro,Stark, que é professor de sociologia e religião comparada da Universidade de Washington, lembra que, por volta do ano 200, havia em Roma 131 homens para cada 100 mulheres e 140 para cada 100 na Itália, Ásia Menor e África. O infanticídio de meninas — porque meninas — e de meninos com deficiências era “moralmente aceitável e praticado em todas as classes”. Cristo e o cristianismo santificaram o corpo, fizeram-no bendito, porque morada da alma, cuja imortalidade já havia sido declarada pelos gregos. Cristo inventou o ser humano intransitivo, que não depende de nenhuma condição ou qualidade para integrar a irmandade universal. CRISTO INVENTOU A NOÇÃO QUE TEMOS DE HUMANIDADE! As mulheres, por razões até muito práticas, gostaram.

No casamento cristão, que é indissolúvel, as obrigações do marido, observa Stark, não são menores do que as das mulheres. A unidade da família era garantida com a proibição do divórcio, do incesto, da infidelidade conjugal, da poligamia e do aborto, a principal causa, então, da morte de mulheres em idade fértil. A pauta do feminismo radical se volta hoje contra as interdições cristãs que ajudaram a formar a família, a propagar a fé e a proteger as mulheres da morte e da sujeição. Quando Constantino assina o Édito de Milão, a religião dos doze apóstolos já somava 6 milhões de pessoas.

Se as mulheres, especialmente as mulheres pobres, foram o grande esteio do cristianismo primitivo, Stark demonstra ser equivocada a tese de que aquela era uma religião apenas dos humildes. O “cristianismo proletário” serve ao proselitismo, mas não à verdade. A nova doutrina logo ganhou adeptos entre as classes educadas também. Provam-no os primeiros textos escritos por cristãos, com claro domínio da especulação filosófica. Mas não só. Se o cristianismo era uma religião talhada para os escravos — “os pobres rezarão enquanto os ricos se divertem” (em inglês, dá um bom trocadilho: “the poor will pray while the rich play“) —, Stark demonstra que o novo credo trazia uma resposta à grande questão filosófica posta até então: a vitória sobre a morte.

Nos primeiros séculos do cristianismo, a fé se espalhou nas cidades — não foi uma “religião de pastores”. Um caso ilustra bem o motivo. Entre 165 e 180, a peste mata, no curso de quinze anos, praticamente um terço da população do Império Romano, incluindo o imperador Marco Aurélio — o filme Gladiador mente ao acusar seu filho e sucessor, Cômodo, de tê-lo assassinado. Outra epidemia, em 251, provavelmente de sarampo, também mata às pencas. Segundo Stark, amor ao próximo, misericórdia e compaixão fizeram com que a taxa de sobrevivência entre os cristãos fosse maior do que entre os pagãos. Mais: acreditavam no dogma da Cruz e, pois, na redenção que sucede ao sofrimento. O ambiente miserável das cidades, de fato, contribuía para a pregação da fraternidade universal: os cristãos são os inventores da rede de solidariedade social, especialmente quando começaram a contar com a ajuda de adeptos endinheirados e, nas palavras de Stark, “revitalizaram a vida nas cidades greco-romanas”. Os cristãos inventaram as ONGs – as sérias.

Falácias
Não, grandes bocós!!! O cristianismo, na origem, é a religião da inclusão, da solidariedade e da vida. E A INTERDIÇÃO AO ABORTO — VÁ ESTUDAR, DONA ELEONORA!!! — CONFERIU DIGNIDADE À MULHER E PROTEGEU-A DA HUMILHAÇÃO E DA MORTE, bem como todos os outros valores que constituem algumas das noções de família que vigoram ainda hoje. Isso a que os cretinos chamam “família burguesa” é, na verdade, na origem, a família cristã, muito antes do desenvolvimento do capitalismo. O cristianismo se expandiu, ora vejam, como uma das formas de proteção às mulheres e às crianças.

Qualquer estudioso sério e dedicado sabe que não é exatamente a pobreza que joga as crianças nas ruas — ou haveria um exercito delas perambulando por aí. Se considerarmos o número de pobres no Brasil, há poucas. O que lança as crianças às várias formas de abandono — inclusive o abandono dos ricos, que existe — é a família desestruturada, que perdeu a noção de valores. Não precisamos matar as nossas crianças. Precisamos, isto sim, é cultivar valores para fazer pais e mães responsáveis.

Morticínio de mulheres

Vi há coisa de dois dias uma reportagem na TV sobre a dificuldade dos chineses de arrumar uma mulher para casar. Alguns pagam até R$ 19 mil por uma noiva. É uma decorrência da rígida política chinesa de controle da natalidade, que impõe dificuldades aos casais que têm mais de um filho. Por razões culturais, que acabam sendo econômicas, os casais optam, então, por um menino e praticam o chamado aborto seletivo: “É menina? Então tira!” Nesse particular, a China é certamente o paraíso de algumas das nossas feministas e de muitos dos nossos engenheiros sociais, não é? A prática a que se chama “libertação” por aqui serve para… matar mulheres! Repete-se, assim, o padrão vigente no mundo helênico. Não dispondo da ultra-sonografia, muitas meninas eram simplesmente eliminadas ao nascer. E se fazia o mesmo com os deficientes. A China moderna repete as mesmíssimas brutalidades combatidas pelo cristianismo primitivo — com a diferença de que tem como perscrutar o ventre.

Os abortistas fazem de tudo para ignorar o assunto. Mas é certo que, nos países que legalizaram o aborto, o expediente é empregado para eliminar os deficientes e, sim, para impedir o nascimento de meninas, ainda hoje consideradas economicamente menos viáveis do que os meninos. Ainda que isso fosse verdade apenas na China — não é —, já estaríamos falando de um quarto da humanidade.

Que zorra de humanismo vigarista é esse que estabelece as precondições para que uma vida humana possa ser considerada “intocável”? Se não querem ver no corpo humano a morada de Deus, a exemplo dos cristãos, que o considerem, ao menos, a morada do “Homem”.

Reinaldo Azevedo: “Afinal, o que quer o Supremo?”

Tenho mais umas coisinhas a dizer sobre o Supremo Tribunal Federal.

O mensalão é certamente o caso mais importante que já passou pela corte. É esse julgamento que vai nos dizer o que é e o que não é considerado aceitável numa República. Se os principais envolvidos no maior escândalo da República saírem com os ombros leves, então o baixíssimo padrão de moralidade pública se degrada ainda mais. Se forem punidos — POR CRIMES COMETIDOS, É BOM FICAR CLARO! —, resta ao menos a força do exemplo.

Já não basta, convenham, que esse troço dormite lá há quase seis anos? O escândalo estourou em meados de 2005. Vejam quanta coisa se deu na República depois disso. Já não basta, convenham, que o principal beneficiário do mensalão e chefe inconteste do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, não tenha sido nem sequer citado? Permitir, agora, que as coisas “se resolvam” por falta de tempo é um esculacho!

O que pretende ser o Supremo? Uma casa que gosta de debater temas moralmente polêmicos — e nada além disso?

O que pretende ser o Supremo?

- Uma Casa conhecida por ignorar a letra da Constituição no caso da união estável? Afinal, o Supremo é progressista!

- Uma Casa conhecida por ignorar o Código Penal no caso das marchas que fazem a apologia da maconha? Afinal, o Supremo é progressista!

- Uma Casa que, não tarda, há de relativizar o direito à vida no debate sobre o aborto? Afinal, o Supremo é progressista!

O que pretende ser o Supremo? Uma espécie de Madre Superiora liberada, assim, um tantinho porra-louca, capaz de confundir a vontade de queimar um mato com uma tertúlia sobre direitos civis, MAS INCAPAZ DE DAR UMA RESPOSTA PARA UMA SÚCIA QUE ASSALTA A CONSTITUIÇÃO?

Sim, o Supremo atuou em questões importantes: o alcance da Lei da Anistia, o caso Cesare Battisti, os arroubos autoritários da Polícia Federal etc. De toda sorte, para a larga maioria dos brasileiros, eram temas um tanto arcanos.

O julgamento do mensalão tem um efeito também didático. Não estou aqui cobrando que a corte decida segundo o clamor desse ou daquele grupo. Tenho a minha opinião, como sabem. Mas estou cobrando simplesmente é que decida! Estou cobrando é que seja “progressista” cumprindo a letra a Constituição.

Fonte

Frei Rojão: Deus quer o Natal sem pecado

É muito mais fácil renunciar do que se moderar. Por isso que é mais fácil para o casado pecar por luxúria que o celibatário, que em tese vive "na seca" como se fala por ai. É mais difícil beber meio copo de água que passar sede ou beber dois copos de água. Temperança, temperança, temperança, virtude cardeal, como és difícil!!!

Vejo com preocupação uma campanha que anda se alastrando pelas paróquias católicas. Uma campanha que, como todo vício, pode se revestir de virtude. Mas é uma campanha bucéfala, é uma daquelas soluções simples, fáceis e erradas em que o Brasil é mestre entre as nações. Refiro-me a campanha NATAL SEM ÁLCOOL.

Fico embriagado de raiva só de ouvir. Dá-me uma ressaca no bom senso.

Meu São Corbiniano! É verdade que o mau uso do álcool gera males inegáveis. Assim como o mau uso de automóveis (especialmente com álcool), armas de fogo, pipas, internet, televisão, dinheiro, sexualidade, pedaços de cano de ferro (bata com um pedaço de cano de ferro na cabeça de alguém e você entenderá meu ponto)… até a liberdade, valor absoluto, é ruim se for mal usada. Satanás e seus anjos estão até hoje em pleno exercício de sua liberdade…

Como é mais fácil proibir que moderar, muitos católicos vem com este papinho: "Natal sem álcool", emulando seitas heréticas (como os hipócritas adventistas, que se abstém de beber álcool, mas não de contar mentiras sobre a Igreja católica).

Esta campanha é especialmente perigosa porque uma bebida alcoólica é material de sacramento, sim, o vinho – alcoólico por natureza – torna-se verdadeiramente o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, igual em tudo ao mesmo sangue jorrado na cruz, exceto nos acidentes da aparência física e dos fenômenos. Ataque o álcool, e estarás atacando material de sacramento, o Santíssimo Sacramento. Perigoso. Muito perigoso. Será que os distintos sacerdotes que proclamam o Natal sem álcool, na missa do dia 24, não serão chamados de hipócritas???

A Escritura não condena o álcool em si. Condena a bebedeira, não o álcool. Aliás, no Antigo Testamento, beber do fruto de sua vinha era uma bem-aventurança, uma benção do Senhor. Mesmo Israel era a vinha do Senhor. Finalmente, o próprio verbo, Nosso Senhor Jesus Cristo, diz que o vinho é bom, inclusive misturado com água. Como se não bastasse, ele mesmo faz seu primeiro milagre transformando água em vinho. E é difamado pelos fariseus como beberrão. Até a oração na missa comentando as ofertas muitas vezes diz que o vinho alegra o coração.

Se bebida alcoólica é algo intrinsecamente ruim, Jesus Cristo errou transformando água em vinho. Ele não gritou "BODAS SEM ÁLCOOL". Muito pelo contrário, fez da água o vinho, e vinho bom, de excelente qualidade, o vinho do dono da vinha que era Israel. O vinho bom sendo que ele mesmo era a videira, e nós os ramos ligados a ele. Será que houve bêbados nas bodas de Caná? Será que pecaram bêbados? Irão culpar Jesus Cristo por isso?

O abuso do álcool é apenas uma das muitas facetas da gula, o vício capital que é o apego excessivo aos alimentos e o prazer deles. A gula é a irmã gêmea da luxúria, que é o apego excessivo aos prazeres (não só sexuais) e da cobiça que é o apego excessivo aos bens. A cobiça quer coisas, a luxúria quer gozo, a gula quer o prazer de comer e beber, ou de acumular o que comer e beber.

O que Nosso Senhor quer é a campanha NATAL SEM PECADO, porque foi para destruir o pecado é que houve Natal.

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão invejando seu próximo (INVEJA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão se empanturrando de comer (GULA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão se ardendo de desejos impuros pelos colegas (LUXÙRIA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão se mostrando e se exibindo por suas posses ou talentos (SOBERBA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão maquinando como mais possuir (COBIÇA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão desejando o mal a seu próximo (IRA)

Muitas pessoas estarão se abstendo de álcool no Natal, mas estarão sem tomar parte nos preparativos da festa, nem da limpeza depois (PREGUIÇA)

Sem contar a vaidade, maledicência, hipocrisia, mundanismo, e outros mil pecados que podem haver até mesmo numa festa de Natal.

E vão restringir um vinho, um champanhe, ou mesmo a cerveja?

Hipócritas!

Há crimes e assassinatos no Natal, como os mais terríveis dos pecados. Vão num pronto socorro no Natal e vejam o lado negro dos festejos. Sim, muitas vezes causado pelo mau uso do álcool. Mas não pelo álcool em si. In suma, uma festa, mesmo uma de Natal, pode ser o compêndio de todos os vícios. Alias, eu queria ver estes padrecos terem culhões (sim, culhões) de propor o CARNAVAL SEM ÁLCOOL. É fácil se abster de um vinhozinho ou uma cidra no Natal. Proibamos é no carnaval a cerveja e a cachaça, vamos lá, novos fariseus! Querem revolucionar o mundo, hein? Querem vencer a cultura? Ótimo, comecem no carnaval. O álcool mal usado mais mata no carnaval que no natal…

Carros matam, proibamos os carros!

Bolachas engordam, proibamos as bolachas!

Fumar dá câncer, proibamos o cigarro!

Hidrelétricas alagam, proibamos as usinas!

Viver polui, proibamos a geração da vida!

Os outros atrapalham o mundo novo e perfeito, proibamos aos outros o direito de existir! (A Solução comunista)

Enfim, Natal sem álcool uma pinóia! Nosso Senhor que é NATAL COM TEMPERANÇA, NATAL SEM PECADO!

A ditadura da pedagogia

Prof. Carlos Ramalhete

Publicado em 12/2/2008 no jornal Gazeta do Povo, Curitiba

Quem quer que já tenha sido submetido a aulas de pedagogia – por exemplo, em um curso de licenciatura – já conhece esta malsã concocção de marxismo aguado com psicologia rogeriana diluída em proporções homeopáticas, regada com farta dose de paulofreirianismo ao molho de Vygotsky mal-compreendido, com o resultado final modelado na fôrma de bolo de uma vaga versão dietética e politicamente correta do ideário de 1968, decorado com sucata de garrafas PET e polvilhado com um crocante vocabulário inane de "cidadania", "construtivismo", "mudança de paradigma", "transversalidade" e outros termos da moda, normalmente enunciado por senhoras com colares feitos com bolotas grandes. Não, não sei a origem dos colares, mas parece ser uma moda nos meios pedagógicos. Quem conhece sabe do que estou falando.

Na Grécia antiga, onde surgiu o termo, chamava-se "pedagogo" ao equivalente da época do atual motorista do ônibus escolar: pedagogo era o sujeito que levava as crianças ao preceptor, antepassado do nosso professor. Hoje, contudo, o pedagogo é o sujeito que tenta impedir o professor de exercer sua função e ensinar os alunos, cerceando sua atividade e submetendo-a aos ditames de uma visão distorcida do que é ensinar.

Reconhecer a necessidade de uma teoria do aprendizado não implica em esquecer que o propósito primeiro deste processo é aprender. No Brasil, contudo, esta atividade-meio

– o estudo do processo do aprendizado, uma forma de ajudar o professor a ensinar melhor – substituiu a atividade-fim do ensino, que é o aprendizado. O ensino está nas mãos dos pedagogos, não dos professores. Para que alguém seja professor é necessário que se submeta, no mínimo, a alguns semestres de imersão naquele estranho mundo em que garrafas PET formam um "resgate" ou uma "conscientização" rumo a "um novo paradigma". Dar aulas, nem pensar. Perceber o óbvio – ou seja, que o professor sabe mais que o aluno, e tem como função levar o aluno a saber algo que não sabia antes – tampouco.

Quando fiz minha primeira licenciatura, passei um semestre nas garras dos pedagogos. Sobrevivi. Quando fiz minha segunda, passei quatro semestres. Dizem que hoje seriam necessários oito semestres; não sei se é verdade, mas é pelo menos verossímil. Afinal, o que passa por pedagogia hoje em dia é tão distante da realidade de sala de aula, tão distante do processo real do ensino e aprendizagem, que é preciso um tempo enorme para conformar uma pessoa sensata àquela distorcida e bizarra visão de mundo.

Na prática, a entrega do sistema educacional aos pedagogos, como qualquer substituição de uma atividade-fim por uma atividade-meio, leva à decadência da atividade-fim. Imaginemos que, em um surto de loucura, o mesmo ocorresse em outra área. Bom, para que uma fábrica de automóveis funcione, é preciso que ela tenha um serviço de limpeza eficiente. Os faxineiros têm que saber, por exemplo, que não podem aspergir desengraxante nas engrenagens de uma máquina, que há peças pequenas que não podem ser jogadas fora, etc. Sem um bom serviço de limpeza, a fábrica acaba parando.

Do mesmo modo, sem que se tenha uma noção real de como se aprende, um professor não tem como ensinar; lembro-me de um professor que tive, que passava as aulas recitando um caderno com o texto que ele havia escrito. Na prova, cobrava apenas que completássemos as lacunas.

Lacunas aleatórias, a completar de modo preciso: quem escrevesse "mas"

no lugar de "porém" errava a questão; só passava quem decorasse inteirinho o tal caderno. Este sujeito precisaria de noções de pedagogia real.

Mas e se a fábrica decidisse que os faxineiros, com sua atividade-meio, coordenassem tudo, em detrimento da atividade-fim de produção? E se os faxineiros, com suas prioridades e interesses, fossem os gerentes da fábrica? Não sairia um só automóvel da linha de montagem, mas a fábrica estaria sempre limpinha, brilhante mesmo…

Pois bem, pedagogos dirigindo o ensino são como faxineiros tomando conta da fábrica de automóveis: ninguém aprende nada, mas que auto-estima têm os alunos!

Ao cabo dos doze ou treze anos que passam nos bancos escolares, a regra é os alunos saírem analfabetos funcionais, mas com uma auto-estima grande o suficiente para acharem que merecem prêmios por simplesmente existir e um compromisso pessoal com uma "mudança de paradigma"

– não que saibam qual era o anterior, ou sequer o que venha a ser um paradigma, mas aí já seria querer demais, não é mesmo?

Aprender palavras difíceis já pareceria demais com o temido ensino tradicional…

O estudo da Sagrada Escritura

O estudo da Sagrada Escritura é um aparte do estudo da Teologia. A Sagrada Escritura só existe, assim como a teologia só existe, na Igreja. A Igreja é a Coluna e Fundamento da Verdade.

O texto inspirado da Sagrada Escritura, que é parte da Tradição que vive na Igreja e só pode ser entendida dentro dela, não tem "vida própria". Não é uma coisa que se estude independentemente da teologia, a não ser que se queira fazer estudos, sei lá, de sintaxe grega ou hebraica. É por isso que a crítica textual foi condenada repetidamente: ela abandona os princípios básicos de uma exegese ortodoxa, que é forçosamente baseada não na Escritura como algo isolado, mas na percepção da Escritura como parte do Depósito da Fé.

Esta parte do Depósito foi sujeita a perversões inomináveis nos últimos 500 anos, tanto em termos de traduções errôneas quanto em termos de exegeses delirantes, sempre a partir da idéia de jerico de se tomar a Escritura como algo que pode ser abordado independentemente do resto do Depósito da Fé.

Há, assim, hoje (na verdade, nos últimos 500 anos) um perigo constante de erros graves e que colocam a alma em risco ao tomar a Escritura como objeto de estudo isolado. É por isso que eu digo que não se deve sequer abrir a Escritura para estudo (em contraposição à oração dos salmos, meditação da Paixão, etc.) sem que se tenha um excelente domínio da teologia. O domínio da teologia é o domínio do contexto fora do qual é simplesmente impossível ter bom proveito do estudo da Sagrada Escritura. Fora deste contexto teológico, sem este conhecimento, o que se tem é o que S. Pedro alertou: os ignorantes e indoutos (não malvados!, apenas ignorantes e indoutos…) distorcem as escrituras para sua própria perdição.

Para que haja um estudo proveitoso da Sagrada Escritura, assim, é necessário que se tenha no mínimo um nível de conhecimento teológico que ultrapassa em muito o simples catecismo. Sem isso, é criança brincando com um lança-chamas: não pode dar certo.

Além deste pressuposto básico, é necessário que se use a Escritura verdadeira, não versões falsificadas e tendenciosas. E é por isso que a
Igreja manda **queimar** traduções protestantes. Tendo-se o contexto, o "locus" que é a íntegra do Depósito da Fé, é necessário que se tenha a Escritura verdadeira. E é por isso e para isso que a Igreja nos dá a Vulgata. Os textos gregos e hebraicos – bem como boas traduções da Vulgata – podem servir para acrescentar algo, iluminar uma dificuldade, mas o padrão é a Vulgata.

Resumindo, assim, o que eu tenho a dizer é o seguinte: que se estude teologia, muita teologia, estudando-se primeiro o catecismo, depois as
definições magisteriais (no Denzinger, por exemplo), depois lendo os Doutores da Igreja, para aí passar aos Padres da Igreja, e só então abordar o mais difícil, que é a Sagrada Escritura. E na hora de abordar a Sagrada Escritura, que se use a Vulgata primordialmente, com os textos da septuaginta e massoréticos servindo como "cereja de bolo". Se não se sabe latim, grego e hebraico, que se use apenas e tão-somente uma boa tradução da Vulgata para uma língua que se domine, e que não se tente "estudar a Bíblia". Não se vai estar estudando a Bíblia ao ler traduções; se vai estar estudando traduções. E ao ler traduções condenadas pela Igreja, se vai estar envenenando a alma. É bom ler uma tradução **recomendada pela Igreja** como meditação, como oração, etc., mas para fazer exegese, é preciso antes de qual quer outra coisa, antes de abrir a Bíblia, uma excelente formação teológica e um profundo conhecimento da Tradição, e, em seguida, um texto que se saiba *ser a Bíblia*. E este texto é a Vulgata. Não é o texto de manuscritos gregos e hebraicos tardios, nem muito menos traduções vernáculas destes textos tardios, nem muito menos, evidentemente, traduções errôneas e tendenciosas destes textos feitas por hereges.

Estas devem ser **queimadas**, não estudadas. São como pratos de veneno disfarçado de comida cheirosa.

Ficar lendo "bíblia" dos hereges e se metendo a "biblista", mais ainda sem ter tido uma excelente preparação teológica anterior, é como uma criança brincar com um lança-chamas no pátio do posto de gasolina: se não der uma caca muito grande, é porque o anjo da guarda ficou de cabelo branco tentando evitar.

Seu irmão em Cristo,

Carlos

[Retirado e adaptado de uma mensagem à lista
Tradição Católica do professor Carlos Ramalhete, sem revisão do autor]

Será possível que perdure uma sociedade que não tolera o que a formou?

Pronto, aconteceu. O confronto aberto entre o neofascismo que procura modificar toda a cultura ocidental, forçando a população a aceitar, ou melhor, celebrar a homossexualidade, e um dos textos básicos da nossa civilização finalmente teve o seu primeiro round.

Uma congregação protestante paulista publicou um outdoor com as palavras “assim diz Deus”, seguidas de duas condenações bíblicas à atividade homossexual e um chamado à conversão. Um juiz mandou retirá-lo. Uma opinião minoritária surgida ainda dentro do tempo de vida da maior parte dos leitores deste jornal ganhou na Justiça o direito de calar o texto que, independentemente da crença de cada um, é inegavelmente parte fundamental e inspiradora de no mínimo os últimos 2 mil anos da civilização a que pertencemos.

É um conflito ainda mais básico, é um choque ainda mais radical que o que se poderia dar em relação a outra expressão desta mesma crença. A Igreja Católica, por exemplo, ensina que a atividade homossexual (não a tendência nem o desejo: a atividade) é um dos quatro crimes que bradam aos céus por vingança, juntamente com o assassinato de um inocente, negar a um trabalhador sua justa paga e oprimir o pobre.

Condenações semelhantes são feitas pelo budismo, pelo judaísmo ortodoxo (que reconhece um dos trechos presentes no outdoor como escritura sagrada), pelo Islã, pelo confucianismo, e por praticamente qualquer cultura que jamais tenha sobrevivido a mais de um milênio.

O texto bíblico, contudo, é ainda mais essencial em nossa civilização, mais básico em sua aceitação como palavra divina incontestavelmente certa ao longo de 2 mil anos. É uma pedra fundamental da sociedade ocidental que se vê negada, retirada à força, preterida em favor de uma novidade, de uma opinião única recém-chegada e não aceita nem pela tradição cultural da nossa e de outras civilizações nem pela imensa maioria da população, mas que pelo jeito realmente se tornou obrigatória.

É Beethoven destronado por Lady Gaga, Michelangelo destronado por Andy Warhol, a civilização destronada pela desconstrução de tudo e pelo endeusamento do prazer sensível como fonte de identidade. É um Judiciário que, ao invés de preservar a ordem, tenta construir algo que não se sabe o que virá a ser; será possível que perdure uma sociedade que não tolera o que a formou, uma sociedade intolerante da mesma “intolerância” que a erigiu e que é opinião majoritária nela mesma?! Creio que não

Que Deus nos abençoe e Maria nos guarde!
Professor Carlos Ramalhete
Em sua coluna semanal no jornal Gazeta do Povo

A tirania do igualitarismo e a liberdade da obediência

via Apologética Católica de Thiago Santos de Moraes em 08/08/11
Uma reflexão bem interessante de autoria de Marcos Eduardo Melo dos Santos e publicada na seção de opinião da Gaudium Press:

O homem nunca viverá sem "dogmas".

Por mais que nos últimos séculos todas as verdades – mesmo as mais sacrossantas – afirmadas sem medo e sem jaça pareçam ser retrógradas e antipáticas, ainda é verdade que nossos contemporâneos não sabem viver sem elas.

Dogmas não eclesiásticos, mas sim sociais, cujo domínio é aceito por tácita imposição e velada ameaça por toda a opinião pública mundial. Ai! daquele que queira destes "dogmas" discordar… Logo, é excomungado do vento da moda, queimado na fogueira do convívio social, perseguido pela inquisição do isolamento. Ser superior, estar acima dos outros por qualquer título que seja, significa subjugar, sorver do próximo algo de sua dignidade, qualificar o inferior com a tara de inepto. Em consequência, estar submisso significa carecer de personalidade, opinião e liberdade. Significa ser alienado. Dado a outro, de tal forma, que se abandona o que se tem de mais íntimo e de mais nobre do próprio ser: a inteligência e a vontade humana.

Dentre os "dogmas" não eclesiásticos que subjugam os homens iludidos pela atual liberdade de pensamento, o igualitarismo parece ser o mais tirano. Sim. Hoje, a liberdade e a fraternidade só parecem verdadeiras se encerram em si o princípio fundamental da igualdade. Há ainda quem diga que esta opinião em nada nega os princípios do catolicismo. Como argumentos usam eles dos princípios mais inefáveis. Afinal, o Apóstolo não aconselhou aos senhores de Colossos tratarem seus servos "com justiça e igualdade" (Col 4,1)? E as pessoas da santíssima Trindade não são idênticas (iguais) apesar de distintas?

O conceito de igualdade é assim paulatinamente baldeado para o sinônimo de dignidade. Só é possível respeitar a natureza humana ao se afirmar a igualdade entre patrão e empregado, pais e filhos, varão e mulher, homem e animal. Será isto o ideal da humanidade ou simples utopia ensinada por alguns?

Mas há Mestre que leciona de modo diverso. São Paulo afirma que "Cristo Jesus sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens" (Fl 2,5-7). Neste passo, o Divino Mestre abandonou a mais sublime das igualdades para ensinar a beleza da obediência.

Seria demasiado superficial afirmar que o Salvador negou-se em ser igual ao Pai para em última análise deixar os arcanos da divindade a fim de gozar do igualitarismo completo para com os homens. Cristo, sim, abandonou a igualdade para "assumir a condição de escravo" de Deus Pai, quis Ele ser inferior de alguma forma às criaturas racionais, entregando sua vida em benefício daqueles que por nenhum mérito mereceriam a dádiva infinita de seu sangue adorável: "Jesus se fez obediente, até a morte, e morte de Cruz" (Fl 2,8).

Desde o momento da Encarnação até sua Paixão, Deus Filho ensinou através da obediência a beleza da hierarquia e a origem divina do princípio de autoridade (Cf. Jo 19,11). O Redentor assim o fez para que sejamos homens livres pela obediência e não nos submetamos outra vez à tirania do igualitarismo (Cf. Gal 5,1).

Padre Elílio: Semana Santa

Com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, os católicos iniciam as celebrações da chamada semana santa, cujo destaque recai sobre o tríduo pascal (quinta-feira santa, sexta-feira santa e sábado santo), quando a Igreja celebra a “passagem” – paixão, a morte e a ressurreição- de seu Senhor, Jesus Cristo. Os aleluias festivos da ressurreição são rompidos na noite do sábado para o grande Domingo da Páscoa.

Na verdade, os mistérios celebrados na semana santa dizem respeito a todo homem que vem a este mundo, sem exceção. A fé católica sustenta que a verdade sobre quem somos esclarece-se à luz da vida de Cristo, principalmente à luz de sua paixão morte e ressurreição. As questões fundamentais da existência humana – De onde vim? Para onde vou? Que devo fazer? Qual o sentido da vida? – recebem de Cristo as respostas que todo homem gostaria de ouvir. Fomos feitos por Deus e para Deus, e Jesus é quem nos revela a verdadeira face do Pai, fundamento da nossa existência.

Um desejo profundo acompanha todo homem: viver uma vida feliz e sem fim. Com efeito, a imortalidade feliz constitui o grande anseio da alma humana. Ninguém quer uma existência precária e infeliz; ninguém deseja que a vida feliz lhe seja arrebatada. Todavia, grandes inimigos tentam contrariar o anseio humano: a dor, o sofrimento, a morte. Em uma palavra: o mal. Ora, Jesus veio exatamente para nos salvar do mal. Na oração do Pai-Nosso ensinou-nos a pedir: “Livrai-nos do mal”. Com sua vida, o mal foi concretamente vencido. Na semana santa celebramos o coroamento da vitória de Jesus. O Filho de Deus humanado, atravessando o sombrio vale do sofrimento e da morte, saiu vitorioso na madrugada daquele domingo que marcou para sempre a história da humanidade. As forças obscuras do pecado e da morte cederam lugar à poderosa luz que jorrou da ressurreição.

A Igreja anuncia há dois mil anos esta grande alegria: o mal não é a última palavra sobre o homem. Fomos criados por um Deus que é inteligência e amor. Não somos frutos, em última análise, de cegas leis naturais ou do acaso. Deus pensou em nós e nos quis. Ele sempre nos acompanha. Na verdade, Deus se aproximou de nós, em Cristo, até o limite do possível. A vida de Cristo é o grande testemunho de que este Deus sabe e pode tirar o bem até mesmo do mal. Do sofrimento tirou a alegria; do pecado do mundo, a salvação dos homens; da morte do inocente, a vida sem fim para todos que dele se aproximam. Que a celebração piedosa do mistério pascal do Senhor Jesus abra-nos as portas da vida em abundância que ele nos veio trazer.

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

O Puritano vs. O Asceta

Pax Christi!

(…)

O puritano não tem uma preocupação *real* em "não ser do mundo", sim em ser *contra a bagunça do mundo*. Ele é tão do mundo, que parece anti-mundo. A prática dele é pautada (no sentido jornalístico) pelo mundo. Ele só é contra a zorra, mas é tão definido pelo mundo quanto o hedonista. A preocupação dele é de ser contra o mundo, este mundo; ele é contra a desordem na cidade do homem, não a favor da Cidade de Deus.

O asceta, ao contrário do puritano, não é do mundo. Ele não se define pelo mundo. Um asceta vive feliz no alto de uma coluna (como São Simeão Estilita, por exemplo), mas um puritano ficaria horrorizado só de pensar em fazer tamanho "escândalo".

(…)

O católico não é do mundo, mas vive no mundo como um exilado em terra estranha; sua pátria é o Céu. O ascetismo é um meio, um modo de viver no mundo sem ser do mundo.
O puritano é do mundo e vive no mundo; sua pátria é uma versão idealizada do mundo. Seu ideal é um mundo extremamente ordenado, e o ascetismo lhe parece uma fuga da realidade.
O hedonista é do mundo e vive no mundo. Sua pátria é o prazer pessoal que ele tira do mundo e no mundo, e seu ideal é um mundo menor e mais confortável.

O puritanismo é tão comum, inclusive, no meio comunista quanto no meio protestante. Isto ocorre justamente pq a idéia de um mundo ordenado, de um mundo perfeito, que apela ao puritano, é em tese o objetivo final do comunista. A Marina (ex-candidata à presidência), por exemplo, é mais puritana por comunista que por protestante. O horror do comunista ao mercado tem a mesma fôrma de horror à "bagunça" que o horror do puritano.

Para o puritano, a mortificação não faz sentido; o que faz sentido é a mesmice, a "calma", a "Ordnung" pequeno-burguesa, que é igual sempre, todos os dias, em todos os momentos. Puritanos têm horror ao tempo litúrgico, às festas de padroeiro em que um bêbado grita "Viva São João" enquanto queima a mão ao segurar mal um morteiro aceso, etc.

Já o asceta não vai se embebedar na festa, mas vai sorrir ao ver o amor do bêbado a São João, e considerar que o bêbado é provavelmente mais santo que ele, podendo se dar ao luxo de beber. O asceta vai fazer mortificações para não se prender ao mundo, enquanto o puritano vai querer *que o mundo faça mortificações* para se adequar à ordem que ele deseja.

O puritano se vê como superior, o asceta como exilado; o puritano acha que suas ações são exemplares, e o asceta acha que suas tentações mostram a sua fraqueza e sua dependência absoluta de Deus.

[as culturas puritanas:] são modos de "comprovar" a suposta superioridade moral que é um pressuposto do puritano, garantindo ao mesmo tempo a vigilância vinda de fora dos outros puritanos.

O asceta vive no fundo de uma caverna, onde ninguém o vê lutar – só ele e Deus – contra as tentações, que ele percebe como enormes e perigosíssimas; o puritano vive numa vitrine, para que todos vejam claramente como ele vive corretamente, sem cair em tentações – percebidas como coisas que só afetam os fracos, o que ele certamente não é.

É esta negação da natureza humana que faz com que o puritano tenha tamanho horror ao tempo litúrgico. O puritano não entende o sentido da oração do publicano, e prefere entender a Quaresma como um momento de "ordem" (afinal, *ele* não precisa se mortificar! Os outros é que vivem em desordem, ele vive corretamente!), ficando meio ressabiado com a Páscoa. Por ele, a Quaresma duraria o tempo todo; é meio "escandaloso" ver aquela gente toda pulando de alegria na Páscoa, quando é tão evidente que eles vivem em desordem!!!

Já o asceta ama a Páscoa, pq nela até mesmo ele, que tem tamanha dificuldade em viver santamente, pode se alegrar com o presente imerecido da possibilidade de Salvação. E ama a Quaresma, onde ele pode se mortificar mais ainda, para tentar chegar um pouco mais perto de aceitar a graça que vem na Páscoa.

O puritano *sabe* que não é hedonista, e despreza o hedonista. O asceta tem certeza de que é hedonista, e tem muito medo disso; só não se desespera pq confia na graça de Deus.

A comparação é entre a *proibição* da venda de cerveja e a distribuição de camisinhas. Ambas são maneiras de garantir que *os outros* vivam "ordenadamente", forçando uma ordem anti-natural.

Mas justamente; o puritano não compraria cerveja nem fornicaria. Mas ele quer impedir que *os outros* comprem cerveja, e quer "ordenar" a fornicação *alheia*. Puritanos, não podemos esquecer, são do mundo. Se a "ordem" do mundo passa por camisinhas, ele distribui camisinhas. Não é difícil imaginar a Heloísa Helena distribuindo camisinhas, por exemplo; o próprio desprezo do puritano pelos fornicadores e pelos bebedores de cerveja faz com que ele – de alto de sua superioridade moral – imponha desconfortos para "ordenar ao menos um pouquinho" aqueles perdidos. "Pelo menos aqui não vão ter como comprar cerveja"; "pelo menos hoje não vão sair se matando de aids"; "pelo menos lá fora, na chuva, a fumaça dessa chupeta do capeta não vai impregnar os móveis". E isso o faz se sentir tolerante em relação às falhas de caráter e fraquezas dos outros: "eu deveria proibi-lo de fumar, mas tolero que vc fume lá fora"; "você deveria parar completamente de beber cerveja, mas eu até tolero, suspirando, que vc beba uma latinha depois de jogar bola; beber no encontro de oração, contudo, é patético e evidentemente tem que ser proibido"; "você deveria ter relações sexuais apenas para aliviar-se, sem jamais esquecer a pílula, de preferência com hora marcada e sem prazer; mas como não consegue se controlar, como é um fraco, eu até tolero que vc faça essas coisas suadas e nojentas fora de hora, desde que use uma camisinha para não se matar". E por aí vai.

Na verdade, o puritano *gosta* da camisinha, por diminuir o prazer, separar as partes mais nojentas e impedir que a casa fique cheia de crianças, que são um sinal evidente de falta de controle e de ordem.

seu irmão em Cristo,

Carlos

Montfort – O rock pode ser usado para evangelização?

PERGUNTA

Nome:
Phillipe Nogueira Tolentino

Enviada em:
25/10/2010

Local:
Diamantina – MG, Brasil

Religião:
Católica

Escolaridade:
Superior em andamento

Profissão:
Estudante


Aos admirados irmãos do Montfort Paz e Bem!
Por acaso estava lendo alguns artigos e cartas no site até que me deparei com cartas cujo assunto abordado é o rock.
Foi difícil tomar coragem para escrever já que o nível intelectual dos participantes é alto.
Bom, sou fã de vários (não todos) estilos de músicas, por exemplo o rock que conhecia apenas aqueles cujas letras são deploráveis. Como suas letras não me agradavam (já que a letra é um dos critérios que faço para a seleção de músicas), então deixei de lado por um bom tempo sem deixar de gostar do estilo.
Até que certo dia (e isso faz pouco tempo) conheço a banda Rosa de Saron e mais tarde um seminarista me passa músicas das bandas Ceremonya, The Flanders e Eterna. Nelas pude encontrar letras musicas que um bom cristão pode escutar e que se encaixa com o rock.
Quero chegar na seguinte situação:
creio que Deus criou tudo e tudo foi bom, como nos diz as Escrituras. Os sons também se incluem nessa classificação.
Infelizmente alguns usam coisas da criação para o mal, mas tudo o que Ele criou é bom.
O som do rock também foi criado indiretamente por Deus, mas escolheram, primeiramente, como símbolo do satanismo mesmo que ele não seja, em essência, como tal.
Um exemplo parecido é o dia do Natal que primeiramente era usado pelos pagãos como o dia para honrar seu deus, o deus Sol. Mas que a Igreja usou-a para celebrar o dia do nascimento de Jesus, o nosso Sol, a nossa Luz, o nosso Tudo. Assim também com o mês de maio que a Igreja coloca como mês mariano que antes disso era usado pelos pagãos para exaltar a sua deusa, a deusa Flora (se essa informação não estiver errada). E assim vai com o violão e com muitos outros exemplos.
Por isso, concluo o meu pensamento dizendo que nesta colocação que fizeram quanto ao rock não fui inicialmente favorável, que acredito que o rock pode sim ser usado na evangelização, mesmo que, por muitos, ele seja usado por uma causa totalmente contrária.
Gostaria que me ajudassem nessa reflexão e que me dessem suas opiniões.
Obrigado! Que Deus abençoe a todos do Montfort pela intercessão da Virgem Maria.

RESPOSTA

Prezado Phillipe,

Salve Maria!

     O rock (assim como toda música dita pop, sertanojo, samba, forró e etc.) não pode ser usado para evangelização, pois os princípios que constituem a organização musical desses estilos são anti-metafísicos, portanto vão contra a realidade, contra Deus.

     Para uma obra musical (assim como toda obra de arte) ser bela, ela deve estar submissa às Leis que Deus colocou na realidade. Cada criatura tem uma ordem intrínseca que reflete a Deus, e entre todas as criaturas há uma ordem que O reflete de maneira mais perfeita ainda.

     Essa ordem segue certos princípios metafísicos como o princípio de identidade, princípio de não-contradição, relação de causa e efeito, analogia do ser. Todos esses princípios são ontológicos, i.e., dizem respeito a todos os seres. São objetivos e imutáveis. São da própria realidade. Portanto não dependem de fatores históricos, sociais nem culturais, muito menos do “gosto” ou opinião de cada um.

A estética medieval é justamente a que seguiu esses princípios imutáveis. Logo, ela não é válida apenas para a Idade Média.

Segundo a Estética Medieval, a “Música, baseada nas relações proporcionais que envolvem o número, é um símbolo audível de uma ordem ontológica dada por Deus”:

“(…) Music, based on proportional relationships which embody Number, is an audible symbol of a God-given ontological order.”(Proportions in Ancient and Medieval Music, Manuel Pedro Ferreira in “Mathematics and music: Diderot Forum”, Lisbon-Paris-Vienna / Jose Francisco Rodrigues, Hans Georg Feichtinger, Gerard Assayag (editors))

     Como vemos, a música é um símbolo audível da ordem ontológica estabelecida por Deus.

     Símbolo é o inteligível no sensível. É um objeto sensível que contém em si (de modo sintético) uma idéia, um raciocínio, de maneira clara e inteligível.

Assim, as criaturas são símbolos de Deus. O ser delas é de acordo com uma idéia, com um princípio intelectual que Deus colocou para nos ensinar algo sobre Si mesmo.

Toda ordem reflete a Sabedoria ordenadora.

     A ordem do universo reflete a Deus.

     Logo, uma obra de arte que está submissa a essa ordem, indiretamente reflete a Deus.

     Por isso Dante (autor a quem devemos ter muitas ressalvas) bem disse que as obras de arte são como “netas de Deus”.

     O que define uma obra musical não é a existência de sons, mas sim a ordem que há entre eles. Os sons são, de fato, criados por Deus e por isso são bons. Porém, a ordenação de uma obra musical bem como a escolha de sons dignos para ela cabe ao compositor, que é um ser humano e está sujeito ao pecado original.[1]

Se o compositor faz uma obra musical ordenando-a segundo princípios metafísicos, aí sim essa obra pode ser dita “indiretamente” criada por Deus, pois os princípios dessa ordem que a constitui não foram criados pelo compositor.

Nem o rock nem os estilos de música acima mencionados seguem esses princípios. Pelo contrário, há nessas músicas uma verdadeira repulsa a esses princípios. E não importa se há bandas de rock que tentam colocar uma letra “católica” (duvido muito que o sejam) em suas obras, pois a música continua sendo péssima. É até pior, pois engana os católicos mais ingênuos que não tem coragem de parar de ouvir todo o tipo de rock.

     Vejamos quais são esses princípios e como eles devem ser encontrados numa obra musical:

1. Analogia do ser.

     Deus ordenou suas criaturas segundo o princípio de analogia do ser.

     As criaturas são análogas, i.e., semelhantes, tem algo de diferente, algo de igual.

     Logo, as diversas melodias que compõe uma obra musical devem ser semelhantes, i.e., contrastar logicamente.

     As melodias do rock não são ordenadas segundo esse princípio. Aliás, a própria estruturação interna de cada melodia já é desordenada, na maior parte das vezes sendo apenas repetição de fragmentos sem unidade entre si.

2. Relação de causa e efeito.

     A música se dá no tempo.

     Logo, para a música ser Boa, Bela e Verdadeira, ela deve seguir a ordem de como as coisas se dão no tempo. Essa ordem implica numa relação de causa e efeito. Portanto, as melodias que se sucedem numa obra musical devem implicar numa relação de causa e efeito. Deve haver uma melodia principal, original, da qual são derivadas e a qual se refere todas as outras melodias. Essa melodia deve ser causa das outras melodias.

     A primeira melodia de uma obra musical deve ser sempre mais importante do que as outras.

Esse tipo de ordenação implica em que ao escutar uma obra musical, fiquemos atentos a essas relações entre o começo, o meio e o final da obra. Uma relação entre passado, presente e futuro.

     Ora, são os selvagens que, sendo homens decadentes (que, quando recebem a devida instrução deixam de ser decadentes), não têm noção de história, de tempo. O selvagem vive para o instante.[2]

Essa relação de causa e efeito não há no rock. Pois é constituído basicamente de fragmentos de melodias ou proto-melodias repetidos ad nauseam ou variados sem lógica, sem relação de causa e efeito.

3. Princípio de identidade e de não-contradição:

     Se alguma melodia for repetida no decorrer da peça, ela deve ser repetida de maneira clara, i.e., não deformada, para que seja identificada enquanto tal.

     Do mesmo modo, as melodias que são derivadas de uma primeira devem ter elementos que claramente se referem a ela.

     A relação entre a melodia original e a melodia derivada deve ser clara, e não oculta.

     Esse princípio é extremamente negado em peças de compositores Românticos como Beethoven e Richard Wagner. Pois esses compositores eram gnósticos, e é a Gnose que nega o princípio de identidade e de não-contradição.

     Não é a toa que as sonatas românticas justamente por esse fato são chamadas de “sonatas dialéticas”. Poderiam ser bem chamadas de “sonatas gnósticas”.

4. Tudo o que é inferior está ordenado ao que é superior. Hierarquia ontológica entre os elementos musicais.

A ordenação entre as notas musicais deve subjugar a ordenação do ritmo.

     Pois o ritmo é inferior às notas musicais.

Uma música na qual há apenas instrumentos de percussão, sem melodia, é claramente inferior a uma música com melodia.

A ordem que pode haver entre elementos rítmicos é evidentemente inferior à ordem que pode haver entre notas musicais.

     Os selvagens, homens decadentes, fazem música apenas rítmica. E ainda que haja tribos selvagens que juntam ao ritmo algumas notas musicais, essas são usadas de maneira pobre e fragmentada (e submissas ao ritmo)… Exatamente como no rock.

     Do mesmo modo, além do rock, toda música pop, sertanojo, samba, forró etc, coloca o ritmo acima da harmonia entre as notas musicais, pois são músicas selvagens.

     Vemos, portanto que o princípio estruturador dessas obras musicais é o ritmo e não as notas musicais.

     Nessas músicas a melodia e a harmonia obedecem ao ritmo e não o contrário como manda a Metafísica.

     Portanto, há uma verdadeira inversão da ordem da realidade nessas músicas, ou seja, uma desordem, um mal.

Conclusão:

     O rock é uma música selvagem feita com destroços de uma cultura que já foi elevada. É música selvagem ainda que feita com escalas musicais (pois essas não são usadas de modo ordenado, segundo os princípios metafísicos). O rock é uma caricatura selvagem e decadente de uma cultura musical elevada. É o reflexo da decadência da nossa sociedade que, pelas Três Revoluções, recusou a ser submissa ao Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo e a sua única Igreja.

A finalidade de uma obra musical, bem como a de toda obra de arte, é aumentar nossa adesão à realidade, aumentar nossa adesão à Verdade, a Deus, por meio da contemplação estética.

Contemplação que envolve nossas faculdades mais elevadas: sensibilidade, vontade e inteligência.

     Pela razão natural é possível conhecer a Deus pelo seu reflexo na obra da criação.

     Como vimos uma obra de arte, para ser Boa e Bela e Verdadeira, deve estar submissa às leis que Deus colocou na obra da criação, que são princípios metafísicos.

     Portanto do mesmo modo, uma obra musical Boa, Bela e Verdadeira reflete a Deus, o tornando mais cognoscível à razão.

     A boa música é um vitral de Deus.

     Desse modo, se temos uma obra musical como boa, i.e, se a amamos, estamos amando algo que é como uma “fotografia” de Deus.

     E quando guardamos uma fotografia de alguém querido, não gostamos da foto em si, mas da pessoa retratada na foto.

     Portanto, amando a boa música, amamos mais a Deus.[3]

     E assim, conhecendo e amando mais a Deus, temos uma disposição melhor para obedecê-lO e servi-lO.

     Deste modo, a obra de arte tem como finalidade última a maior Glória de Deus: torná-lO mais conhecido, amado e obedecido pelas suas criaturas racionais.

     A contemplação de uma Boa, Bela e Verdadeira obra de arte nos faz submeter a sensibilidade à Beleza, a vontade ao Bem, e a inteligência à Verdade.

     Se estimarmos uma obra de arte que não reflete a Deus, estimamos algo que O contradiz e repudia.

     Ora, a repulsa e a contradição a Deus é própria do demônio, do pecado.

     Portanto, as obras de arte más (e somente um imbecil de má fé veria maniqueísmo nessa denominação) dispõem o homem à desobediência a Deus.

     Quem ouve música má como pop, rock, samba, forró, sertanojo e etc. (e bota etc. nisso!) tem mais dificuldade (na verdade uma verdadeira repulsa) de praticar a Lei de Deus do que àqueles que não ouvem. E para provar isso basta olhar para os fatos.

     A desobediência a Deus é própria do diabo.

     Logo, a obra de arte má reflete o demônio, o pecado, e dispõe a alma a ele.

     A alma então estando indisposta a obedecer a Deus, a praticar o bem, fica disposta ao demônio e ao pecado. Portanto, facilita a ação do demônio sobre ela.

     Não é a toa que há muitos casos de possessão demoníaca envolvendo o rock.

     Como nada está destruído sem ter sido substituído, o combate à má música deve ser feito com a boa música.

     E não falo apenas de canto gregoriano.

     Compositores como Palestrina, Tomás de Luis de Victoria, Orlando di Lasso possuem a obra musical mais perfeita e submissa a Deus que já foi feita.

     Procure os discos do músico Jordi Savall. Apesar dele lastimavelmente ter lançado um CD fazendo uma apologia ao catarismo (heresia gnóstica medieval combatida pela Santa Inquisição), possui muitas gravações de belas obras medievais e dos séculos XV, XVI.

     Procure as gravações das canções do Llibre Vermell de Montserrat, Cantigas de Santa Maria e Ensaladas de Mateo Flecha.

     Entre as músicas populares genuínas, tradicionais, encontrará dentre as mais belas as dos cossacos.

     Tudo isso é facilmente encontrado na internet.

Há muitas outras indicações de músicas que poderia lhe fazer, mas não cabem aqui. É claro que há muitas músicas dignas de serem ouvidas além dessas que recomendei. E é claro também, que há muitos outros tipos de música péssimos que, para não me estender muito, não pude falar aqui (por exemplo: a Ars Nova, Maneirismo Renascentista, iluminismo/enciclopedismo, romantismo, impressionismo, expressionismo, modernismo, jazz). Aguarde novos artigos em breve.

     Espero ter-lhe ajudado, e que você finalmente compreenda que todo católico tem o dever de amar a Beleza e que essa é ontológica, objetiva e não um critério válido apenas para cada indivíduo, época, sociedade ou nação. Pois amar a Beleza é amar a Deus que é a Beleza Absoluta, fonte de toda a beleza criada. E amar a Deus sobre todas as coisas é o Primeiro Mandamento.

Salve Maria!

Doce Coração de Maria sede a nossa salvação. 

Fernando Schlithler


[1] Do mesmo modo, a pedra de mármore foi feita por Deus. Porém, se algum artista faz uma escultura imoral e perversa com mármore, nem por isso ela será Boa e Bela. O mal é uma desordem que o homem faz com os bens criados por Deus, não os usando segundo a finalidade para qual Deus os fez, não submetendo esses bens à Sua Lei.

[2] O selvagem, não tendo noção de tempo, não guarda a colheita para os tempos de escassez. Quando acaba a colheita do lugar em que habita, o selvagem simplesmente se muda e busca outro lugar. O selvagem não tem cultivo, portanto, não tem cultura.

O selvagem vive apenas para a satisfação do instante, do mínimo que é necessário para sobrevivência. Vive da maneira mais baixa, apenas buscando a satisfação do corpo.

A vida de um selvagem se assemelha muito a um lema moderno “carpe diem”: aproveitar o dia, viver sem culpas, sem dilemas morais. Vive-se inconseqüentemente.

Veja como o selvagem é muito parecido com o modo de ser da maioria das pessoas de hoje em dia.

[3] O contrário, portanto também é bem verdadeiro: quem não aprecia a Boa, Bela e Verdadeira obra de arte, mas a tem como feia (portanto má e falsa), é a Deus quem está repudiando, e não apenas obra em si.

Montfort – Qual movimento devo seguir?

Nome:
Luiz Claudio

Enviada em:
10/05/2007

Local:
Guarapari – ES, Brasil

Religião:
Católica

Escolaridade:
Superior em andamento


Prezado Orlando Fedeli,
A Paz do Senhor.
Gostaria antes de qualquer coisa parabenizá-lo pelo valioso trabalho que presta para a sociedade cristã. Com toda certeza a Associação Montfort é vista com bons olhos por nosso Senhor.
Orlando, sou um jovem católico, tenho 19 anos. Sempre estou pesquisando, estudando e lendo sobre teologia, porém mesmo assim, me perco dentre tantas bibliografias. Tenho como estilo, um estilo conservador e tradicionalista, com tudo, não consigo me encontrar na Igreja. Vou à missa, participo de alguns movimentos, mas tudo me parece estranho à DEUS.
A RCC não me agrada de jeito nenhum. Com a Opus fico com o pé atrás, a TFP nem aceita pela Igreja é. Os Legionários são ótimos em sua estrutura, porém sobre seu fundador não podemos dizer o mesmo. O focolare, neo-catecumenato, oficinas de oração, Senhor Deus, tantos movimentos e nada somado com nada!
Venho através desta carta lhe pedir um conselho. Um conselho como jovem católico que está perdido dentre tantas "obras" estranhas aos olhos do PAI. Qual movimento o senhor poderia me aconselhar? Um movimento que fosse pelo menos parecido com a minha forma de pensar. Não gosto de liberalismo, modernismo. Gosto, como já havia dito antes das coisas mais tradicionais. Ou pelo menos um movimento cujo qual posso permaner tranqüilo, sabendo que segue verdadeiramente Cristo. Pois ir à missa por ir, não salva ninguém.
Seria possível essa ajuda?
Obrigado pela atenção!
Abraço,
Salve Maria.

RESPOSTA

Data:
21 Maio 2007


Muito prezado Luiz Cláudio,
Salve Maria.

    Você me pergunta a quem seguir.

    Siga apenas a Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Você me pergunta a que "movimento" ligar-se para ter tranquilidade. É fácil de lhe responder: se quer tranquilidade una-se bem estreitamente à aquilo que não se move: una-se a Pedro. Una-se ao papa, Una-se à Pedra sobre a qual Cristo fundou sua Igreja inamovível. Movimento não traz tranquilidade. Movimento é agitação.

    Faça parte dos católicos que defendem a verdade imutável e que, por isso mesmo, são contra movimentos. Foi depois do Concílio Vaticano II — um concílio interpretativo e relativista — surgiram esses "Movimentos"…

    Quanto movimentação! Quanta agitação! Quanta perturbação! Quanta confusão!

    Por isso, digo-lhe não se filie a movimento nenhum. Estude a doutrinaa católica. Organize um grupo de jovens que queira permanecer com o Papa na defesa da verdade imutável. 
    A Igreja não é um vento que se agita, destrói e nada deixa no lugar. Ela é fundada sobre a rocha. Sobre Pedro.

    Um abraço.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

FONTE

Cachorro vira-lata

Vocês já repararam que não há nada na Criação que aparente maior resolução que os vira-latas de rua? Um vira-lata que anda parece mais resoluto que um soldado que vai para a batalha, que um herói que vai salvar uma vida, que uma mulher que parte ao encontro do amado.

Eles andam, decididos, sem olhar para os lados, com a cabeça erguida, como se houvessem tomado uma decisão irreversível… que não existe.

Trata-se de um bicho burrinho, de um animal que foi criado para buscar agradar a um mestre que não tem, de um ser frustrado naquilo que ele foi criado para ser. Mas como parece resoluto! Como pisa firme, como não olha para os lados!

É um pouco o que me lembram as pessoas que cantam em verso e prosa a falsa liberdade de não serem “tolhidos” pelos Mandamentos, que seguem, escravas de seus instintos, resolutas a caminho do abismo, tratando de caviar a comida podre da lata virada e de vicissitude inelutável da existência a sarna e a bicheira. Não vêem melhor, não sabem haver melhor, não sonham com melhor. Só vêem na liberdade real do cachorro que ama seu mestre e por ele é amado a coleira… que alegra o cãozinho bem-tratado e bem-amado. Orgulham-se de serem “bem-resolvidos sexualmente” quando na verdade são escravos da promiscuidade e de perversas relações de dominação e (ab)uso do sexo oposto (isso qdo é o oposto!); andam firmes, de olhar erguido, em busca daquelas baixezas a que os arrastam os seus instintos, ditadores muito mais exigentes que as amorosas leis da Igreja.

Vivem como um cachorro de rua, que na verdade está sempre procurando a metade que lhe falta, que é o mestre que o acolha e ama e a quem ele protegerá, com o agravante de usarem da razão, dom divino, para se afastar daquilo que ela mesma manda abraçar (a Graça). É o próprio objetivo de seu ser que é frustrado.

[]s,

seu irmão em Cristo,

Carlos

 Retirado de uma mensagem da lista de discussão Tradição Católica do Yahoo Groups enviada pelo professor Carlos Ramalhete.

Gustavo Corção: “Novo Pentecostes”

É a última espetacular novidade religiosa que se espalha com grande sucesso no mundo inteiro. Num recorte recente de “Le Monde” lemos a notícia desse movimento cujo sucesso se contrapõe, na pena de Henri Fesquet, “ao declínio das grandes Igrejas” mais ou menos institucionalizadas. Esse movimento de origem protestante, nascido antes do século, cresceu agora rapidamente. O número de “Assembléias de Deus” que era de 264 em 1963 ultrapassa o número de 400 em 1972. Calcula-se em dez milhões o número de praticantes no mundo inteiro”, diz “Le Monde”; e como era de esperar anuncia que o movimento já entusiasmou o mundo católico onde ganha o nome de “renovação carismática” e até reclama o mais ousado título de “novo pentecostes”.

Em Junho reuniu-se na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos, um “congresso de renovação carismática” com o comparecimento de 25.000 participantes entre os quais figuravam muitos padres, Bispos, e o Cardeal Suhenens, Primaz da Bélgica.

Que dizem de si mesmos esses católicos empenhados em tal movimento? Várias publicações, entre as quais destaco a do jovem casal americano Kevin e Dorothy Ranaghan, num livro traduzido em francês com o título “Le Retour de l’Esprit”, apresentam o movimento pura e simplesmente como uma descontinuidade explosiva surgida na História do Cristianismo e produzida, nem mais nem menos, por uma nova descida do Espírito Santo sobre os milhares de adeptos que recebem, por imposição das mãos de outros, o “batismo do Espírito” e subitamente se convertem, mudam de vida, passam da mais profunda depressão à mais jubilosa exaltação, e começam a “falar em línguas”, como os cristãos da Igreja nascente, e como os apóstolos no dia de Pentecostes (At 2, 1)

Uma as características do estado de espírito produzido nas assembléias carismáticas é a predominância da exteriorização sobre a interiorização, e a marcada emotividade que leva os adeptos a sentirem a presença do Espírito Santo, e a declararem essa convicção com uma espontaneidade — cada um contando sua experiência própria — que se liberta de qualquer compromisso de submissão à aprovação da Igreja. Leia o resto deste post »

Prof. Harold Lewis: aquecimento global é a “maior e mais bem sucedida fraude pseudocientífica que eu já vi em minha longa vida de físico”

Harold Lewis, professor emérito de física da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, renunciou à Sociedade Americana de Física.

O número de títulos do catedrático é como que infindo. Seguem em inglês:

Harold Lewis is Emeritus Professor of Physics, University of California, Santa Barbara, former Chairman; Former member Defense Science Board, chairman of Technology panel; Chairman DSB study on Nuclear Winter; Former member Advisory Committee on Reactor Safeguards; Former member, President’s Nuclear Safety Oversight Committee; Chairman APS study on Nuclear Reactor Safety Chairman Risk Assessment Review Group; Co-founder and former Chairman of JASON; Former member USAF Scientific Advisory Board; Served in US Navy in WW II; books: Technological Risk (about, surprise, technological risk) and Why Flip a Coin (about decision making)

Eis o texto da carta feita pública pelo próprio professor Hal Lewis.

De: Hal Lewis, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara

Para: Curtis G. Callan Jr., da Universidade Princeton, presidente da Sociedade Americana de Física

6 de outubro de 2010

Caro Curt:

Quando eu ingressei na American Physical Society há sessenta e sete anos atrás ela era muito menor, muito mais delicada, e ainda não corrompida pela inundação de dinheiro (uma ameaça contra a qual Dwight Eisenhower advertiu há meio século).

Na verdade, a escolha da física como profissão era, então, uma garantia de uma vida de pobreza e de abstinência. Foi a Segunda Guerra Mundial que mudou tudo isso. A perspectiva de ganho mundano levou alguns físicos.

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Uma afinidade entre humanistas e protestantes


“Sempre me espantei de que Lutero, ao levantar-se contra a autoridade de Roma, ao elaborar novas concepções relativas à vida da Igreja e do clero, ao proclamar o direito ao “livre-exame” dos textos da Escritura, tivesse também se preocupado com um ponto de teologia que não se vê desde logo por que o preocuparia tanto. Refiro-me à questão do papel da graça santificante na vida da alma e à famosa proposição: peca fortemente e crê fortemente, ensinando que a graça não nos purifica mas somente nos cobre e com ela Cristo nos salva ainda que putrefatos pelos pecados habituais, sem limpá-los. Apenas, dizia ele, é preciso crer fortemente para que isso aconteça. Por que tal preocupação? A razão é que os homens da Renascença humanística que haviam “despertado” maravilhados para o mundo novo que se abria para eles, cuja juventude se voltava com confiança para o estudo do latim e do grego e para o apreço da arte dos antigos, que encontravam tantas novidades, tantas viagens arrojadas e novos conhecimentos e técnicas e poder e glorificação, esses mesmos homens, no fundo de suas almas, conheciam a angústia (que Kierkegaard irá chamar de “existencial” e classificar como “desespero”). Essa angústia consistia em ouvirem tantas coisas novas, tantos sinais de um mundo maravilhoso, tantos encorajamentos das personalidades mais em evidência que as próprias autoridades admiravam e honravam (como acontecia com Erasmo) e, não obstante, saberem que pecavam e temerem por sua sorte eterna porque o mundo, naquela época, não estava ainda tão completamente corrompido e depravado como hoje. Os homens temiam porque viam que esses caminhos tão atraentes, largos e brilhantes não lhes ofereciam segurança quanto ao futuro na outra vida. Ora, os grandes autores do tempo procuravam responder a tal inquietação. Erasmo dizia aos jovens:
Os dons magníficos da natureza humana que a invenção e o aperfeiçoamento das ciências testemunham; tantas altas virtudes, tantos preceitos morais tão nobres, provêm da bondade de Deus. Entre o espírito dos bem nascidos e bem instruídos, não há, eu o proclamo, senão muito pouca inclinação para o mal.” (Hyperaspistes, II)
E acrescentava Rabelais:
Em sua regra (de vida) só existe esta cláusula: fazei o que quiserdes, porque pessoas livres, bem nascidas, bem instruídas, vivendo em honestas companhias, têm por sua natureza um instinto agudo que sempre as impele para a virtude e as retira do vício, instinto esse que chamam de “honra”.” (Gargantua, LVII, 1534)
Isso tudo queria dizer que, aos homens que a mentalidade comum impelia para seguirem suas inclinações naturais, esses autores respondiam: “não se preocupem, sigam-nas, é pouco provável que pratiquem o mal, vocês que são bem nascidos, bem instruídos etc.” Ora, a esses mesmos é que Lutero dirá, com sua frase famosa, o equivalente a isto: “não se preocupem, vocês são realmente pecadores, corrompidos, putrefatos e não vão deixar de sê-lo porque nossa natureza é assim mesmo, pecadora. Mas crê fortemente que o Cristo te salva e com isso a Sua graça te cobrirá e te salvará.””
(Júlio Fleichman, Itinerário Espiritual da Igreja Católica)

Retirado de: http://speminaliumnunquam.blogspot.com/2010/11/uma-afinidade-entre-humanistas-e.html

O que está por trás dos ataques a Ratzinger?

ZENIT: O que você acha que está por trás dos ataques ao Papa?

Andrea Tornielli: Não acho que os ataques venham de uma só direção nem que seja um complô. Acho que são vários grupos, várias realidades soltas e diferentes entre si, que têm um interesse comum: transformar a Igreja em uma seita protestante qualquer, porque os ensinamentos da Igreja incomodam.

Não me refiro somente – como muitos poderiam pensar – aos temas da ética ou da sexualidade, mas também aos temas da globalização, do desenvolvimento, da defesa do ambiente, da política multilateral, entre outros. Esses grupos não necessariamente agem usando uma única orientação, mas é claro que criticam publicamente e que atacam o Papa. Penso que têm todo um interesse em enfatizar os problemas da Igreja, como, por exemplo, o escândalo da pedofilia.

ZENIT: Por que o atacam? Por que o impediram de falar na Universidade Sapienza de Roma em janeiro de 2008?

Andrea Tornielli: Certas campanhas mediáticas são determinadas pela “fome” negativa do preconceito consolidado e não correspondem à realidade exposta primeiro pelo cardeal Ratzinger e depois pelo Papa Bento XVI. Querem que ele seja visto como um retrógrado conservador, antiliberal e antidemocrático.

O caso da Sapienza é exemplar porque não foi causado só por minúsculos grupos de estudantes ideologizados, mas também por pesquisadores e professores que “julgaram” Ratzinger, partindo da base de uma citação errada que foi tomada da Wikipédia – aliás, isso deveria nos dizer algo sobre o nível das nossas universidades.

O poder secularizado teme o anúncio de uma verdade irredutível; há lobbies e grupos de poder para os quais a moral cristã e o ensinamento ético da Igreja são incômodos. Em certas situações, a voz da Igreja permanece como o único baluarte de uma consciência não anestesiada.

ZENIT: Você diz que há ataques externos. Acha que também existem ataques internos?

Andrea Tornielli: Claro que sim! Isso é determinado por um fenômeno que nós chamamos de dissidência interna da Igreja, ou seja, teólogos e inclusive bispos que criticam abertamente alguns aspectos do magistério de Bento XVI. O fim último não são os ataques inconscientes, porque são queridos por alguma maquinaria curial, que facilita algumas crises que poderiam ter sido evitadas, mas que, no entanto, cresceram e se converteram em um problema maior.

ZENIT: Continuando com o tema, durante o voo a Portugal, em 11 de maio, o Papa disse que “hoje vemos isso de maneira realmente assustadora: a maior perseguição da Igreja não procede dos inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja”. Quais são estes pecados aos quais o Papa se refere e quais são os grupos e pessoas que criam inimizades no interior da Igreja?

Andrea Tornielli: A pergunta foi formulada com referência explícita aos escândalos de pedofilia que dizem respeito a expoentes do clero. A resposta do Papa foi dramática. Bento XVI explicou que o ataque mais forte acontece no interior, é o pecado da Igreja. No fundo, a história nos ensina que, nos ataques externos à Igreja, sempre existe no final uma saída reforçada, talvez depois de longos períodos de dificuldade ou de perseguição. Já o ataque interno a destrói.

Agora, não são somente os gigantes, inclusive os “espantosos” episódios do abominável crime da pedofilia. Existe também o crescimento de um pensamento não-católico no interior da Igreja Católica: uma realidade denunciada com extrema lucidez desde o Papa Paulo VI, que hoje infelizmente ainda persiste. Fiquei surpreso, por exemplo, com certas reações contra a decisão de Bento XVI de liberar a Missa antiga. Reações públicas, vindas inclusive de bispos. Os exemplos seriam muitos.

ZENIT: O Papa, na homilia da Missa que encerrou o Ano Sacerdotal, no dia 11 de junho, falou num tom muito específico sobre heresias e sobre a necessidade de usar o cajado contra os lobos que querem afugentar o rebanho. A que ele se referia?

Andrea Tornielli: No nosso livro, analisamos a crise dos primeiros cinco anos do pontificado do Papa Ratzinger, não fazemos uma lista de possíveis heresias. Eu gostaria de recordar que, infelizmente, hoje se difundem – de maneira mais ou menos subterrânea – ideias ou interpretações que acabam destruindo a fé das pessoas simples.

Neste sentido, como explicava o então cardeal Ratzinger no começo do seu mandato como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Magistério tem o dever de proteger a fé dos simples, daqueles que não escrevem nos jornais nem vão falar na televisão.

O Magistério tem um dever – dizia ele – “democrático”. Acho que uma mudança radical que o Papa pede a todos é a de ser conscientes de que a Igreja não foi “feita” por nós, não pode ser considerada uma empresa, nem tudo pode ser reduzido a reivindicações sobre funções e ministérios, sua vida não pode estar planificada somente com estratégias pastorais. Se aprendêssemos desse constante apelo do Papa, talvez muitos opositores abertos e ocultos compreenderiam que o Papa não é um monarca absoluto, mas alguém que obedece Jesus Cristo na transmissão do depositum fidei.

Fonte: http://www.zenit.org/article-26088?l=portuguese

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