A imprensa já começa a soltar os cachorros…

O que foi que eu disse hein!? A AFP já começou a soltar os cachorros no Papa e na Fraternidade. Eu não tinha apostado neste tema de notícia no post anterior, mas acreditem, piores virão:

Cisma: fundamentalistas católicos a um passo do acordo

A volta dos que não foram…

É com grande alegria que, via Fratres in Unum, podemos anunciar que em breve a FSSPX estará de volta à Santa Igreja. De onde nunca saiu :-)

Como se volta de onde nunca saiu? – Perguntar-me-ia o nobre e raro leitor deste blog. Pois é, eu não sei, só sei que foi assim ;-)

Na minha humilde e desautorizada opinião nunca estiveram fora aqueles que sempre declararam obediência ao Santo Papa e a Doutrina Católica que SEMPRE foi ensinada, ao contrário de muitos “católicos” que há por aí.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

E que Nosso Senhor Jesus Cristo se compadeça da FSSPX e do Santo Padre, o Papa Bento XVI, pois a ira dos lobos cairá sobre suas cabeças.

Fazendo uma previsão dos próximos noticiários poderemos ter:

-Papa readmite ultra-conservadores à Igreja Católica;

-Depois de retirar excomunhão de bispo negacionista, Papa o readmite na Igreja;

-Levrevistas que negam o Concílio Vaticano II, que renovou e atualizou a Igreja com o mundo, são readmitidos na Igreja;

-Teólogo e ex-colega do Papa Bento XVI, Hans Kung pede renúncia do Papa;

-No seu sétimo ano de pontificado o Papa Bento XVI entra em nova polêmica: readmite bispo negacionista na Igreja;

Então caros (e raros!) leitores, qual das opções acima vocês acham que mais vão, como se diz aqui no Ceará, virviar nos noticiários?

Se vocês acham que faltou alguma, indiquem nos comentários…

Dilma chama a religião de mais de um bilhão de pessoas de “a crença do papa”. Achei que também fosse a dela…

Reinaldo Azevedo

“Eu acho que é a posição do papa e tem que ser respeitada. Encaro que ele tem o direito de manifestar o que ele pensa. É a crença dele e ele está recomendando uma orientação”.

É a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, referindo-se ao pronunciamento inequívoco do papa Bento 16, que condenou o aborto e recomendou aos bispos brasileiros que orientem seus fiéis a não votar em candidatos que defendam a legalização. Já escrevi a respeito.

“É a crença dele…” Errado! É a crença de mais de um bilhão de católicos no mundo inteiro, para os quais o papa é a máxima autoridade religiosa. O PT pediu  — e ministro Henrique Neves, do TSE, autorizou — que impressos dando EXATAMENTE ESSA ORIENTAÇÃO fossem recolhidos. Era uma encomenda da Diocese de Guarulhos.

“Crença dele?” Achei que fosse a dela também. Nos últimos dois meses, eu a vi na Igreja algumas vezes. Na Basílica de Aparecida, ela até chegou a fazer o “Pelo Sinal”. Como Gilberto Carvalho, o réu, não conseguiu dar um curso intensivo, ela errou um tantinho a seqüência “esquerda-direita” na hora de representar o Lenho Sagrado. Acrescentou ainda um toque a mais no nariz etc. Ela queria nos passar a idéia de uma conversão sincera. “Crença dele”???

Instada a comentar a reação do PT à recomendação de igrejas cristãs em favor do voto antiaborto, ela comentou:
“Vamos separar as questões. Eu não acho que o papa tem nada a ver com isso. No Brasil, ocorreu outra coisa: uma campanha que não veio à luz do dia; quem fez a campanha não se identificou, não mostrou sua cara. Foi uma campanha de difamações,calúnias e algumas feitas ao arrepio da lei porque a lei proíbe que isso ocorra. Ele veio a público e falou a posição dele”.

Epa! Há uma salada russa aí. O impresso que o PT pediu para recolher não poderia estar mais à luz do dia; não poderia ser mais iluminado: trazia a assinatura de três bispos; foi redigido pela Comissão de Defesa da Vida da Regional Sul I, da CNBB.

Quais calúnias? Quais difamações?
Pergunta -  Dilma é ou não favorável à descriminação do aborto|?
Resposta -
É. Entrevista à Folha em 2007 e à Marie Claire em abril de 2009 provam que sim.
Pergunta – Dilma integra ou não um governo que agiu em favor da descriminação do aborto?
Resposta -
Sim!
Pergunta – O Programa Nacional de Direitos Humanos que ganhou forma final na Casa Civil, quando Dilma era ministra, trazia ou não a descriminação do aborto como diretriz?
Resposta -
Sim!

E, bem, diante da história reescrita, esporte predileto dos petistas, nada como a verdade ela mesma, que tem de ser relembrada mais uma vez.  Publicarei comentários de petralhas se conseguirem apontar uma única  coisa aqui que não seja FATO. Há alguma?

Discurso do Santo Padre: Indireta ao PT, direta a D. Bergonzini e bispos brasileiros!

Eis a voz de Pedro! Eis a voz do Vigário de Cristo! Quem disse que o Santo Padre não olha por nós? Aos leigos e clero brasileiro que pensam estar anencefálos, Cefas está a apascentar as ovelhas de Nosso Senhor Jesus Cristo, ovelhas que reconhecem a voz do Seu Pastor que fala pela boca de S.S. Bento XVI. Pedro, tu me amas!? É claro que sim oh Senhor, Pedro te amas! Sua Santidade Bento XVI ama-Vos Senhor, e segue os Vossos ensinamentos, as Vossas ordens: apascentar o Vosso rebanho! Do que estou a falar? Deste intrépido discurso do Santo Padre proferiro hoje às seis da manhã, horário de Brasília, no Vaticano aos bispos da regional V do nordeste:

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitae, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Benedictus PP. XVI

Clara de Assis, esposa de Cristo

Caros irmãos e irmãs,

uma das santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. Seu testemunho mostra-nos o quanto a Igreja deve a mulheres corajosas e ricas na fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.

Quem foi então Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, temos fontes seguras, não apenas as antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também os autos do processo de canonização promovido Papa já pouco depois da morte de Clara e que contêm o testemunho dos que viveram ao seu lado por muito tempo.

Nascida em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver pobre e humilde, adotando a forma de vida que Francisco de Assis propunha. Apesar de seus pais planejarem um casamento com algum personagem de relevo, Clara, aos 18 anos, com um gesto audaz, inspirado pelo profundo desejo de seguir a Cristo e pela admiração por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma amiga sua, Bona di Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores junto da pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde de Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, realizou-se um gesto altamente simbólico: enquanto seus companheiros tinham nas mãos tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o hábito penitencial. A partir daquele momento, tornava-se virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, e a Ele totalmente se consagrava. Como Clara e suas companheiras, inumeráveis mulheres no curso da história ficaram fascinadas pelo amor de Cristo que, na beleza de sua Divina Pessoa, preencheu seus corações. E a Igreja toda, através da mística vocação nupcial das virgens consagradas,  demonstra aquilo que será para sempre: a Esposa bela e pura de Cristo.

Em uma das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Bohemia, que queria seguir seus passos, ela fala de Cristo, seu amado esposo, com expressões nupciais, que podem surpreender, mas que comovem: “Amando-o, és casta, tocando-o, serás mais pura, deixando-se possuir por ele, és virgem. Seu poder é mais forte, sua generosidade, mais elevada, seu aspecto, mais belo, o amor mais suave e toda graça. Agora tu estás acolhida em seu abraço, que ornou teu peito com pedras preciosas… e te coroou com uma coroa de ouro gravada com o selo da santidade” (Lettera prima: FF, 2862).

Sobretudo no início de sua experiência religiosa, Clara teve em Francisco de Assis não só um mestre a quem seguir os ensinamentos, mas também um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito belo e importante. Efetivamente, quando duas almas puras e inflamadas do mesmo amor por Deus se encontram, há na amizade recíproca um forte estímulo para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, outros santos vivenciaram uma profunda amizade no caminho para a perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Giovanna de Chantal. O próprio São Francisco de Sales escreve: “é belo poder amar na terra como se ama no céu, e aprender a amar-nos neste mundo como faremos eternamente no outro. Não falo aqui de simples amor de caridade, porque este devemos tê-lo todos os homens; falo do amor espiritual, no âmbito do qual, duas, três, quatro ou mais pessoas compartilham devoção, afeto espiritual e tornam-se realmente um só espírito” (Introduzione alla vita devota III, 19).

Após ter transcorrido um período de alguns meses em outras comunidades monásticas, resistindo às pressões de seus familiares que no início não aprovavam sua escolha, Clara se estabeleceu com suas primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham preparado um pequeno convento para elas. Nesse mosteiro, viveu durante mais de quarenta anos, até sua morte, ocorrida em 1253. Chegou-nos uma descrição de primeira mão de como estas mulheres viviam naqueles anos, nos inícios do movimento franciscano. Trata-se do informe cheio de admiração de um bispo flamengo em visita à Itália, Santiago de Vitry, que afirma ter encontrado um grande número de homens e mulheres, de toda classe social, que, “deixando tudo por Cristo, escapavam ao mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo senhor Papa e pelos cardeais… As mulheres… moram juntas em diferentes abrigos não distantes das cidades. Não recebem nada; vivem do trabalho de suas mãos. E lhes dói e preocupa profundamente que sejam honradas mais do que gostariam, por clérigos e leigos” (Carta de outubro de 1216: FF, 2205.2207).

Santiago de Vitry tinha captado com perspicácia um traço característico da espiritualidade franciscana, a que Clara foi muito sensível: a radicalidade da pobreza associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela atuou com grande determinação, obtendo do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium Paupertatis (cfr FF, 3279). Em base a este, Clara e suas companheiras de São Damião não podiam possuir nenhuma propriedade material. Tratava-se de uma exceção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canônico vigente, e as autoridades eclesiásticas daquele tempo o concederam apreciando os frutos de santidade evangélica que reconheciam na forma de viver de Clara e de suas irmãs. Isso demonstra também que nos séculos medievais, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A propósito disso, é oportuno recordar que Clara foi a primeira mulher da história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis se conservasse em todas as comunidades femininas que iam se estabelecendo em grande número já em seus tempos, e que desejavam se inspirar no exemplo de Francisco e Clara.

No convento de São Damião, Clara praticou de modo heróico as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Ainda sendo a superiora, ela queria servir em primeira pessoa as irmãs enfermas, submetendo-se também a tarefas muito humildes: a caridade, de fato, supera toda resistência e quem ama realiza todo sacrifício com alegria. Sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que em duas ocasiões se comprovou um fato prodigioso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, afastou os soldados mercenários sarracenos, que estavam a ponto de agredir o convento de São Damião e de devastar a cidade de Assis.

Também esse episódio, como outros milagres, dos quais se conservava memorial, levaram o Papa Alexandre IV a canonizá-la só dois anos depois de sua morte, em 1255, traçando um elogio a ela na Bula de canonização, onde lemos: “Quão vívida é a força desta luz e quão forte é a claridade desta fonte luminosa. Na verdade, esta luz estava fechada no esconderijo da vida de clausura, e fora irradiava esplendores luminosos; recolhia-se em um pequeno monastério, e fora se expandia por todo vasto mundo. Guardava-se dentro e se difundia fora. Clara, de fato, se escondia; mas sua vida se revelava a todos. Clara calava, mas sua fama gritava” (FF, 3284). E é precisamente assim, queridos amigos: são os santos que mudam o mundo para melhor, transformam-no de forma duradoura, injetando-lhe as energias que só o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os santos são os grandes benfeitores da humanidade!

A espiritualidade de Santa Clara, a síntese de sua proposta de santidade está recolhida na quarta carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara utiliza uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas, o espelho. E convida sua amiga de Praga a se olhar no espelho da perfeição de toda virtude, que é o próprio Senhor. Escreve: “feliz certamente aquela a quem se lhe concede gozar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], àquele cuja beleza admiram incessantemente todas as beatas multidões dos céus, cujo afeto apaixona, cuja contemplação restaura, cuja benignidade sacia, cuja suavidade preenche, cuja recordação resplandece suavemente, a cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa fará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olhe cada dia para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e perscruta nele continuamente teu rosto, para que possas te adornar assim toda por dentro e por fora… neste espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade” (Quarta carta: FF, 2901-2903).

Agradecidos a Deus que nos dá os santos, que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de benção que Santa Clara compôs para suas irmãs e que ainda hoje as Clarissas, que desempenham um precioso papel na Igreja com sua oração e com sua obra, custodiam com grande devoção. São expressões das que surge toda a ternura de sua maternidade espiritual: “Bendigo-vos em minha vida e depois de minha morte, como posso e mais de quanto posso, com todas as bênçãos com as que o Pai de misericóridas abençoa e abençoará no céu e na terra seus filhos e filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoa e abençoará seus filhos e filhas espirituais. Amém” (FF, 2856).

[Traduzido por ZENIT. Ao final da audiência, o Papa saudou os peregrinos em diferentes idiomas. Estas foram suas palavras em português:]

Clara de Assis foi um verdadeiro clarão luminoso que brilhou na Idade Média, sendo uma das santas mais amadas pelo povo cristão. Seu profundo desejo de seguir Cristo e sua amizade fraterna e grande admiração por São Francisco de Assis a inspirou a deixar a vida aristocrática e rica da sua casa paterna para consagrar-se inteiramente a Cristo, pobre e humilde. Temos aqui um exemplo de como a amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados, que a graça divina purifica e transfigura. Decidida a viver uma pobreza radical associada com uma confiança total na providência divina, conseguiu obter um privilégio papal para que, no seu convento de São Damião, ninguém possuísse qualquer propriedade material. Brilhou pela prática heróica da virtude da humildade, servindo a todas as irmãs com alegria, e pela sua grande fé na Eucaristia. Pela sua grande fama de santidade, foi canonizada somente dois anos após a sua morte.

Papa Bento XVI, CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dom de línguas. Para Canção Nova: Confusão. Para Bento XVI: Comunhão

A malfadada e anticatólica enciclopédia Canção Nova mostra a sua “união” com a Doutrina Católica. Comparemos o que a mesma “ensina” com o que o Papa Bento XVI ensina:

Canção Nova:

Enciclopédia Canção Nova: só confusão

Enciclopédia Canção Nova: só confusão

O primeiro dom que se manifestou foi o de línguas. Em pentecostes, os discípulos, junto com Maria, ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a orar, a louvar, a cantar numa língua nova, a língua do Espírito. Alguns interpretaram o acontecimento e disseram: Eles louvam a Deus, estão cantando as glórias de Deus, e nós estamos entendendo com o coração. Outros estavam ali como curiosos, brincando, zombando, dizendo que os discípulos estavam bêbados. Pedro explicou: Não estamos bêbados; pelo contrário, está se cumprindo a profecia de Joel. O primeiro dom criou confusão. (Fonte)

Sua Santidade Papa Bento XVI:

Só rezando

Só rezando...

“De forma diferente do que aconteceu com a torre de Babel, quando os homens que queriam construir com as suas mãos um caminho para o céu terminaram por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente, o Pentecostes do Espírito, com o dom das línguas, mostra que sua presença une e transforma a confusão em comunhão” (Fonte)

E ainda vem neguingo aqui me dizer que o Papa “aprova” a Canção Nova! Que a Canção Nova está em plena comunhão com a Igreja. De que adianta, se a “Canção Nova não aprova o Papa”!? Não segue a Doutrina Católica, deturpa as Sagradas Escrituras e atropela a Tradição! Como diria uma certa blogueira: “Plena comunhão… da desobediência!”

E como diria esta mesma blogueira ainda: Canção Nova, passar bem… Longe de mim!

Post relacionado: Enciclopédia Canção Nova x Bíblia: com quem ficar?

O que está por trás dos ataques a Ratzinger?

ZENIT: O que você acha que está por trás dos ataques ao Papa?

Andrea Tornielli: Não acho que os ataques venham de uma só direção nem que seja um complô. Acho que são vários grupos, várias realidades soltas e diferentes entre si, que têm um interesse comum: transformar a Igreja em uma seita protestante qualquer, porque os ensinamentos da Igreja incomodam.

Não me refiro somente – como muitos poderiam pensar – aos temas da ética ou da sexualidade, mas também aos temas da globalização, do desenvolvimento, da defesa do ambiente, da política multilateral, entre outros. Esses grupos não necessariamente agem usando uma única orientação, mas é claro que criticam publicamente e que atacam o Papa. Penso que têm todo um interesse em enfatizar os problemas da Igreja, como, por exemplo, o escândalo da pedofilia.

ZENIT: Por que o atacam? Por que o impediram de falar na Universidade Sapienza de Roma em janeiro de 2008?

Andrea Tornielli: Certas campanhas mediáticas são determinadas pela “fome” negativa do preconceito consolidado e não correspondem à realidade exposta primeiro pelo cardeal Ratzinger e depois pelo Papa Bento XVI. Querem que ele seja visto como um retrógrado conservador, antiliberal e antidemocrático.

O caso da Sapienza é exemplar porque não foi causado só por minúsculos grupos de estudantes ideologizados, mas também por pesquisadores e professores que “julgaram” Ratzinger, partindo da base de uma citação errada que foi tomada da Wikipédia – aliás, isso deveria nos dizer algo sobre o nível das nossas universidades.

O poder secularizado teme o anúncio de uma verdade irredutível; há lobbies e grupos de poder para os quais a moral cristã e o ensinamento ético da Igreja são incômodos. Em certas situações, a voz da Igreja permanece como o único baluarte de uma consciência não anestesiada.

ZENIT: Você diz que há ataques externos. Acha que também existem ataques internos?

Andrea Tornielli: Claro que sim! Isso é determinado por um fenômeno que nós chamamos de dissidência interna da Igreja, ou seja, teólogos e inclusive bispos que criticam abertamente alguns aspectos do magistério de Bento XVI. O fim último não são os ataques inconscientes, porque são queridos por alguma maquinaria curial, que facilita algumas crises que poderiam ter sido evitadas, mas que, no entanto, cresceram e se converteram em um problema maior.

ZENIT: Continuando com o tema, durante o voo a Portugal, em 11 de maio, o Papa disse que “hoje vemos isso de maneira realmente assustadora: a maior perseguição da Igreja não procede dos inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja”. Quais são estes pecados aos quais o Papa se refere e quais são os grupos e pessoas que criam inimizades no interior da Igreja?

Andrea Tornielli: A pergunta foi formulada com referência explícita aos escândalos de pedofilia que dizem respeito a expoentes do clero. A resposta do Papa foi dramática. Bento XVI explicou que o ataque mais forte acontece no interior, é o pecado da Igreja. No fundo, a história nos ensina que, nos ataques externos à Igreja, sempre existe no final uma saída reforçada, talvez depois de longos períodos de dificuldade ou de perseguição. Já o ataque interno a destrói.

Agora, não são somente os gigantes, inclusive os “espantosos” episódios do abominável crime da pedofilia. Existe também o crescimento de um pensamento não-católico no interior da Igreja Católica: uma realidade denunciada com extrema lucidez desde o Papa Paulo VI, que hoje infelizmente ainda persiste. Fiquei surpreso, por exemplo, com certas reações contra a decisão de Bento XVI de liberar a Missa antiga. Reações públicas, vindas inclusive de bispos. Os exemplos seriam muitos.

ZENIT: O Papa, na homilia da Missa que encerrou o Ano Sacerdotal, no dia 11 de junho, falou num tom muito específico sobre heresias e sobre a necessidade de usar o cajado contra os lobos que querem afugentar o rebanho. A que ele se referia?

Andrea Tornielli: No nosso livro, analisamos a crise dos primeiros cinco anos do pontificado do Papa Ratzinger, não fazemos uma lista de possíveis heresias. Eu gostaria de recordar que, infelizmente, hoje se difundem – de maneira mais ou menos subterrânea – ideias ou interpretações que acabam destruindo a fé das pessoas simples.

Neste sentido, como explicava o então cardeal Ratzinger no começo do seu mandato como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Magistério tem o dever de proteger a fé dos simples, daqueles que não escrevem nos jornais nem vão falar na televisão.

O Magistério tem um dever – dizia ele – “democrático”. Acho que uma mudança radical que o Papa pede a todos é a de ser conscientes de que a Igreja não foi “feita” por nós, não pode ser considerada uma empresa, nem tudo pode ser reduzido a reivindicações sobre funções e ministérios, sua vida não pode estar planificada somente com estratégias pastorais. Se aprendêssemos desse constante apelo do Papa, talvez muitos opositores abertos e ocultos compreenderiam que o Papa não é um monarca absoluto, mas alguém que obedece Jesus Cristo na transmissão do depositum fidei.

Fonte: http://www.zenit.org/article-26088?l=portuguese

Enquanto Papa diz uma coisa PUC-SP faz outra

Enquanto os professores da PUC-SP atentam contra a vida e lançam livreco que defende o aborto, S.S. Bento XVI afirma que escola católica deve ser coerente com a doutrina. Leia abaixo notícia da Zenit.org:

Escola católica deve ser coerente com a doutrina, diz Papa
Ao se encontrar com religiosos e professores católicos britânicos

LONDRES, sexta-feira, 17 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Não só o que se ensina nas escolas católicas deve ser coerente com a doutrina, mas também os religiosos que se dedicam ao ensino devem ser modelo com sua própria vida.Foi o que afirmou Bento XVI aos representantes das escolas católicas britânicas, a quem encontrou na manhã desta sexta-feira, no St Mary’s University College em Twickenham (bairro londrino de Richmond).

O Papa falou, na capela da instituição, para cerca de 300 religiosos e professores das escolas católicas, a quem assinalou que sua presença é um sinal que recorda o espírito e costumes católicos que devem permear todos os aspectos da vida escolar.

“Isso vai além da evidente exigência de que o conteúdo do ensino concorde sempre com a doutrina da Igreja. Trata-se de que a vida de fé seja a força impulsora de toda atividade escolar, para que a missão da Igreja se desenvolva com eficácia”, afirmou o Papa.

Bento XVI recordou aos presentes, entre quem se encontrava também o Ministro de Instrução britânico, Nick Gibb, que já desde a entrada do cristianismo na Inglaterra este realizou um importante trabalho educativo.

“Os monges perceberam com clareza esta dimensão transcendente do estudo e do ensino, que tanto contribuiu para a evangelização destas ilhas”, afirmou o Papa.

O pontífice também quis recordar a venerável Mary Ward e suas Damas Inglesas. Mary (1585 – 1645), nascida durante a perseguição anticatólica posterior à Reforma, fundou uma original obra educativa, que se estendeu por todo continente.
“Eu mesmo, quando criança, fui educado pelas ‘Damas Inglesas’, e tenho por elas uma profunda dívida de gratidão”, reconheceu o Papa.

Neste sentido, quis também recordar aos presentes que “a tarefa de um professor não é simplesmente comunicar informação ou proporcionar capacitação em habilidades orientadas ao lucro econômico da sociedade”.

“A educação não é nem nunca deve ser considerada algo meramente utilitário – advertiu –. Trata-se da formação da pessoa humana, preparando-a para viver em plenitude. Em uma palavra, trata-se de partilhar sabedoria. E a verdadeira sabedoria é inseparável do conhecimento do Criador”.

O Papa quis animar os religiosos de forma concreta a não abandonar sua presença no âmbito educativo.

“Como os papéis respectivos da Igreja e do Estado no âmbito da educação continuam evoluindo, nunca esqueçais que os religiosos têm uma única contribuição a oferecer a este apostolado, sobretudo através de suas vidas consagradas a Deus e por meio de sua fidelidade: o testemunho de amor a Cristo, o Mestre por excelência”, afirmou.

Por último, destacou – em referência aos episódios de abuso sexual – a importância de que as escolas católicas sejam “locais seguros” para crianças e jovens, e inclusive que este “clima de confiança” seja um distintivo destes centros. 

“Nossa responsabilidade com aqueles que nos confiaram sua formação cristã não pode exigir menos”, afirmou. “De fato, a vida de fé pode-se cultivar com eficácia quando prevalece um clima de confiança respeitosa e afetuosa”.

Ao finalizar seu discurso, o Papa presenteou à St. Mary University, na pessoa de Dom Stack, bispo auxiliar de Westminster, um mosaico da Virgem Maria.

A espada de Bento XVI: seu magistério!

 

“O magistério de Bento XVI é uma espada que fere no coração a mentalidade dominante, para dizer só o mínimo ”( Cardeal Antonelli : São eles que insurgem a opinião contra a Igreja por CMdelaRocca (2010-04-22 15:07)

Crise de pederastia na Igreja em 1.001 palavras e a resposta de Bento XVI

Por Marc Argemí*

ROMA, segunda-feira, 26 de abril de 2010 (ZENIT.org).- O New York Times (NYT) publica (12/3/10) que em 1980 a arquidiocese de Munique e Freising, sendo Joseph Ratzinger bispo, acolheu e finalmente reincorporou um sacerdote acusado de abusar sexualmente de crianças.

O padre perpetrou mais tarde novos abusos e foi processado. Como se demonstrou depois, quem tomou a decisão de readmitir não foi Ratzinger, mas o vigário geral: a reinserção aconteceu em setembro de 1982, quando Ratzinger já estava em Roma. No dia 5/03/10, tenta-se implicar o irmão de Ratzinger, mas a acusação não se sustenta.

A resposta de Bento XVI

Bento XVI (19/03/10) escreve uma carta aos bispos da Irlanda sobre os abusos a crianças e jovens por parte de clérigos, destapados pelos informes Murphy (julho de 2009) e Ryan (maio de 2009). A Irlanda é o segundo país após os Estados Unidos onde se investiga a fundo.

Na carta, Bento XVI aponta 8 causas deste desastre: 1) inadequada reposta à secularização, 2) descuido de práticas sacramentais e devocionais (confissão frequente, oração diária e retiros anuais), 3) tendência a adotar formas de pensamento e julgamento sem referência suficiente ao Evangelho, 4) tendência a evitar enfoques penais das situações canonicamente irregulares, 5) procedimentos inadequados para determinar a idoneidade dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa, 6) insuficiente formação humana, moral, intelectual e espiritual nos seminários e noviciados, 7) tendência social a favorecer o clero e outras figuras de autoridade e 8) preocupação fora de lugar pelo bom nome da Igreja e para evitar escândalos.

Às vítimas, disse: “sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes (…). É comprensível que vos seja difícil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos. Ao mesmo tempo peço-vos que não percais a esperança”. Aos sacerdotes e religiosos que abusaram de crianças: “por isto deveis responder diante de Deus omnipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos”. Aos bispos: “não se pode negar que alguns de vós e dos vossos predecessores falhastes, por vezes gravemente, na aplicação das normas do direito canónico codificado há muito tempo sobre os crimes de abusos de jovens. Foram cometidos sérios erros no tratamento das acusações”.

Bento XVI propõe cinco medidas: 1) um ano de penitência, 2) redescobrir o sacramento da Reconciliação (a confissão), 3) fomentar a adoração eucarística, 4) uma Visita Apostólica (uma inspeção) em algumas dioceses, seminários e congregações religiosas, 5) uma missão para todos os bispos, sacerdotes e religiosos. Entre outras palavras: fazer a limpeza. 

Ainda mais

No dia 24/03/10, NYT aponta diretamente Bento XVI como responsável por um caso, quando ainda era cardeal: o de Lawrence Murphy, que abusos de crianças surdas nos anos 70 em Milwaukee e não foi condenado nem pela justiça ordinária nem pelo arcebispado. Como se viu depois, a falta de diligência na punição do malfeitor foi culpa do próprio arcebispado local: o caso não chegou ao Vaticano até os anos 90. A miopia da notícia jornalística pode-se explicar por erros de tradução e porque o artigo bebe de duas fontes: os advogados que denunciaram o arcebispado (um deles, Jeffrey Anderson, tem litígio aberto contra a Santa Sé) e o arcebispo emérito de Milwaukee, Rembert Weakland, no cargo quando tudo sucedeu.

A 2/2/10, Associated Press lançou outra acusação contra Bento XVI, cujas provas se demostraram falsas. A 9/4/10, voltou a artilharia do NYT, com mais acusaçõescom igual sorte.

Em resumo, as acusações contra a Igreja são três: 1) alguns sacerdotes católicos abusaram de crianças, 2) muitos bispos ocultaram e 3) Bento XVI seria pessoalmente responsável. Com dados na mão, o n.1 é, lamentavelmente, certo em uma ínfima minoria do coletivo; n. 2 se afirma em determinados prelados e n. 3 e totalmente falso.

As consequencias

Alguns pedem que se julgue o Papa por encobrimento e aproveitam para suspender o catolicismo em seu conjunto. Outros já haviam tentado, tempos atrás, usar os delitos de uns poucos para desacreditar toda a instituição. Alguns advogados tentam tirar proveito. Não faltam vozes amigas do Papa desde o judaísmo, o agnosticismo e, em geral, desde ambientes intelectuais. 

O Vaticano pôs sobre a mesa a informação que tem. Tal exercício de transparência chegou ao extremo de que o fiscal do Vaticano fale sobre os casos de abusos em uma entrevista documentada. A Santa Sé publicou os regulamentos pelos quais se julgam estes casos e abundante documentação.

Dentro da Igreja, tem havido partidários da ruptura e partidários da renovação. Ruptura: 1) algumas vozes reclamam uma revisão do celibato e da moral católica, ainda que especialistas e opinadores inclusive não católicos denunciem com dados a inexistência de tal vinculação causa-efeito, 2) expoentes antirromanos de certa idade reclamaram a demissão do Papa ou uma reforma.

Renovação: muitos aplaudiram o posicionamento de Bento XVI de tolerância zero, petição de perdão e penitência e conversão. Muitos católicos saíram da perplexidade buscando a verdade dos fatos. A operação limpeza iniciada anos atrás retomou impulso: desde a carta à Irlanda foram demitidos dois bispos irlandeses, um americano, um alemão, um norueguês e um belga. A liderança interna de Bento XVI é maior agora: percebe-se Bento XVI como parte da solução e não como parte do problema.

Além da Igreja, poucos priorizaram a proteção das vítimas e as medidas para acabar com a pederastia. É lamentável, tanto mais quando se constata que é um problema transversal: afeta mais gravemente muitos outros coletivos sociais. Países como Alemanha já o enfrentam globalmente. Alguns articulistas apontaram a culpa em que a extensão do fenômeno estivesse vinculada à revolução sexual dos anos 60 e sua simpatia declarada para a pedofilia.

“O Papa chorou conosco”

AFP- “Fiquei impressionado com a humildade do papa. Ele tomou para si o constrangimento causado pelos outros. Ele foi muito corajoso. Nos escutou individualmente, rezou e chorou conosco”, declarou Lawrence Grech. “Ele até benzeu uma cruz que eu carregava”, acrescentou.
O Papa Bento 16 se reuniu em Malta com “um pequeno grupo de pessoas que sofreram abusos sexuais cometidos por religiosos”, anunciou o Vaticano mais cedo em um comunicado. O papa mencionou a “profunda comoção provocada pelas histórias e expressou sua vergonha e lamentação pelas vítimas e pelo sofrimento de suas famílias”.
Lawrence Grech afirmou que ele não quer pedidos de perdão do papa. “Eu exigi desculpas antes porque estava enfurecido. Minha raiva desapareceu e estou satisfeito de ter encontrado o papa. Continuarei batalhando, não contra a Igreja mas contra a pedofilia”, assegurou.
* * *
Diante de 50 mil fiéis, o Santo Padre assim exortou em seu sermão deste domingo: “Nem tudo o que o mundo propõe hoje merece ser acolhido [...] Muitas vozes procuram nos convencer a deixar de lado a nossa fé em Deus e na sua Igreja e de escolher, nós mesmos, os valores e as crenças com as quais viver. Meus queridos irmãos e irmãs, se depositamos a nossa confiança no Senhor e seguimos os seus ensinamentos, colheremos sempre inúmeros frutos [...] Também nós devemos depositar a nossa confiança somente n’Ele. Tentou-se pensar que a tecnologia avançada de hoje possa responder a todos os nossos desejos e nos salvar dos perigos que nos assediam. Mas não é assim. Em todos os momentos da nossa vida, dependemos totalmente de Deus, no qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência”.

Não se pode condenar a Igreja e o Papa pelos abusos de uns quantos, diz rabino

Não se pode condenar a Igreja e o Papa pelos abusos de uns quantos, diz rabino

REDAÇÃO CENTRAL, 08 Abr. 10 (ACI) .- O rabino Jack Bemporad, Diretor do Centro para o Entendimento Inter-religioso em New Jersey, Estados Unidos, assinalou que “não se pode condenar coletivamente a Igreja pelo que alguns sacerdotes e indivíduos nela possam ter feito”, perante a campanha mediática difamatória contra o Papa Bento XVI.

Em entrevista concedida à agência ACI Prensa logo depois de defender a comparação que fez o Pe. Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, equiparando os ataques contra a Igreja ao anti-semitismo, o rabino disse que ao final, o que o sacerdote tentou dizer “é correto” pois não se pode condenar o corpo pela falta de alguns.

Dirigindo-se logo àqueles que criticam o Santo Padre, o rabino Bemporad afirmou que “necessita-se algo do sentido da compaixão, caridade, e dizer: ‘como podemos fazer isto adequadamente?’ Em vez de condená-lo e dizer: ‘Viu só?, ele não está fazendo o suficiente’”.

Há muitos casos de abusos a menores, disse logo. “Não é simplesmente um problema católico”, precisou. “Considero que o Papa está tentando fazer o melhor que pode”, sentenciou.

Depois de criticar a cobertura mediática e qualificá-la de “unidimensional”, o rabino lamentou que “a tragédia dos meios é que tem a capacidade de educar. O que estão fazendo com isto é mostrar os piores elementos dos seres humanos. O elemento mais voyeurista de todos”. Aqui o rabino se refere ao Voyeurismo que é uma prática que consiste num indivíduo conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas.

“Não devemos ser tão rápidos para ler os titulares que são virulentos, e em minha opinião, histéricos”, acrescentou.

Logo depois de elogiar os esforços do Papa Bento XVI por aproximar a Igreja com a comunidade judia, o rabino assegurou que “tudo o que estou pedindo é caridade”. “Temos que pensar no que se pode fazer para ajudar-nos mutuamente em vez de condenar-nos”, concluiu.

Seis acusações e uma pergunta

A paixão do Papa Bento. Seis acusações e uma pergunta

 

A pedofilia é apenas a última das armas apontadas contra Joseph Ratzinger. E cada acusação se dá ali onde mais exercita seu papel de guia. Um a um os pontos críticos deste Pontificado.

O artigo é do vaticanista Sandro Magister e está publicado no sítio italiano Espresso, 07-04-2010. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

O ataque ao Papa Joseph Ratzinger com a arma do escândalo, proporcionado por sacerdotes de sua Igreja, é uma constante deste Pontificado. Uma constante, porque uma e outra vez, em terreno diferente, ataca-se em Bento XVI justamente o homem que trabalhou e trabalha, nesse mesmo terreno, com maior clarividência, determinação e resultado.

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A tempestade que se seguiu à sua exposição em Regensburg, no dia 12 de setembro de 2006, foi a primeira da série. Bento XVI foi acusado de ser inimigo do Islamismo e um partidário incendiário do desencontro entre as civilizações. Justamente ele que com uma lucidez e uma coragem única havia desvelado onde se fundamenta a raiz última da violência, numa ideia de Deus mutilada pela racionalidade, e depois havia dito também como vencê-la.

As agressões e inclusive os assassinatos que se seguiram às suas palavras confirmaram dolorosamente a probidade de suas palavras. Mas, que ele acertou no alvo foi confirmado, sobretudo, pelos passos de diálogo entre a Igreja católica e o Islamismo que se registraram na sequência – não contra, mas graças à exposição de Regensburg –, dos quais a carta ao Papa de 138 sábios muçulmanos e a visita à Mesquita Azul de Istambul foram os sinais mais evidentes e prometedores.

Com Bento XVI, o diálogo entre o cristianismo e o Islamismo, assim como com as outras religiões, avança hoje com uma consciência mais nítida sobre o que distingue – a força da fé – e sobre o que pode unir – a lei natural escrita por Deus no coração de cada pessoa humana.

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Uma segunda onda de acusações contra o Papa Bento apresenta-o como um inimigo da razão moderna, e em particular de sua suprema expressão: a ciência. O ápice desta campanha hostil foi alcançado em janeiro de 2008, quando os professores obrigaram o Papa a cancelar uma visita à principal Universidade de sua diocese: a Universidade de Roma La Sapienza.

Entretanto – assim como antes em Regensburg e depois em Paris, no Colégio dos Bernardinos, em 12 de setembro de 2008 – o discurso que o Papa tentou dirigir à Universidade de Roma era uma formidável defesa do nexo indissolúvel entre fé e razão, entre verdade e liberdade: “Não venho impor a fé, mas alentar a coragem pela verdade”.

O paradoxo é que Bento XVI é um grande “iluminista” em uma época em que a verdade tem poucos defensores e a dúvida a domina, até pretender tirar-lhe a palavra.

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Uma terceira acusação jogada sistematicamente contra Bento XVI é a de ser um tradicionalista apegado ao passado, inimigo das novidades trazidas pelo Concílio Vaticano II.

Seu discurso à Cúria Romana, em 22 de dezembro de 2005, sobre a interpretação do Concílio e, depois, em 2007, a liberalização do rito antigo da Missa seriam as provas com que seus acusadores contam.

Na realidade, a Tradição a que Bento XVI é fiel é a da grande história da Igreja, desde as origens até hoje, o que nada tem a ver com uma adesão formalista ao passado. No citado discurso à Cúria, para exemplificar a “reforma na continuidade” representada pelo Vaticano II, o Papa colocou a questão da liberdade religiosa. Para afirmá-la de modo pleno – explicou – o Concílio deveria ter retornado às origens da Igreja, aos primeiros mártires, a esse “patrimônio profundo” da Tradição cristã que se havia extraviado nos séculos mais recentes e que foi reencontrada também graças à crítica da razão iluminista.

Quanto à liturgia, se há um autêntico continuador do grande movimento litúrgico que floresceu na Igreja entre o século XIX e o século XX, desde Prosper Guéranger até Romano Guardini, este é precisamente Ratzinger.

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Um quarto terreno de ataque é contíguo ao anterior. Bento XVI é acusado de ter afundado o ecumenismo, de antepor o abraço aos lefebvrianos ao diálogo com as outras confissões cristãs.

Mas, os fatos dizem o contrário. Desde o momento em que Ratzinger é Papa, o caminho da reconciliação com as Igrejas do Oriente deu passos extraordinários para frente, tanto com as Igrejas bizantinas que têm como cabeça o Patriarcado ecumênico de Constantinopla, como – e essa é a novidade mais surpreendente – com o Patriarcado de Moscou.

E se isso aconteceu, é precisamente pela reavivada fidelidade à grande Tradição – começando pela do primeiro milênio – que distingue este Papa, mais conforme a alma das Igrejas do Oriente.

Sobre a vertente do Ocidente, é também o amor da Tradição o que impulsiona pessoas e grupos da Comunhão Anglicana a solicitar a entrada na Igreja de Roma. Em relação aos lefebvrianos, o que dificulta seu reingresso na Igreja é justamente o fato de estarem presos a formas passadas da Igreja e a doutrinas erroneamente identificadas com a Tradição perene. A revogação da excomunhão de seus quatro bispos, em janeiro de 2009, não modificou em nada o estado de cisma em que se encontram, da mesma maneira que a revogação em 1964 das excomunhões entre Roma e Constantinopla não resolveu o cisma entre Oriente e Ocidente, mas possibilitou um diálogo que culmina na unidade.

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Entre os quatro bispos lefebvristas aos quais Bento XVI revogou a excomunhão estava o inglês Richard Williamson, antissemita e negador do Holocausto. No rito antigo permitido, há uma oração para que os judeus “reconheçam Jesus Cristo salvador de todos os homens”. Estes e outros fatos contribuíram para alimentar um persistente protesto do mundo judaico contra o atual Papa, com notáveis arestas de radicalidade. E um quinto erro de acusação.

A última arma deste protesto foi uma passagem do sermão pronunciado na Basílica de São Pedro, no Sábado Santo na presença do Papa, pelo pregador da Casa Pontifícia, o padre Raniero Cantalamessa. A passagem questionada era uma citação de uma carta escrita por um judeu; não obstante isso, a polêmica se orientou exclusivamente contra o Papa.

Pois bem, nada é mais contraditório do que acusar Bento XVI de inimizade com os judeus. Porque nenhum outro Papa, antes dele, se esforçou tanto em avançar para definir uma visão positiva do vínculo entre cristianismo e judaísmo, ficando em pé a divisão capital sobre o reconhecimento ou não de Jesus como Filho de Deus. No primeiro volume de seu Jesus de Nazaré, publicado em 2007 – e próximo de ser completado pelo segundo volume –, Bento XVI redigiu a propósito disso páginas luminosas, em diálogo com um rabino norte-americano que ainda vive.

E numerosos judeus veem efetivamente em Ratzinger um amigo. Mas na imprensa internacional há outra coisa. Ali é quase solitário o “fogo amigo” que ressoa estrondosamente por parte de judeus que atacam o Papa que mais os compreende e os ama.

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Por último, uma sexta peça acusatória – atualíssima – contra Ratzinger é a de ter “encoberto” o escândalo dos sacerdotes que abusaram sexualmente de meninos. Também aqui a acusação atropela justamente o homem que fez mais do que ninguém, na hierarquia da Igreja, para resolver este escândalo.

Com efeitos positivos que aqui e ali já se podem mensurar. Em particular, nos Estados Unidos, onde a incidência do fenômeno entre o clero católico diminuiu nitidamente nos últimos anos.

Mas ali onde, como na Irlanda, a chaga ainda está aberta, sempre foi Bento XVI quem obrigou a Igreja desse país a colocar-se em estado penitencial, ao longo de um severo caminho traçado por ele em uma Carta Pastoral de 19 de março passado e que não tem precedentes.

De fato, a campanha internacional contra a pedofilia tem hoje um único e verdadeiro alvo: o Papa. Os casos descobertos do passado são em cada momento os que calculadamente podem ser utilizados contra ele, tanto quando era arcebispo de Munique, como quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, mais o apêndice de Regensburg, durante os anos em que o irmão do Papa, Georg, dirigia o coro de meninos da catedral.

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Os seis campos de acusação contra Bento XVI, até aqui mencionados, colocam uma pergunta. Por que este Papa é atacado deste modo, tanto de fora da Igreja, mas também de dentro, apesar de sua evidente inocência em relação às acusações?

Um princípio de resposta é que ele é atacado sistematicamente precisamente pelo que está fazendo, pelo que diz e pelo que é.

 

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=31237

Da liberdade religiosa ao escândalo da pedofilia

Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa
O escândalo da pedofilia tem levado, como é natural, as pessoas a indagar pela causa do problema. A ignorância ou a má fé leva muitos a atribuir semelhante perversão ao celibato eclesiástico. Basta recordar que tal crime ocorre em todos os setores da sociedade e com maior freqüência no próprio âmbito doméstico para repelir como absolutamente falsa tal explicação do problema.
 
Estou persuadido de que se podem apontar duas causas ou ao menos duas condições favoráveis  à propagação do vício da pedofilia na sociedade moderna. A primeira é a chamada cultura da liberdade. A liberdade, hoje, é idolatrada, é o bem maior, não se subordina a nenhum fim. Em tal cultura da liberdade o direito é  considerado apenas como a técnica de conciliar os arbítrios dos “cidadãos livres”. O direito não tem nada que ver com a moral. É apenas um instrumento para garantir a liberdade individual. A moral é só uma questão de cultura. E a ordem pública, assegurada pela lei positiva, consiste apenas na harmonia das relações sociais, sem um fundamento na lei natural.
 
Ora, essa idolatria da liberdade, que deita raízes no livre exame do protestantismo e se consolidou através do iluminismo e da Revolução Francesa, seduziu muitos espíritos católicos. São os católicos liberais condenados por Gregório XVI e Pio IX. O próprio Vaticano II não ficou imune a tal mentalidade. Queimou incenso à deusa da liberdade na declaração Dignitatis Humanae, dizendo que ninguém pode ser impedido de professar sua religião em privado ou em público, contanto que não seja perturbada a  ordem pública. E tal direito à liberdade religiosa assiste igualmente aos ateus em sua profissão pública do ateísmo. E não bastasse isto, houve diversas declarações solenes de altas autoridades eclesiásticas dizendo que o VII teve por fim adaptar a Igreja aos valores do iluminismo e ao mundo nascido da Revolução Francesa.
 
Tudo isto é um delírio, dizia Gregório XVI. Para entender o problema da liberdade, os tratadistas católicos distinguiam (ao menos, antes do VII) entre liberdade psicológica (livre arbítrio), liberdade física (ausência de coerção) e liberdade moral. Por exemplo, fulano não quer trabalhar. Tem para tanto liberdade psicológica, nada o coage, mas não se pode dizer que tenha o direito de não trabalhar, porque a lei moral o obriga a ganhar o seu próprio sustento.
 
Pois bem, aplicados esses conceitos ao problema da liberdade de cultos, vê-se com clareza meridiana como é falso o princípio moderno da liberdade religiosa, consagrado pelo direito constitucional moderno e inacreditavelmente canonizado pelo Vaticano II.
 
No século XIX dois grandes católicos brasileiros tiveram o mérito de tratar da questão com maestria. São eles o bispo do Pará D. Macedo Costa e o filósofo José Soriano de Sousa. Combateram a separação entre a Igreja e o Estado e a liberdade dos cultos, explanando os princípios perenes em que se fundamenta o direito público da Igreja como decorrentes da reta razão que não aceita pôr em pé de igualdade a verdade e o erro. Diz D. Macedo Costa: “Ora, tal é o catolicismo: religião divina, a única que se demonstra, religião perfeitamente lógica, coerente, harmônica, sujeitando nosso espírito á fé, mas à fé razoável. Logo, a religião católica deve excluir e condenar toas as outras. Logo, o católico não pode admitir a liberdade dos cultos.[1]
 
Admiráveis palavras de um bispo realmente católico. Coisa raríssima em nossos dias. No entanto, o mais importante é que D. Macedo Costa explica que o respeito às convicções alheias implica a sua veracidade, não basta a sinceridade.[2]
 
De maneira que, quando se diz, por exemplo, que a Igreja Católica respeita as religiões da humanidade como respostas, ainda que em graus diversos, ao Deus que quer a salvação de todos os homens, há o grave risco de ter por mais ou menos verdadeiras e boas todas as religiões.  O certo, o tradicional, aquilo que a Igreja sempre ensinou, é que, em princípio, o culto público das religiões falsas deve ser reprimido. Por uma questão de prudência,  podem-se tolerar os cultos falsos para evitar um mal maior à sociedade, ou por caridade, em deferência  à sinceridade das convicções mais íntimas dos seus adeptos, tolerar-lhes o culto privado. Mesmo porque o ato de fé é livre e não se pode forçar ninguém a crer. Mas jamais se pode formular um juízo positivo, “otimista”, sobre as religiões falsas e querer estabelecer com elas uma confraternização para o bem da humanidade. Isto não é católico, é ideal maçônico propagado pela ONU em sua declaração dos direitos humanos e infelizmente presente na Igreja pós-conciliar.
 
Por sua vez, Soriano de Sousa em seu opúsculo A religião do Estado e a liberdade dos cultos faz ver que a possibilidade de aderir a uma religião falsa  não é da essência  da liberdade mas defeito. Deus e os anjos são livres e impecáveis.[3] Deve-se distinguir, portanto, a liberdade psicológica de aderir a um culto falso, como conseqüência  da imperfeição do livre arbítrio debilitado pelo pecado original, e o direito, como aquilo que é justo e correspondente à verdade e ao bem.[4]
 
Que tem que ver que ver tudo isso com o escândalo da pedofilia? Tem muito. Por nauseabundo que seja, muito pedófilos reivindicam hoje o seu “direito” dizendo que não perturbam ninguém, que não forçam ninguém, que tudo é uma questão de “cultura”, que um adolescente pode sentir prazer com um adulto. Dizem que muitas vezes são vítimas da extorsão de moleques.  Dizem também que, assim como a psiquiatria deixou de considerar a homossexualidade uma patologia, assim no futuro há de considerar a pedofilia como uma opção normal, visto que um adolescente pode sentir tal atração. Quem poderá impedi-los se não perturbam a ordem pública? Sobretudo, se inventarem (ou ressuscitarem) uma religião que os envolva em uma mística orgiástica!
 
Realmente, do jeito que as coisas caminham, parece que não estamos longe disso. Haverá até psicotrópico para tratar os “intolerantes” que tenham dificuldade de adaptação à cultura da liberdade.
 
Some-se a tais erros doutrinários de uma falsa noção de direito e liberdade a lama da pornografia e do erotismo invadindo quase todos os ambientes; some-se o elogio da psicanálise nas universidades católicas; acrescente-se ainda a vulgaridade dos costumes, a familiaridade inconveniente nas relações humanas; some-se a omissão dos pais na educação dos seus filhos; mencione-se ainda a indecência dos trajes; recorde-se a nova moral conjugal que nega a hierarquia de fins do matrimônio e ver-se-á então que não poderia haver caldo de cultura melhor para a grassar o vicio até nos recintos mais sagrados. Toda a sociedade está vulnerável, depois de abatidas as muralhas das instituições tradicionais. Em muitas paróquias  hoje não há diferença de clima entre Copacabana e as “celebrações”. Careta e hipócrita é quem reclama.
 
Como se vê, o mundo é perverso e hipócrita atribuindo à Igreja um vício que no fundo ele fomenta e aplaude.  Mas para que a Igreja se veja livre dessa nódoa vergonhosa é preciso reconstruir as muralhas da cidade católica, fundada na doutrina do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Anápolis, 6 de abril de 2010
 


[1] - CRIPPA, Adolpho, coord. As idéias filosóficas no Brasil – séculos XVIII e XIX. Convívio, SP, 1978, p. 198-199.
[2] - Romano Amerio recorda em Stat Veritas que o que hoje se chama “as outras religiões” a Sagrada Escritura chama prostituições por expressarem o mau apego do coração do homem ao seu próprio pensamento independente do pensamento de Deus, enfim, a vaidade do homem. E explica que respeitar uma coisa significa querer manter sua integridade e continuidade. Como então pretender que as “outras religiões” traduzam um desejo de busca do Deus vivo e verdadeiro? Engana-se, pois, quem diz respeitar as outras religiões e ao mesmo tempo querer a conversão dos seus adeptos a Cristo. Cf. Stat Veritas, Riccardo Ricciardi, Milão, 1997, p. 16 e 34.
[3] - CRIPPA, Adolpho. O. c, p. 201.
[4] – A evidente impraticabilidade desses princípios doutrinários no mundo secularizado de hoje não os invalida de modo algum. Ao contrário, basta estudá-los tais como foram expostos pelo magistério tradicional da Igreja para nos convencermos ainda mais da perversidade do mundo moderno condenado por Pio IX no Syllabus e elogiado por Gaudium et spes.


  


  

Pe. João Batista de Almeida Prado Ferraz CostaDa liberdade religiosa ao escândalo da pedofilia
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=politica&artigo=liberdade-religiosa-a-pedofilia&lang=bra
Online, 07/04/2010 às 10:36h
 

Ataques ao Papa Bento seguem agenda sexista e hedonista

Ataques ao Papa Bento seguem agenda sexista e hedonista, diz jornal russo não católico

MOSCOU, 07 Abr. 10 (ACI

No texto Texeira comenta que estas agressões tomam “um caso isolado, preferivelmente complicado, e o generalizam para induzir ao leitor a pensar que todo o corpo é a mesma natureza”.

“Esta generalização obviamente tem conotações ideológicas e segue uma agenda política que procura desconstruir a sociedade tradicional e suas instituições seculares assim como impor uma nova ordem mundial com a maneira dos sinistros interesses da oligarquia internacional, os mesmos que dirigem os mercados financeiros e, através deles, controlam amplamente a economia mundial”.

“De fato –prossegue– os recentes informes de pedofilia que envolvem sacerdotes carecem da ética jornalística requerida, sem importar sua gravidade moral. Esse tipo de notícias geram suspeita sobre sua ‘bondade’ inclusive em não-católicos como nós”.

Seguidamente o editorial reconhece o aporte católico à civilização ocidental e explica que ao fazer esta apologia não estão defendendo a pedofilia de alguns sacerdotes, que sempre deve ser condenada; e adverte também sobre a “bondade” de muitas notícias que “concentram-se exclusivamente em casos de clérigos católicos” quando estes constituem “uma minoria muito pequena”, e que procuram mostrar como “inacabáveis como em um favo de abelhas” os contados casos.

Depois de comentar alguns aspectos do caso Murphy nos Estados Unidos e como o então Cardeal Ratzinger não o encobriu mas que fez tudo o que devia fazer, o editorial assinala que “não acreditam que o New York Times ignorasse totalmente estes fatos. Daqui, vê-se a má fé e a tintura difamatória da campanha que se articulou contra a hierarquia do mundo católico”.

“E isso se entende. O atual Pontífice, consistente com os princípios da Igreja Católica, desenvolveu uma resistência tenaz contra os propósitos divisórios, alentados por organizações seculares que procuram impor uma visão sexista e hedonista da sociedade, reduzindo o homem à sua natureza humana negando sua dimensão espiritual. Estas organizações obviamente não surgiram ‘espontaneamente’ nem vivem do ar… foram criadas e são apoiadas pelo berço de tais fundações filantrópicas como a família Rockefeller”.

Os interesses financeiros, prossegue o texto, “destes, estão ligados a uma ampla fila de setores econômicos que vão desde os bancos, petróleo, fármacos, indústria militar, etc. até os meios áudio-visuais, que claramente cumprem uma agenda ditada pela elite global à qual pertencem”.

Depois de advertir que esta mesma elite assinala que a “humanidade deve ser reduzida em um terço de sua população atual”, o editorial explica que “existe uma clara intenção neste tipo de notícias que vai muito além do desejo de informar… se o mesmo fenômeno não fosse omitido em instituições similares”.
  e hedonista.sexista) .- Um recente editorial do jornal Pravda.ru, escrito originalmente em português pelo repórter português Artur Rosa Teixeira, explica que a atual campanha mediática difamatória contra o Papa Bento XVI e a Igreja pretende desacreditar a Igreja para poder seguir obtendo benefícios econômicos, através da imposição de uma ideologia que não considera a natureza espiritual do ser humano mas que enxerga tudo desde uma perspectiva

Clima artificial de pânico moral

Por Rafael Navarro-Valls

Suspeito de que há um clima artificial de “pânico moral” em criação, de que faz parte certa pandemia midiática ou literária centrada nos “desvios sexuais do clero”, convertido numa espécie de pântano moral

Um tribunal de Haia decidiu em julho de 2006 que o partido pedófilo “Diversidade, Liberdade e Amor Fraternal” (PNVD na sigla em holandês) “não pode ser proibido, já que tem o mesmo direito de existir que qualquer outro grupo”. Os objetivos desse partido político eram: reduzir a idade de consentimento para relações sexuais a 12 anos, legalizar a pornografia infantil, a exibição de material pornográfico pesado na televisão em horários diurnos e autorizar a zoofilia. Eram porque o tal partido fechou esta semana. Ao que parece, um fator decisivo para isso foi a “dura campanha” levada a cabo em todas as frentes, inclusive na internet, pelo sacerdote católico F. Di Noto, implacável na sua luta contra a pedofilia.

Essa boa notícia – cujo protagonista é um sacerdote católico – coincide com outra ruim, também protagonizada por sacerdotes. Refiro-me à tempestade midiática desencadeada pelos abusos sexuais cometidos por alguns clérigos contra menores de idades. Eis os dados: 3.000 casos de sacerdotes diocesanos envolvidos em delitos cometidos nos últimos cinquenta anos, embora nem todos tenham sido declarados culpados pela lei. Segundo Charles J. Sicluna – como que um fiscal geral do organismo da Santa Sé encarregado desses delitos –: “60% dos casos são de «efebofilia», ou seja, de atração sexual por adolescentes do próprio sexo; 30% são de relações heterossexuais, e 10%, de atos de pederastia verdadeira e própria, isto é, casos de atração sexual por crianças impúberes. Estes últimos somam trezentos aproximadamente. Um já seria muito, mas também temos de reconhecer que o fenômeno não é tão difundido como dizem”.

Com efeito, se levarmos em conta que hoje existem cerca 500.000 sacerdotes diocesanos e religiosos, os números – sem deixar de ser tristes – constituem uma porcentagem em torno de 0,6%. O estudo científico mais sólido que conheço feito por um autor não católico é o do professor Philip Jenkins, Pedophiles and Priest - Anatomy of a Contemporary Crisis (Oxford University Press). Sua tese é de que a proporção de clérigos com desordens sexuais é menor na Igreja Católica que em outras confissões. Sobretudo, é muito menor que em outros modelos institucionais de convivência organizada. Se tais comportamentos chamam mais a atenção na Igreja Católica hoje do que antes, é porque a organização de Roma permite recolher informações, contabilizar e conhecer os problemas com mais rapidez que em outras instituições e organizações, confessionais ou não.

Há dois exemplos recentes que confirmam as análises de Jenkins. Os dados fornecidos pelas autoridades austríacas indicam que, num mesmo período de tempo, os casos de abusos sexuais ocorridos em instituições vinculadas à Igreja foram 17, ao passo que em outros ambientes foram 510. Segundo um informe publicado por Luigi Accatoli (um clássico do Corriere della Sera), dos 210.000 casos de abusos sexuais registrados na Alemanha desde 1995, apenas 94 estão relacionados com pessoas e instituições da Igreja Católica, o que representa 0,045% do total.

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Pedófilos, quem?

João Augusto Rdrigues,
Jornal O Liberal – Belém
A imprensa tem reproduzido nos últimos dias, em todo o mundo, notícias veiculadas por grandes jornais dos Estados Unidos e da Europa que associam alguns padres católicos ao repugnante crime da pedofilia.  Além disso, a maior parte das notícias se impregna de uma ferocidade cega e avança com insinuações malévolas e acusações infamantes contra a Igreja Católica e o Papa Bento XVI.
 
O jornalismo, praticado muitas vezes de forma ligeira, preguiçosa e inconseqüente, buscando o sensacionalismo não procura se aprofundar na análise do problema. Casos ocorridos há dez, vinte ou trinta anos são resgatados com fortes cores de escândalo como se fossem ocorrências recentes. Denúncias são tornadas públicas de forma leviana contra o Sumo Pontífice para tentar incriminá-lo, como se fosse ele o responsável por tais atos vergonhosos ou aos culpados oferecesse o apoio da Igreja Católica.
 
A pedofilia é um crime ignominioso e inaceitável em qualquer circunstância. É uma conduta indesculpável, parta de quem partir ou ocorra onde e quando ocorrer. Mas o que fazem as numerosas reportagens veiculadas nos últimos dias, quando tratam dos crimes trazidos recentemente à tona na Europa se não confundir e vilipendiar o Papa Bento XVI? Quem acompanhou o noticiário ficou com a dolorosa impressão – se católico – de que a Igreja agiu de forma a desculpar e justificar tais atos.
 
Um jornalismo mais sério e responsável, ao contrário, deveria saudar a atitude do Santo Padre, que não hesitou em escrever uma carta plena de coragem e dignidade ao clero irlandês,
condenando os abusadores naquele país, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça cumpra o seu papel. A atitude corajosa do Sumo Pontífice nem de longe tem sido acompanhada pela maior parte dos jornalistas e dos críticos, incapazes de separar a histeria anti-católica da verdade criminal.
 
Para ilustrar esse raciocínio segue um dado interessante, tanto mais que restrito ao país do cardeal Ratzinger. Na Alemanha foi comprovado que houve , desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 envolveram de alguma forma padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Isso significa que, por serem poucos, esses casos devem ser minimizados? Longe disso. Já disse e repito: um único caso que seja de pedofilia é sempre vergonho e imperdoável.
 
O problema é que se está procurando partir de casos isolados para engrossar uma campanha de descrédito e de infâmia contra a Igreja Católica e seus dignitários, tornando mais profundo o difuso anti-catolicismo ocidental que já vai se tornando um dos inexplicáveis fenômenos do nosso tempo.
 
Nos Estados Unidos, onde as estatísticas têm mais credibilidade, já se constatou que a presença de pedófilos, é de duas a dez vezes mais alta entre os pastores protestantes do que entre os padres católicos. De qualquer forma, muito maior que o envolvimento de líderes religiosos (católicos ou protestantes) é, por exemplo, o de professores de ginástica e treinadores de equipes esportivas juvenis, muitos deles casados.
 
Da mesma forma, relatórios periódicos do governo norte-americano indicam que cerca de dois terços dos abusos sexuais contra crianças não vêm de estranhos ou de educadores, sejam eles padres ou pastores, mas de familiares – padrinhos, tios, primos, irmãos e, infelizmente, até pais, muitos deles também casados.
 
Esses dados vêm derrubar a opinião de alguns anti-católicos, que tentam atribuir ao celibato a causa do problema. Uma atitude mais séria e responsável recomendaria um estudo mais profundo para lhe descobrir as origens e criar no seio da sociedade os mecanismos capazes de preveni-lo. Exatamente o contrário do que tem sido feito, buscando-se cobrir de desonra a Igreja Católica, cuja doutrina abraça os melhores valores da nossa civilização.




   

 

Rodrigues, João Augusto – Jornal O Liberal – Belém – Pedófilos, quem

GUERRA AO CRISTIANISMO

Carta de Marcello Pera ao diretor do periódico Corriere della Sera
 
Estimado diretor:
 
      A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais desencadeada ultimamente na Alemanha tem por alvo o Papa. Porém, cometer-se-ia um grave erro se se pensasse que o golpe não irá mais além, dada a enormidade temerária da iniciativa. E se cometeria um erro ainda mais grave se se sustentasse que a questão finalmente se encerrará logo como tantas outras similares. Não é assim. Está em curso uma guerra. Não precisamente contra a pessoa do Papa, já que, nesse terreno, é impossível. Bento XVI tornou-se invulnerável por sua imagem, por sua serenidade, sua clareza, firmeza e doutrina. Basta seu sorriso manso para desbaratar um exército de adversários.
 
     Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo. Os laicistas sabem bem que, se uma mancha de lodo chegasse à batina branca, se sujaria a Igreja, e se fosse sujada a Igreja seria suja também a religião cristã. Por isso, os laicistas acompanham sua campanha com perguntas do tipo «quem mais levará seus filhos à Igreja?», ou ainda «Quem mais mandará  suas crianças a uma escola católica?», ou  também ainda «Quem permitirá curar a seus pequenos num hospital ou numa clínica católica?».

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Autoridade do Papa não é diminuída pela campanha difamatória, diz Pe. Lombardi

VATICANO, 29 Mar. 10 (ACI) .- O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, P. Federico Lombardi, ressaltou em uma nota editorial titulada “Em vésperas da Semana Santa” o firme compromisso de toda a Igreja e, de maneira especialíssima, do Papa Bento XVI quem com mão firme responde adequadamente aos casos de abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero. Explicou que a autoridade do Santo Padre não se vê diminuída pela campanha difamatória da mídia contra ele.

Este assunto, diz o Pe. Lombardi, esteve muito presente nos meios de comunicação, “em particular na Europa e na América do Norte também nos últimos dias depois da publicação da carta do Papa aos católicos irlandeses”. “Não é uma surpresa. O argumento é de tal natureza que atrai a atenção dos meios de comunicação, e o modo no qual a Igreja o confronta é crucial para sua credibilidade moral”, acrescenta.

“Em realidade, os casos que saíram à luz tiveram lugar, pelo general, há bastante tempo atrás, inclusive há dezenas de anos, mas reconhecê-los e reparar o dano feito às vítimas é o preço do restabelecimento da justiça e daquela ‘purificação da memória’ que permite olhar com renovado compromisso e com humildade e confiança no futuro”, indica o sacerdote jesuíta. Leia o resto deste post »

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