Por que os comunistas odeiam tanto as imagens de Nossa Senhora?


Fonte: Catolicismo

VALDIS GRINSTEINS

Santuário de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Tianjiajing (China)

Se é verdadeira a frase “onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”, pode-se dizer também: “aquilo que odei as mostra o que tu és”.

• Outubro de 1917 — Os comunistas russos realizam o olpe de estado e tomam o poder. Uma das primeiras ações dos soldados vermelhos foi apossar-se de uma imagem de Nossa Senhora — de vários séculos de antiguidade, da feliz época em que a Rússia ainda era católica — e furar-lhe os olhos. A imagem encontrava-se na parte posterior da catedral ortodoxa (cismática) de São Basílio, na Praça Vermelha. Logo depois colocaram na boca do menino Jesus um cigarro, como símbolo de desprezo e irreverência.

• 29 de julho de 1936 — em Berja, no sul de Espanha, os comunistas espanhóis atacaram um santuário de Nossa Senhora. Jóias e objetos de valor tinham sido previamente retirados pelos fiéis, como medida de proteção. Os vermelhos pegaram todos os móveis que conseguiram, fizeram uma pequena fogueira e colocaram sobre ela a imagem da Virgem, destruindo-a completamente. Como não conseguiram destruir uma pintura representando os milagres de Nossa Senhora, que se encontrava no teto, crivaram-na de balas. Depois disso, transformam o santuário em curral para gado.(1)

• 6 de dezembro de 2003 — Caracas, Venezuela. Manifestantes comunistas, partidários do presidente Chávez, tomaram a praça Altamira, na capital, onde os oposicionistas se reuniam em torno de imagens de Nossa Senhora. Em abominável sacrilégio, jogaram as imagens ao chão, fizeram sobre elas suas necessidades fisiológicas e chegaram ao cúmulo de simular a realização de ato sexual com elas. O então vicepresidente do país, presente no local, não tomou nenhuma providência para evitar a diabólica profanação.(2)

• 21 de junho de 2007 — Na China, um decreto oficial do governo comunista ordenou a demolição com dinamite do santuário de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Tianjiajing. A imagem da Santíssima Virgem, de cem anos de antiguidade, deveria ser destruída, e também as estações da Via Sacra. Devido à pressão internacional, os atos sacrílegos foram, por ora, adiados, mas os católicos foram proibidos de realizar qualquer manifestação, peregrinação ou função religiosa no local.(3)

Um ódio que faz sentido

Exemplos como os anteriores poderiam contar-se às centenas. São países diferentes, épocas diversas, culturas distintas, mas o ódio é o mesmo. Vem desde o início do regime comunista na Rússia.

Às vezes tenho ouvido de pessoas piedosas, mas com formação religiosa pouco profunda, a seguinte exclamação, quando tomam conhecimento desse tipo de profanações: “Mas por que fazem isso?! A Virgem nada faz contra eles!”. Bem ao contrário do que essas pessoas pensam, os comunistas compreendem perfeitamente quanto e quão profundamente Nossa Senhora atua contra o comunismo, e por isso a odeiam com tanta intensidade. Esta atuação da Santíssima Virgem se dá em dois planos diversos.

O primeiro e mais importante é o sobrenatural, pois Ela é a Rainha dos anjos e o terror dos demônios. Da mesma forma que Ela tem seus seguidores e devotos na Terra, Satanás também possui os seus. A Virgem, pelo simples fato de existir, presta uma imensa glória a Deus e anima todos aqueles que desejam ser de Deus. Além disto, Ela é a medianeira universal de todas as graças, com as quais ilumina a inteligência, fortalece a vontade e estimula a ação dos fiéis na luta da luz contra as trevas. Ela é, por assim dizer, a fonte a partir da qual surgem todas a ações que humilham e põem em fuga Satanás e seus sequazes. Entende-se assim o furor do demônio, que não podendo absolutamente tocar n’Ela nem interferir na ação sobrenatural que Ela exerce, procura vingar-se nas imagens que a representam. Não conseguimos ver esta ação sobrenatural, mas sabemos pela fé que ela existe, e a percebemos pelas graças que recebemos, muitas das quais são sensíveis.

Mas há também um lado natural na ação de Nossa Senhora. Ela é um ser real que existe, uma pessoa, assim como meu caro leitor e eu existimos. E age muitas vezes por meio de suas aparições, várias delas bem conhecidas, como em Fátima, outras ainda desconhecidas por diversos motivos. Também atua, se bem que indiretamente, pelas aparições de anjos ou santos, que têm a alegria de estar às ordens d’Ela, segundo a sabedoria de Deus.

Deve-se mencionar ainda um lado simbólico, pelo qual Ela atua muito marcadamente e de forma bastante intensa. Dentre todas as criaturas, é Ela quem, por sua perfeição sobrenatural, melhor reflete a Deus; e quando vemos uma imagem ou representação d’Ela, é natural que logo nos lembremos de toda a doutrina, de todos os mandamentos, de tudo aquilo que Jesus Cristo nos ensinou e que está compendiado na Igreja Católica. Trata-se de uma doutrina oposta à comunista.

Ao contrário da luta de classes — pobres contra ricos — ou da luta de raças (negros, brancos, amarelos), a Virgem nos inclina ao amor ao próximo e à harmonia social. A inveja marxista opõe-se à virtude da humildade e ao desprendimento dos bens da Terra. Ao espírito de revolta, de punho erguido, opõe-se a resignação ante os desígnios divinos. Contra a impureza, a blasfêmia, a preguiça, o gosto pela imundície e pelo chulo, Nossa Senhora representa para nós um modelo de Virgem puríssima, de espírito elevado, que vive para louvar a Deus. Ela ama a pobreza digna e sublime como a riqueza desprendida e dadivosa, sempre realizando aquilo que mais glória dá ao Criador.

Sendo tudo isto assim, não é difícil entender a raiz do ódio comunista contra as imagens da Mãe de Deus.

Por que essas profanações?

Para finalizar, procuraremos lançar alguma luz sobre o motivo pelo qual Deus, que odeia profanações tão horríveis, entretanto as permite. De início, devemos deixar bem claro que as profanações não chegam sequer a tocar em Maria Santíssima, o que Deus jamais permitiria; atingem apenas as suas imagens. Desse ponto de vista, podem comparar-se a um cão raivoso que, não podendo morder, fica latindo.

Os desígnios de Deus ao permitir tais profanações podem ser vários. Um deles é mostrar aos desinformados ou tolos a verdadeira face dos supostos “amigos do povo”. Outro é deixar marcado para a História os extremos de ódio a que chegam os inimigos de Deus. Outro ainda é apontar o real motivo da decadência de nações antes cristãs, que não reagiram ou não souberam impedir tais atos. Esses sacrilégios põem a nu o que as pessoas têm verdadeiramente em seu coração. Se os comunistas fossem como procuram parecer — falam tanto de amor aos pobres, de proporcionar-lhes uma vida com mais abundância — eles ostentariam um desinteresse total pelas imagens religiosas, o que seria coerente com suas convicções atéias. Entretanto, tudo isso não passa de uma fachada para acobertar os seus verdadeiros objetivos. E Deus, em sua Sabedoria, permitindo profanações e blasfêmias chocantes, execráveis e até irracionais, torna patente que eles, em seu coração, o que têm é ódio, desejo de revolta e amor à destruição.

Devemos pedir a Nossa Senhora a graça de entender como Ela atua contra os inimigos de Deus, e ao mesmo tempo perceber como eles ocultam, por detrás de máscaras e palavras enganosamente doces, um ódio implacável contra tudo o que representa a grandeza divina.

O grande apóstolo do século XVIII, São Luís Grignion de Montfort, ensina: “Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até o fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”.(4)

Notas:

1.http://www.berja.com/nuestrapatronalasantisimavirgendegador/01d5b1934400d4701/index.htm

2.http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=BDEDA18E-5FA0-466E-B3C72D7AE6A129C4&mes=Fevereiro2004

3.http://chinaview.wordpress.com/2007/06/22/100-year-old-catholicsanctuary-ordered-to-be-destroied-in-china/; http://www.asianews.it/index.php?l=it&art=10776

4. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes – 6a Edição, Petrópolis, 1961, p.

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