O fruto de um ESTRUPO…


A história de Rebecca Kiessling

(resumo)

18-05-08_1535

Retirado de: www.rebeccakiessling.com

Eu fui adotada assim que nasci. Aos 18 anos soube que fui concebida a partir
de um estupro brutal sob ameaça de faca por um estuprador em série. Assim
como a maior parte das pessoas, eu nunca pensei que o assunto aborto
estivesse relacionado à minha vida, mas assim que recebi esta notícia
percebi que não só está relacionado à minha vida, mas está ligado à minha
própria existência. Era como se eu pudesse ouvir os ecos de todas as pessoas
que, da forma mais simpática possível, dizem: “Bem, exceto nos caso de
estupro…” ou que dizem com veemência e repulsa: “Especialmente nos casos
de estupro!!!”. Existem muitas pessoas assim por aí. Elas sequer me
conhecem, mas julgam a minha vida e tão prontamente a descartam só pela
forma como fui concebida. Eu senti como se a partir daquele momento tivesse
que justificar minha própria existência, tivesse que provar ao mundo que não
deveria ter sido abortada e que eu era digna de viver. Também me lembro de
me sentir como lixo por causa das pessoas que diziam que minha vida era um
lixo, que eu era descartável.


Por favor, entenda que quando você se declara “a favor da livre escolha” ou
quando abre a exceção para o estupro, o que isso realmente significa é que
você pode olhar nos meus olhos e me dizer “eu acho que sua mãe deveria ter
tido a opção de abortar você”. Esta é uma afirmação muito forte. Jamais
diria a alguém: “Se eu tivesse tido a chance, você estaria morta agora”. Mas
essa é a realidade com a qual eu vivo. Desafio qualquer um a dizer que não
é. Não é como se as pessoas dissessem: “Bom, eu sou a favor da livre
escolha, menos naquela pequena fresta de oportunidade em 1968/69, para que
você, Rebecca, pudesse ter nascido”. Não. Esta é a realidade mais cruel
desse tipo de opinião e eu posso afirmar que isso machuca e que é uma
maldade. Mas sei que muita gente não quer se comprometer sobre esse assunto.
Para eles, é apenas um conceito, um clichê que eles varrem para debaixo do
tapete e esquecem. Eu realmente espero que, como filha de um estupro, eu
possa ajudar a dar um rosto e uma voz a esta questão.
Diversas vezes me deparei com pessoas que me confrontaram e tentaram se
desvencilhar dizendo coisas do tipo: “Bem, você teve sorte!”. Tenha certeza
de que minha sobrevivência não tem nada a ver com sorte. O fato de eu estar
viva hoje tem a ver com as escolhas feitas pela nossa sociedade: pessoas que
lutaram para que o aborto fosse ilegal em Michigan naquela época ─ mesmo em casos de estupro ─, pessoas que brigaram para proteger a minha vida e
pessoas que votaram a favor da vida. Eu não tive sorte. Fui protegida. E
vocês realmente acham que nossos irmãos e irmãs que estão sendo abortados
todos os dias simplesmente são “azarados”?
Apesar de minha mãe biológica ter ficado feliz em me conhecer, ela me contou
que foi a duas clínicas de aborto clandestinas e que eu quase fui abortada.
Depois do estupro, a polícia indicou um conselheiro que simplesmente disse a
ela que a melhor opção era abortar. Minha mãe biológica disse que naquela
época não havia centros de apoio a grávidas em risco, mas me garantiu que,
se houvesse, ela teria ido até lá pelo menos para receber um pouco mais de
orientação. O conselheiro foi quem estabeleceu o contato entre ela e os
abortistas clandestinos. Ela disse que a clínica tinha a típica aparência de
fundo de quintal, como a gente escuta por aí, e lá “ela poderia ter me abortado de forma segura e legal”: sangue e sujeira na mesa e por todo o
chão. Essas condições precárias e o fato de ser ilegal levaram-na a recuar,
como acontece com a maioria das mulheres.
Depois ela entrou em contato com um abortista mais caro. Desta vez, se
encontraria com alguém à noite no Instituto de Arte de Detroit. Alguém iria
se aproximar dela, dizer seu nome vendá-la, colocá-la no banco de trás de
um carro, levá-la e então me abortar… Depois vendá-la novamente e levá-la
de volta. E sabe o que eu acho mais lamentável? É que eu sei que existe um
monte de gente por aí que me ouviria contar esses detalhes e que responderia
com uma balançada de cabeça em desaprovação: “Seria terrível que sua mãe
biológica tivesse tido que passar por tudo isso para conseguir abortar
você!”. Isso é compaixão?!!! Eu entendo que eles pensem que estão sendo
compassivos, mas para mim parece muita frieza de coração, não acha? É sobre
a minha vida que eles estão falando de forma tão indiferente e não há nada
de compaixão neste tipo de opinião. Minha mãe biológica está bem, a vida
dela continuou e ela está se saindo muito bem, mas eu teria morrido e minha
vida estaria acabada. A minha aparência não é a mesma de quando eu tinha
quatro anos de idade ou quatro dias de vida, ainda no útero da minha mãe,
mas ainda assim era inegavelmente eu e eu teria sido morta em um aborto
brutal.
De acordo com a pesquisa do Dr. David Reardon, diretor do Instituto Elliot,
co-editor do livro Vítimas e vitimados: falando sobre gravidez, aborto e
crianças frutos de agressões sexuais, e autor do artigo “Estupro, incesto e
aborto: olhando além dos mitos”, a maioria das mulheres que engravidam após
uma agressão sexual não querem abortar e de fato ficam em pior estado depois
de um aborto. http://www.afterabortion.org. Sendo assim, a opinião da
maioria das pessoas sobre aborto em casos de estupro é fundamentada em
falsas premissas: 1) a vítima de estupro quer abortar; 2) ela vai se sentir
melhor depois do aborto; e 3) a vida daquela criança não vale o trabalho que
dá para suportar uma gravidez. Eu espero que a minha história e as outras
postadas neste site ajudem a acabar com este último mito.
Eu queria poder dizer que minha mãe biológica não queria me abortar, mas de
fato ela foi convencida a não fazê-lo. Porém, o aspecto nojento e o
palavreado sujo deste segundo abortista clandestino, além do receio por sua própria segurança, levaram-na a recuar. Quando ela lhe contou por telefone
que não estava interessada neste acordo arriscado, este homem a insultou e a
xingou. Para sua surpresa, ele ligou novamente no dia seguinte para tentar
convencê-la a me abortar, e mais uma vez ela não quis prosseguir com o plano
e ouviu mais uma série de insultos. Depois disso, ela simplesmente não podia
mais prosseguir com essa idéia. Minha mãe biológica já estava entrando no
segundo trimestre da gestação, quando seria muito mais perigoso e muito mais caro me abortar.

Sou muito grata por minha vida ter sido poupada, mas muitos cristãos bem
intencionados me diziam coisas como “olha, Deus realmente quis que você
nascesse!” e outros podem dizer “era mesmo pra você estar aqui”. Mas eu sei
que Deus quer que toda criança tenha a mesma oportunidade de nascer e não
posso me conformar e simplesmente dizer “bem, pelo menos a minha vida foi
poupada”. Ou “eu mereci, veja o que eu fiz com a minha vida”. E as outras
milhões de crianças não mereciam? Eu não consigo fazer isso. Você consegue?
Você consegue simplesmente ficar aí e dizer “pelo menos eu fui desejado…
pelo menos estou vivo…” ou simplesmente “sei lá”? Esse é realmente o tipo
de pessoa que você quer ser? De coração frio? Uma aparência de compaixão por
fora e coração de pedra e vazio por dentro? Você diz que se importa com os
direitos das mulheres, mas não está nem aí pra mim porque eu sou um lembrete
de algo que você prefere não encarar e que você detesta que outros se
importem? Eu não me encaixo na sua agenda?
Na faculdade de direito eu tinha colegas que me diziam coisas como “se você
tivesse sido abortada, não estaria aqui hoje e de qualquer forma não saberia
a diferença, então por que se importa?”. Acredite ou não, alguns dos
principais filósofos pró-aborto usam esse mesmo tipo de argumento: “O feto
não sabe o que o atingiu, então não percebe que perdeu a vida”. Sendo assim,
acho que se você esfaquear alguém pelas costas enquanto ele estiver
dormindo, tudo bem, porque ele não sabe o que o atingiu?! Eu explicava aos
meus colegas como a mesma lógica deles justificaria que eu “matasse você
hoje, porque você não estaria aqui amanhã e não saberia a diferença de
qualquer forma. Então, por que se importa?”. E eles ficavam com o queixo
caído. É incrível o que um pouco de lógica pode fazer, quando você pára para
pensar – que é o que devemos fazer numa faculdade de direito – e considera o
que nós realmente estamos falando: há vidas que não estão aqui hoje porque
foram abortadas. É como o velho ditado: “Se uma árvore cai na floresta e não
há ninguém por perto para ouvir, será que faz barulho?”. Bem, sim! E se um
bebê é abortado e ninguém fica sabendo, tem importância? A resposta é SIM! A
vida dele importa. A minha vida importa. A sua vida importa e não deixe
ninguém te dizer o contrário!
O mundo é um lugar diferente porque naquela época era ilegal a minha mãe me
abortar. A sua vida é diferente porque ela não pôde me abortar legalmente e
porque você está sentado aqui lendo as minhas palavras hoje! Mas você não
tem que atrair platéias pra que a sua vida tenha importância. Há coisas que
fazem falta a todos nós aqui hoje por causa das gerações que foram abortadas
e isso importa.
Umas das melhores coisas que eu aprendi é que o estuprador NÃO é meu
criador, como algumas pessoas queriam que eu acreditasse. Meu valor e
identidade não são determinados por eu ser o “resultado de um estupro”, mas
por ser uma filha de Deus. O Salmo 68, 5-6 declara: “Pai dos órfãos… no
seu templo santo Deus habita. Dá o Senhor um lar ao sem-família”. E o Salmo
27, 10 nos diz: “Mesmo se pai e mãe me abandonassem o Senhor me acolheria”.
Eu sei que não há nenhum estigma em ser adotado. O Novo Testamento nos diz
que é no espírito de adoção que nós somos chamados a ser filhos de Deus por
Jesus Cristo nosso Senhor. Sendo assim, Ele deve ter pensado na adoção como
símbolo do amor Dele por nós!
E o mais importante é que eu aprendi, poderei ensinar aos meus filhos e
ensino aos outros que o seu valor não é medido pelas circunstâncias da sua
concepção, seus pais, seus irmãos, seu parceiro, sua casa, suas roupas, sua
aparência, seu QI, suas notas, seus índices, seu dinheiro, sua profissão,
seus sucessos e fracassos ou pelas suas habilidades ou dificuldades. Essas
são as mentiras que são perpetuadas na sociedade. De fato, muitos
palestrantes motivacionais falam para suas platéias que se elas fizerem algo
importante e atingirem certos padrões sociais, então elas também poderão
“ser alguém”. Mas o fato é que ninguém conseguiria atingir todos esses
padrões ridículos e muitas pessoas falhariam. Isso significa que elas não
são “alguém” ou que elas são “ninguém”? A verdade é que você não tem que
provar o seu valor a ninguém e se você quiser realmente saber qual é o seu
valor, tudo o que precisa fazer é olhar para a Cruz, pois este é o preço que
foi pago pela sua vida! Esse é o valor infinito que Deus colocou na sua
vida! Para Ele você vale muito e para mim também. Que tal se juntar a mim
para também proclamar o valor dos outros com palavras e ações?
Para aqueles que dizem “bem, eu não acredito em Deus e não acredito na
Bíblia, então sou a favor da livre escolha de abortar ou não”, por favor,
leia meu artigo “O direito da criança de não ser injustamente morta – uma
abordagem da filosofia do direito”. Eu garanto que valerá o seu tempo.
Pela vida,

Rebecca
http://www.rebeccakiessling.com

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Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

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