Complô contra S.S. Bento XVI


Um complô contra o Papa?
 bento-xvi-1
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009
 
Vários jornalistas religiosos italianos (incluindo Rodari, para o Il Riformista,  e Tornielli, para o Il Giornale) estão reportando hoje um dossiê circulando dentro do Vaticano que pode revelar que um complô foi planejado há vários meses para gerar desconforto ao Papa no caso “Williamson”.
Recebemos a principal acusação há poucos dias atrás, mas consideramos que ela deveria se tornar pública por outros meios.
Aqui está o texto recebido por nós:
 
Monsenhor Williamsom foi entrevistado no dia 1 de Novembro de 2008 sobre matérias religiosas (Tradição e Vaticano II) no seminário da FSSPX na Baviera (isto para permitir que Mons. Williamson fosse acusado de negacionismo naquele país). De repente, o jornalista Ali Fegan do Programa “Uppgrad Granskning (Mission Research)” perguntou a ele sobre uma citação de um discurso dele, pronunciado no Canadá há alguns anos atrás sobre as câmaras de gás durante a Segunda Grande Guerra. Todos sabemos a armadilha na qual o Bispo se colocou de uma maneira muito ingênua, muito confiante na oportunidade para difundir suas idéias particulares sobre o holocausto do que proteger a Igreja do mal. Esta armadilha foi realmente preparada para a Sua Santidade o Papa Bento XVI.  
 
Mas quem disse aos jornalistas da TV Sueca (SVT – Swedish Television Broadcast) sobre este discurso de Mons. Williamson? Assistindo-se todo o programa, que foi ao ar no dia 21 de janeiro de 2009, descobre-se que a sugestão veio de uma jornalista francesa: Fiammetta Venner. Quem é ela? Ela é uma bem conhecida ativista lésbica francesa. Ela trabalha junto com sua [companheira] Caroline Fourest ( Fiammetta_Venner). Juntas o casal de lésbicas deu à imprensa um novo livro em Setembro de 2008 (durante a visita do Papa à França). O título do livro é: “Les Nouveaux Soldats du pape — Légion du Christ, Opus Dei, traditionalistes”. “Os novos soldados do Papa – Legião de Cristo, Opus Dei, Tradicionalistas”. Na entrevista, a senhorita acusa a FSSPX de conexão com  partidos de direita na França, um preâmbulo oportuno para a acusação de Antisemitismo.  
 
Agora encontramos as pessoas que sugeriram o complô. Mas quem a dirigiu para se ter o programa pronto no exato momento da inevitável assinatura do decreto de remoção das excomunhões dos Bispos da FSSPX? Certamente alguém do Vaticano que tentou atingir o Papa e seus assessores e enfraquecer os objetivos da FSSPX.
 
Quem é ele? Até este momento, temos apenas algumas idéias de quem é essa personalidade. Deve ser alguém bem influente em Roma, com boas conexões na França e um bom relacionamento com a Igreja escandinava. O programa foi preparado na Suécia, um pais bem frio para o Catolicismo, mas por que lá? Uma resposta pode ser a idéia de lançar uma cruzada para a reconversão da Suécia ao Catolicismo feita pela FSSPX (que por exemplo tem somente 30 pessoas como fiéis suecos). No programa, há também uma entrevista feita pelo bispo da Suécia Anders Arborelius OCD. Ele falou sobre a inclusividade como um princípio do Cristianismo, ao invés do racismo e intolerância (do qual ele parece acusar a FSSPX)…
 
Assim a pessoa da qual estamos falando como sendo um progressista de alto nível do Vaticano que apenas uns poucos dias antes da publicação do decreto assinado pela Comissão de Texto Legislativo informou o jornalista para tomar conhecimento do incrível programa…
 
 
Ainda que tenha havido um “complô”, o Bispo Williamson não foi forçado a dizer o que disse na entrevista…  
 
Mesmo assim, este falsamente inflado exagero da mídia não é nem mesmo o mais importante desse Pontificado! Ou já se esqueceram que reportagens distorcidas ou simplificadas demais do discurso de Ratisbona causaram mortes reais nas áreas com populações mulçumanas? E as agências de notícias internacionais pediram perdão por isso?
 
Em poucas semanas, isto será história passada para a mídia – este ciclo de reportagens, mesmo nos círculos Católicos, está prestes a terminar…  
 
Postado por New Catholic as 09:35 AM

[Tradução: Montfort. Texto original em inglês do Rorate-Coeli]

 


    Para citar este texto:

Orlando FedeliConspiração contra o retorno da FSSPX?
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=complo-contra-papa&lang=bra
Online, 06/02/2009 às 11:48h

A Missa degenerada em show, por Bento XVI


por Joseph Ratzinger

O ex prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé fala sobre a reforma litúrgica

Um jovem sacerdote disse-me recentemente: “Hoje precisamos de um novo movimento litúrgico”. Era a expressão de um desejo que, nos nossos dias, só espíritos voluntariamente superficiais poderiam descartar. Para aquele sacerdote, o importante não era a conquista de liberdades novas e audaciosas: nós já não tomamos todas essas liberdades? Ele entendeu que nós precisamos de um novo começo, que nasça no íntimo da liturgia, como queria o movimento litúrgico quando estava no apogeu de sua verdadeira natureza e não se preocupava em fabricar textos, inventar gestos e formas, mas em redescobrir o centro vivo, penetrar no tecido propriamente dito da liturgia, para que a sua realização nascesse da substância da liturgia. A reforma litúrgica, na sua realização concreta, afastou-se dessa origem. O resultado não foi uma reanimação mas uma devastação. De um lado, temos uma liturgia que se degenerou em show, com a tentativa de fazer com que a religião seja interessante com a ajuda de tolices da moda e de máximas morais sedutoras, que fazem sucesso momentâneo no grupo de fabricantes litúrgicos, e leva a uma atitude de fechamento ainda mais pronunciada entre aqueles que procuram na liturgia não um show-master espiritual mas o encontro com o Deus vivo diante do qual o “fazer” se torna insignificante, porque só esse encontro é capaz de nos possibilitar o acesso às verdadeiras riquezas do ser.

Do outro lado, há a conservação das formas rituais cuja grandeza comove ainda hoje, mas que, levado ao extremo, manifesta um isolamento obstinado e no fim só produz tristeza. Certamente, existem entre esses extremos sacerdotes e paroquianos que celebram a nova liturgia com respeito e solenidade, mas eles são contestados pela contradição entre os dois extremos, e a falta de unidade interna na Igreja faz com que a sua fidelidade pareça, erradamente em muitos casos, como uma simples variação pessoal do neoconservadorismo. Em vista dessa situação, é necessário um novo impulso espiritual para que a liturgia seja novamente para nós uma atividade comunitária da Igreja e para que ela seja arrancada da arbitrariedade dos párocos e das suas equipes de liturgia.

Não podemos “fabricar” um movimento litúrgico desse tipo – como não podemos “fabricar” nada vivo – mas podemos contribuir para o seu desenvolvimento, esforçando-nos para assimilar novamente o espírito da liturgia e defendendo publicamente o que recebemos. Esse novo início precisa de “pais” que sejam modelos e não se contentem em indicar o caminho a seguir. Quem hoje procura esses “pais” encontrará sem dúvida a pessoa de monsenhor Klaus Gamber, que infelizmente nos deixou cedo demais, mas que pode ser, justamente pela sua partida, realmente presente com toda a força das perspectivas que nos abriu. Partindo, ele evita a querela dos partidos e pode, nesta hora de dificuldade, ser o “pai” em um novo começo. Gamber atuou de coração a esperança do antigo movimento litúrgico. Sem dúvida, visto que provinha de uma escola estrangeira, sempre foi um outsider no cenário alemão, onde não quisemos admiti-lo. Recentemente, um jovem pesquisador teve dificuldades na sua tese porque ousou citar Gamber abundantemente e com muita benevolência. Mas pode ser que esse ostracismo seja providencial, porque forçou Gamber a seguir o seu caminho e evitou o peso do conformismo.

È difícil dizer em poucas palavras aquilo que, na querela dos liturgistas, é realmente essencial e o que não é. Pode ser a indicação seguinte seja útil. J. A. Jungmann, um dos grandes liturgistas do nosso século, definiu a liturgia como a entendemos no Ocidente, sobretudo através das pesquisas históricas, como uma “liturgia fruto de um desenvolvimento”, provavelmente para contrastar a noção oriental que não vê na liturgia um devir e um crescimento histórico mas só o reflexo da liturgia eterna, na qual a luz, através da função sacra, ilumina o nosso tempo e o reveste com a sua beleza e grandeza imutáveis. As duas concepções são legítimas e não inconciliáveis. O que aconteceu depois do Concílio foi muito diferente: em lugar de uma liturgia fruto de um desenvolvimento contínuo, surgiu uma liturgia fabricada. Saímos do processo vivo de crescimento e de devir para entrar na fabricação. Não quisemos prosseguir o devir e o amadurecimento orgânico do que vive através dos séculos, e o substituímos – como na produção técnica – por uma fabricação, um produto banal do instante. Gamber, com a vigilância de um autêntico profeta e a coragem de um testemunha, opôs-se a essa falsificação e nos ensinou incansavelmente a plenitude viva de uma liturgia verdadeira, graças ao seu grande conhecimento. Como homem que conhecia e amava a história, ele nos mostrou as múltiplas formas do devir e do caminho da liturgia; como homem que via a história por dentro, ele viu nesse desenvolvimento o reflexo intocável da liturgia eterna, que não é objeto da nossa ação mas pode continuar maravilhosamente a amadurecer e a afirmar-se se nós nos unimos intimamente ao seu mistério. A morte desse homem e sacerdote eminente deve nos estimular; a sua obra pode nos ajudar a tomar novo impulso.

(Prefácio do livro La réforme liturgique em question, de Klaus Gamber, Editions Sainte-Madeleine)

 

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