São João da Cruz e Santa Tereza de Jesus nos ensinam


SÃO JOÃO DA CRUZ

Ora, importa saber que, não obstante poderem ser obras de Deus os efeitos extraordinários que se produzem nos sentidos corporais, é necessário que as almas não queiram admitir nem ter segurança neles; antes é preciso fugir inteiramente de tais coisas, sem querer examinar se são boas ou más. Porque quanto mais exteriores e corporais, menos certo é que são de Deus. Com efeito, é mais próprio de Deus comunicar-se ao espírito, e nisto há para a alma mais segurança e lucro, do que ao sentido, fonte de freqüentes erros e numerosos perigos. O sentido corporal, nessas circunstâncias, faz-se juiz e apreciador das graças espirituais julgando-as tais como sente. No entanto, há tanta diferença entre a sensibilidade e a razão como entre o corpo e a alma, e na realidade, o sentido corporal é tão ignorante das coisas espirituais como um jumento o é das coisas racionais, e mais ainda.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 2. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 217)

“Quem estima esses efeitos extraordinários erra muito, e corre grande perigo de ser enganado, ou, ao menos, terá em si total obstáculo para ir ao que é espiritual. Como já dissemos, os objetos corporais nenhuma proporção tem com os espirituais, por isso, deve-se sempre pensar que, nos primeiros, mais se encontra a ação do mau espírito em lugar da ação divina. O demônio, possuindo mais domínio sobre as coisas corporais e exteriores, pode com maior facilidade nos enganar neste ponto, do que nas interiores e espirituais.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 3. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 217)
“As impressões sensíveis são de natureza a produzir erro, presunção e vaidade; porque sendo tão palpáveis e materiais, movem muito os sentidos. A alma levada por essas impressões sensíveis, dá-lhe grande importância, abandonando a luz da fé para seguir essa falsa luz que então parece a seus olhos o meio para levá-la ao objetivo de suas aspirações, isto é, a união divina; entretanto, quanto mais se interessar por estas coisas, mais se afastará do caminho e se privará do meio por excelência que é a fé. A alma, além disso, vendo-se favorecida por graças tão extraordinárias, muitas vezes concebe secretamente boa opinião de si, imaginando já valer, algo diante de Deus, o que é contrário à humildade. Por outro lado, o demônio sabe sugerir-lhe oculta satisfação de si mesma, por vezes bem manifesta. Com este fim propõe-lhe frequentemente objetos sobrenaturais aos sentidos, oferecendo à vista imagens e maravilhosos resplendores; aos ouvidos, palavras misteriosas; ao olfato, perfumes muito suaves; ao paladar, delicadas doçuras, e ao tato sensações deleitosas, para que atraída a alma com estes gostos, possa ele causar-lhe muitos males.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 4-5. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 218)

“Tudo o que se experimenta, sensivelmente, muito prejudica a fé, a qual ultrapassa todo o sentido.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 7. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 219)

“Querendo admitir esses favores de Deus, a alma abre porta ao demônio para enganá-la como outros semelhantes, pois, como disse o Apóstolo, pode o inimigo transformar-se em anjo de luz (2Cor 11,14) e sabe muito bem dissimular e disfarçar as suas sugestões com aparências de boas.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 7. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 220)

“Assim tem acontecido a muitas pessoas incautas e ignorantes: julgavam-se tão seguras nessas comunicações, que grandemente lhes custou a volta a Deus na pureza da fé.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 7. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 220)

“Torno a dizer: a alma presa às graças sensíveis permanece ignorante e grosseira na vida da fé.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro II, capítulo XI, 7. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 223)

“A virtude não consiste nas apreensões e sentimentos de Deus, por sublimes que sejam, nem em nada de semelhante que se possa experimentar interiormente. Ao contrário, a virtude está no que não se sente, isto é, em humildade profunda e grande desprezo de si mesmo.” (JOÃO DA CRUZ. Subida ao Monte Carmelo. Livro III, capítulo IX, 3. Rio de Janeiro: Vozes, 1998, p. 345)

 

 SANTA TERESA DE JESUS

É evidente que a absoluta perfeição não consiste nas alegrias interiores, nem nos grandes êxtases, visões, nem no espírito da profecia. Consiste em tornar nossa vontade de tal modo conforme a de Deus, que abracemos de todo o coração o que cremos querido por ele e que aceitemos com a mesma alegria o que é amargo e o que é doce, desde que compreendamos que Sua Majestade o quer” (TERESA DE JESUS. Fundações, cap. 5, n.10)

alma nada tem a ganhar com estes desfalecimentos do corpo…Aconselho, pois, às prioresas, que condenem esses longos desmaios” (Les Études Carméllitaines, p. 38, Ed. Desclée de Brouwer, Paris)

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Uma resposta to “São João da Cruz e Santa Tereza de Jesus nos ensinam”

  1. Igor Salvador Says:

    É preciso ler os textos em seus contextos. Tenho em mãos “Obras completas”, de S. João da Cruz e estava conferindoo texto supra. O grande Santo fala de fenômenos extraordinários, cuja existência não é exclusiva dos grupos católicos carismáticos, mas que poderia ser, tranquilamente, aplicados por exemplo às aparições marianas, como critério de discernismo.
    Seria mister citar, igualmente, o ítem 6, que vai deixar claro que quando estes fenômenos vêm de Deus não adianta se lhes fugir.
    Ademais, o Método de João da Cruz (a espiritualidade da Noite Escura) é por natureza um método de negação das coisas sensíveis. Dentro desta via, tais experiências são, num primeiro momento descartáveis (não necessariamente falsas), mas é de se admitir que tal método, embora seguro e ortodoxo, não é um método para todos, sendo a via iluminativa a mais acessível aos cristãos em geral, na qual não há qualquer necessidade de desprezo pelos carismas e manifestações extraordinárias; antes estas são passíveis de julgamento pelas autoridades da Igreja, como a RCC foi e continua sendo.

    Olhar Católico:
    O que não justifica de forma alguma o fazer ordinário do que é extraordinário, como acontece na RCC, que é realmente é tão passível de julgamento que sabiamente o arcebisbo de Nairóbi tomou uma bela decisão:
    Nairóbi, 25 mai – O cardeal-arcebispo de Nairóbi, Quênia, John Njue, suspendeu em todo o território arquidiocesano, as atividades do movimento católico de Renovação Carismática. A decisão do purpurado remonta a 20 de fevereiro, após um seu encontro com 200 expoentes do movimento. A Renovação Carismática está presente com as suas atividades em 50 paróquias de Nairóbi. O predecessor do Cardeal Njue, Dom Raphael Ndingi Mwana’a Nzeki, havia nomeado, quando estava à frente da arquidiocese, um capelão para o movimento. A suspensão das atividades é ditada pela necessidade de melhor conhecer as características do movimento. (SP)” (Fonte: Rádio Vaticana)


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