Céu, pecado, psicopata… Frei Rojão!


 Fonte: http://freirojao.blogspot.com/2010/07/o-reino-dos-ceus-tomado-por-psicopatas.html

Frei, estou lendo umas coisas aqui sobre os psicopatas, serial killers, crimes cometidos por essas pessoas e a psicopatia em geral. Gostaria de saber se essas pessoas que são acometidas dessa ‘doença’ terão seu lugar no céu, já que se tratam de psicopatas. se eu cometo um crime eu logo me arrependerei por motivos morais e cristãos. já os psicopatas não vivem isso pq eles não tem emoções. Como se explica isso na ótica católica.

Frei Rojão responde:

Nunca viu o Auto da Compadecida? O chefe cangaceiro entrou no céu a despeito de matar quase toda a cidade, ele era louco mas só Deus sabia.

Para ser pecado deve haver pleno consentimento. Sendo assim, pessoas que cometem ilícitos por grave compulsão alheia a sua vontade não tem culpa, portanto não tem pecado.

Isso difere da negligência. Pessoas podem cometer ilícitos por negligência, mas a culpa recai na negligência. Alguém que sabe ter um sério distúrbio e que não se trata – podendo o fazer, e tendo consciência de que pode o fazer – torna-se culpada. Da mesma maneira um motorista é culpado por dirigir embriagado. Ninguém em sã consciência deseja causar um acidente embriagado, mas ao dirigir bêbado assume-se este risco, se se conhece o risco. Em hipótese, alguém que assume um risco que não conhece e provoca o mal não peca. Por exemplo, alguém que liga inadvertidamente uma chave elétrica e eletrocuta alguém, mas sem a menor noção que era um contato elétrico. Cabe perguntar: “Estava conhecedor dos efeitos?”. Se não, não é pecado.

Eis a diferença teológica entre o doloso e culposo. Todo pecado é doloso por definição.

Assim se aplica aos pecados contra a castidade feito por efeito de álcool – também matéria grave. Ainda que o álcool reduza a capacidade de julgamento, embriagar-se em situação perigosa para a virtude é praticamente permitir o pecado. Antes do primeiro gole havia pleno consentimento na possibilidade que isto ocorresse. E convenhamos: nem álcool, nem nenhuma droga tira totalmente o livre-arbítrio. Exceção feita se você ganha um boa-noite cinderela e é violentada dormindo ou narcotizada. Neste caso, não havia vontade de nada ilícito, nem vontade de ter um facilitador comportamental de ilícitos.

A regra é: “Acordado em sã consciência, você faria?”. Se sim é pecado. Se não, não. Exemplo: Anestesias. As vezes voltamos muito esquisitos da anestesia. Imagine alguém vontando da sala cirúrgica e não dizendo ainda coisa com coisa começa a balançar o dito para as enfermeiras de sua maca. Risível em alguém semi-anestesiado, depravado em uma pessoa em sã consciência. A regra da ausência de consciência plena mitiga e até anula arroubos noturnos causados por sonhos mais picantes – que acontecem naturalmente sem culpa própria (supondo uma pessoa que não os alimentou com pornografia ou pensamentos sujos). Mas isto é controverso. Já me jogaram a pecha de laxista na cara, a despeito do catecismo comentar a mesma coisa em linguagem desidratada.

A indução ao pecado recai na mesma regra. Alguém plenamente desconhecedor dos códigos morais não peca por induzir alguém ao pecado. Por analogia, excusa-se aqueles que não são católicos mas nunca tiveram o mínimo contato para conhecer a fé. Este tema é extenso demais.

Ao contrário, pode-se argumentar na “Lei Natural”, todos conhecem códigos mínimos da Lei Natural, e extrair a culpa pela violação delal. Exemplo básico de Lei Natural? Homem com mulher, masculino se une ao feminino. Que não me venham dizendo que isso não está impresso no mais básico do ser humano, ou dos animais, ou mesmo dos vegetais? Há uma resistência da Lei Natural ao comportamente homossexual.

Observe que as hipóteses “puras” de não-pecado e pecado não existem na vida real. Sempre estamos em condições cinzas, entre a falta de culpa e a culpa total. Como pecado sempre é intenção e consciência, apenas Deus tem autoridade para julgar os pecados, porque vê plenamente os efeitos que culminaram na falta. Os homens podem – com sua justiça humana – apenas buscar uma reparação provisória. A nós cabe um santo “egoísmo” de só cuidarmos de nossas intenções e nossos pecados. E os pecados dos outros? Quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra!.

Ao final, respondi e não respondi sua pergunta. Um psicopata “puro”, totalmente descontrolado, não peca. Mas quem pode entrar em sua mente para julgar que em momento algum ele não se deu conta de sau doença ou não pôde resistir à compulsão? E não nos deixeis cair em tentação… Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores!

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2 Respostas to “Céu, pecado, psicopata… Frei Rojão!”

  1. Delumar Says:

    Frei, móises muito interessante a sua explicação sobre a percepção do pecado para o pecador, mostrando que ele sabe quando é pecado ou não tem a menor noção disso, sendo neste caso, como entendi, livre de culpa. Mas a pergunta que lhe gostaria de fazer é sobre outro tema polêmico e cheio de dúvidas para alguns cristãos e pessoas sem religião. É sobre a Maçonaria. Afinal de contas, como é que a igreja vê a Maçonaria? Ser maçom e cristão ao mesmo tempo é pecado ou é compatível, por que sei que existem muitos padres e até pastores cristãos, sendo que no passado, e talvez agora muito deles fundaram religião e seitas que agora no presente têem milhares de seguidores, que nem sequer imaginam que seus fundadores foram maçons de alto graus. Lá eles também falam de palavras da biblias, entre outras, e prezam exigem muito pelo caminhar da retidão dos seus membros. A Maçonaria diz que não é religião, portanto, aceita e respeita todo aquele que professa qualquer religião e seja de bons costumes, entre outras exigências. Como ser cristão e Maçom sem ofender a Deus, é possível???

    • Moisés Gomes Says:

      Prezado Delumar, a paz de Jesus e o amor de Maria!
      Antes de mais nada queria lhe dizer que não sou frei e que o post que você leu também não é de minha autoria. Peço desculpas desde já por isto não ter ficado claro e também por não ter informado a fonte do texto no post. Mas creio que quando você estiver lendo minha resposta isto já esteja corrigido.
      Já quanto a Maçonaria, sugiro a leitura do post “Doutrina Maçônica vs. Doutrina Católica” e também o post “Dialogando com um maçon ‘eclético’ “, neste ultimo há uma pequena lista de Documentos da Igreja sobre a Maçonaria com seus respectivos links. Na categoria Maçonaria do <>§|Olhar Católico|§ você encontra todas as minhas postagens sobre este assunto.


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