A verdadeira dança litúrgica


via Salvem a Liturgia! de Cleiton Robson

* David G. Bonagura Jr.

Trad. e Adapt. Cleiton Robson.

A simples menção de “dança litúrgica” chama a atenção para alguns dos piores abusos na Missa no Novus Ordo: Mulheres e meninas como um todo, têm ido à frente com os dons, com as danças tribais, na intenção de entreter o povo, durante as Missas da juventude; e tudo isso como tentativas de tornar a Liturgia “mais relevante” para os fiéis. A dança na Missa é uma falha, como o Cardeal Joseph Ratzinger explicou em “O Espírito da Liturgia”, porque é incompatível com o objetivo essencial da Liturgia do “Justo Sacrifício.”

Enquanto, a dança em si não pertence à Missa, mas é inteiramente adequado descrever esta última como uma dança: uma série sagrada de movimentos rítmicos e gestos, muitas vezes acompanhada por música, que visa "entreter", isto é, oferecer culto perfeito a Deus. Na verdade, quando a Missa é celebrada com solenidade e reverência adequada, tem, do começo ao fim, um ritmo interno e dinâmica própria, uma vez que ela marcha conforme os ditames da história da Igreja e da salvação. Com isso, pode-se afirmar que a ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência.

Durante décadas os católicos que se inclinam para o culto litúrgico solene demandaram uma "reforma da reforma" – uma revisão da Missa no Novus Ordo, em conformidade com o seu rito latino antecessor. O Papa Bento XVI acentuou esta meta, utilizando-se de suas liturgias papais, em parte, como modelos para a celebração da Missa reverentemente. A solenidade destas liturgias não vem apenas dos parâmentos musicais bem ornados, mas a partir do ritmo interno que resulta da correta ars celebrandi da Missa. Assim como uma dança majestosa secular tem uma qualidade magnética que atrai espectadores em sua dinâmica interna, o ritmo sagrado da Missa atrai os fiéis, envolvendo a mente e o coração na participação plena, consciente e real.

A “dança litúrgica”, que é a celebração do sacrifício de Cristo de uma vez por todas, pode, como nas danças seculares, “atravessar” ou entrar em colapso totalmente, por incursões de fora ou falhas de dentro. Ambas ocorrem em muitas Missas no Novus Ordo, na maneira como elas são geralmente celebradas. Mas a falta de ritmo interno da Forma Ordinária não nasce somente de abusos: algumas das rubricas por si mesmas proibem uma verdadeira harmonia litúrgica, e com ela, solenidade.

Uma incursão externa, por exemplo, vem imediatamente antes do fim da Missa: logo que o fiel recebeu a Eucaristia, rezou em silêncio e juntou-se com a oração conclusiva dita pelo sacerdote, uma voz vinda do ambão, pede a todos para sentarem-se para alguns avisos breves (Instrução Geral do Missal Romano, nº 90). E isto, convidando os fiéis para o café, bingo, ou mesmo para a devoção das Quarenta Horas (N.T.: No Brasil, existe uma devoção análoga – mas que não suprime as ‘Quarenta Horas’ – chamada de “Cerco de Jericó”), quebrando assim, a dinâmica da Eucaristia, que é o clímax, e a conclusão da Missa.

A ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência!

Restabelecer um caráter de solenidade torna-se impossível após esta invasão do profano no que é sagrado, na maior parte das finalizações. De maneira similar, as antífonas de entrada e da comunhão lidas "pelos fiéis, ou por algum deles, ou por um leitor" (IGMR nºs 48 e 87) perdem alguns dos seus efeitos quando precedidas por um anúncio espalhafatoso de data, número de página e volume do missal [ou ainda, da “liturgia diária”, do folheto].

Internamente, o ritmo do Novus Ordo sofre de silêncios impostos em lugares onde o silêncio se torna desagradável ao invés de propício à meditação, como no rito penitencial (IGMR 51) e o tempo depois da comunhão (IGMR 88), quando o silêncio faz parte da dinâmica de pedir perdão a Deus ou agradecê-lo pelo dom de Si mesmo. Mas os momentos de silêncio antes, durante e depois da Liturgia da Palavra (IGMR 56), embora bem intencionados, na verdade, interrompem a ação litúrgica; vários segundos de cabeça baixa dificilmente podem permitir a compreensão da leitura da Palavra de Deus. Durante a Liturgia da Palavra, há o problema adicional do movimento de leitores e cantores para o ambão. Nestes movimentos, falta o ritmo e o decoro de uma procissão do Evangelho, e sua falta de uniformidade tende a tornar a Liturgia artificial e não natural.

Todas estas práticas litúrgicas contêm um pouco mais de interrupções profanas e artificiais; todos existem para um propósito comum: eles são encaminhados para os fiéis e sua experiência com a Liturgia. Como tal, eles quebram o ritmo da Missa, porque desviam a ação sagrada de seu objeto próprio: Deus.

O que, então, pode ser feito para restaurar a harmonia da forma ordinária? Em sua carta de acompanhamento para o Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI expressou sua esperança de que as duas formas do Rito Romano da Missa “enriquecer-se-iam mutuamente”. A Forma Extraordinária, seja em uma Missa baixa ou Missa solene, é o epítome da dança litúrgica: o seu movimento contínuo, o silêncio orgânico, e os gestos rubricizados para todos os participantes asseguram a solenidade dos movimentos da dança em sintonia com seu objetivo: adorar a Deus.

O profano não deve interromper esta Forma da Missa, que é absorvida e transformada em parte do rito sagrado em si. Se a Forma Ordinária seguir a sua irmã mais velha nas áreas acima, ela irá encontrar o seu ritmo restaurado e a solenidade descoberta.

A dança litúrgica adequadamente compreendida não é um abuso na Missa, mas a sua expressão mais alta e mais bonita. Quando cada movimento litúrgico e gesto são direcionados para adorar a Deus, a Missa se torna a dança mais solene e profunda deste lado do paraíso.

* David G. Bonagura Jr. é professor adjunto de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, NY.

Texto Original disponível AQUI.

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