A Canção Nova em seu contexto


Do Pacientes na tribulação de Márcio

Os carismáticos possuem um grande número de frases prontas que eles apresentam logo que alguém tem a “extrema ousadia” de criticar o movimento ao qual eles pertencem. Uma destas frases é a famosa “vocês estão citando fatos fora do contexto”. Pois bem, resolvi fazer um breve, muito breve, apanhado dos fatos e ditos que constituem o contexto da Canção Nova. O trabalho está longe de ser exaustivo. Na realidade, foi apenas um voo de pássaro sobre os fatos que me vieram à memória. No entanto, creio que será suficiente para mostrar que as nossas críticas não estão fora de contexto. Pelo contrário, o conjunto da obra da RC”C” só vem a confirmar o quanto ela é um descaminho para os católicos.

Profanações

Para começar sem rodeios, cito logo a profanação ao Santíssimo Sacramento em que os carismáticos dançavam ao Seu redor, e depois, com o padre mesmo segurando o ostensório e agitando-O como se se tratasse de um objeto qualquer. Cenas que ofendem profundamento o sentimento católico, tratando o Santíssimo Sacramento com total irreverência.

Os carismáticos em geral tentam justificar as danças nas suas missas alegando que os judeus dançavam em torno da Arca. Acontece que a Santa Missa não é a comemoração de nenhuma passagem do Antigo Testamento, mas sim a renovação do Sacrifício do Calvário. Qual era a atitude que tinham a Virgem Maria, São João e as demais pessoas piedosas ao pé da Santa Cruz? A nossa atitude na Santa Missa, portanto, deve ser de silêncio, reverência, adoração. O que que os carismáticos fazem é pura profanação.

Os insistentes pedidos de contribuição

A Canção Nova não vende propagandas e, portanto, depende das doações dos sócios para manter-se. Não vamos questionar a opção deles. No entanto, existe diversas formas de se pedir. E a forma como eles fazem é através de uma verdadeira lavagem cerebral, com repetições exaustivas e apelos emocionais. Parece que até nisto eles copiaram os pentecostais, ao criar um clima em que o fiel se sente constrangido a colaborar financeiramente.

Acrescente-se a isto a consideração de que eles não pedem apenas pequenos valores. A propaganda deles pede até doações em ouro! E o pior, no mesmo momento em que estão pedindo aos sócios até o dente de ouro de seus parentes falecidos, eles riem, em uma atitude de total desrespeito. Como se pensassem: “já bateu mesmo as botas, então entrega logo o ouro, seu trouxa”.

A política, ou melhor, a politicagem da Canção Nova

É de conhecimento geral no Brasil as polêmicas envolvendo a Canção Nova e seu favorecimento a partidos com ideologia de esquerda. Não vou falar nada de política partidária, porque este blog é religioso e não político. Não tomo aqui a defesa de nenhum partido político, mas tão somente da moral católica. E esta moral tem sido pisoteada pela Canção Nova ao permitir que políticos com total compromisso com a ideologia comunista possuíssem programas em sua grade.

Em outubro de 2010 o padre José Augusto foi repreendido pela Canção Nova quando defendeu a moral católica, sob o argumento de que estava se intrometendo em política. Mas os políticos de esquerda somente perderam seus programas nesta rede de televisão devido aos protestos dos católicos que levantaram sua voz contra esta violação da doutrina e da moral da Igreja. O que demonstra que a coerência não é o forte desta rede que se faz passar por católica.

As doutrinas ensinadas pelos expoentes da Canção Nova

Ao tratarmos dos expoentes da Canção Nova, deixaremos de lado as questões morais, como, por exemplo, a do Eto, protagonista dos fatos comentados acima sobre a política. Vamos nos concentrar sobre as doutrinas, porque assim demonstramos que não se trata apenas de má conduta pessoal, mas sim de questão mais grave. Pois, expondo a má doutrina dos grandes nomes da Canção Nova, demonstramos que os seus maus frutos não são algo apenas acidental, mas que derivam da própria árvore.

Jonas Abib, o fundador da “obra”, afirma em um de seus livrecos, como denunciara o professor Orlando Fedeli, que “a primeira necessidade de um cristão é ter a certeza da sua salvação” (Padre Jonas Abib, A Bíblia foi escrita para você, Ed. Loyola, 1993, pg 16). Ora, a certeza da salvação é doutrina protestante, e não católica. Além disso, como já enfatizava o professor seguindo o catecismo, ter a presunção da salvação é um pecado contra o Espírito Santo.

O mesmo “mau senhor” Jonas Abib, em um momento de empolgação, deixou cair a máscara de católica que a RC”C” cria para si mesma. Exultando de alegria, o padre rccista afirmou que os pentecostais são “lindos e santos”. Ora, os pentecostais são exatamente a raiz da qual nasceu a RC”C”, que é a sua transposição para “dentro” da Igreja (dentro dos limites visíveis, porque dentro da alma da Igreja não pode haver heresia nenhuma). E quem são estes pentecostais? São os protestantes mais agressivos contra a Igreja Católica! São os que mais insultam a Igreja, os que mais Lhe roubam os filhos através de um proselitismo agressivo. Na deturpada linguagem liberal, o elogio de Jonas Abib aos pentecostais é chamado ecumenismo. Mas, na linguagem comum, que não abandonou o bom senso, isto chama-se simplesmente traição.

Felipe Aquino, que em alguns aspectos parece mais assentado que os demais, não deixa de falar enormes absurdos contra a doutrina católica. Certa vez, disse que o mandamento da Igreja de se abster de carne em determinadas datas é opcional. Um “mandamento opcional”, coisa que só cabe na cabeça de alguém que aceita como normais as contradições do Vaticano II. Pior do que a contradição é o fato de que católicos estejam sendo induzidos a não obedecer um mandamento da Igreja.

De outra feita, ele afirmou que “magia é coisa inocente”. As severas proibições que Deus lançou contra o recurso à magia são o quê? Implicância?

Para quem diz que magia é coisa inocente, defender Harry Potter também não custa nada. E ele encontra até a “autoridade do Vaticano” a favor do “bruxinho inocente”. Quando se trata de defender suas idéias, a opinião de qualquer clérigo vira “autoridade”.

Desconhecendo a austeridade e seriedade da Igreja Católica, a RC”C” busca muito a satisfação dos sentidos. Não tendo a profundidade doutrinal e espiritual do Catolicismo, o carismatismo busca outros meios de atrair as pessoas. O finado Pe. Léo atraía as pessoas através do humor. Não que sejamos contra a felicidade ou o humor sadio, mas devemos afirmar sem medo que o que fazia padre Léo é censurável, porque fazia suas piadas tomando temas sagrados. O Catecismo nos ensina claramente que é pecado contra o segundo mandamento fazer sátiras a partir de textos da Sagrada Escritura.

Como este artigo não pretende ser exaustivo, o tombo foi tão rápido que já atingimos o fundo do poço. Que não pode ser outro senão Fábio de Melo. Este padre acredita na evolução do dogma; afirma que a Igreja não tem autoridade para condenar; junto com seu colega, Pe. Joãozinho (não vamos nem falar dele, já basta um), tece inúmeros elogios às seitas protestantes mais anticatólicas que existem; elogia o arqui-herege Teilhard de Chardin, sacerdote apóstata, amante de sua própria sobrinha, que chamou Santo Agostinho de “infeliz”, etc.

Ufa! Vamos parar um pouquinho para respirar? Tem mais, vamos continuar.

A Igreja Católica já condenou o socialismo. No entanto, para Fábio de Melo, “a proposta de Jesus é socialista”!

Mas o auge mesmo dos absurdos de Fábio de Melo foi a sua negação de dogmas como a ressurreição de Cristo e a presença real na Eucaristia, e a afirmação de que ela é um “jantar entre amigos”. Todas estas doutrinas contrárias à Fé católica estão escritas no livro “Cartas entre amigos”, e foram denunciadas pelo excelente blog Adversus Haereses.

Em vez de simplesmente professar a Fé católica, que é obrigação de todo aquele que quer ser católico, e ainda mais dele que é padre, Fábio de Melo se complicou cada vez mais e mais tentando se justificar, até chegarmos ao artigo do professor Orlando Fedeli que, de tão claro, acabou com as esperanças do carismático.

Este episódio teve cenas memoráveis. Depois de ter se envolvido na defesa de seu amigo Fabio de Melo, Joãozinho percebeu que não havia como continuar, e abanou-o dizendo “ele que se defenda”. Toda vez que lembro disso me vem à cabeça aquela música “amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito”…

A raiz dos males da Canção Nova

Todos estes fatos e doutrinas contrárias à moral e à Fé católicas nos dão uma idéia do que é a Canção Nova. Importante é perceber que não são fatos isolados. Portanto, quando um carismático, que não aceita críticas, nos acusar de estarmos citando fatos ou palavras fora do contexto, convidemo-lo a estudar o verdadeiro contexto em que a Canção Nova se encontra.

Mais do que isso, convidemos os carismáticos a conhecer o contexto da RC”C” como um todo, desde seu início, que não foi dentro da Igreja Católica, e sim no protestantismo. Passemos a demonstrar que o “batismo no Espírito” não é uma doutrina católica, mas tão somente uma interpretação abusiva de um trecho da Sagrada Escritura, resultado de um livre exame, que não tem nenhum fundamento na Tradição nem no Magistério. É provável que o carismático tente defender o “batismo no Espírito”, talvez tentando confundi-lo com o sacramento da Crisma. Mas também é fácil demonstrar que isto não é verdade.

A discussão vai longe, porque toda heresia tenta se disfarçar quando é descoberta. Mas, pelo menos, cumprimos nossa obrigação de alertar as pessoas de que a RC”C” não está de acordo com a doutrina da Igreja Católica, e de que é a RC”C” a raiz dos males que atingem todos os carismáticos. Exatamente quando colocamos as coisas em seu devido contexto, é que percebemos que a RC”C”, e todos seus expoentes, estão em contradição com o Catolicismo, e isto como conseqüência lógica de seus princípios protestantes.

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