Assuntos não resolvidos a espera do conclave


POR ANDREA TORNIELLIdo Vatican Insider | Tradução §|Olhar Católico|§

Reformar a Cúria, o mais pesado legado para o novo Pontífice

TORNIELLI
CIDADE DO VATICANO

Nas conversas entre os cardeais na sombra das paredes do Vaticano, nestes dias, mais do que a sucessão do novo Papa há se perguntado sobre o futuro das obras inacabadas deixadas por Bento XVI. Os problemas não resolvidos do pontificado. A discussão sobre as prioridades para a Igreja Católica no futuro será, de fato, decisiva para a escolha do seu sucessor.

 

O Papa Ratzinger tem se concentrado no anúncio da fé cristã no mundo e criou um "ministério" vaticano para a "Promoção da Nova Evangelização". A renúncia, no entanto, deixa incompleta a resposta papal à crise de fé, sobretudo do ponto de vista positivo e propositivo. Como comunicar o evangelho na sociedade pós-cristã, abandonando uma linguagem auto-referencial que é o a mais comum em tantos documentos da Igreja? O Papa deu um exemplo de uma comunicação eficaz, que nem sempre foi bem recebida.

Outra questão não resolvida diz respeito à liturgia. Como cardeal, Ratzinger havia auspiciado uma “reforma da reforma” da litúrgia conciliar, que recuperasse a sacralidade do rito. Nessa tentativa foi enquadrada também a decisão de liberalizar, em 2007, a missa em latim segundo o rito em vigor antes do Concílio, uma das medidas mais contestadas papais dentro da Igreja. O Pontífice alemão, como mostra o livro […] escrito por Gianni Valente, "Ratzinger no Vaticano II" (San Paolo), não se encaixa em tudo no clichê conservador: ele viveu na primeira pessoa e pediu reformas conciliares, das quais não se arrependeu.

A liberalização da antiga missa deveria servir para, no seu entender, trazer o tradicionalismo para uma correta interpretação das reformas conciliares para mitigar certos abusos e da possível “degeneração da Missa em show”. Mas a "reforma da reforma" não estava lá. O Papa tentou dar o exemplo: nas missas celebradas por ele se fez aparecer vestido de paramentos antigos e barrocos; a comunhão de joelhos; um maior uso do latim e do canto gregoriano; […]. Certa exterioridade acabou passando uma visão distorcida de recordar o essencial da liturgia como um encontro com o mistério.

O processo relativo aos  lefebvrianos, uma iniciativa do Papa, tinha como objetivo chegar a sanar o cisma de 1988, permanece sem solução. Durante anos o Papa estendeu a mão, respondeu positivamente aos pedidos da Sociedade de São Pio X, retirando as excomunhões e abrindo-se ao diálogo doutrinal. Apesar das concessões, a resposta positiva não chegou.

Como teólogo, Ratzinger tem um modo de pensar particular sobre o  que une cristãos ao judaísmo. No entanto, alguns incidentes de percurso, causados ​​pelo mau funcionamento da máquina curial, criaram tensões com o mundo judeu: a excomunhão removida para o bispo Williamson, negador das câmaras de gás e a polêmica em torno [dos textos] da Sexta-feira Santa encontrados na antiga liturgia liberalizada.

E ainda há mal-estar, após a polêmica de Ratisbona, no relacionamento com o mundo islâmico, na espera do novo equilíbrio da Primavera Árabe: as viagens na Turquia, Jordânia, Israel e Líbano foram sucessos; as nomeações de novos líderes da Igreja Católica no Oriente, no Iraque e Egito, era a esperança apesar das dificuldades. Continua em aberto as relações com a China: nos últimos anos seguiu os passos positivos, mas também lágrimas dolorosas.

No início de seu pontificado muitos esperavam que Bento XVI reformaria a Cúria Romana. Que a simplificasse para torná-la mais funcional, redimensionando em parte  o papel central da Secretaria de Estado, para dar mais poder aos discatérios e uma dimensão mais colegial. Os projetos ficaram no papel, depois de algumas tentativas iniciais de fusão. As nomeações episcopais da Cúria se multiplicaram e o vatileaks revelou uma realidade de tensões, confrontos e concordatas. O Papa, que era capaz de lutar como nenhum outro contra o flagelo da pedofilia na Igreja, não foi capaz de completar o trabalho de reforma interna do Vaticano e teve sempre uma equipe em torno dele para filtrar suas instruções e atos de governo.

Há ainda o assunto não resolvido da dissidência, representada por grupos de sacerdotes que abertamente convidam a desobediência, pelo fim do celibato sacerdotal e para pedir o sacerdócio das mulheres. Finalmente, em uma sociedade secularizada, o local permanece aberto sobre as respostas para a crise do casamento e do crescente número de divorciados e recasados. Há apenas três semanas, Bento XVI convidou a investigar a possibilidade de declarar um casamento nulo e sem efeito por falta de fé. Caberá ao seu sucessor também esta questão

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