The Walking Dead – versão CNBB


Por FABIANO MAISONNAVE

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Preocupada com a renovação das paróquias, a assembleia dos bispos, que terminou na última sexta, incluiu as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) entre as iniciativas para recuperar a presença da Igreja Católica nas áreas mais pobres, onde perde fiéis para evangélicos.

“É um jeito de fazer com que os leigos lá na base comecem novamente a se articular”, disse d. Severino Clasen, presidente para comissão para o laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao defender uma CEB menos ideológica.

Surgidas após o Concílio Vaticano 2º (1962-65), as CEBs foram impulsionadas pelo Documento de Medellín (1968) e pela Teologia da Libertação. Ligadas ao PT e movimentos sociais, seu auge foi nos anos 1980, em regiões pobres, com uma crítica que unia princípios cristãos a uma ótica de esquerda.

Em meio à oposição dos papas João Paulo 2º e Bento 16, que nomearam bispos contrários à aproximação com a esquerda, perderam força.

Para o padre Benedito Ferraro, assessor da Ampliada Nacional das CEBs, a volta da discussão é um reconhecimento de parte dos bispos de que a retração abriu espaço para as evangélicas, como a Assembleia de Deus.

Hoje, diz, as CEBs são minoria entre os grupos eclesiais na periferia. Ferraro diz que não há números precisos sobre as CEBs, mas que elas estão presentes em todo o país.

O início da retomada das CEBs foi em 2007, na Conferência do Episcopado Latino-Americano, onde foi aprovado um documento cujo relator foi o bispo argentino Jorge Mario Bergoglio, futuro papa Francisco, com trechos bastante favoráveis às CEBs.

Os elogios, porém, foram diluídos quando o Documento de Aparecida passou por uma revisão da Cúria Romana do papa Bento 16.

“O modo como aconteceu repercutiu negativamente”, disse o bispo italiano de Adriano Vasino. “Isso é um dos problemas que a Igreja está tentando resolver, ter maior transparência em tudo.”

Vasino diz que o tema continua a dividir a CNBB entre “bispos que acreditam claramente nesse modelo” e “outros que, por experiências negativas, resquícios, consideram as comunidades ligadas só ao social ou a ideias descritas como comunistas”.

Defensores das CEBs esperam mais apoio do papa Francisco. Tanto por ter participado do Documento de Aparecida quanto pela defesa de uma “igreja para os pobres” –embora sem viés esquerdista.

A retomada, porém, não deverá ter a mesma força de antes, avalia o ex-arcebispo do ABC, cardeal d. Cláudio Hummes. “[As CEBs] talvez representem uma época, da ditadura militar, e foi aí que o povo conseguiu ter voz”, disse. “Em 30 anos, se faz um longo caminho. Então eu não posso simplesmente repetir o discurso de 1980 nem a prática de 1980 ao pé da letra.”

Senador João Costa realiza pronunciamento contra o aborto e justifica motivos


Conexão Tocantins 18/04/2013 – O senador João Costa Ribeiro Filho (PPL-TO) realizou pronunciamento na tarde desta quinta-feira, 18, na tribuna do Senado, sobre a criminalização do aborto.

Atualmente, tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 236, de 2012, conhecido como Anteprojeto do futuro Código Penal que, nos artigos 125 a 127, cria quatro formas de criminalização do aborto e, no artigo 128, sete formas de exclusão desse crime.

Frente às questões sociais inerentes ao tema e a responsabilidade do legislador, ao exigir exatidão conceitual e principiológica do texto do Projeto de Lei em estudo, o senador João Costa solicitou aos Professores Hélcio Maciel França Madeira, da Universidade de São Paulo, e Pierangelo Catalano, da Universidade de Roma La Sapienza, pareceressobre os direitos do nascituro à luz do sistema do Direito Romano atual e do ordenamento jurídico brasileiro.

“O aborto é a interrupção da gravidez com a morte do nascituro, assim considerado o ser humano que está por nascer e que aguarda seu nascimento no ventre materno. Essa interrupção pode ser feita de forma espontânea ou induzida, por meio do uso de medicamentos ou da realização de cirurgias. A gravidez  começa com a fecundação de um óvulo pelo espermatozoide e termina com o nascimento da criança. No aborto, o bem jurídico tutelado é a vida do ser humano em formação, e, quando for provocado por terceiro, a incolumidade pública. É uma agressão não só contra aquele que está por nascer, em todos os casos, mas também contra a gestante,  quando realizado sem o seu consentimento. Nesse ponto, a sociedade também é alvo dessa agressão, em face de seu dever em proteger a vida do ser humano em formação no útero materno”, considera João Costa. 

Em seu pronunciamento, o senador destacou que no sistema jurídico romano, o direito do nascituro à vida se construiu autonomamente – “não como questão religiosa, biológica, científica ou filosófica”.

“A vida daquele que está por nascer indica a existência de um ser humano em formação, e para o Direito, onde houver vida, exige-se, no mínimo, respeito, defesa e proteção. Por maior que seja a dependência afetiva, física ou nutricional que o nascituro tenha da gestante, de remédios ou de recursos decorrentes dos avanços tecnológicos, cabe ao jurista defender os direitos fundamentais dele, especialmente o direito à vida e à integridade física”, afirmou.

João Costa aponta que, após criterioso exame dos direitos do nascituro, os Professores Hélcio Madeira e Pierangelo Catalano foram unânimes ao consignar, em seus Pareceres, que a vida começa com a concepção, e o nascituro é titular de inúmeros direitos.

“O ordenamento jurídico brasileiro é explícito com relação a existência de vida e de direitos a partir da concepção: primeiro, o Código Civil, em seu art. 2º, que adotou a teoria concepcionista, deixando claros e a salvo não só esses direitos, como o momento em que eles têm origem; segundo, a Constituição Federal, no art. 5º, XXXVIII, ‘d’, que incluiu o aborto entre os crimes dolosos contra a vida; terceiro, o atual Código Penal e o próprio Projeto de Lei nº 236, de 2012, que incluíram o aborto entre os crimes praticados contra a pessoa, de maneira especial na subclasse dos crimes dolosos contra a vida , ao lado do homicídio, da indução, instigação ou auxílio ao suicídio, bem como do infanticídio”, considera o senador.

O pepelista ainda destacou durante seu discurso que “a toda evidência, ao definirem o crime de aborto, o Código Penal e o citado Projeto de Lei não se referiram ao aborto como um crime doloso” contra a morte ou contra um objeto ou coisa – “Ao contrário, admitiram, expressamente, que o aborto é um crime doloso contra a vida do nascituro, até porque caracteriza a prática de crime impossível matar alguém sem vida”, garante.

Os direitos do Nascituro

João Costa considera que no exame ao Anteprojeto do futuro Código Penal nota-se a consideração aos direitos do nascituro: 1) direito à vida e proibição do aborto (CF, art. 5º, caput, e art. 5º, inciso XXXVIII,‘d’); 2) outros direitos da personalidade, quando compatíveis com a condição de nascituro, como: direito à integridade física, à imagem e à honra; 3) direito à filiação e ao reconhecimento da paternidade (CC, arts.1596, 1597 e 1609); 4) direito à curatela (CC, art.1779); 5) direito à sucessão (CC, art. 1798); 6) direito à posse dos bens herdados (CPC, art. 878); 7) direito a receber a doação (CC, art. 542); 8) direito a alimentos; 9) direito de consumidor; 10) direitos tributários .

“Não há dúvida de que a vida é pressuposto dos demais direitos do nascituro. Logo, ao se subtrair dele a origem de seus direitos, retira-se-lhe, a um só tempo, os demais, seus frutos. Já ao se lhe assegurar o direito à vida, não se está garantindo apenas o direito dele, que está por nascer, mas também os direitos da família e os da república”, atesta João Costa e complementa, “O aborto é um crime contra a continuidade e a integridade de uma estirpe, pois ele não destrói, apenas, uma vida indefesa; toda uma geração é assassinada brutalmente (filhos, netos, bisnetos etc).  Por isso, só defendem o aborto aqueles que tiveram o direito de nascer”.

O senador também destacou que enquanto o art. 125 do citado Projeto de Lei faz referência ao aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento, que comina com pena de seis meses a dois anos, o art. 126 descreve o aborto consensual provocado por terceiro, cuja pena de prisão é de seis meses a dois anos, e o art. 127 indica o aborto provocado por terceiro, sem o consentimento da gestante, tendo como pena a prisão de quatro a dez anos.

“Note-se que das quatro formas apresentadas, em apenas uma delas o aborto é feito sem o consentimento da gestante: a do art. 127; nas demais, ela consente ou provoca o aborto em si mesma. Se os art. 125 a 127 do Projeto de Lei nº 236 qualificam quatro condutas como criminosas, o art. 128, do mesmo Projeto de Lei, se encarrega de afastá-las com as respectivas causas de exclusão. Com o reconhecimento e a aplicação de uma das formas que exclui o aborto, a conduta antes considerada criminosa ou abortiva deixa de ser considerada crime. As excludentes do crime de aborto representam uma clara influência dos pandectistas”, afirmou da tribuna. 

Causas de Exclusão /Aborto / Crime

João Costa ainda relacionou hipóteses relacionadas às causas de exclusão desse crime. O art. 128 do Anteprojeto do novo Código Penal apresenta indica sete hipóteses que afastam da conduta tida como criminosa a característica de crime. São elas: I) se houver risco à vida ou II) à saúde da gestante; III) se a gravidez resultar da violação da dignidade sexual ou IV) de emprego não consentido de técnica de reprodução assistida; V) se comprovada a anencefalia, atestada por 2 médicos ou VI) quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina, fato atestado por 2 médicos; VII) se por vontade da gestante, até a 12ª semana da gestação, quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade.

“É como se com uma mão se criasse o crime de aborto e a um só tempo, com a outra, esse crime fosse desfeito. Aparentemente, restou apenas o crime de aborto previsto no art. 127, caracterizado como provocar aborto sem o consentimento da gestante. Isso porque, ao dispensar o consentimento da gestante ou de seu representante legal, se ela não puder se manifestar, o parágrafo único do art. 128 do Projeto de Lei do Senado nº 236 desfaz a forma de aborto do art. 127. Ou seja, na hipótese de risco à vida da gestante, o autor do aborto não será penalizado, ainda que o faça sem o consentimento dela ou de seu representante legal”, registrou.

O senador ainda considerou que de acordo com o atual Código Penal e com o Projeto de Lei nº 236, todos os crimes – exceto o aborto – se submetem às mesmas formas de exclusão do fato criminoso, também chamadas excludentes de ilicitude ou de antijuridicidade (arts. 23 e 28, respectivamente). A conduta deixa de ser ilícita ou criminosa quando o crime é praticado: I) no estrito cumprimento do dever legal; II) no exercício regular de direito; III) em estado de necessidade; IV) em legítima defesa.

“A pergunta que se faz, então, é a seguinte: por que somente o aborto não se submete às excludentes de ilicitude indicadas no art. 23 do atual Código Penal e no art. 28 do Projeto de Lei nº 236? Por que alguém que mata outrem fora do útero materno (criança ou adulto, não importa), de maneira hedionda, ignóbil e mesquinha, se submete a tais excludentes, e o autor ou autora do crime de aborto se submete às excludentes especiais do art. 128 do atual Código Penal, as quais estão sendo ampliadas pelo art. 128 do Projeto de Lei 236? Por que um peso e duas medidas?”, questionou João Costa.

Para o senador,a resposta é “singela”: “se os autores do crime de aborto se submetessem, apenas, às excludentes do art. 23 do Código Penal e do artigo 28 do Projeto de Lei 236, somente o estado de necessidade excluiria a ilicitude do crime de aborto. Assim, só na hipótese de risco à vida da gestante o direito excluiria o crime; nas demais, não. Por isso é que, nesse caso, a excludente é chamada de aborto necessário, uma vez que é realizado em decorrência do estado de necessidade. As outras excludentes de ilicitude –  estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de direito e legítima defesa – são incompatíveis com crime de aborto”.

Gravidez em decorrência de Violência Sexual

Com relação à gravidez decorrente de violência sexual, João Costa ressaltou que o princípio de Direito Romano, “que poderia resolver o impasse”, é objetivo, concreto e fundamental: Calamitas matris non potest nocere ei qui in ventre est (“A calamidade da mãe não pode prejudicar aquele que está no seu ventre”) e opõe-se à excludente do crime de aborto – afirmou.

João Costa considera que, no Brasil, a criação de novas causas excludentes da ilicitude do crime de aborto é a prova de que os ativistas pró-aborto buscam, a exemplo do que tem sido feito em outros países, “uma aproximação da cultura da morte e consequente afastamento da cultura da vida; da política que apregoa a morte no lugar da vida e o sangue no lugar da paz”.

Interrupção / Gravidez

No entendimento do senador João Costa, a interrupção da gravidez, ainda que realizada por um especialista, em um bom hospital, não deixa de representar uma séria e grave intervenção no organismo da gestante. 

“A garantia de acesso à informação e aos serviços de assistência à saúde reprodutiva, bem como iniciativas de conscientização contrárias ao abortamento voltadas para gestantes que, num primeiro momento, estão decididas a interromper a gravidez, representa uma forma de proteção à vida e à saúde da própria gestante. Em inúmeros casos, a criação de alternativas e opções pelos governos, para abrigar, proteger as crianças após o nascimento e assegurar o sigilo da gravidez, pode defender a vida e evitar a morte, riscos, consequências e complicações, causados por abortamentos realizados em condições precárias de higiene, por pessoas não qualificadas e com o emprego de métodos perigosos”, finalizou. (Assessoria de Imprensa)

noticias-lepanto Enquete realizada pelo G1 mostra desaprovação dos leitores à união civil entre homos sexuais


O site de notícias G1, que pertence ao grupo Globo, realizou uma enquete entre seus leitores sobre à união civil entre homossexuais depois que a cantora Daniela Mercuri colocou o tema em pauta nos jornais ao assumir sua relação lésbica com uma jornalista. Para 57,85% dos votantes, o Congresso não deve aprovar o projeto de união civil entre homossexuais. (Veja a figura do resultado da votação no link abaixo e atente para o número de publicações que houve no Facebook e no Twitter).

A cantora, é embaixadora do Brasil na Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) desde 1995 e do Unaids (programa da ONU para HIV/Aids), se declara católica e diz acreditar que o uso de preservativos “é um instrumento de proteção à vida”.

Em 2005, ela teve seu nome vetado por Bento XVI no concerto de natal promovido pelo Vaticano. Apesar de sua posição abertamente contrária aos ensinamentos católicos, Daniela contou em entrevista à revista “Veja” que ela e sua parceira tiveram a audácia de ir à basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Paris, para colocar as alianças, fazer orações e pedir proteção. Nada mais provocativo ao Sagrado Coração de Nosso Senhor que pregava a castidade e o casamento indissolúvel entre um homem e uma mulher.

Fonte:
http://ipco.org.br/home/noticias/enquete-realizada-pelo-g1-mostra-desaprovacao-dos-leitores-a-uniao-civil-entre-homossexuais

Tempos difíceis, que já duram demais.


“Tempos difíceis, especialmente marcados pelo relativismo moral, pela busca irresponsável de uma inculturação litúrgica, que rebaixa o Mistério aos níveis de um reles sincretismo, pela confusão doutrinal, fundada na aceitação tácita de que a Fé cristã é uma entre tantas outras válidas, pela pura e simples adoção de princípios ideológicos incompatíveis com a visão cristã do homem e do mundo”

Escuta-se de tudo neste mundo. Cada vez mais, cada um diz o que bem entende e ai de quem contradizer aqueles que julgando estar na verdade, arvoram-se em critério do mundo.
A Igreja também tem tipos assim…: leigos, religiosos, sacerdotes e até bispos, não se assustem nem se escandalizem.
Pontificam com um “magisteriozinho” pessoal, fundamentando-se em suas opiniões, ou no que os outros gostam, ou no que a maioria faz, ou no que disse tal e qual “teólogo” (sempre aqueles que contradizem o que o Magistério oficial da Igreja ensina). Enfim, alguns estribam-se até mesmo em alguns documentos de determinadas Conferencias Episcopais, escritos em épocas de confusão, com linguagem dúbia, contradizendo o “sensus fidei”, alguns deles autenticas aberrações. Quem os contradiz, é imediatamente considerado e tachado de fundamentalista. Tempos difíceis, especialmente marcados pelo relativismo moral, pela busca irresponsável de uma inculturação litúrgica, que rebaixa o Mistério aos níveis de um reles sincretismo, pela confusão doutrinal, fundada na aceitação tácita de que a Fé cristã é uma entre tantas outras válidas, pela pura e simples adoção de princípios ideológicos incompatíveis com a visão cristã do homem e do mundo. Tempos difíceis, que já duram demais. Talvez falte-nos ainda a firmeza que não se contrapõe à caridade: antes, a promove na Verdade. Caridade sem Verdade, no máximo, é pura benemerência humana, superficial, que não muda nem melhora nada. Pobre Igreja, se lhe fazem pregar a Caridade sem a Verdade… Corre o risco de tornar-se, como alertou o atual Papa Francisco, em uma ONG….

D. Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo Diocesano de Frederico Westphalem – Rio Grande do Sul em seu perfil no Facebook.

I love you…

Bispo de Aracaju fala sobre “facilitar as coisas para atrair as multidões” e suas consequências


Dom Henrique Soares - Foto do perfil do Facebook

“O futuro da Igreja não está em facilitar as coisas, mas em encantar, apresentando Jesus com toda Sua inteireza de doçura, beleza, simplicidade, radicalidade, verdade, exigências e retidão”

Pense um pouco:
Que engano tão nocivo achar que temos que facilitar as coisas para atrair as multidões: facilitar a liturgia, fazendo dela um show de futilidades e criatividades; facilitar a moral cristã, escondendo e adocicando as exigências do Evangelho; facilitar a fé católica, escondendo seus pontos mais difíceis para a mentalidade atual. Não são as facilidades que atraem; o que atrai é o amor! Quando as pessoas amam, são atraídas e sentem prazer e alegria em renunciar e fazer sacrifícios por Aquele ao qual amam. O futuro da Igreja não está em facilitar as coisas, mas em encantar, apresentando Jesus com toda Sua inteireza de doçura, beleza, simplicidade, radicalidade, verdade, exigências e retidão. Talvez não venham multidões. Não há nenhum problema! O que importa é que, os que vierem, sejam tão apaixonados, estejam tão prontos a dar a vida, a perder tudo por Aquele que nos encanta, que causem espanto e admiração nos que estão fora! Somente assim o cristianismo será crível. Fora disso, existem somente truques ilusórios, que não encherão nem as igrejas nem os corações. É tempo de acordar, é tempo de ter juízo, é tempo de voltar ao essencial, é tempo de ser fiel novamente, sendo cristão de corpo inteiro e católico sem meias palavras!
Somente para ilustrar isto, tomo a palavra do mais jovem participante do Sínodo dos Bispos sobre a Evangelização, ocorrido em Roma, no ano passado. Com santa ousadia, Tommaso Spinelli, catequista de jovens na cidade de Roma, 23 anos, falando com veemência, pediu que a catequese tenha “substância”, que os padres sejam guias fortes, audazes, sólidos em sua vocação e identidade. “Infelizmente há padres que perderam a identidade, a cultura e o carisma… Não gostamos de padres que querem se trasvestir de jovens ou, pior ainda, adotar as incertezas e o estilo de vida de jovens… A mesma coisa quando na liturgia, tentando ser originais, caem no ridículo… Eu lhes peço que tenham a coragem de ser vocês mesmos… Não tenham medo de nos propor as verdades da fé… Temos fome infinita de algo de eterno e de verdadeiro”. E o moço terminou pedindo três coisas: (1) Aumentar a formação dos padres, não só espiritual, mas também cultural, pois nunca terá credibilidade junto aos jovens o padre que não souber dar razões daquilo que diz; (2) Redescobrir o Catecismo da Igreja Católica, principalmente em suas primeiras secções, que falam sobre a fé e os sacramentos, e são as mais lindas; (3) Cuidar mais da Liturgia: nós jovens não queremos celebrações simplificadas, aguadas, dessacralizadas, mas bem realizadas, dignas, que traduzam nossa identidade cristã!
Chato, não? Verdadeiro que dói…

Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju/SE em seu Facebook.

Margaret Thacher segundo Reinaldo Azevedo


Sem Margaret Thatcher, a Inglaterra estaria no buraco. Como eu sei? Era o mais estatista e estatizado dos países europeus, decorrência das “conquistas” do Partido Trabalhista, uma agremiação surgida em 1900, criada por socialistas dos mais diversos matizes, por sindicalistas e por intelectuais marxistas. Era socialista, mas não revolucionário. O PT, 80 anos depois, apareceu em terras brasileiras com discurso semelhante — já explico por que isso tem lá a sua ironia. Em 1918, os trabalhistas incorporaram a seu programa a chamada Cláusula IV, que estabelece como norte a propriedade coletiva dos meios de produção. Atenção! O texto só foi mudado na convenção nacional de 1992, 74 anos depois! Se você clicar aqui, terá acesso às duas versões da cláusula, a anterior e a que está em curso, que defende a colaboração entre o capital privado e o estado.

A maior obra da conservadora Thatcher foi mudar o Partido Trabalhista, pondo um ponto final à ilusão, ao menos nas democracias europeias, de que o estado-empresário é o melhor indutor do desenvolvimento. Ela chegou ao poder em 1979 e deu início a um processo de desestatização da economia que tirou a Grã-Bretanha do impasse, refém que era do sindicalismo barra-pesada e da ineficiência. É vista como a precursora do que pode ser considerado mais uma invenção da esquerda do que da direita: o tal “neoliberalismo”, que encontraria em Ronald Reagan, que assumiu a Presidência dos EUA em 1981, o outro protagonista.

Não havia nada de “novo” no liberalismo de Thatcher e de Reagan, sempre lembrando que atuaram em ambientes bastante distintos no que respeita à presença do Estado na economia; ela teve muito mais trabalho. A novidade ficou por conta, talvez, da revalorização das forças de mercado, tidas, então, pelas esquerdas intelectuais como uma fase superada da civilização.

Thatcher comprou todas as brigas contra o sindicalismo brucutu e não cedeu. Foi primeira-ministra por mais de 11 anos (de maio de 1979 a novembro de 1990; seu sucessor, o também conservador John Major, ficou no poder até maio de 1997. As mudanças que ela operou na economia garantiram aos conservadores 18 anos de poder.

E agora voltamos aos trabalhistas. Em 1992, o partido decidiu mudar o conteúdo da Cláusula IV. A ideia de uma Grã-Bretanha socialista, organizada segundo a propriedade coletiva dos meios de produção, se parecia, vá lá, utópica no papel, havia se tornado ridícula quando confrontada com a realidade. Em 1997, um Partido Trabalhista, se me permitem a brincadeira, “thatcherista” vence a eleição e conduz Tony Blair ao poder por 10 anos — mais três de seu correligionário Gordon Brown. Nos 13 anos de trabalhismo pós-Thatcher, os marcos da economia continuaram rigorosamente os mesmos. Houve uma inflexão ou outra mais “social” na saúde e na educação e só.

Não é nenhum exagero afirmar que a Grã-Bretanha está há 34 anos sob os fundamentos que Thatcher reintroduziu na economia. E não há recuo possível. A sua última grande — enorme contribuição! — ao país foi dizer um sonoro “não” à Zona do Euro, que antevia como uma usina de crises, que teria de ficar sob a permanente regência da Alemanha. Como um único Banco Central haveria de arbitrar demandas de economias tão distintas? O presente, é evidente, lhe dá razão.

Fora do tempo
Thatcher se torna primeira-ministra em 1979, quando se ensaiava por aqui a formação do PT, fundado um ano depois. Em 1981, Reagan se elege nos EUA. Em 1982, Lula disputa o governo de São Paulo com uma plataforma socialista, discurso repetido em 1989, na eleição presidencial. Estávamos, obviamente, na contramão da história. A Constituição de 1988 vem à luz pautada, em muitos aspectos, por um estatismo xucro, com aversão clara ao capital. A Grã-Bretanha estava no 10º ano de suas reformas.

O Plano Real nos salvou do abismo, e não só pela virtude em si de ter posto a inflação sob controle. É que esse bem teve um desdobramento político importante: a eleição de FHC em 1994, com a reeleição em 1998.  Atenção! Dezesseis anos depois da chegada de Thacher ao poder e 14 depois da chegada de Reagan, o Brasil optou por umas poucas privatizações — enfrentando a tropa de choque sindical e o lulo-petismo — que fizeram do Brasil, apesar de tudo, um país contemporâneo, ainda que sempre na rabeira, como hoje.

As reformas que o Brasil empreendeu na década de 1990 só foram possíveis porque Thatcher e Reagan haviam recuperado, muito antes, o prestígio das leis de mercado e demonstrado, na prática, que o Estado, quando refém de corporações de ofício, produz mesmo é atraso orgulhoso.

Aqui e ali vocês lerão que a crise de 2008 ainda é desdobramento da desregulação da economia promovida pela dupla e coisa e tal. Bobagem! Isso é só ideologia chinfrim. Aos respectivos governos de ambos se sucederam gestões ditas “progressistas”, com inflexões à esquerda — a possível em cada país. Por que não se operaram, então, mudanças de rumo? De resto, a bolha imobiliária americana não se formou porque se seguiram as leis de mercado; ela só se tornou gigantesca porque essas leis não foram seguidas.

Começo a encerrar com mais umas considerações sobre o Brasil,. Também o PT, no poder, abandonou o seu credo socialista de antes, a exemplo do Partido Trabalhista inglês. Só que aquele teve a decência de mudar seus estatutos, não é? O PT continua com a sua cantilena dita socialista, o que é mera propaganda. Socialista não é, mas autoritário sim! O país opera segundo as leis de mercado, mas o sindical-estatismo tem peso crescente não exatamente na economia, mas no custo Brasil.

As esquerdas, especialmente em nosso país, foram hábeis na campanha de demonização do chamado “neoliberalismo”, especialmente depois da crise de 2008. Querem o Estado como patrão da sociedade. É claro que o modelo não vai dar certo. Já não está dando, diga-se. País que cresce menos de 1% com inflação renitente e baixo investimento está encalacrado. Mas, por enquanto, fica ancorado no consumo e na criação de empregos de baixa qualidade. Popular, o governo dá Bolsa Família de um lado e Bolsa Empresário de outro. Aloizio Mercadante, candidato a pensador desse novo momento brasileiro, filosofou em entrevista ao Estadão que, para o povo, PIB se traduz por emprego e consumo. O crescimento não tem tanta importância. Se o país cresce 1% e se o que importa, como quer o mestre, é emprego e consumo, esse desajuste se alimenta de alguma seiva. No caso, alimenta-se do nosso futuro.

Uma Margaret Thatcher no Brasil parece coisa impossível. Há alguns dias, Dilma anunciou a criação de uma estatal das águas, “Hidrobras” ou coisa assim. O Estado gerenciando a sociedade, em vez de a sociedade gerenciando o estado, está se tornando nossa segunda natureza.

Morreu uma grande mulher. Foi uma das principais personagens de uma mudança na economia de efeitos planetários.

Margaret Thacher morreu pobre.

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