Por que os ultrajovens ainda vão destruir o país


Por Daniel Scott

Há alguns dias, a revista Época publicou uma edição que viralizou nas redes sociais. Centrando no tema dos ultrajovens, o grande destaque foi a capa criativa. Apesar de terem feito um bom trabalho com a ilustração, o artigo em destaque não foi à altura. Mas traz pontos interessantes, a partir dos quais é possível fazer algumas reflexões:

Enquanto países desenvolvidos estão focados em ensinar aos seus jovens inteligência artificial, machine learning, big data e outros assuntos pertinentes, por aqui ainda estamos presos em discussões que não têm relevância econômica alguma, como identidade de gênero ou saber se mulher branca usar turbante é apropriação cultural. São discussões que, embora sejam consideráveis, simplesmente não ajudam a desenvolver um país onde 70% da população é analfabeta funcional.

O resultado é que, pela ignorância gerada, nossos jovens crescem acreditando que salário é uma benevolência do empregador e não uma função da produtividade e da sua disposição de assumir riscos.

Com isso, creem que o fato de não conseguirem comprar coisas é porque as empresas não querem dar remunerações altas, quando a realidade é que nossos jovens são menos capacitados que beagles de laboratório.

Basta ver os cursos universitários mais concorridos nos EUA ou Europa e aqui no Brasil. Por lá é engenharia, business, management ou tecnologia. Já por aqui são cursos de humanas.

É claro, o adolescente que se formou no ensino médio sem saber a tabuada nem conseguir interpretar um artigo acadêmico não tem outra chance na vida a não ser fazer vestibular de Ciências Sociais ou Pedagogia na Uniskina ou qualquer outra coisa do tipo.

Não que não sejam profissões dignas, mas não geram valor econômico. Sobretudo por estarmos já saturados de profissionais desse mesmo perfil. Esses que, como num magnífico esquema de pirâmide, vão trabalhar ensinando mais jovens a entrarem nessas profissões e perpetuar o ciclo. Enfim nos tornaremos o país que não produz tecnologia, mas está repleto de sociólogos e pedagogos.

Quanto custa o outfit dos ultrajovens?

Mas não precisa nem ir tão longe para entender a idiotização dessa geração. Basta ver o vídeo que viralizou entre esses ultrajovens abastados nessa semana.

Intitulado “Quanto custa o outfit“, o vídeo entrevista jovens que falam sobre o valor das suas peças de vestuário. Entre cintos feitos com fitas daquelas de cena de crime e relógios que valem mais que um carro, adolescentes glorificam a ostentação, mesmo sem possuírem um capital cultural compatível ou sequer um trabalho que sustente esse estilo de vida. São jovens que não sabem conjugar o verbo “variar”, mas usam pulseiras de 4 mil reais para ir à balada.

Paralelamente, estamos na rabeira mundial do ranking de P&D, enquanto nossos melhores engenheiros, administradores e profissionais de tecnologia estão se mandando para fora em ritmo acelerado. Todos os dias, perdemos milhares dos nossos “cérebros”.

Veja, é uma equação simples: o tempo de um aluno é limitado. Quanto mais horas ele passa aprendendo sobre diversidade cultural, menos horas ele passa aprendendo sobre matemática, literatura, física, etc.

Como consequência, quando chegam no mercado de trabalho, os jovens descobrem que o resto do mundo não importa os dois maiores produtos brasileiros: textão no Facebook e vídeos motivacionais.

Ninguém lá fora está interessado em debater se devemos usar “x” no final de palavras com dois gêneros, muito menos em acampar no frio para apoiar criminosos condenados.

Lá no primeiro mundo, as pessoas só pensam em uma coisa: produzir. Produção gera riqueza, gera igualdade, reduz a violência e, em última instância, traz mais diversidade social do que de fato ensinar diversidade nas escolas.

Já por aqui, a nova geração estará preocupada em tirar selfies e engajar em lutas contra os canudinhos, enquanto espera que políticos populistas a sustente por toda vida. E assim seguiremos, com nossos jovens perpetuando eleições de Lulas, Bolsonaros, Dilmas e Temeres (sim, vice também é eleito) ainda por muitas décadas.

​Decreto do Santo Ofício contra o Comunismo


O Decreto contra o Comunismo consta de respostas a quatro questões formuladas sobre a interpretação da doutrina moral da Igreja e do direito canônico então vigente. Dessa maneira, a primeira constatação que podemos fazer sobre o Decreto, sobre o Comunismo, é que ele visa a esclarecer quatro possíveis dúvidas sobre pontos particulares da doutrina e da disciplina da Igreja, não a estabelecer novas normas. Trata-se, portanto, de um decreto interpretativo, (que explica) e não de um decreto constitutivo. Decretum S. Offici, sous Pie XII, 1949
Decreto do Santo Ofício, por Pio XII, 1949 Questão 1: É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?
Resposta: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.

Questão 2: É permitido publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e ação dos comunistas ou escrever neles?
Resposta: Não, pois são proibidos pelo próprio direito [cf. CIC, cân. 1399 [1917]

Questão 3: Fiéis cristãos que consciente e livremente fizerem o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?
Resposta: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àqueles que não têm a disposição requerida

Questão 4: Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e, sobretudo os que a defendem ou propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?
Resposta: Sim

Resp (cfirm a S. P’ce 30 juin)
Respostas [confirmadas pelo Sumo Pontífice em 30 de junho]

A primeira resposta declara que não é lícito aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de uma forma qualquer, porquanto o comunismo é, de fato, materialista e anticristão; além disso, embora possam dizer, às vezes, que não atacam a religião, os fatos comprovam a hostilidade da doutrina e das ações dos comunistas contra a religião católica.

Esta resposta permaneceria válida para o nosso tempo? Evidentemente que sim: se uma associação qualquer professa uma doutrina materialista (ou seja, uma doutrina que nega a existência de Deus e a imortalidade da alma) e promove uma ação anticristã, é uma incoerência que um fiel católico se inscreva nessa associação ou a ajude de qualquer maneira. Aliás, o cânon 1.374 do vigente Código de Direito Canônico, promulgado por S. João Paulo II em 1983, manda punir com “justa pena” (mas não com excomunhão latae sententiae) “quem se inscreve em alguma associação que maquina contra a Igreja”. Observe-se, entretanto, que tal norma vale não apenas para os partidos que se auto-intitulam “comunistas”, como também para a Maçonaria.

Os comunistas, segundo o Decreto, não incorrem em excomunhão na qualidade de comunistas, mas na qualidade de apóstatas da fé. E o que seria um “apóstata da fé”?

Conforme o cânon 751 do Código de Direito Canônico vigente, «apostasia é o repúdio total da fé cristã». Enquanto a heresia importa a negação de uma verdade da fé em particular (por exemplo, a presença real do Cristo na Eucaristia), a apostasia se caracteriza por uma rejeição de todas as verdades da fé em seu conjunto. Herege é o que escolhe entre as verdades da fé as que ele quer seguir; o apóstata é o que rejeita a todas. Ora, se alguém professa uma doutrina materialista(materialismo é a negação da existência de Deus e da imortalidade da alma) e anticristã (o anticristianismo, por definição, é o combate contra a fé cristã), evidentemente ele é um apóstata da fé católica, ou seja, alguém que rejeitou todas as verdades da fé em seu conjunto.

Em 27 de julho de 1949, L’Osservatore Romano, o jornal oficioso da Santa Sé, publicou um extenso editorial comentando o Decreto contra o Comunismo:

Incorrem na excomunhão reservada de modo especial à Santa Sé os fiéis que professam a doutrina materialista e anticristã dos comunistas e sobretudo os que a defendem ou a propagam. O materialismo nega a existência de um Deus pessoal, a espiritualidade da alma, a liberdade da vontade e qualquer recompensa ou castigo depois desta vida. Quem professa essa doutrina, pelo próprio fato de professá-la, se destaca da comunidade e da fé cristã. É, portanto, um apóstata (cânon 1.325, § 2, do Código de Direito Canônico de 1917).

O Decreto fala textualmente em «excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica». No direito penal canônico vigente na época da publicação do Decreto, a apostasia era punida com excomunhão latae sententiae reservada de modo especial à Santa Sé. Isto significava que essa excomunhão apenas poderia ser levantada (absolvida) pelo Papa ou por um sacerdote que obtivesse do Papa a faculdade especial de levantá-las. No Código de Direito Canônico de 1983, a excomunhão por delito de apostasia deixou de ser reservada, de modo que hoje pode ser desligada por qualquer sacerdote habilitado para remitir penas eclesiásticas.

Os motivos para que se aplique a excomunhão “latae sententiae” são a heresia, o cisma, a violência contra o Papa, a consagração de um bispo sem mandato do pontífice, a realização de um aborto, a profanação da Eucaristia, a absolvição de um “cúmplice” em caso de relações sexuais e a violação do segredo da confissão, diz o Código.

Excomunhão
CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO 1364§ 1. O apóstata da fé, o herege ou o cismático incorre em excomunhão latae sententiae, salva a prescrição do cân. 194, § 1, n. 2; além disso, o clérigo pode ser punido com as penas mencionadas no cân. 1336, § 1, n. 1, 2 e 3.

1367 Quem joga fora as espécies consagradas ou as subtrai ou conserva para fim sacrílego incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; além disso, o clérigo pode ser punido com outra pena, não excluída a demissão do estado clerical.

1370§ 1. Quem usa de violência física contra o Romano Pontífice incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica, e, se for clérigo, conforme a gravidade do delito, a essa pode-se acrescentar outra pena, não excluída a demissão do estado clerical.
§2. Quem assim age contra pessoas revestida de caráter episcopal incorre em interdito latae sententiae e, se for clérigo, também em suspensão latae sententiae.
§3. Quem usa de violência física contra clérigo ou religioso por desprezo à fé, à Igreja, ao poder eclesiástico ou ao ministério seja punido com censura.

1378§ 1. O sacerdote que age contra a prescrição do cân. 977 incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

977 Exceto em perigo de morte, é inválida a absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo.

1382 O Bispo que, sem o mandato pontifício, confere a alguém a consagração episcopal e, igualmente, quem dele recebe a consagração incorrem em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

1388§ 1. O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito.

§2. O intérprete e os outros mencionados no cân. 983, § 2, que violam o segredo, sejam punidos com justa pena, não excluída a excomunhão.

1398 Quem provoca aborto, seguindo se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.

Vídeo: Padre Paulo Ricardo
Fontes: pt.scribd.com Denzinger-pdf /vatican.va portuguese canonici_po.pdf/
MONTFORT Associação Cultural /refletindo7 / traditiocatholicae /cleofas.

Adquira o livro – A Conjuração Anticristã

Nesta obra fundamental, Monsenhor Henri Delassus (1836-1921) apresenta-nos uma análise histórica, filosófica e religiosa das tentativas de destruição da Igreja Católica durante a Renascença, a Reforma e as diversas revoluções dos séculos XVIII e XIX. O autor nos expõe como ocorreu a difusão dos ideais humanistas e naturalistas pelas lojas maçônicas, denuncia o seu objetivo de impor à humanidade uma nova visão do homem e aponta quais os seus fins últimos. Explica-nos de que modo trabalham para o estabelecimento de uma república universal de caráter naturalista, quem são seus agentes principais e quais as raízes profundas de seu embate contra o catolicismo. Escrito há mais de cem anos (1910), este livro é profético. O leitor contemporâneo certamente ficará surpreendido com as previsões do autor, visto que o plano aqui exposto se realizou exatamente como ele previra. A conjuração anticristã é uma leitura indispensável para se compreender a história da Igreja Católica e o curso dos acontecimentos políticos no século XX e nestas primeiras décadas do século XXI.

ABORTO – VOZ DA CIÊNCIA


Dom Fernando Arêas Rifan*

Considerando-se o feto como um amontoado de células ou algo pertencente ao corpo da mãe, o aborto seria defensável. Mas, cientificamente falando, não é. Trata-se, segundo a ciência moderna, de um ser humano, apesar de ainda em formação, – como, aliás, também o é um bebê recém-nascido – com código genético, conjunto de cromossomos e personalidade independente da sua mãe. E a sua morte provocada vem a se constituir em um voluntário e direto ato de se tirar a vida de um ser humano inocente, ato ilícito perante a lei natural e a lei positiva de Deus.
E já foi estatisticamente refutado o argumento de que, nos países em que o aborto foi legalizado, o seu número diminuiu. E mesmo que o fosse, continua o princípio de que não se pode legalizar um crime, mas sim estabelecer a proteção da criança que está no ventre de sua mãe. Cada bebê é um dom precioso com personalidade própria e não um número de estatística.
E ao argumento falso de que a mulher é dona do seu próprio corpo devemos responder com a ciência que o nascituro não faz parte do corpo da sua mãe, não é um apêndice ou um órgão seu, mas é um ser independente em formação nela.
A questão de uma nova vida começar com a concepção é um dado científico atual e não objeto da fé. Portanto, ser contra o aborto é posição normal de quem aceita os dados da ciência.
“O ciclo vital, do ponto de vista estritamente biológico, é que, cada ser humano é um organismo distinto e singular… A fertilização dá início ao ciclo vital levando a um período de desenvolvimento, chamado de embriogênese, no qual as células, os tecidos e os órgãos se desenvolvem progressivamente a partir de uma única célula, o zigoto… Segundo as evidências fornecidas pela biologia, o zigoto humano, que dá início ao embrião multicelular que dele deriva, é verdadeiramente um indivíduo, e não parte de um todo ou um agregado de elementos… Isto tudo leva a concluir que o embrião humano, mesmo no seu primeiro passo, não é um amontoado de células, mas um indivíduo real… A partir da constituição do Zigoto, exige-se o respeito, que é moralmente devido aos seres humanos em sua totalidade corporal e espiritual” (exposição do Prof. Dr. Carlos Mateus Rotta, Doutor e Mestre em Medicina, Professor responsável pela disciplina de Clínica Cirúrgica e gestor acadêmico do Curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes).
Dr. Jerôme Lejeune, cientista, professor da Universidade René Descartes, de Paris, e especialista em Genética Fundamental, descobridor da causa da síndrome de Down, em entrevista à VEJA, que lhe perguntou se, para ele, a vida começa a existir no momento da concepção, respondeu: “Não quero repetir o óbvio. Mas, na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos transportados pelo espermatozoide se encontram com os 23 cromossomos da mulher, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é a marco do início da vida. Daí para frente, qualquer método artificial para destruí-la é um assassinato”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

artigo folha 756 II ABORTO – VOZ DA CIÊNCIA.doc

​O valor do sinal da cruz


O valor do sinal da cruz Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática!

*(†) Pelo sinal da Santa Cruz,*
*(†) livrai-nos DEUS, nosso SENHOR,*
*(†) dos nossos inimigos!*
*(†) Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!*

Quando você acorda, você faz sobre si o “sinal da Cruz”? E antes das refeições? E quando vai dormir? Ao menos alguma vez ao dia? Não?! Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática!

Muitas pessoas, não entendendo a importância dessa oração, a fazem de maneira displicente, ficando apenas no gesto, sem a efetiva invocação da Santíssima Trindade.

*O “sinal da Cruz” não é um gesto ritualístico, mas sim, uma verdadeira e poderosa oração! É o sinal dos cristãos! Por meio dele muitos santos invocaram a proteção do Altíssimo, e através dele pedimos a Deus que, pelos méritos da Santa Cruz de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele nos livre dos nossos inimigos, e de todas as ciladas do mal, que atentam contra a nossa saúde física e espiritual.*

*Mas você sabe fazer o “sinal da Cruz”?!*

De forma solene, sem pressa, e com a maior devoção e respeito:

*† Pelo sinal da Santa Cruz (na testa): pedimos a Deus que nos dê bons pensamentos, nobres e puros. E que Ele afaste de nós os pensamentos ruins, que só nos causam mal.*

*† Livrai-nos Deus, Nosso Senhor (na boca): pedimos a Deus que de nossos lábios só saiam louvores. Que o nosso falar seja sempre para a edificação do Reino de Deus e para o bem estar do próximo.*

*† Dos nossos inimigos (sobre o coração): para que em nosso coração só reine o amor e a lei do Senhor, afastando-nos, pois, de todos os maus sentimentos, como o ódio, a avareza, a luxúria… Fazendo-nos verdadeiros adoradores.*

*† Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! – É o ato livramento e deve ser feito com a maior reverência, consciência, fé e amor, pois expressa nossa fé no Mistério da Santíssima Trindade, cerne de nossa fé cristã, Deus em si mesmo. Deve ser feito com a mão direita, levando-a da testa à barriga, e do ombro esquerdo ao direito.*

Agora que você já sabe a importância do “sinal da Cruz”, *faça-o antes de sair de casa, antes de qualquer trabalho, nas horas difíceis e nas horas de alegria também.*

*Faça-o sobre si, e, sempre que possível, na testa de seu filho, de seu marido, de sua esposa, de seu irmão, de seu sobrinho…

Peça a Deus, sempre, para que Ele te livre e aos seus, de todos os males, afim de fazermos tudo, acordar, comer, estudar, trabalhar, dormir, viajar… Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo! Amém!*

(Autor desconhecido. Via Juventude OA)

Conflito de interesse ideológico


Por Raphael Câmara Medeiros Parente, retirado de Gazeta do Povo.

No momento polarizado ideologicamente em que o mundo se encontra, não é de causar espanto que isso também se reflita no mundo científico. As pessoas tendem a se preocupar somente com situações que envolvam aspectos econômicos, tais como: financiamentos de laboratórios ou trabalho para algum ente interessado. Mas existem outros importantes aspectos que também podem influenciar, dentre esses, o ideológico.

Conflito de interesse, de acordo com a definição clássica de Thompson, é um conjunto de condições nas quais o julgamento de um profissional a respeito de um interesse primário tende a ser influenciado indevidamente por um interesse secundário. Dependendo da área temática, talvez esse seja um problema maior do que o conflito econômico. Esta questão é aflorada em pesquisas que chamam interesse da mídia, tais como: agrotóxicos (como imaginar alimentar sete bilhões de pessoas sem eles?), mudanças climáticas, violência (estudos que relatam um suposto genocídio de pretos jovens e pobres sem nem sequer citarem que o mesmo estrato também é o que mais comete crimes violentos), dentre muitos outros.

Seria inimaginável uma revista científica conceituada aceitar para publicação um estudo que não mostre os motivos óbvios para estes achados, salvo haja um “afrouxamento” no rigor da submissão pelo conflito ideológico favorável de revisores e editores. Por outro lado, é muito mais difícil ter aceito um trabalho se ele for contra o viés ideológico dos editores por melhor que seja o trabalho. Como sou médico ginecologista-obstetra, conheço bastante os problemas ideológicos envolvidos em pesquisas relacionadas ao aborto e à via de parto.

É notória uma dominância de pensamento de esquerda e progressista nas universidades públicas brasileiras. E estou absolutamente convicto de que este pensamento muitas vezes afeta todas as etapas das pesquisas que envolvam estes temas. E é importante que encontremos formas de mitigar este problema.

É muito difícil ter aceito um trabalho se ele for contra o viés ideológico dos editores por melhor que seja o trabalho

Participei recentemente da audiência pública mais concorrida da história do STF que versou sobre a liberação do aborto numa proporção aproximada de dois expositores favoráveis à liberação para um contrário. Em mínimos 20 minutos, consegui mostrar diversas mentiras usadas pelos defensores da liberação do aborto que estão disponíveis em diversos vídeos com minha apresentação no STF que viralizaram, além de fraquezas gigantescas de estudos brasileiros sobre o tema que não são mostradas.

É fundamental que, doravante, haja um escrutínio com lupa destes estudos e das verbas públicas que os financiaram. Estudos esses que norteiam impressionantemente a discussão sobre aborto no Brasil. Eu me coloquei à disposição para ajudar. Chama extrema atenção como os estudos publicados em revistas científicas brasileiras que embasam e regem a discussão sobre o aborto são sofríveis do ponto de vista metodológico e, com resultados, ao meu ver, muitas das vezes, absolutamente descartáveis. Esta mesma situação ocorre em estudos relacionados à via de parto que quase que, invariavelmente, concluem que a culpa por tantas cesarianas é dos obstetras, colocando-nos como vilões e ignorando as outras dezenas de variáveis que impactam este desfecho, sendo a principal a saúde pública brasileira sofrível em todos os níveis.

O que causa mais preocupação e deveria chamar a atenção da mídia e da sociedade é que estas pesquisas custam milhares e, frequentemente, milhões de reais dos nossos cofres públicos e para nada servem seus resultados que não seja o de obnubilar nossa visão para uma real solução dos problemas. No caso do aborto, podemos citar os números completamente inventados que surgiram de publicações científicas e inundaram as matérias jornalísticas e, temos como exemplos, o número inventado de 11.000 mortes maternas por aborto ao ano e de 1,1 milhão de abortos clandestinos anuais que foram divulgados por uma revista de circulação nacional hebdomadária em editorial recente de junho de 2018 escrito por renomado professor de urologia, quando os dados oficiais mostram menos de 70 mortes anuais causadas por qualquer tipo de aborto e cerca de 100 a 200 mil abortos de qualquer espécie (legal, ilegal e natural) por ano.

Em questões de via de parto, os grupos que mais publicam no Brasil sobre o tema geralmente concluem que a taxa aumentada de cesarianas é uma das maiores causas da mortalidade materna vergonhosa do Brasil culpando os obstetras por isso. Em texto recente n’O Globo, mostrei baseado em dados oficiais que a mortalidade materna galopante na cidade do Rio de Janeiro estava correlacionada com a falta de obstetras e associada até a uma diminuição de cesarianas.

Como de nada serve detectar o problema sem sugerir soluções, proponho o início de um debate em que todos os aspectos relacionados ao problema sejam revisados. A responsabilidade de lidar com os conflitos de interesses na publicação científica é dividida entre autores, revisores, editores e leitores. Além disso, quem participa da elaboração de editais, liberação de verbas para pesquisa e gestores também devem estar atentos. Proponho que as pesquisas sejam categorizadas por possibilidade de conflito ideológico. Caso sejam passíveis, diversos passos devem ser seguidos. Não há de se imaginar que a caracterização da morfologia da orelha de um morcego seja sujeita a este problema. Portanto, foquemos naqueles que são suscetíveis.

Os editais para liberação de verbas para projetos devem exigir que, em pesquisas sensíveis a este problema, seja necessária a participação de pesquisadores de diferentes matizes ideológicas na mesma pesquisa ou liberação para grupos de pensamentos dissonantes. Há pesquisas sobre via de parto com todos os diversos pesquisadores tendo exatamente a mesma visão de mundo, a chamada “bolha” em nossos tempos maniqueístas. O que se nota é que, muitas das vezes, os grupos vencedores dos editais são sempre os mesmos e isso desestimula surgimento de novos grupos de pesquisa que em muito poderiam enriquecer o debate.

Necessário também que os estudos não sejam enviados para periódicos da mesma instituição de origem dos pesquisadores para que haja uma avaliação criteriosa de possíveis problemas metodológicos. Por mais que seja sério o processo de submissão, há uma possibilidade de conflito. Fundamental que haja, assim como existe no conflito econômico, a obrigatoriedade de o pesquisador declarar seu “lado”. Exemplo, em pesquisas sobre o aborto, deve estar clara sua posição contrária ou favorável à liberação e se recebe dinheiro de alguma instituição defensora ou contrária à liberação. O mesmo deve ocorrer na avaliação dos artigos para publicação, devendo ser ele avaliado por editores e revisores de ideologias diferentes para evitar o aceite de um artigo sem merecimento e a rejeição de um ótimo estudo, mas com o “pecado” de não ser do agrado do pensamento de editores e revisores. Todos sabemos que isso existe. É hora de resolver!

Sem ser minha intenção esgotar este tema em poucas linhas, clamo pelo início deste debate. Em muito poderá acrescentar para a melhora da qualidade de nossas pesquisas e publicações e para um melhor gasto de nosso já parco financiamento.

Raphael Câmara Medeiros Parente, especialista em Gestão em Saúde, mestre em Saúde Pública e doutor em Ginecologia, é médico ginecologista da UFRJ.
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