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A TEOLOGIA DA CRUZ


Dom Fernando Arêas Rifan*

Domingo próximo é o Domingo de Ramos, início da Semana Santa, na qual contemplaremos os sofrimentos de Jesus Cristo e o mistério da sua Cruz, dando-nos o sentido do sofrimento em nossa vida.
No Domingo de Ramos, recordamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelo povo. Mas era a sua última entrada na cidade santa, pois nessa semana ele sofreria, voluntariamente, a sua paixão e seria crucificado e morto.
A Paixão física de Jesus começou na Quinta-feira santa, à noite, no horto das oliveiras, quando ele viveu um momento de particular angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne é tentada a revoltar-se. Cristo quis sentir a repugnância natural do homem diante do sofrimento. Ali Cristo se põe no lugar de todas as tentações da humanidade e toma sobre si todos os seus pecados, para dizer ao Pai: “Não se faça a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22,42). Este seu “sim” de aceitação muda o “não” dos nossos primeiros pais no Éden.
Em contraposição a certas teologias da prosperidade e da saúde, muito em voga hoje, onde a religião fica sendo unicamente um meio de fugir da cruz, a Igreja nos propõe a verdadeira Teologia da Cruz.
O Papa São João Paulo II, na sua Carta Apostólica Salvifici doloris, explica-nos que o sofrimento pertence à vicissitude histórica do homem, que deve aprender a aceita-lo e superá-lo, e explica: “Mas como pode ele aceitar isto, senão graças à cruz de Cristo? Na morte e ressurreição do Redentor o sofrimento humano encontra o seu significado mais profundo e o seu valor salvífico. Todo o peso de tribulações e sofrimentos da humanidade está condensado no mistério de um Deus que, assumindo a nossa natureza humana, se anulou até se fazer ‘pecado em nosso favor’ (2 Cor 5, 21). No Gólgota Ele carregou as culpas de todas as criaturas humanas e, na solidão do abandono, gritou ao Pai: ‘Por que Me abandonaste?’ (Mt 27, 46)”.
“Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1, 24). O sofrimento, aceito com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminada pelo esplendor da ressurreição.”
Desejo a todos uma recolhida Semana Santa, de meditação nos sofrimentos de Cristo e de renovação espiritual, através de uma boa confissão, para depois juntos nos alegrarmos com o seu triunfo na Ressurreição, que celebraremos na Páscoa.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 789 ll A TEOLOGIA DA CRUZ.doc

TOLERÂNCIA E MAL MENOR


Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo dia 28 de abril, ocorrerão importantes eleições na Espanha e, devido às grandes repercussões na vida de todos os cidadãos e às graves consequências para toda a sociedade, a pedido de amigos espanhóis, escrevi umas ponderações, dando-lhes algumas pistas para que saibam se posicionar e escolher os melhores candidatos ou, se esses não existem ou não são viáveis, os menos maus entre os que são viáveis, os que possam fazer menos mal à sociedade. Como muitas vezes nós também nos encontramos nas mesmas situações, não só em eleições, mas em diversas ocasiões, trago citações de autoridades competentes e respeitáveis sobre a doutrina da tolerância e a possibilidade de se escolher um mal menor.
Recordo que “tolerância” vem do latim tolerare, suportar algo pesado, negativo ou mal, com o qual não concordamos, aturar. “A tolerância só existe com relação ao mal” (Santo Agostinho). Mal que não aprovamos, mas suportamos, em vista de um bem maior. “Dizemos que são toleradas as coisas que admitimos sem resistência, enquanto não podemos ou não devemos por graves razões proibir ou retirar, ainda que em nosso julgamento não possam ser aprovadas” (Cardeal Ottaviani). Tolerância é “a permissão negativa de um mal” (F. Cappello). Permissão negativa, por oposição à autorização positiva, ou seja, a que supõe uma aprovação. É assim que Deus tolera o mal.
“… não se opõe a Igreja, entretanto, à tolerância por parte dos poderes públicos de algumas situações contrárias à verdade e à justiça para evitar um mal maior ou para adquirir ou conservar um maior bem. Deus mesmo, em sua providência, mesmo sendo infinitamente bom e todo-poderoso, permite, entretanto, a existência de alguns males no mundo, em parte para que não se impeçam maiores bens e em parte para que não se sigam maiores males (Santo Agostinho)” (Papa Leão XIII, Encíclica Libertas, 23).
“Votar é um dever. É compreensível que alguns se sintam inclinados a abster-se de emitir seu voto, quando comprovam que nenhum partido oferece o programa que eles desejariam. Embora nenhuma das ofertas políticas seja também plenamente conforme com o ideal evangélico, nem sequer com o ideal racional de uma ordem social plenamente justa, no entanto, umas o são mais e outras o são menos. É necessário fazer um esforço e optar pelo bem possível” (Conferência Episcopal Espanhola – Nota para as eleições de 2004).
“Deus, embora seja onipotente e sumamente bom, permite que sucedam males no universo, podendo impedi-los, para que não sejam impedidos maiores bens ou para evitar males piores. De igual maneira, os que governam, na gestão humana, corretamente toleram alguns males para que não sejam impedidos outros bens ou para evitar males maiores” (Santo Tomás).
Em situações difíceis e perplexas, quando não se tem outra opção, escolher algo menos mal, para que seja excluído o pior, tem razão de bem. A intenção é em direção ao bem, o bem possível, e em evitar maiores males para a sociedade.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 787 ll TOLERÂNCIA E MAL MENOR.doc

CARNAVAL À VISTA!


Dom Fernando Arêas Rifan*

Semana próxima é o Carnaval. Como todos os anos, aproveitamos a ocasião para uma reflexão de ordem histórica e espiritual.
Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, com carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, acaba abafando-o e profanando-o. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.
O Carnaval poderia até ser considerado uma festa pitoresca de marchinhas engraçadas, de desfiles ornamentados, um folguedo popular, uma brincadeira de rua, uma festa quase inocente, uma diversão até certo ponto sadia, onde o povo extravasa sua alegria. Mas, infelizmente, tornou-se também uma festa totalmente mundana e profana, cheia de licenciosidade, onde campeia o despudor e as orgias, onde se pensa que tudo é permitido, onde a imoralidade é favorecida até pelas autoridades, com a farta distribuição de preservativos, preocupadas apenas com a saúde física e não com a moral, por isso chamada “a festa da carne”.
A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, acontecendo sempre este 47 dias antes da Páscoa, no dia imediato antes da Quarta-Feira de Cinzas.
Devido à devassidão que acontece nesses dias de folia, muitos cristãos preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.
Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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POR QUE MARIA?


Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo dia 8, celebraremos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, ou seja, honraremos o privilégio singular concedido por Deus à Virgem Maria, escolhida para a Mãe de Jesus, o Filho de Deus encarnado, Salvador do gênero humano, preservando-a, em vista dos méritos dele, desde a sua concepção, da herança do pecado original.
Este pecado original, em Adão uma falta voluntária, nos outros homens se constitui na privação da graça divina, que havia sido concedida a toda a humanidade na pessoa do primeiro homem. A graça, por ele perdida para si e para todos os seus descendentes, foi recuperada pelo segundo Adão, Jesus Cristo, pela sua Redenção, que nos alcança e santifica através do Batismo.
Ora, Deus havia prometido, no momento do pecado de Adão, que uma mulher com o seu filho, o futuro Salvador, venceria completamente o demônio. Não teria, pois, nenhum pecado. Não teria, em nenhum instante, a menor privação da graça divina. Por isso, essa mulher especial, Maria, escolhida para a Mãe do Redentor, foi saudada pelo Anjo mensageiro de Deus com as palavras: “Ave, ó cheia de graça (agraciada de modo especial) …, bendita entre as mulheres”, ou seja, sem pecado (privação da graça). A Redenção de Cristo a atingiu, de modo preventivo, preservando-a, por privilégio único, do pecado que atinge a todos os homens.
A Imaculada Conceição de Maria tem muito a ver com o Brasil. Em 1646, o Rei Dom João IV consagrou a Nossa Senhora da Conceição Portugal e todos os seus domínios, nos quais estava incluído o Brasil. E a padroeira oficial do Brasil é Nossa Senhora da Conceição, vulgarmente chamada de Aparecida.
Mas, por que honramos Maria, de modo tão especial?
“O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo: ‘não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo para redenção de todos’ (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (Lumen Gentium 60).
“A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça” (Lumen Gentium 61).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 771II POR QUE MARIA.doc

QUESTÃO DE VIDA E MORTE


Dom Fernando Arêas Rifan*

Sete de outubro próximo, coincidindo com a votação do primeiro turno das eleições, é o dia de Nossa Senhora do Rosário, festa estabelecida pelo Papa São Pio V como gratidão pela vitória dos cristãos, que, incentivados pelo Papa, pegaram em armas para combater os inimigos da fé e da civilização cristãs, na batalha de Lepanto.
De 1º a 7 de outubro, a Igreja no Brasil celebra a Semana Nacional da Vida e, no dia 8 de outubro, o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB).
Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós também já fomos, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom.
Diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro: “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (S. João Paulo II, Evangelium Vitae n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o mesmo Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que… apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina – declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (ibidem n. 62).
Que Nossa Senhora, Mãe de Deus feito homem, Jesus Cristo, nascituro em seu ventre, proteja todos os nascituros e todo o nosso Brasil.
Estamos na ocasião propícia de lutarmos pela vida e de escolhermos os candidatos que são a favor da vida, contra o aborto provocado.
A Igreja não tem partido nem indica candidatos, pois quer que os católicos raciocinem e usem sua razão e consciência ao votar. Mas nos ajuda nessa reflexão, advertindo-nos em quem não votar.
Por isso, seguindo a doutrina da Igreja, você não pode votar em candidatos nem em partidos que defendam, como programa, a legalização do aborto, chamado pelo nosso Papa Francisco de “nazismo de luvas brancas”. Um católico não pode apoiar esse “nazismo”, não pode votar em partidos que militam a favor da morte do nascituro através do aborto provocado.
Estou escrevendo sobre isso, porque o Papa Bento XVI, alertando os Bispos a orientarem os fiéis para que não votem em candidatos que defendam o aborto, ensinou que, “quando os direitos fundamentais da pessoa e a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.
Assim, lembrando que amamos e respeitamos as pessoas, não as excluindo, mas não promovemos o pecado, alertamos não se pode votar em partidos ou candidatos que, de uma maneira ou outra, incentivem a prática do homossexualismo, o que é contrário ao que ensina o Catecismo da Igreja Católica nem nos que pretendem, sob o pretexto de informação, promover a erotização da infância, através de uma aberrante educação sexual, e a ideologia de gênero. Nem os que equiparam a família natural a outros tipos de união. Referindo-se a esse tema, o Papa Francisco ensina: “Dói dizer isso hoje: fala-se sobre famílias diversificadas, de diversos tipos de família. Sim, é verdade que a palavra família é análoga, e existem a família das estrelas, das árvores, dos animais…, mas a família imaginada por Deus, homem e mulher, é uma só”. Votemos, pois, em quem defende a família natural, idealizada pelo Criador.
Ficam excluídos também do voto católico os partidos e candidatos que apoiam regimes totalitários e ditatoriais, que tanto mal já fizeram e fazem ao povo, com a violação dos direitos humanos.
Além disso, a CNBB pede que votemos em candidatos que são “ficha limpa” e que reprovemos os candidatos que buscam o foro privilegiado, advertindo-nos que não devemos escolher candidatos que promovam a violência. Assim, devemos excluir da nossa escolha também os candidatos e partidos socialistas e comunistas, que apoiam o ódio e a luta de classes, base do socialismo e comunismo, meio de chegar, segundo eles, à ditatura do proletariado. Ficam assim fora todos os que promovem invasão da propriedade alheia e defendem a marginalidade violenta.
Que nessas eleições, com a consciência cristã bem orientada, possamos escolher os melhores candidatos, ou, infelizmente, os menos ruins, os que causarão menos estragos ao povo, à família sobretudo, e ao nosso país.
Rezemos a Nossa Senhora do Rosário pelo bom destino da nossa Pátria, para que tudo corra bem, ordeira e retamente.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 762 II QUESTÃO DE VIDA E MORTE.doc

POLÍTICA E VIRTUDES


Dom Fernando Arêas Rifan*

Ao aproximar-se o pleito de outubro, um verdadeiro duelo de “titãs” em que está se tornando essa próxima eleição, vale recordar as virtudes humanas e cristãs, tanto da parte dos políticos como dos eleitores, virtudes necessárias ao bom convívio e à vida em sociedade. Basta observar as redes sociais para ver a ausência total do respeito à opinião alheia, o ódio, a incitação à violência, a falta de humildade e modéstia, o desaparecimento da tolerância, do apreço pela verdade, o disseminar de calúnias, intrigas e suspeitas. Tudo isso se constitui no oposto às virtudes humanas e cristãs, que são a base da verdadeira civilização.
Quando se trata da virtude da humildade, essencial ao cristianismo e à pacífica convivência humana, é a que menos se vê na política. O “Eu” impera. A própria opinião se torna verdade absoluta. A humildade, que consiste no esquecimento de si mesmo, na ausência de egoísmo, no desprendimento, na modéstia com relação a si próprio, é a mais ausente.
A virtude da pobreza, isto é, do desprendimento, do desapego dos bens materiais e do dinheiro: sua ausência dispensa demonstração. Qual é hoje o político realmente despreocupado com o próprio bolso, que deseja trabalhar exclusivamente em benefício do seu próximo? Quem entrasse na política, que de si é um exercício de altruísmo e caridade, deveria sair do cargo que lhe foi confiado com a mesma condição financeira com que entrou. Conhece o leitor algum raro político dessa espécie?
E as virtudes da honestidade, da não acepção de pessoas, da caridade desinteressada, do comedimento no falar, do respeito para com o próximo, do amor pela verdade, da convicção religiosa, da constância, da fidelidade nas promessas, do cumprimento da palavra dada?
Bem, como nos aproximamos das eleições, gostaria de contribuir um pouco na escolha dos melhores candidatos, publicando algumas reflexões sobre o perfil moral do político, feitas pelo Cardeal Van Thuân, então presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz. São as "bem-aventuranças do político":
1º – Bem-aventurado o político que tem consciência do próprio papel. 2º – Bem-aventurado o político de quem se respeita a honorabilidade. 3º – Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para o próprio bem. 4º – Bem-aventurado o político que se considera fielmente coerente e respeita as promessas eleitorais. 5º – Bem-aventurado o político que constrói a unidade e, fazendo de Jesus o seu centro, a defende. 6º – Bem-aventurado o político que sabe escutar o povo antes, durante e depois das eleições. 7º – Bem-aventurado o político que não tem medo, sobretudo da verdade. 8º – Bem-aventurado o político que não tem medo da mídia, porque no momento do julgamento deverá responder somente a Deus.
Você vai usar esse critério na sua escolha, ou vai votar por interesse do seu próprio bolso ou sem critério algum?! Nesse caso, você mereceria o adjetivo antônimo de bem-aventurado.
Nessa disputa eleitoral, lembre-se que ofensas não constroem nada nem conquistam adversários. O respeito e a tolerância, mesmo quando não concordamos com a posição do outro, só edifica e ajuda a convencer. Às vezes é-nos necessário ser firmes, mas nunca ofensivos. Defender a verdade, mas não faltar à caridade. Ser condescendentes, sem mascarar a verdade, ser sinceros, sem perder a civilidade.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 761 ll POLÍTICA E VIRTUDES.doc

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