TU ES PETRUS


Dom Fernando Arêas Rifan*

Amanhã celebraremos a festa de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. São Pedro era pescador do lago de Genesaré ou Mar da Galiléia, junto com seu irmão, André, e seus amigos João e Tiago. Foi ali que Jesus o chamou: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4, 19-20).

Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro – pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,

e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).

Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32). E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja.

São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro… Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela

é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
“Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação, sem descanso dedica-se à penitência e à renovação. A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8).

Bispo da

Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 696 II TU ES PETRUS.doc

É O POVO OU A MASSA?


Dom

Fernando Arêas Rifan*

Estamos no tempo de manifestações populares, a voz das ruas, pedindo tal ou tal coisa: a voz do povo! E cita-se o provérbio: “Vox populi, vox Dei”, “a voz do povo é a voz de Deus”. Será mesmo?
Nem sempre. Se fosse realmente o povo… Por isso há que se fazer a distinção entre povo e massa.
Como assim? Qual a diferença? O povo raciocina, a massa não. O povo caminha, a massa é conduzida. O povo segue racionalmente, a massa é manipulada cegamente. O povo percebe os embustes, a massa é alvo fácil de quaisquer demagogos e propagandistas. “O povo vive, a massa é inerte e não se move se não do exterior, fácil joguete nas mãos de quem quer que lhe explore os instintos e as impressões, pronta a seguir, alternadamente, hoje esta bandeira e amanhã aquela” (Pio XII).
Por isso, nem sempre é exato dizer: o povo quer isso, o povo pede tal coisa, o povo está gritando, quebrando tudo, cheio de indignação. Será mesmo o povo? Ou a massa?
Na Paixão de Jesus, temos um exemplo gritante e intrigante: a mudança repentina do “povo” que pediu a morte de Jesus, depois de tê-lo aclamado rei no Domingo de Ramos. Como pode ocorrer uma mudança assim em cinco dias? Gritaram “hosana ao Filho de Davi!” no Domingo e “crucifica-o!” na sexta-feira seguinte?! Será que foi o mesmo “povo” ou foi outro? Ou o povo se transformou em massa?! Ou houve alguma mudança que transformou sua mentalidade e comportamento? Ou foi a massa, manobrada?
Na verdade, não foi o verdadeiro povo que preferiu o bandido Barrabás a Jesus e pediu a sua morte. Foi a massa, manobrada pela aristocracia do templo, à qual se juntaram, para pressionar, os partidários de Barrabás, enquanto os seguidores de Jesus, o povo simples e bom, permaneceram

escondidos de medo. Portanto, a vox populi realmente não foi válida, porque não correspondeu à realidade de “voz do povo” (cf. Bento XVI, Jesus de Nazaré II). Assim, o povo aclamou espontaneamente Jesus no domingo de Ramos. A massa, manipulada, pediu sua morte cinco dias depois. E, como sempre acontece, os maus e os manobreiros são muito mais espertos e sagazes do que os bons.
Na atual democracia, é o povo realmente que elege seus representantes, ou é a massa comprada por propinas e promessas, manipulada pela propaganda e condicionada a pensar o que lhe impingem?! Não sem razão os marqueteiros hoje são os mais importantes em uma eleição. Por isso, nem sempre é o melhor que vence, mas o que soube conduzir bem a massa impressionada. Quantos eleitos, não o foram pelo povo, mas pela propina e manipulação.
Sejamos nós o povo de Deus, racional e consciente, e não a massa manobrável por pressões, sentimentos e propaganda, fácil presa das emoções, do medo, dos sectários, dos formadores de opinião, da acomodação e do argumento da maioria.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 692 II A VOZ DO POVO OU DA MASSA.doc

CORRUPÇÃO EPIDÊMICA


Dom Fernando Arêas Rifan*

Certa vez, um rei perguntou aos seus ministros a causa de o dinheiro público não chegar ao seu destino como quando saiu da sua fonte. Um ministro mais velho, sentado na outra cabeceira da mesa, tomou uma grande pedra de gelo e pediu que a passassem de mão em mão até o Rei. Quando a pedra lá chegou estava bem menor. O ministro então disse: é essa a explicação: “passa por muitas mãos e sempre deixa alguma coisa”.
A corrupção é considerada pela ONU o crime mais dispendioso de todos, causa de muitos outros. A corrupção propicia a ocupação de cargos por pessoas indignas, manobras políticas, compra de votos, licitações desonestas, o desvio, a malversação e o desperdício do dinheiro público, a impunidade, o tráfico de drogas, a sua veiculação nos presídios etc.
“Aquele que ama o ouro não estará isento de pecado; aquele que busca a corrupção será por ela cumulado. O ouro abateu a muitos… Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula… Quem é esse homem para que o felicitemos? Àquele que foi tentado pelo ouro e foi encontrado perfeito está reservada uma glória eterna:… ele podia fazer o mal e não o fez” (Eclo 31, 5-10). São palavras de Deus para todos nós.
Ao ler o título desse artigo, pensa-se logo nos políticos. Mas há muita gente, fora da política, que se enquadra nesse título: quantos exploradores da coisa pública, quantos sugadores do Estado, que não são políticos! Aí se enquadram todos os profissionais ou amadores que se corrompem pelo dinheiro. Quem vota por dinheiro é corrupto. Quem vota apenas por emprego próprio é corrupto. Quem corre atrás dos políticos para conseguir benesses espúrias é corrupto.
O Papa Francisco tem insistido sobre a diferença entre pecado e corrupção, entre o pecador e o corrupto. Pecadores somos todos nós, mas corrupto é aquele que perdeu a noção do bem e do mal. Já não tem mais o senso do pecado. Os corruptos fazem de si mesmos o único bem, o único sentido; negando-se a reconhecer a Deus, o sumo Bem, fazem para si um Deus especial: são Deus eles mesmos. O Papa lembrou que São Pedro foi pecador, mas não corrupto, ao passo que Judas, de pecador avarento, acabou na corrupção. “Que o Senhor nos livre de escorregar neste caminho da corrupção. Pecadores sim, corruptos, não.” (Homilia, 4/6/2013).
A Igreja proclamou padroeiro dos Governantes e dos Políticos São Tomás More, “o homem que não vendeu sua alma”, exatamente porque soube ser coerente com os princípios morais e cristãos até ao martírio. Advogado, Lorde Chanceler do Reino da Inglaterra, preferiu perder o cargo com todas as suas regalias e a própria vida a trair sua consciência. Possa o exemplo de Santo Tomás More ensinar aos políticos, atuais e futuros, e a todos nós, que o homem não pode se separar de Deus, nem a política da moral, e que a consciência não se vende por nenhum preço, mesmo que isto nos custe caro e até a própria vida.
Que Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos, que hoje celebramos, interceda pelo nosso Brasil para que Deus o livre desse grande mal da corrupção.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 691 II CORRUPÇÃO EPIDÊMICA.doc

São João Nepomuceno, Mártir (+ Praga, 1383)


16 de Maio

São João Nepomuceno, Mártir
(+ Praga, 1383)

Natural da Boêmia, foi pregador na Corte de Venceslau IV, em Praga, sendo também confessor da rainha. O rei quis a todo custo obrigá-lo a revelar o que ouvira da rainha em confissão, e mandou torturá-lo de modo cruel, mas o Santo se recusou a violar o segredo sacramental e foi, por isso, lançado ao rio Moldávia, conquistando dessa forma a palma do martírio.

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FÁTIMA; 100 ANOS


Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo sábado, dia 13 de maio, celebraremos o 100o aniversário da primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora a três simples crianças, pastores de ovelhas, em Fátima, pequena cidade de Portugal, de onde a devoção se espalhou e chegou ao Brasil. São sempre atuais e dignas de recordação as suas palavras e seu ensinamento.

O segredo da importância e da difusão de sua mensagem está exatamente na sua abrangência de praticamente todos os problemas da atualidade. Aquelas três simples crianças foram os portadores do “recado” da Mãe de Deus para o Papa, os governantes, os cristãos e não cristãos do mundo inteiro.

Ali, Nossa Senhora nos alerta contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo. “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo”, advertiu Nossa Senhora. A Rússia tinha acabado de adotar o comunismo, aplicação prática da doutrina marxista, ateia e materialista. Se o comunismo, como sistema econômico, fracassou, suas ideias continuam vivas e penetrando na sociedade atual. Aliás, os outros sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, assumem os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século… Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.
Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança.

Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das suas consequências. Lembrança muito válida, sobretudo hoje, quando os homens perderam o senso do pecado e o antidecálogo rege a vida moderna, como nos lembrou São João XXIII. Falou sobre o Inferno – cuja visão aterrorizou sadiamente os pastorinhos e os encheu de zelo pela conversão dos pecadores –, sobre o Purgatório, sobre o Céu, sobre a crise que sofreria a Igreja, com perseguições e martírios.
Enfim, Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. o Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a "Bíblia dos pobres"(São João XXVIII). Assim, sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 689 II FÁTIMA 100 ANOS.doc

Feliz Páscoa 2017!


Publicada originalmente em 2015.

Minha mãe me deu um ensinamento que até hoje ficou marcado em minha mente. Ela sempre me dizia: “meu filho, estude. Pois somos pobres e a única herança que podemos lhe deixar é o saber”. Dizia-me isso desde as minhas primeiras letras e continuou dizendo quando vieram as notas altas e nem tão altas assim (nessas ela dizia com ênfase) das primeiras séries.

Ela ainda é viva, e muito viva graças a Deus (!), e ainda em vida já posso desfrutar da herança que minha mãe me deu. Graças a ela sou professor, assim como ela é há mais de trinta anos. Posso dizer que esta é uma herança bendita.

Assim como existem heranças benditas há também as malditas. Aquelas dívidas deixadas de pai para filho, que o digam aqueles que devem à União. Quanto maior a dívida maior a quantidade de gerações que pagam por esta herança maldita. Nós, todos nós, nascidos de mulher temos uma dívida infinita contraída com um Credor infinito. Não, não é por algo que cometemos no momento em que nascemos, mas pelo estado em que nascemos. Está claro que estou a falar do Pecado Original e que o Credor é Deus. Muitos confundem o estado de Pecado Original com o ato de pecar. Um é um estado, uma herança, o outro um ato deliberado da nossa vontade.

Homem nenhum nessa terra seria capaz de quitar tamanha dívida, visto que infinita. Só alguém infinito para reparar algo infinito. O Credor amando[1] o seu devedor, faz-se devedor mesmo sem nada dever[2]. Une de maneira que quase escapa à razão[3] misericórdia e justiça quitando assim a herança maldita e até mesmo com crédito![4]

Nesta semana voltamos os nossos corações para lembrar que esta dívida foi paga por misericórdia, mas também que foi executada com justiça, de maneira cruenta[5]. Por isto Santa. Por isto é momento de contrição, momento de tomarmos posse do recibo de quitação desta herança maldita[6], momento de arrependimento[7] e recomeço. Após tudo isso vem o recomeço, a passagem – páscoa – de uma vida sob o julgo do pecado à liberdade. Sem nunca esquecer que não há páscoa sem cruz[8].

Por todos e para sempre esta herança maldita foi quitada: por aqueles que não creem e por aqueles que creem. Basta pegar o recibo. Para você que acredita desejo-lhe uma santa Semana Santa. Desejo-lhe também uma feliz Páscoa!

Para você que não acredita desejo-lhe uma santa Semana Santa. Desejo-lhe também uma feliz Páscoa… E por favor, passe ali no balcão e pegue seu recibo.[9]

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[1] “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3,16)

[2] “Assim se cumpriu a predição do profeta Isaías: Tomou as nossas enfermidades e sobrecarregou-se dos nossos males (Is 53,4)”. (Mt 8,17)

[3] “Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura de sua mensagem (…) mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos;” (1Cor 1,21.23)

[4] “Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça”. (Rm 5,20)

[5] “Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados (Is 53,5)”. (1Pd 2,24) e “Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas,” (Mt 26,67)

[6] “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. (Jo 6,40)

[7] “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. (Jo 20,23)

[8] “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”. (Mt 16,24)

[9] “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”. (Mc 16,16)

José Mayer, goleiro Bruno, Dilma: todos culpam “a sociedade”. É porque são de esquerda


Por Flávio Morgenstern

José Mayer admitiu um caso de assédio, em que uma cinegrafista afirma que o galã da Rede Globo teria dito frases como “Fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho”, perguntando “Você nunca vai dar para mim?”, e ainda tocou sua genitália, diante de outras mulheres que apenas riram da situação.

José Mayer veio a público após post da cinegrafista relatando sua situação no Facebook, que desencadeou uma campanha de hashtag contra o assédio. Em sua defesa, o ator global admitiu o erro, dizendo que é “fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas”. Em sua, a culpa não é sua, e sim da sua geração, do ano em que nasceu, do mundo que ainda não havia mudado e do “machismo”. José Mayer é praticamente o passivo da relação.

O goleiro Bruno transou com a atriz pornô Eliza Samudio, a engravidou e, após exigências da moça sobre um reconhecimento de paternidade, contratou um assassino de aluguel para matá-la. Esquartejada, suas mãos foram dadas a cães Rottweiller. De acordo com um primo de Bruno, o filho de Eliza Samudio e do goleiro, Bruninho, na época com apenas 4 meses, viu a mãe ser enterrada.

O goleiro Bruno saiu da cadeia no modelo de coitadismo penal brasileiro, em que se crê que a cadeia não serve primordialmente para punir um criminoso, e sim para “reeducá-lo” para a sociedade. Assim que o goleiro Bruno saiu da cadeia, foi disputado por diversos times e rapidamente já estava empregado. Fãs fazem fila para conseguir um autógrafo do ídolo.

Dilma Rousseff foi julgada em processo técnico, jurídico e político por ter maquiado contas para se reeleger, escondendo a grave situação de crise financeira na qual hoje se encontra o país. Também tinha proximidade com figuras hoje presas, ou investigadas até a medula por roubos gigantescos. Também fez acordos bizarros, como a indefensável compra da refinaria de Pasadena. O TCU fez votação histórica por unanimidade, rejeitando suas contas de campanha. Sua chapa inteira, incluindo o destino de Michel Temer, seu vice, ainda será julgada pelo TSE, por uso de caixa 2, conforme ainda relatado em delação premiada por Marcelo Odebrecht (Dilma nega que tenha sido alertada, obtemperado que tinha ido despachar com o ministro Barroso).

Dilma Rousseff alegou que não fez caixa 2 e nem pedaladas fiscais, e também que todos praticaram caixa 2 e pedaladas fiscais, e que sua meta de gastos não foi declarada, mas quando se atingisse tal meta, iria-se dobrar a meta, portanto as contas públicas do país estavam em ordem e a culpa definitivamente é da crise de 2008, a famosa “marolinha”.

José Mayer, goleiro Bruno e Dilma Rousseff são todos frutos da mesma cultura: não da “cultura machista” ou outros moinhos de vento modernos, mas da ideologia de esquerda.

Uma das principais diferenças entre direita e esquerda não é a economia, o tamanho do Estado ou costumes conservadores ou progressistas: boa parte disso é conseqüência de uma diferença de pensamento mais profunda, que subjaz escondida no debate político moderno: uma diferença de visão sobre o mal.

Para a direita, caudatária da cultura judaico-cristã, do pecado original e da idéia de uma alma dividida entre bem e mal, todo crime é fruto de uma decisão individual, de uma moral desligada da graça que não resiste à tentação de atalhos mais fáceis e violentos. O Direito Penal nasce como base da sociedade, que só pode suportar um Estado se este for pequeno e sempre controlado pela população civil. Seus modelos penais podem ser analisados em personagens como Hamlet ou Raskólnikov.

Para a esquerda, subserviente à ideologia da sociedade moldando o homem, todo crime é culpa antes de um coletivo, seja um constructo genérico (a sociedade), uma estatística econômica (a desigualdade), uma época ou, como é mais freqüente nestes dias, um costume ou suposta ideologia (o machismo). O Direito Penal é corretor não do encarcerado, mas um instrumento de reforma ou revolução, em que o criminoso deve ser reintegrado à sociedade com nova educação, pois sua ação não é livre, mas apenas reativa a um tecido social que determina seus atos. Seus modelos penais são os criminosos que culpam o sistema, como os capitães da areia de Jorge Amado, ou assassinos com “causas sociais”, como Lampião.

Mesmo no caso de crimes brutais, em que a maldade individual transpareça, a esquerda tende a se cegar para a “obscurantista” idéia de bem e mal e apenas acentua caracteres sociais.

Quando a jovem Liana Friedenbach foi seqüestrada, estuprada e assassinada a faca fria poelo frio assassino Champinha, esquerdistas como Túlio Vianna trataram o horrendo homicídio como uma perseguição da mídia contra pobres da periferia:

“Liana e Felipe (…) foram vítimas da desigualdade brutal que tanto os distanciavam de Champinha, seu suposto algoz e atual personificação do demônio segundo a mídia-urubu que a cada dia infesta nossos noticiários”.

Marilene Felinto, da Caros Amigos, comentou o mesmo caso tripudiando da menina “loirinha”:

“O caso de Liana Friedenbach reúne todos os elementos da hipocrisia da elite paulista – esta de nomes estrangeirados, pronta para impor-se, para humilhar e esmagar sob seus pés os espantados ‘silvas’, ‘sousas’, ‘costas’ e outros nomezinhos portugueses e ‘afro-escravos’.”

Nada mais natural, portanto, que José Mayer, o “Champinha” do caso atual (guardadas as devidas proporções gritantemente distintas), também apele à terceirização da culpa: é apenas um “suposto algoz”, e quem deve ser reformado é o “machismo”. Sobretudo daqueles que nunca apalparam a genitália de nenhuma mulher, e que justamente por usarem uma moral para refrear seu apetite sexual puro, são chamados de “machistas”. Afinal, é a sociedade (ou uma generalização, como “os homens”) que são culpados. Nunca foi um homem que escolheu o mal no lugar do bem: são todos os homens, incluindo os que escolheram o bem, que devem ser sacrificados no altar josémayeriano.

É algo que um direitista nunca faria. Mas, graças à esquerda, tal comportamento pode ser justificado. Até mesmo ser considerado “feminista”.

O goleiro Bruno, então, é show de bola (pun intended) para a esquerda: pobre e mulato, pode ser facilmente acusado de vítima de preconceito e racismo. Assassino por conta de disputa sobre paternidade, poderia até mesmo virar garoto-propaganda de uma campanha a favor do aborto. E se conseguiu a liberdade, foi exatamente pelo pensamento de esquerda: a cadeia não serve pra punir, deve reeducar, ele já está pronto para ser reintegrado à sociedade.

Como crimes são coisas sociais, é preciso reformar não o goleiro Bruno, mas a sociedade: saca-se de novo a palavra “machismo” para equiparar padres que não ordenam sacerdotes mulheres e a falta de mulheres em cursos de Física experimental com o goleiro que mandou esquartejar a atriz pornô que engravidou.

Nada melhor do que sua reabilitação à sociedade como prova do sucesso esquerdista. Infelizmente, é exatamente quando um caso concreto surge à tona, consubstanciando todo o belo discurso progressista e “pelos oprimidos” da ideologia de esquerda, que todo o palavrório se revela um canto de sereia, e se vê que a culpa na terceira pessoa do plural, ou em coletivos, ou abstrações, ou palavas malemolentes, só causa uma injustiça real.

Por fim, há Dilma Rousseff. Se Dilma Rousseff é inocente e vítima de um “golpe” porque está sendo punida, após julgamento, por crimes que cometeu (mas são culpa do sistema, todos os outros cometeram, foi a crise-marolinha de 2008, eu estava ocupada tirando a moréia da caverna etc), é porque Dilma e seus acólitos são os que permitem que casos como o de José Mayer e do goleiro Bruno existam.

Basta pensar em qualquer um dos casos por um segundo para perceber: fossem pessoas de direita, com a tal “moral conservadora” tão criticada, e nenhuma teria como cometer seus crimes, muito menos justificá-los e sair por cima.

Se a esquerda quer tanto lembrar que a vítima nunca é culpada em caso de estupro, deveria lembrar de aplicar a mesma regra a todos os outros crimes – e saber que foi seu próprio pensamento contraditório que inventou tal desculpa, e não a noção de bem e mal firmemente delimitados e separados do pensamento conservador.

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Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

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