ANCHIETA


Dom Fernando Arêas Rifan*

Domingo celebramos a vinda do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos, a inauguração da Igreja. Ele é o continuador da obra de Jesus, ele é o santificador. Os santos que veneramos na Igreja são obra dos seus dons. Por isso a Igreja sempre teve santos, de todas as raças, línguas e feições.

Aqui, também fruto da ação do Divino Espírito Santo, temos o Apóstolo do Brasil, cheio de zelo e santo dinamismo, o grande missionário São José de Anchieta, falecido em 9 de junho de 1597, em Reritiba, hoje Anchieta ES. Por isso, nesse dia, celebramos a sua memória.

São José de Anchieta nasceu na verdade em Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, em 19 de março de 1534. Tendo recebido uma primorosa educação cristã em sua família, foi enviado a estudar em Coimbra, onde dividia o seu tempo entre o estudo e a oração. Sentindo-se chamado por Deus para a vida consagrada e desejando levar a luz do Evangelho aos que não o conheciam, entrou, aos 17 anos, na Companhia de Jesus, sociedade religiosa missionária recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Deus o provou com uma grave doença, com fraqueza e dores em todo o corpo, durante dois anos. Os superiores decidiram enviá-lo ao Brasil, na esperança de que o bom clima da terra lhe fizesse bem. Providência divina! Partiu de Lisboa em 1553, com 19 anos de idade, acompanhando o novo Governador Geral do Brasil, Duarte da Costa, e alguns outros jesuítas.

Viveu aqui no Brasil dos 19 aos 63 anos, idade em que morreu, sendo ao longo desses 43 anos o verdadeiro “Apóstolo do Brasil”, participando da fundação de escolas, igrejas e cidades, liderando a catequese dos índios, aprendendo perfeitamente a língua deles e escrevendo a primeira gramática brasileira em tupi. É, junto com o Pe. Manuel da Nóbrega, o fundador da cidade de São Paulo, tendo estado também no Rio por ocasião da fundação da cidade, onde dirigiu o Colégio dos Jesuítas. Preparou alas da escola como enfermaria, criando a Santa Casa do Rio de Janeiro, sendo, além disso, diretor do Colégio dos Jesuítas em Vitória ES.

Anchieta lutou para que o Brasil não ficasse dividido entre portugueses e franceses. Quando, apoiados pelos franceses, os Tamoios se rebelaram contra os portugueses, Anchieta se ofereceu como refém, enquanto Manuel da Nóbrega negociava a paz. Ficou cinco meses no cativeiro, resistindo à tentação contra a sua castidade, pois os índios ofereciam mulheres aos prisioneiros. Para manter a virtude, Anchieta fez uma promessa a Nossa Senhora de que escreveria um poema em sua homenagem: é o seu célebre “Poema da Virgem”, de 4.172 versos.

A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo Brasil inaugurando missões, catequizando e instruindo os índios e colonos, consolidando assim o cristianismo e o sistema de ensino no país, fundando povoados, sendo o grande promotor da expansão e interiorização do país. Ele amou os pobres e sofredores, amenizando e curando seus males e foi solidário com os índios, ajudando-os conhecer e amar a Deus em sua própria língua e costumes. Sadia enculturação!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha 849 ANCHIETA.doc

FÁTIMA, A MENSAGEM


Dom Fernando Arêas Rifan*

Hoje celebramos Nossa Senhora de Fátima, por ser o dia da sua 1ª aparição aos três pastorinhos em Fátima, cidade de Portugal. De lá, essa devoção se espalhou e chegou ao Brasil.

E sua aparição se deu em plena primeira guerra mundial. Desastre completo. Depois veio a segunda guerra, pior, quando as forças totalitárias e desastrosas do nazismo de Hitler foram vencidas pelos aliados, entre os quais estava também uma outra força totalitária, não menos desastrosa, o comunismo de Joseph Stalin.

Em Fátima, Nossa Senhora nos alerta, entre outras coisas, contra o perigo do materialismo comunista e seu esquecimento dos bens espirituais e eternos, erro que, conforme sua predição, vai cada vez mais se espalhando na sociedade moderna, vivendo os homens como se Deus não existisse: o ateísmo prático, o secularismo. Todos os sistemas econômicos, se também adotam o materialismo e colocam o lucro acima da moral e da pessoa humana, assumem os erros do comunismo e acabam se encontrando na exclusão de Deus. Sobre isso, no discurso inaugural do CELAM, em 13 de maio de 2007, em Aparecida, o então Papa Bento XVI alertou: “Aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século… Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas”. Fátima é, sobretudo, a lembrança de Deus e das coisas sobrenaturais aos homens de hoje.

Aos pastorinhos e a nós, Nossa Senhora pediu a oração, sobretudo a reza do Terço do Rosário todos os dias, e a penitência, a mortificação nas coisas agradáveis e lícitas, pela conversão dos pecadores e pela nossa santificação e perseverança. Explicou que o pecado, além de ofender muito a Deus, causa muitos males aos homens, sendo a guerra uma das suas consequências. Fátima é o resumo, a recapitulação e a recordação do Evangelho para os tempos modernos. O Rosário, tão recomendado por Nossa Senhora, é a “Bblia dos pobres” (São João XXIII). Sua mensagem é sempre atual. É a mãe que vem lembrar aos filhos o caminho do Céu.

Celebramos nesse mês o dia das Mães. Lembremo-nos de que ela é nossa mãe do céu, que quer o nosso bem: “Maria é a que sabe transformar, com uns poucos paninhos e uma montanha de ternura, uma gruta de animais numa casa de Jesus e é capaz também de fazer saltar um menino no seio de sua mãe, como escutamos no Evangelho; ela é capaz de dar-nos a alegria de Jesus. Ou seja, Maria é fundamentalmente Mãe… Sim! Maria é Mãe! Por quê? Porque te trouxe Jesus. Maria é Mãe, primeiro, não se pode conceber nenhum outro título de Maria que não seja ‘a Mãe’. Ela é Mãe porque gera Jesus e nos ajuda com a força do Espírito Santo a que Jesus nasça e cresça em nós. É aquela que continuamente nos está dando vida, é a Mãe da Igreja, é maternidade. Não temos direito, e se o fazemos estamos equivocados, a ter psicologia de órfãos, ou seja, o cristão não tem direito de ser órfão. Tem Mãe, temos Mãe” (Papa Francisco, audiência de 25/10/2014).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha II 846 FÁTIMA, A MENSAGEM.doc

AS TRÊS CRUZES


Dom Fernando Arêas Rifan*

Estamos na Semana Santa, a mais importante do ano litúrgico, memória dos últimos acontecimentos da vida de Jesus, sua Paixão, Morte na Cruz e sua Ressurreição, a nossa Páscoa.

Nesse tempo de pandemia e de quarentena das pessoas, como preservação para esse mal, vale a pena refletir sobre o valor do sofrimento, inerente à nossa condição humana, preço da nossa finitude e, também, dos nossos pecados. Teremos uma luz especial contemplando o Calvário, teatro dos sofrimentos de Cristo, que abraçou a sua cruz por amor, exemplo de como devemos aceitar a nossa cruz e os nossos sofrimentos, por amor a Ele e ao nosso próximo.

No Calvário, havia três cruzes, porque Jesus foi crucificado entre dois ladrões (Mt 27, 38), para, como queriam seus inimigos, sua maior humilhação, cumprindo assim a profecia de Isaías (Is 53,12): “Ele foi contado entre os criminosos” (Lc 22,37).

Um dos ladrões crucificados com Jesus, Gestas, blasfemava contra Deus e injuriava a Jesus. Revoltado, não aceitou a sua cruz. E assim terminou muito mal os seus dias.

O outro ladrão, também crucificado, Dimas, repreendeu o seu companheiro: “‘Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma pena? Para nós, é justo sofrermos, pois estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal’. E acrescentou: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino’. Ele lhe respondeu: ‘Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso’” (Lc 23 39-43).

Duas cruzes iguais, mas recebidas de modo diferente: um, revoltado; o outro, conformado, penitente, humilde: por isso ganhou o perdão de Jesus. Que maravilha essa misericórdia e esse perdão de Jesus! Esse ladrão, que agonizou e morreu ao seu lado, no Calvário, não era um dos seus amigos. Não viveu com Jesus, nem sequer o conhecia. Conheceu-o no julgamento, quando o viu flagelado e coroado de espinhos, proclamando que era Rei e que tinha um reino. E teve a coragem e a humildade de pedir, no Reino de Jesus, um lugar, que a sua misericórdia não teve coragem de lhe negar. Jesus demonstra aqui o que é o amor, a misericórdia e o perdão. Ele pediu uma lembrança e recebeu de Jesus a promessa do Paraíso. Que valor tem a oração acompanhada do sofrimento! Foi o primeiro santo canonizado em vida, por Jesus: São Dimas, o bom ladrão!

Na cruz onde pagava seus crimes, o Bom Ladrão praticou todas as virtudes: a Fé, reconhecendo em Jesus o Rei Messias, a humildade, confessando os próprios pecados que lhe fizeram merecer a morte de cruz, a caridade e o apostolado para com o outro ladrão, dando-lhe bons conselhos, a paciência e a oração, pedindo a Jesus que se lembrasse dele.

Mas a Cruz mais importante do Calvário é a de Jesus: nela nós encontramos todas as lições: “A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte” (Bento XVI, Porta Fidei, 13).

Feliz Páscoa para todos, com a vitória de Jesus Ressuscitado!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha II 841 AS TRÊS CRUZES.doc

A vez dos ex-gays “saírem do armário”


O movimento se inspira em correntes internacionais de ex-gays, como a Freedom March…
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Onde os valores fazem parte da notícia
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Miriam Fróes, líder do Movimento dos Ex-gays do Brasil, diz que a espiritualidade pode conter impulsos homossexuais.| Foto: Divulgação
Após o período, R$ 19,90/mês.*
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A vez dos ex-gays “saírem do armário”
Desde que foi recebido pela ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, em agosto do ano passado, o Movimento dos Ex-Gays do Brasil (MEGB) vêm crescendo e ganhando representatividade. Hoje, cerca de 600 pessoas, em todo o Brasil, dizem ter deixado de se relacionar com pessoas do mesmo sexo e passado a ter relações heterossexuais com o apoio do movimento que prega uma solução espiritual para o que dizem ser um pecado. Apesar de apoiar médicos e psicólogos que sugerem uma abordagem científica à homossexualidade, o movimento dos ex-gays não trata a atração por pessoas do mesmo sexo como doença e, por isso, não fala em cura.

“No movimento não se fala em cura. Queremos, inclusive, nos desassociar desta relação com a cura gay, que é uma batalha justa e louvável dos psicólogos, mas não é a nossa causa. Nossa premissa é a conversão ao Evangelho em Cristo”, diz a líder do movimento, Miriam Fróes. “Homossexualidade é pecado. Temos o conceito cristão que temos que buscar viver longe dos pecados, todos eles. Os pecadores se arrependem e desejam não mais pecar. Usam a espiritualidade para controlar impulsos”, afirma a pastora, que diz ter vivido relações homoafetivas entre os 13 e os 33 anos e estar há mais de 20 anos tendo apenas relações heterossexuais.

O movimento se inspira em correntes internacionais de ex-gays, como a Freedom March (Marcha da Liberdade), nos Estados Unidos – evento anual em que ex-homossexuais saem às ruas para testemunhar que conseguiram mudar seus comportamentos por meio da fé. A marcha, que começou com poucas dezenas de manifestantes, reuniu cerca de 400 pessoas, em Orlando, em setembro do ano passado. Outros movimento de referência são o “Puro Amor”, da Itália e a organização “Ex Gays del Peru”. “Movimentos que querem defender, apenas, que existe a possibilidade de se ter uma vida normal e feliz após a homossexualidade”, diz a líder dos ex-gays no Brasil.

Ex-gays buscam visibilidade

Fróes explicou que o movimento procurou a ministra Damares justamente para buscar visibilidade e “defender a liberdade de expressão e nossa liberdade religiosa”. “O ministério tem recebido diversos movimentos relativos às minorias e reconhecido esses grupos. Também buscamos este reconhecimento. Precisamos mostrar que existimos”, diz. Ela cita haver preocupação por parte do grupo com partes do texto da lei que criminaliza a homofobia, uma das pautas tratadas com a ministra. “Tem trechos da lei, que foi inserida na lei de racismo, que diz que eu posso ter liberdade religiosa, contanto que alguém ouvindo a minha fala não se sinta ofendido. Um testemunho da minha vida pessoal vai declarar que homossexualidade é pecado e alguém pode se sentir ofendido e me enquadrar”, ponderou.

Artigo completo aqui.

Enviado por: Gazeta do Povo
Av. Victor Ferreira do Amaral 306, Curitiba, PR, 82590-300

O milagre do Calvário

AMOR DE JESUS CRISTO EM DAR-SE A NÓS COMO ALIMENTO


*📖 – Osee XI. 14*

_"In funiculis Adam traham eas, in vinculis caritatis… et declinavi ad eum ut vescerentur –"_

_"Eu as atrairei com as cordas com que se atraem os homens, com as prisões da caridade… inclinei-me para ele, para que comesse"_

*➡ Sumário.*

Quanto se julgaria distinguido o súdito a quem o príncipe mandasse algumas iguarias da sua mesa? Jesus Cristo, porém, na santa comunhão, nos dá para sustento, não só uma parte da sua mesa, mas o seu próprio corpo, a sua alma e a sua divindade. Será porventura uma pretensão exagerada da parte do Senhor, se, em compensação de tão grande dom, nos pede o nosso pobre coração todo inteiro? Todavia quantos cristãos não há que Lho recusam completamente ou Lho querem dar, mas dividido entre Ele e as criaturas?

*I*. Jesus Cristo não satisfez o seu amor, sacrificando a sua vida por nós num oceano de ignomínias e dores, a fim de patentear o amor que nos tinha. Além disso, e para nos obrigar mais fortemente a amá-Lo, quis, na véspera da sua morte, deixar-se todo a nós como nosso alimento na santíssima Eucaristia. ― Deus é todo-poderoso, mas depois de dar-se a uma alma neste Sacramento de amor, não lhe pode dar mais. Diz o Concílio de Trento que Jesus, dando-se aos homens na santa comunhão, derramou (por assim dizer) neste único dom todas as riquezas de seu amor infinito: Divitias sui erga homines amoris velut effudit.

Como não se julgaria honrado, escreve São Francisco de Sales, o vassalo a quem o príncipe enviasse algumas iguarias da sua mesa! E que seria se lhe desse para sustento alguma coisa da sua própria substância? Jesus Cristo, porém, na santa comunhão, nos dá para sustento, não só uma parte de sua mesa, não só uma parte da sua carne sacrossanta, mas o seu corpo inteiro: Accipite et comedite: hoc est corpus meum (1) ― "Tomai e comei, isto é o meu corpo." E com o corpo nos dá também a alma e a divindade. Numa palavra, diz São João Crisóstomo, Jesus Cristo dando-se a si próprio no Santíssimo Sacramento, dá tudo o que tem e não Lhe resta mais nada para dar: Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit.

É pois com razão que este dom é chamado por Santo Tomás: sacramento e penhor de amor, e por São Bernardo: amor dos amores: amor amorum, porque Jesus Cristo reúne e completa neste sacramento todas as outras finezas do seu amor para conosco. Pelo mesmo motivo Santa Maria Madalena de Pazzi chamava o dia em que Jesus instituiu este sacramento, o dia do amor. Ó maravilha e prodígio do amor divino! Deus, o Senhor de todas as coisas, se faz todo nosso!

*II*. Præbe, fili mi, cor tuum mihi (2) ― "Meu filho, dá-me teu coração." Eis o que Jesus Cristo nos diz lá de dentro do santo Tabernáculo: Meu filho, em compensação do amor que te mostrei, dando-te o dom inapreciável do Santíssimo Sacramento, dá-me o teu coração e ama-me de hoje em diante com todas as tuas forças, com toda a tua alma. ― Parece-te porventura, meu irmão, que o nosso Salvador é exigente demais, depois de se ter dado a si próprio sem reserva? Todavia, quantos cristãos não há que recusam por completo seu coração a Jesus, ou querem dividi-lo entre Ele e as criaturas!

Ó meu caro Jesus, que mais podeis executar para nos atrair a vosso amor? Ah! Dai-nos a conhecer por que excesso de amor Vos reduzistes a estado de alimento, para Vos unir a pobres e vis pecadores como somos? Ó meu Redentor, vossa ternura para comigo tem sido tão grande, que não recusastes dar-Vos muitas vezes todo a mim na santa comunhão; e eu, quantas vezes tive a ingratidão de Vos expulsar da minha alma! Mas não é possível que desprezeis um coração contrito e humilhado. Por mim Vos fizestes homem, por mim morrestes e chegastes a Vos fazer meu alimento; após isto, que Vos fica ainda por fazer no intuito de conquistardes meu amor? Ah! Não poder eu morrer de dor, cada vez que me lembro de ter assim desprezado vossa graça! Ó meu Amor, arrependo-me de todo o meu coração de Vos ter ofendido. Amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, ó Amor infinito. Nada mais desejo senão amar-Vos, e nada mais temo senão viver sem Vos amar.

Meu amado Jesus, não recuseis vir à minha alma. Vinde, porque estou resolvido a morrer antes mil vezes, que repelir-Vos de novo, e quero fazer tudo para Vos agradar. Vinde e abrasai-me todo no vosso amor. Fazei com que me esqueça de todas as coisas, para não mais pensar senão em Vós, e só a Vós buscar, meu único e soberano Bem. ― Ó Maria, minha Mãe, rogai por mim, e, por vossas orações, tornai-me reconhecido para com Jesus Cristo, que tanto amor me tem.

Referências:

*(1) 📖 – I Cor XI. 24*
*(2) 📖 – Prov XXIII. 26*

*_📗- LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa Inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 290-292)_*

*⚜ FONTE: GRUPO TRADIÇÃO CATÓLICA ⚜*

*🇻🇦 – FUNDAÇÃO DO AFDINHS 2007 – (APOSTOLADO FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO) – 🇻🇦*

CARNAVAL PRÓXIMO


Dom Fernando Arêas Rifan*

Semana próxima é o Carnaval. Como todos os anos, aproveitamos a ocasião para uma reflexão de ordem histórica e espiritual.

Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, com carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, acaba abafando-o e profanando-o. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.

O Carnaval poderia até ser considerado uma festa pitoresca de marchinhas engraçadas, de desfiles ornamentados, um folguedo popular, uma brincadeira de rua, uma festa quase inocente, uma diversão até certo ponto sadia, onde o povo extravasa sua alegria. Mas, infelizmente, tornou-se também uma festa totalmente mundana e profana, cheia de licenciosidade, onde campeia o despudor e as orgias, onde se pensa que tudo é permitido, onde a imoralidade é favorecida até pelas autoridades, com a farta distribuição de preservativos, preocupadas apenas com a saúde física e não com a moral, por isso chamada “a festa da carne”.

A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, acontecendo sempre este 47 dias antes da Páscoa, no dia imediato antes da Quarta-Feira de Cinzas.

Devido à devassidão que acontece nesses dias de folia (loucura, em francês), muitos cristãos preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.

Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).

Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha II 834 CARNAVAL PRÓXIMO.doc

Viva o papa!


Orlando Fedeli



Em tempos de crise religiosa e eclesiástica – principalmente quando ela atinge as mais altas autoridades da Igreja – é normal aparecerem duas tentações opostas.

A primeira – e a mais grave – é a de revolta contra a autoridade do Papa, que pode levar ao cisma e à heresia.

A segunda – mais sutil – é a de, por respeito à autoridade, aceitar em silêncio os erros, ou fechar os olhos para os pecados de escândalo em que a autoridade possa a vir a incorrer.

No fim da Idade Média e no Renascimento, por exemplo, muitos católicos caíram na primeira tentação, aderindo a inúmeras seitas heréticas. Lutero e a Reforma – hoje tão louvados – levaram ao ápice essa revolta, ao atacarem o próprio papado, sob o pretexto de que havia corrupção em Roma, e muitos Papas daquele tempo eram conhecidos por sua vida escandalosa. Os heresiarcas confundiam a pessoa que estava no sólio de Pedro com o Papado em si mesmo.

Tantos foram os inegáveis escândalos de alguns papas desse tempo que entre os teólogos mais importantes se estudou, de novo, a possibilidade de um Papa cair em heresia enquanto pessoa particular, embora nunca enquanto Papa, exercendo o seu ministério "ex-cathedra". São Roberto Belarmino, o grande Doutor da Igreja nessa época, foi um desses teólogos.

O Concílio Vaticano I – realizado em 1870 – proclamou o dogma da infalibilidade papal, estabelecendo que, quando o Papa ensina "ex-cathedra", isto é, como Vigário de Cristo, com o poder dado por Nosso Senhor a São Pedro, ensinando toda a Igreja sobre questões de Fé ou de Moral, com a vontade explícita de definir uma doutrina e condenando a sentença oposta, o Papa é infalível.

Esse dogma da infalibilidade do Papa – ao qual aderimos do mais profundo de nossas almas – é a garantia de que a Igreja jamais errará. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, ao dar as chaves a Pedro, lhe disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E Eu te darei as chaves do Reino dos céus. Tudo o que ligares na terra será ligado no céu. Tudo o que desligares na terra, será desligado no céu. E as portas do Inferno não prevalecerão contra ti" ( Mt. XVI, ).

É sobre essas palavras santíssimas de Nosso Senhor que a Igreja se baseou para proclamar a infalibilidade papal. É nisto que se fundamenta a devoção que todo católico deve ter pelo Papa, seja ele quem for.

Os inimigos da Igreja sempre quiseram criar confusões acerca desse ponto, ora atribuindo ao Papa enquanto tal, e à Igreja, os pecados em que um Papa pode cair como pessoa particular, ora estendendo a infalibilidade a qualquer ação do Supremo Pontífice.

O Papa é infalível como supremo mestre da Igreja, ao se pronunciar "ex-cathedra", mas isso não o torna impecável pessoalmente. Ao querer confundir infalibilidade com impecabilidade, os inimigos da Santa Sé buscam minar a devoção e a fé que se deve ter na infalibilidade pontifícia.

Ao pretender estender a infalibilidade a qualquer ação, discurso ou atitude do Papa, leva-se os fiéis a cair num erro que os porá em grave tentação, quando lhes ficar patente que o Papa – como pessoa particular – errou ou pecou.

Não se deve rejeitar a infalibilidade do Sumo Pontífice por causa de seus possíveis pecados ou erros pessoais, nem negar suas possíveis faltas morais por causa do brilho do carisma infalível de sucessor de Pedro,. Quanto ao Sumo Pontífice, pois, é preciso sempre ter em mente que ele continua infalível enquanto Papa, mesmo quando pecador enquanto homem, e que ele permanece um homem possivelmente pecador e falível, mesmo sendo Pontífice infalível quando fala "ex cathedra".

Para ilustrar o que dizemos, convém lembrar como agiu S. João Bosco no início do pontificado de Pio IX. Como se sabe, o Papa do incomparável Syllabus, o Papa da Imaculada Conceição, o Papa que proclamou o dogma da infalibilidade pontifícia teve, no início de seu pontificado, atitudes que muito favoreceram os liberais. Ele anistiou os terrorristas e carbonários presos nos Estados da Igreja, deu uma constituição liberal para esses Estados, nomeou um primeiro ministro liberal; enfim ajudou tanto os revolucionários que Roma se tornou o refúgio de anarquistas, carbonários e revolucionários de todas as gamas e de todos os tipos. Por isso, a Maçonaria fazia gritar pelas ruas das cidades italianas e por todo o mundo: "Viva Pio IX !".

São João Bosco, que vivia então em Turim, ordenou a seus alunos que jamais gritassem "Viva Pio IX" e sim "Viva o Papa !" . Com isso, D. Bosco desfazia a manobra carbonária. Devemos gritar sempre "Viva o Papa", pouco importando o nome daquele que está no trono de Pedro. Seja ele santo ou pecador, devemos manter ao Papa, "doce Cristo na terra", como dizia Santa Catarina de Siena, nossa devoção filial e nossa fidelidade a tudo o que ele ensina, como legítimo sucessor de Pedro e com o poder das chaves.

Hoje a compreensão desses princípios é muito necessária, pois somos ameaçados por dois erros opostos com relação ao Papa: o sede-vacantismo e o infalibilismo universal.

Nós rejeitamos a ambos.

Há quem afirme que os últimos Papas, por sua adesão aos erros do Vaticano II – Concílio meramente pastoral e não dogmático, portanto falível e que, por isso, ninguém está obrigado a aceitar – teriam perdido o pontificado. Tese temerária, aventureira e imprudente, pois até hoje ninguém a demonstrou com provas claras e irrefutáveis. Essa tese põe os fiéis à beira do cisma, senão dentro dele.

De outro lado, os modernistas e progressistas, que viram suas idéias errôneas triunfarem no Vaticano II, procuram impingir aos fiéis católicos esses erros do último Concílio, como se fossem dogmas de Fé, o que é absolutamente falso.

Mais ainda, os defensores do infalibilismo absoluto e universal do Papa procuram fazer com que os católicos julguem qualquer discurso do Papa – até mesmo um simples discurso de acolhida de turistas – como se fosse um dogma de fé, nivelando um texto pastoral, ou um discurso de cortesia, aos pronunciamentos "ex-cathedra". Isso também nós não podemos aceitar.

Por exemplo, a famosa jornada de orações pela paz, realizada em Assis por João Paulo II, em 1986, se opôs frontalmente a tudo o que a Igreja sempre ensinou quando, em reiterados pronunciamentos dos Papas, condenou o intercofessionalismo e o indiferentismo. Tal jornada é inaceitável.

O Papa, não é demais repetir, só é infalível quando ensina "ex-cathedra", ou quando repete os ensinamentos de todos os Papas anteriores (Magistério Ordinário Universal). Fora disso, pode errar. Por isso, é legítimo rejeitar os erros do Concílio Vaticano II e tudo o que se tem feito com base neles, na medida em que contrariam os ensinamentos de todos os Papas anteriores.

Ter devoção ao Papa é dever de todo católico. Mas o próprio Papa reinante deve ter devoção ao Papado. Também João Paulo II tem obrigação de aceitar tudo o que os Papas anteriores a ele ensinaram "ex- cathedra".

É, pois, com verdadeira devoção católica à Cátedra de Pedro que exclamamos de toda nossa alma "Viva o Papa ! ", qualquer que ele seja.

Um dia, Cristo perguntou aos apóstolos: "Quem dizem os homens que eu sou ?" Os apóstolos responderam : "Uns dizem que és Elias, outros dizem que és João Batista que voltou ". E Cristo ainda: "E vós quem dizeis que eu sou ? ". Eles se calaram, não sabendo o que dizer.

Não sabiam o que dizer, após terem visto tantos milagres. Não sabiam o que dizer, após terem ouvido tantas verdades.

Até que S. Pedro proclamou: "Tu és o Cristo, filho de Deus vivo!"

Hoje, Deus nos pergunta: Que dizem os homens que é o Papa? E alguns respondem que ele é um homem comum, outros – hereges – ultrajam-no, dizendo-o o anticristo.

E nós, quem dizemos que é o Papa?

Ele é Pedro redivivo. Ele é, de fato, plenamente, "o doce Cristo na terra". Com Santa Catarina de Siena repetimos essa afirmação tão doce ao nosso coração de católicos, tão cheia de verdade, dessa Verdade que, desde o batismo, é a luz de nossas almas e de nossas vidas.

Sim, nós temos certeza. Nós, católicos, somos filhos da certeza. E com a certeza que nos dá a palavra de Cristo e o dogma da infalibilidade papal, firmes sobre a pedra, nós dizemos com toda força de nossas almas: o Papa é Pedro reinando em Roma. O Papa é o vigário de Cristo. E quando esse século maldito nos interroga com sua boca atéia ou com sua língua progressista; quando ele, sorrindo irônico, duvida de nossa fé; quando nos ameaça e nos interroga, dizendo: "E quem é o Papa ? " , com ufania lhe respondemos que ele é nosso Pai na Fé.

Depois de séculos de santidade gerada pela Igreja e por sua doutrina, infalivelmente repetida pelos papas de todos os tempos; após dois mil anos de milagres, como não saber responder a esta pergunta que o mundo, hoje, nos faz com insolência: "E quem é o Papa? " O Papa é a Rocha sobre a qual Nosso Senhor edificou a sua Igreja.

E quando esse século subjetivista e evolucionista, que de cada pseudo-cientista ou de cada guru faz um "papa" infalível, repele os Papas do passado porque pensa que tudo evolui, nós lhe respondemos que passarão os céus e a terra, mas as palavras do Papa, falando "ex-cathedra" jamais passarão.

Disse um poeta, que é fácil acreditar na luz, ao meio dia. Difícil é crer no sol, à meia noite.

Era fácil acreditar e ter verdadeira devoção ao Papa, quando em Roma reinavam São Gregório VII, Pio IX ou São Pio X. Difícil foi manter a verdadeira fidelidade e a verdadeira devoção ao Papa, em Avignon, ou no tempo do Grande Cisma do Ocidente, ou na corte de Roma renascentista.

Difícil ainda mais é manter fidelidade à Igreja e a verdadeira devoção ao Papa, nestes dias de trevas, durante o eclipse do sol católico, causado pelo Vaticano II.

É pois em meios às trevas modernistas do Vaticano II, odiados e incompreendidos pelos que erram à esquerda, e mesmo à direita, que proclamamos com Fé: Nós cremos na Igreja Una, Católica Apostólica e Romana. Nós cremos no Papa! Viva o Papa ! Viva o Papa, doce, doce Cristo na terra.

"Viva o Papa!"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/vivaopapa/
Online, 30/01/2020 às 09:12:22h

ESPERANDO O NATAL


Dom Fernando Arêas Rifan*

Já estamos na preparação (Novena) para o Santo Natal. Nas Vésperas dos dias que antecedem a grande festa natalina, cantam-se as belíssimas antífonas latinas que começam com a exclamação de desejo “Ó!”: Ó Sabedoria, Ó Adonai, Ó Raiz de Jessé, Ó Chave de Davi, Ó Oriente, Ó Rei das Nações, Ó Emanuel, palavras das profecias bíblicas, referentes ao Salvador cujo nascimento celebraremos no Natal.

O modelo para nós de expectativa do Messias é a sua Mãe, Maria Santíssima. “O Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo…” (Papa Francisco, “Admirabile Signum, Valor e Significado do Presépio”). Por causa dessas antífonas da expectação, o povo deu a ela o título de Nossa Senhora do Ó. É uma devoção muito antiga, surgida na Espanha e em Portugal. Aqui no Brasil, em São Paulo, por exemplo, temos a “Freguesia (Paróquia) do Ó”, bairro, onde se encontra a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Expectação do Ó, cuja construção começou em 1610.

A devoção a Nossa Senhora é inata no povo católico. Enquanto os teólogos, durante séculos, discutiam a base teológica da Imaculada Conceição da Virgem Maria – o dogma de fé só foi proclamado por Pio IX no dia 8 de dezembro de 1864 -, o povo católico já a cultuava por toda a parte. Desde os primeiros séculos, os cristãos já honravam essa prerrogativa de Maria. No século VIII, o culto foi autorizado nas igrejas. A partir do século XII, espalhou-se a celebração dessa festa. Clemente XI, em 1708, elevou-a a festa de preceito. A imagem de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Basílica do mesmo nome em Salvador BA, foi trazida por Tomé de Souza e a primeira capela em seu louvor, foi construída a mando do então governador.

Celebramos dia 12 Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Sob diversos nomes, Maria Santíssima é patrona de muitos países do Novo Mundo, e sua devoção está no coração de todos. O Documento de Aparecida exalta “o papel tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha, especialmente a devoção mariana, que contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum condição de filhos de Deus” (37). Mas, reconhece que, “no entanto, devemos admitir que essa preciosa tradição começa a diluir-se… Nossas tradições culturais já não se transmitem de uma geração à outra…” (39). “Observamos que o crescimento percentual da Igreja não segue o mesmo ritmo que o crescimento populacional… Verificamos, deste modo, uma mentalidade relativista no ético e no religioso…. Nas últimas décadas vemos com preocupação, que numerosas pessoas perdem o sentido transcendental de suas vidas e abandonam as práticas religiosas…”. “Tal como manifestou o Santo Padre no Discurso Inaugural de nossa Conferência: ‘Percebe-se certo enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade e da própria pertença à Igreja Católica’.” (100).

Rezemos mais, pois estamos em “um novo período da história, caracterizado pela desordem generalizada…, pela difusão de uma cultura distante e hostil à tradição cristã e pela emergência de variadas ofertas religiosas que tratam de responder, à sua maneira, muitas vezes errônea, à sede de Deus que nossos povos manifestam” (DocAp 10).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha II 825 ESPERANDO O NATAL.doc

PADROEIRA DA AMÉRICA


Dom Fernando Arêas Rifan*

Hoje festejamos Nossa Senhora de Guadalupe, patrona do México e Padroeira da América Latina, por ter ocorrido a sua aparição nos primórdios do Novo Mundo.

Em 1531, um índio convertido, Juan Diego, a caminho da Missa na missão franciscana, nos arredores da cidade do México, recebeu um chamado para subir à colina de Tepeyac, onde viu uma jovem de radiosa beleza, que o encheu de felicidade e lhe disse: “Eu sou a sempre Virgem Mãe do Deus verdadeiro, no qual vivemos, Criador e Autor do Céu e da Terra. É meu desejo que se construa aqui um templo em minha honra, onde eu derramarei o meu amor, socorro e proteção…”. E disse-lhe que fosse à casa do Bispo, transmitindo-lhe o seu pedido.

O Bispo o recebeu, mas não acreditou muito na sua história. Juan Diego foi dizer à Senhora que arranjasse outra pessoa mais digna para essa missão e não ele, pobre índio. A Senhora lhe disse que poderia ter escolhido outros, mas o queria para essa incumbência. Voltou ao Bispo, o qual lhe disse que deveria pedir à Senhora um sinal como prova de que ela era a Mãe de Deus. A Senhora mandou que ele colhesse ali, naquela colina rochosa e árida, onde nem vegetação havia, no frio do mês de dezembro, abundantes rosas de cor e perfume maravilhosos, as colocasse em sua manta e as levasse ao Bispo, como sinal. Apresentando-se ao Bispo, derramou na sua presença as rosas e o prelado caiu de joelhos maravilhado, não tanto pelas rosas, mas por algo mais extraordinário: na manta de Juan Diego aparecia impressa com beleza surpreendente a Senhora que o pobre índio tinha visto na colina de Tepeyac. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Essa manta do índio é a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, venerada por milhões de peregrinos no grande Santuário construído em sua honra, imagem que se constitui em um grande milagre até hoje. Sábios, técnicos, pintores e especialistas, usando os meios modernos da Química, Física e Raios X, não foram até hoje capazes de explicar como é que se combinam na mesma pintura a aquarela e o óleo, sem vestígio de pincel. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. A imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos de pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção. Com a invenção e ampliação da fotografia, descobriu-se um prodígio ainda maior: tal como a figura das pessoas com quem falamos se reflete nos nossos olhos, foram descobertas três figuras refletidas nos olhos de Nossa Senhora, na tela. Exames feitos com todo o rigor científico por oftalmologistas americanos concluíram que essas três figuras não são pinturas, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva. As três imagens são João Diego, o intérprete e o Bispo.

Por sua fidelidade, fé simples e humildade, Juan Diego foi canonizado pelo Papa São João Paulo II em 2002. O nome “Guadalupe” em espanhol é a tradução da frase asteca que significa “aquela que esmaga a serpente”, a quem os astecas costumavam oferecer sacrifícios humanos. Nossa Senhora de Guadalupe é também invocada como protetora dos nascituros.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney

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Artigo folha II 824 PADROEIRA DA AMÉRICA – Copia.doc

Oração do Papa Bento XVI


Senhor Jesus Cristo,

São mais de dezenove séculos anos desde quando Vós, o Verbo eterno de Deus, entrastes no tempo e Vos fizestes carne – Vós vos fizestes homem. Não rejeitastes a Vossa natureza humana como um vestido depois de a ter assumido por pouco tempo. Não, até a Vossa morte sobre a cruz Vós a assumistes, Vós a tendes transpassada e sofrestes por ela, e permaneceis, depois de ressuscitado, homem para sempre. Na parábola, Vos comparastes com o grão de trigo que cai na terra e morre, mas não permanece isolado, antes, emerge de novo e produz constantemente fruto. Na Sagrada Eucaristia Vós sempre estais presente entre nós, Vos entregais em nossas mãos e aos nossos corações, a fim de que possa surgir uma nova humanidade. O Vosso fazer-Vos homem não é para nós uma experiência distante, ao contrário, toca a todos, chama-nos a todos. Ajudai-nos a compreender sempre mais. Ajudai-nos a viver e a morrer no segredo do grão de trigo e a contribuir com o surgimento de uma nova humanidade.

Antes de deixardes este mundo e de voltardes ao Pai, para depois voltardes entre nós, Vós entregastes a alguns homens a missão de ir a todo o mundo e de batizar os povos em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E o ser batizados nos faz ser uma nova comunidade, a Vossa Igreja. Como Vós anunciastes, este Vosso novo Corpo – que se estende por todo o mundo – se distingue pela Vossa proximidade, que anima o próprio corpo. Mas é também distinto pela nossa fragilidade, que se supera apenas lentamente.

Neste momento da nossa história, agradecemo-Vos pela graça de ter-nos chamado a fazer parte da Vossa Igreja. Agradecemo-Vos pelas realidades belas e grandes que se tornam visíveis no mundo por meio dela. Pedimo-vos também que nos ajudeis a enfrentar a obscuridade que, de tempos em tempos, é sempre ameaçadoramente ativa dentro dela. (…)

A missão da Igreja é, portanto, também aquela de aglomerar as várias línguas e as histórias de cada parte em uma nova unidade. Nesta situação, pensamos antes de tudo nos inícios da Fé no interior da nossa pátria, à época em que Vós nos enviastes a grande figura de São Martinho, bispo de Tours. Martinho nasceu na nossa terra – a então província romana da Panônia – e as suas origens fazem que nos pertença para sempre de um modo especial. Seguindo a vontade do seu pai, ele se tornou um soldado romano e chegou à Gália, ao outro extremo do continente. Encontrou-vos a Vós, Senhor Jesus Cristo, na figura de um mendigo e, dividindo com ele o seu manto – a sua casa, poderíamos dizer –, Vos reconheceu no seu coração. Vós lhe concedestes um grande mestre, Hilário de Poitiers, que iluminou a sua inteligência e, de tal modo, protegeu-o das insídias do arianismo. Assim, ele foi preservado daquela falsa norma da Fé cristã, que transmitia aos povos recentemente convertidos uma imagem diminuída de Nosso Senhor e impedia, portanto, o acesso à verdadeira Fé. Seguindo as pegadas de Santo Hilário, São Martinho voltou ainda uma vez à sua terra, para, depois, retornar novamente à Gália, onde iniciou o grande ministério da sua vida.

Também hoje a nossa Fé é ameaçada por mudanças reducionistas, cujas modas mudanas querem submetê-la para subtraí-la à sua grandeza.

Ajudai-nos, Senhor, neste nosso tempo, a ser e a permanecer verdadeiramente católicos – a viver e a morrer na grandeza da Vossa verdade e na Vossa divindade. Dai-nos sempre bispos corajosos, que nos guiem à unidade da Fé, com os santos de todos os tempos, e nos mostrem como agir de modo adequado ao serviço da reconciliação, à qual o nosso episcopado é chamado de modo especial. Senhor Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Benedictus XVI.

Mosteiro Mater Ecclesiæ, 8 de junho de 2019.

SOMOS PATRIOTAS


Dom Fernando Arêas Rifan*

Estamos na Semana da Pátria, porque no dia 7 comemoraremos a Independência do Brasil, o nascimento do nosso país como nação. Data especial para cultivarmos a virtude do patriotismo, dever e amor para com o nosso país, incluído no 4º Mandamento da Lei de Deus.
Jesus, nosso divino modelo, amava tanto sua pátria, que chorou sobre sua capital, Jerusalém, ao prever os castigos que sobre ela viriam, consequência da sua infidelidade aos dons de Deus. Não temos também motivos para chorar sobre nossa pátria amada? Nação que nasceu cristã, mas que anda esquecida dos valores cristãos legados pelos nossos missionários, presa de ideologias espúrias; povo nem sempre bem educado, nem sempre pacífico nem cortês e que não sabe escolher bem seus representantes; na política, corrupção, falta de honestidade, ética, honradez, com total desprezo das virtudes humanas e cristãs, necessárias ao bom convívio e à vida em sociedade.
Observando as redes sociais notamos a ausência total do respeito à opinião alheia, o ódio, a incitação à violência, a falta de humildade e modéstia, o desaparecimento da tolerância, do apreço pela verdade, o disseminar de calúnias, intrigas e suspeitas. Tudo isso se constitui no oposto às virtudes humanas e cristãs, que são a base da verdadeira civilização.
E as virtudes da honestidade, da não acepção de pessoas, da caridade desinteressada, do comedimento no falar, do respeito para com o próximo, do amor pela verdade, da convicção religiosa, da constância, da fidelidade nas promessas, do cumprimento da palavra dada?
Segundo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político, destinado a viver em sociedade” (Política, I, 1,9). Política vem do grego pólis, que significa cidade. E, continua Aristóteles, “toda a cidade é evidentemente uma associação, e toda a associação só se forma para algum bem, dado que os homens, sejam eles quais forem, tudo fazem para o fim do que lhes parece ser bom”. E Santo Tomás de Aquino cunhou o termo bem comum, ou bem público, que é o bem de toda a sociedade, dando-o como finalidade do Estado. “A comunidade política existe… em vista do bem comum; nele encontra a sua completa justificação e significado e dele deriva o seu direito natural e próprio. O bem comum compreende o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et Spes, 74). Daí se conclui que a cidade – o Estado – exige um governo que a dirija para o bem comum. Não se pode separar a política da direção para o bem comum. Procurar o bem próprio na política é um contrassenso.
Como cristãos, nós sabemos que a base da moral e da ética é a lei de Deus, natural e positiva, traduzida na conduta pelo que se chama o santo temor de Deus ou a consciência reta e timorata. Uma vez perdido o santo temor de Deus, perde-se a retidão da consciência, que passa a ser regida pelas paixões. Uma vez abandonados os valores morais e os limites éticos, a sociedade fica ao sabor das paixões desordenadas do egoísmo, da ambição e da cobiça.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 810 ll SOMOS PATRIOTAS.doc

LÍRIO ENTRE ESPINHOS


Em meio à onda de devassidão que assola o mundo de hoje, a virtude da pureza está se tornando uma pérola rara e mais preciosa. Por isso vale a pena recordar a vida de uma santa, cuja memória Igreja celebra no próximo dia 6, Santa Maria Goretti, mártir da pureza.

Santa Maria Goretti, denominada a Santa Inês do século XX, foi assassinada em 6 de julho de 1902, com cerca de 12 anos de idade, porque preferiu morrer a ofender a Deus, pecando contra a castidade, como a queria forçar seu assassino. Ela era uma menina de família católica, de boa formação. Tive a graça de visitar, por duas vezes, o local do seu martírio.
Belíssimas as palavras do Papa Pio XII a seu respeito: “Santa Maria Goretti pertence para sempre ao exército das virgens e não quis perder, por nenhum preço, a dignidade e a inviolabilidade do seu corpo. E isso não porque lhe atribuísse um valor supremo, senão porque, como templo da alma, é também templo do Espírito Santo. Ela é um fruto maduro do lar cristão, onde se reza, onde se educam os filhos no temor de Deus e na obediência aos pais. Que o nosso debilitado mundo aprenda a honrar e a imitar a invencível fortaleza desta jovem virgem”.
Seu assassino, Alessandro Serenelli, então com 20 anos, passou 30 anos na prisão e, graças às orações e ao perdão da santa, arrependeu-se e se converteu, morrendo santamente aos 89 anos num convento dos padres capuchinhos em 6 de maio de 1956.
Ele escreveu o livro “O Punhal de tantos remorsos”, onde diz: “Aos 20 anos, cometi um crime passional, de que agora tenho horror só em recordá-lo. Maria Goretti, agora santa, foi o anjo bom que a Providência colocou no meu caminho para me salvar. Peço perdão ao mundo pelo ultraje feito à mártir Maria Goretti e à pureza. Exorto a todos a se manterem afastados dos espetáculos imorais, dos perigos e das ocasiões que podem conduzir ao pecado. Eu gostaria que os que lessem esta carta (seu testamento) aprendessem a fugir do mal e a fazer sempre o bem. Pensassem desde crianças que a religião, com seus preceitos, não é algo de que se possa prescindir, senão o verdadeiro alento, o único caminho seguro em todas as circunstâncias da vida, até as mais dolorosas”.
Santa Maria Goretti e muitas outras santas e santos que viveram sua pureza e castidade são exemplo para todos, especialmente em meio à lama de impureza que nos cerca de todos os lados, especialmente pelos espetáculos e pelos meios de comunicação.
Eu recordo as graves palavras do saudoso Dom Lucas Moreira Neves, acusando a Televisão, o que poderíamos aplicar também a certos sites da Internet, pela onda de impureza que traz para dentro dos lares: “Acuso-a de ministrar copiosamente a violência e a pornografia. A primeira é servida em filmes para todas as idades. A segunda impera, solta, em qualquer gênero televisivo: telenovelas, entrevistas, programas ditos humorísticos, spots publicitários e clips de propaganda. A TV brasileira está formando uma geração de voyeurs, uma geração de debilóides. Acuso-a de ser corruptora de menores”.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 801 ll LÍRIO ENTRE ESPINHOS.doc

CÉFAS, A PEDRA


Dom Fernando Arêas Rifan*

No domingo próximo, transferida do dia 29, celebraremos a solenidade de São Pedro, apóstolo escolhido por Jesus para ser seu vigário aqui na terra (“vigário”, o que faz as vezes de outro), seu representante e chefe da sua Igreja. Junto com São Paulo, o apóstolo dos gentios, ambos constituem as colunas da Igreja de Cristo. Pedro, a pedra, foi o fundador da Igreja de Roma. Paulo, com o chamado especial de Cristo, tornou-se o grande propagador do Evangelho no mundo pagão, fora da Judéia.
Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro – pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19).
Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, na ocasião da prisão de Jesus, na casa de Caifás, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32). E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja.
São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro… Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
“Enquanto Cristo ‘santo, inocente, imaculado’, não conheceu o pecado, e veio expiar unicamente os pecados do povo, a Igreja, que reúne em seu seio os pecadores, é ao mesmo tempo santa, e sempre necessitada de purificação…. A Igreja continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, anunciando a paixão e a morte do Senhor, até que ele venha. No poder do Senhor ressuscitado encontra a força para vencer, na paciência e na caridade, as próprias aflições e dificuldades, internas e exteriores, e para revelar ao mundo, com fidelidade, embora entre sombras, o mistério de Cristo, até que no fim dos tempos ele se manifeste na plenitude de sua luz” (Lumen Gentium, 8).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 800 ll CEFAS, A PEDRA.doc

O SOPRO DIVINO


Dom Fernando Arêas Rifan*

Domingo próximo será a festa do DIVINO, ou seja, a solenidade de Pentecostes, na qual celebraremos a vinda do Divino Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Nossa Senhora: a inauguração da Igreja de Cristo, seu Corpo Místico vivo, pela ação do Espírito Santo.

Deus, ao criar Adão, o primeiro homem, após formar o seu corpo do pó do solo, soprou sobre ele um “sopro de vida”, surgindo assim o ser humano completo, corpo e alma (Gn 2, 7). Jesus, durante sua vida pública, formou o corpo da Igreja: convocou os Apóstolos, a quem deu a sua autoridade, escolheu Pedro para o chefe, a “pedra”, e deu-lhes o poder de transmitir a graça e os seus ensinamentos. Estava formada a hierarquia, a Igreja docente, que, junto com os outros discípulos, a Igreja discente, formava o corpo da Igreja. Faltava agora a alma, o sopro da vida. Sopro em latim é “spiritus”. Sopro divino, a alma da Igreja, é o Espírito Santo, que Jesus enviou sobre os Apóstolos, sobre a sua nascente Igreja. Agora a obra está completa.

Assim o Espírito Santo completou a obra de Cristo, santificando os Apóstolos, transformando-os de fracos em fortes, de medrosos em corajosos, de ignorantes em sábios, para assim pregarem o Evangelho de Jesus a todos os povos, enfrentando a sabedoria pagã, as perseguições e até a morte, pela causa de Cristo. E até hoje, é o Espírito Santo que dá força aos mártires, testemunhas do Evangelho até o derramamento do sangue, o vigor aos missionários e pregadores, a ciência aos doutores, a pureza às virgens, a perseverança aos justos e a conversão aos pecadores. É o Espírito Santo que garante a indefectibilidade e a infalibilidade à Igreja, até ao fim do mundo. Nenhuma sociedade humana sobreviveria a tantas perseguições, tantas heresias e cismas, tantos inimigos externos e internos, tanta gente ruim no seu seio (nós, por exemplo!), leigos, padres, Bispos e Papas ruins, tantos escândalos da parte dos seus membros, tantas dificuldades, se não fosse a ação do Espírito Santo que a mantém incólume no meio de todas essas tempestades, até a consumação dos séculos.
É essa ação do Espírito Santo que produziu os santos, que fazem a glória da Igreja, e são milhares e milhares. Conhecemos alguns por nome, respeitados por todo o mundo, mesmo pelos não católicos e não cristãos: quem não respeita e admira a santidade de um São Francisco de Assis, a ciência de um Santo Agostinho, um São Jerônimo e um Santo Tomás de Aquino, a firmeza de São Sebastião, a pureza de Santa Inês e Santa Cecília, a candura de Santa Teresinha do Menino Jesus, a caridade de Santa Teresa de Calcutá e da Beata Dulce dos Pobres, etc. É o Espírito Santo, presente na Igreja, que cumpre a promessa de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).
A Igreja reproduz a condição do seu Divino Fundador, Jesus, Deus e homem. Como Deus, perfeitíssimo como o Pai, como homem, sujeito a fraquezas como nós, exceto no pecado. Também a Igreja, humana e fraca nos seus membros, que somos todos nós, é divina nos seus ensinamentos, graça e perfeição, pela presença do Espírito Santo, continuador da obra de Jesus.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 797 ll O SOPRO DIVINO.doc

Vídeo: Descubra em 10 segundos por que vocês está neste mundo

A TEOLOGIA DA CRUZ


Dom Fernando Arêas Rifan*

Domingo próximo é o Domingo de Ramos, início da Semana Santa, na qual contemplaremos os sofrimentos de Jesus Cristo e o mistério da sua Cruz, dando-nos o sentido do sofrimento em nossa vida.
No Domingo de Ramos, recordamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelo povo. Mas era a sua última entrada na cidade santa, pois nessa semana ele sofreria, voluntariamente, a sua paixão e seria crucificado e morto.
A Paixão física de Jesus começou na Quinta-feira santa, à noite, no horto das oliveiras, quando ele viveu um momento de particular angústia perante a vontade do Pai, contra a qual a debilidade da carne é tentada a revoltar-se. Cristo quis sentir a repugnância natural do homem diante do sofrimento. Ali Cristo se põe no lugar de todas as tentações da humanidade e toma sobre si todos os seus pecados, para dizer ao Pai: “Não se faça a minha vontade, mas a Tua” (Lc 22,42). Este seu “sim” de aceitação muda o “não” dos nossos primeiros pais no Éden.
Em contraposição a certas teologias da prosperidade e da saúde, muito em voga hoje, onde a religião fica sendo unicamente um meio de fugir da cruz, a Igreja nos propõe a verdadeira Teologia da Cruz.
O Papa São João Paulo II, na sua Carta Apostólica Salvifici doloris, explica-nos que o sofrimento pertence à vicissitude histórica do homem, que deve aprender a aceita-lo e superá-lo, e explica: “Mas como pode ele aceitar isto, senão graças à cruz de Cristo? Na morte e ressurreição do Redentor o sofrimento humano encontra o seu significado mais profundo e o seu valor salvífico. Todo o peso de tribulações e sofrimentos da humanidade está condensado no mistério de um Deus que, assumindo a nossa natureza humana, se anulou até se fazer ‘pecado em nosso favor’ (2 Cor 5, 21). No Gólgota Ele carregou as culpas de todas as criaturas humanas e, na solidão do abandono, gritou ao Pai: ‘Por que Me abandonaste?’ (Mt 27, 46)”.
“Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1, 24). O sofrimento, aceito com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminada pelo esplendor da ressurreição.”
Desejo a todos uma recolhida Semana Santa, de meditação nos sofrimentos de Cristo e de renovação espiritual, através de uma boa confissão, para depois juntos nos alegrarmos com o seu triunfo na Ressurreição, que celebraremos na Páscoa.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
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Artigo folha 789 ll A TEOLOGIA DA CRUZ.doc

TOLERÂNCIA E MAL MENOR


Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo dia 28 de abril, ocorrerão importantes eleições na Espanha e, devido às grandes repercussões na vida de todos os cidadãos e às graves consequências para toda a sociedade, a pedido de amigos espanhóis, escrevi umas ponderações, dando-lhes algumas pistas para que saibam se posicionar e escolher os melhores candidatos ou, se esses não existem ou não são viáveis, os menos maus entre os que são viáveis, os que possam fazer menos mal à sociedade. Como muitas vezes nós também nos encontramos nas mesmas situações, não só em eleições, mas em diversas ocasiões, trago citações de autoridades competentes e respeitáveis sobre a doutrina da tolerância e a possibilidade de se escolher um mal menor.
Recordo que “tolerância” vem do latim tolerare, suportar algo pesado, negativo ou mal, com o qual não concordamos, aturar. “A tolerância só existe com relação ao mal” (Santo Agostinho). Mal que não aprovamos, mas suportamos, em vista de um bem maior. “Dizemos que são toleradas as coisas que admitimos sem resistência, enquanto não podemos ou não devemos por graves razões proibir ou retirar, ainda que em nosso julgamento não possam ser aprovadas” (Cardeal Ottaviani). Tolerância é “a permissão negativa de um mal” (F. Cappello). Permissão negativa, por oposição à autorização positiva, ou seja, a que supõe uma aprovação. É assim que Deus tolera o mal.
“… não se opõe a Igreja, entretanto, à tolerância por parte dos poderes públicos de algumas situações contrárias à verdade e à justiça para evitar um mal maior ou para adquirir ou conservar um maior bem. Deus mesmo, em sua providência, mesmo sendo infinitamente bom e todo-poderoso, permite, entretanto, a existência de alguns males no mundo, em parte para que não se impeçam maiores bens e em parte para que não se sigam maiores males (Santo Agostinho)” (Papa Leão XIII, Encíclica Libertas, 23).
“Votar é um dever. É compreensível que alguns se sintam inclinados a abster-se de emitir seu voto, quando comprovam que nenhum partido oferece o programa que eles desejariam. Embora nenhuma das ofertas políticas seja também plenamente conforme com o ideal evangélico, nem sequer com o ideal racional de uma ordem social plenamente justa, no entanto, umas o são mais e outras o são menos. É necessário fazer um esforço e optar pelo bem possível” (Conferência Episcopal Espanhola – Nota para as eleições de 2004).
“Deus, embora seja onipotente e sumamente bom, permite que sucedam males no universo, podendo impedi-los, para que não sejam impedidos maiores bens ou para evitar males piores. De igual maneira, os que governam, na gestão humana, corretamente toleram alguns males para que não sejam impedidos outros bens ou para evitar males maiores” (Santo Tomás).
Em situações difíceis e perplexas, quando não se tem outra opção, escolher algo menos mal, para que seja excluído o pior, tem razão de bem. A intenção é em direção ao bem, o bem possível, e em evitar maiores males para a sociedade.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 787 ll TOLERÂNCIA E MAL MENOR.doc

CARNAVAL À VISTA!


Dom Fernando Arêas Rifan*

Semana próxima é o Carnaval. Como todos os anos, aproveitamos a ocasião para uma reflexão de ordem histórica e espiritual.
Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, com carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, acaba abafando-o e profanando-o. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.
O Carnaval poderia até ser considerado uma festa pitoresca de marchinhas engraçadas, de desfiles ornamentados, um folguedo popular, uma brincadeira de rua, uma festa quase inocente, uma diversão até certo ponto sadia, onde o povo extravasa sua alegria. Mas, infelizmente, tornou-se também uma festa totalmente mundana e profana, cheia de licenciosidade, onde campeia o despudor e as orgias, onde se pensa que tudo é permitido, onde a imoralidade é favorecida até pelas autoridades, com a farta distribuição de preservativos, preocupadas apenas com a saúde física e não com a moral, por isso chamada “a festa da carne”.
A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, acontecendo sempre este 47 dias antes da Páscoa, no dia imediato antes da Quarta-Feira de Cinzas.
Devido à devassidão que acontece nesses dias de folia, muitos cristãos preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.
Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

POR QUE MARIA?


Dom Fernando Arêas Rifan*

No próximo dia 8, celebraremos a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, ou seja, honraremos o privilégio singular concedido por Deus à Virgem Maria, escolhida para a Mãe de Jesus, o Filho de Deus encarnado, Salvador do gênero humano, preservando-a, em vista dos méritos dele, desde a sua concepção, da herança do pecado original.
Este pecado original, em Adão uma falta voluntária, nos outros homens se constitui na privação da graça divina, que havia sido concedida a toda a humanidade na pessoa do primeiro homem. A graça, por ele perdida para si e para todos os seus descendentes, foi recuperada pelo segundo Adão, Jesus Cristo, pela sua Redenção, que nos alcança e santifica através do Batismo.
Ora, Deus havia prometido, no momento do pecado de Adão, que uma mulher com o seu filho, o futuro Salvador, venceria completamente o demônio. Não teria, pois, nenhum pecado. Não teria, em nenhum instante, a menor privação da graça divina. Por isso, essa mulher especial, Maria, escolhida para a Mãe do Redentor, foi saudada pelo Anjo mensageiro de Deus com as palavras: “Ave, ó cheia de graça (agraciada de modo especial) …, bendita entre as mulheres”, ou seja, sem pecado (privação da graça). A Redenção de Cristo a atingiu, de modo preventivo, preservando-a, por privilégio único, do pecado que atinge a todos os homens.
A Imaculada Conceição de Maria tem muito a ver com o Brasil. Em 1646, o Rei Dom João IV consagrou a Nossa Senhora da Conceição Portugal e todos os seus domínios, nos quais estava incluído o Brasil. E a padroeira oficial do Brasil é Nossa Senhora da Conceição, vulgarmente chamada de Aparecida.
Mas, por que honramos Maria, de modo tão especial?
“O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo: ‘não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo para redenção de todos’ (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (Lumen Gentium 60).
“A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da graça” (Lumen Gentium 61).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney
http://domfernandorifan.blogspot.com.br/

Artigo folha 771II POR QUE MARIA.doc

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