“Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 14 de abril.

Diocese de Iguatu | Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa. Trata-se do tempo litúrgico no qual a Igreja acompanha os passos do nosso Redentor do sofrimento à glória. A Liturgia é rica e bela e as expressões devocionais são comoventes. Porém, uma coisa é assistir à encenação teatral da Paixão e morte do Senhor; outra, é de verdade acompanhar, na Liturgia e nas devoções, o itinerário de Jesus Cristo Salvador com fé e amor.

A primeira é recordação, não implica comprometimento vital e pode até ser um simples passatempo. A segunda é a celebração da fé pessoal e eclesial do acontecimento da redenção universal e a atualização dos seus frutos na nossa existência. De fato, a Liturgia atualiza, na memória viva dos crentes, os efeitos salutares da Páscoa do Senhor.

Em relação ao Cristo, Paulo nos estimula pelo seu testemunho em primeira pessoa de: “ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos “ (Fil 3,10-11). Trata-se da conformidade mística e ética com Jesus desde os momentos conclusivos de sua existência terrena. Associamo-nos à sua cruz para participarmos de sua ressurreição e sua vida, já desde este mundo.

A proclamação do Evangelho de São Lucas, na celebração de Ramos e da Paixão, iluminará o início da semana. A multidão grita e louva com palmas na mão. Porém, para Jesus, Jerusalém será lugar do silêncio da morte e até do silêncio de Deus que não o livra (Lc 23, 35). Jesus rompe o próprio silêncio, antes de morrer, e conversa com o ladrão: “ainda hoje estarás comigo no paraíso” (v. 43). Grita um forte grito ao Pai, em oração de confiança: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (v. 46) e expira.

Vale para a morte na cruz o que valeria na entrada de Jerusalém a declaração do Mestre: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,40). Coube ao oficial do exército romano, dizer em primeiro lugar: “De fato! Este homem era justo! ” (Lc 23, 47).  Caberá a nós, seguidores e imitadores do Mestre, dizer ao mundo e à história tais acontecimentos pelos quais Jesus garante nossa salvação.  A cruz de Cristo evangeliza quando anunciamos sua morte e ressurreição.

Cabe-nos igualmente testemunhá-lo como Justo Sofredor cujo sacrifício nos resgata do pecado e da morte e do qual Deus dissera pelo profeta: “ Ele oferece sua vida como sacrifício do pecado… Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas” (Is 53,10-11). O próprio Jesus, na quinta-feira santa, deu o sentido sacrifical de sua morte e institui-lhe a memória eucarística: “Este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos para remissão dos pecados ” (Mt 26,28).

Quanto à Vigília Pascal já é a festa celebrada em vários tons e sons. Coroa a Semana Santa. Após a Liturgia da Luz, a Igreja celebra a Liturgia da Palavra, recordando as maravilhas da criação, a libertação do êxodo e a promessa messiânica. Segue-se a Liturgia Batismal com a bênção da água e a renovação das promessas batismais. Enfim, tudo culmina na Liturgia Eucarística, encontro com o Vivente no mistério da sua presença. Ele, causa de nossa alegria.

Na Santa Vigília, faremos o itinerário das mulheres, Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, entre outras que estavam com elas. Ir ao túmulo, levando perfumes, prova de amor. Voltar para anunciar a notícia aos apóstolos a respeito do túmulo vazio com o anúncio do anjo: “Ele não está aqui”. Ressuscitou! ” (Lc 24,6), dois momentos de um trajeto espiritual.

COM AMOR, PARTICIPEMOS DO TRÍDUO PASCAL DA PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SENHOR!

Papa Bento XVI: A Igreja e o Escândalo do abuso sexual


De 21 a 24 de fevereiro, a convite do Papa Francisco, os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo se reuniram no Vaticano para discutir a crise da Fé e da Igreja, uma crise palpável em todo o mundo após as estarrecedoras revelações dos abusos perpetrado por clérigos contra menores. A extensão e a gravidade dos incidentes relatados têm afligido profundamente tanto sacerdotes quanto leigos, e levou a não poucas pessoas a questionarem a própria fé da Igreja. Era necessário enviar uma mensagem forte e procurar um novo começo, com tal de tornar a Igreja novamente verdadeiramente credível como uma luz entre os povos e como uma força ativa contra os poderes da destruição.

Já que eu mesmo me encontrava servindo em uma posição de responsabilidade como pastor da Igreja no momento da eclosão pública da crise e durante seu desenvolvimento, eu tive que me perguntar – ainda que como emérito já não seja mais diretamente responsável por essa situação – o que eu podia fazer para contribuir com um novo começo em retrospecto. Assim, durante o período que vai do anúncio até a realização da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais, compilei algumas anotações com as quais creio poder oferecer uma ou duas observações e ajudar a Igreja nessa hora tão difícil. Tendo entrado em contato com o Secretário de Estado, Cardeal [Pietro] Parolin e o Santo Padre [Papa Francisco], pareceu-me apropriado publicar o texto resultante deste esforço no “Klerusblatt” (NdT: um jornal mensal para o clero de algumas dioceses da Baviera).

Meu trabalho está dividido em três partes. Na primeira, pretendo apresentar brevemente o contexto societário mais amplo da questão, sem o qual o problema não pode ser entendido. Eu tento mostrar que na década de 60 ocorreu um evento excepcional, em uma escala sem precedentes na história. Pode-se dizer que, nos 20 anos decorridos entre 1960 e 1980, os padrões vinculantes relativos à sexualidade até então entraram em colapso por completo, gerando uma ausência de normativa que já foi objeto de tentativas laboriosas de compreensão.

Na segunda parte, pretendo destacar os efeitos dessa situação na formação dos sacerdotes e na vida dos sacerdotes.

Finalmente, na terceira parte, gostaria de desenvolver algumas perspectivas para uma resposta adequada por parte da Igreja.

I.

(1) O assunto começa com a introdução, prescrita e apoiada pelo Estado, de crianças e jovens no tema da natureza da sexualidade. Na Alemanha, a então ministra da Saúde, [Käte] Strobel, mandou fazer um filme mostrando tudo o que antes não podia ser exibido publicamente, incluindo relações sexuais, e que passou a ser exibido com o propósito de educar os jovens. O que inicialmente se destinava apenas à educação sexual destes, por conseguinte, foi amplamente aceito como uma opção viável para o resto da sociedade.

Efeitos semelhantes foram alcançados pelo “Sexkoffer” publicado pelo governo austríaco [NdT: Uma espécie de ´kit´ repleto de material destinado à educação sexual usado nas escolas austríacas no final da década de 1980]. Filmes sexuais e pornográficos tornaram-se uma ocorrência comum, a ponto de serem exibidos nos cinemas [Bahnhofskinos]. Ainda me lembro de ter visto, andando pela cidade de Regensburg um dia, verdadeiras multidões de pessoas se alinhando em frente a uma grande sala de cinema, algo que anteriormente só havíamos visto nos tempos da guerra, quando alguma alocação especial era esperada. Lembro-me também de ter chegado à cidade na Sexta-feira Santa, no ano de 1970, e de ver todos os outdoors preenchidos por um grande cartaz de duas pessoas completamente nuas num abraço apertado.

Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 lutou estava a total liberdade sexual, uma que não mais possuía normas. A vontade de usar a violência, que caracterizou esses anos, está fortemente relacionada a esse colapso mental. Na verdade, os filmes sexuais não eram mais permitidos nos aviões porque poderiam gerar violência na pequena comunidade de passageiros. E dado que os excessos no vestuário também provocavam agressão, os diretores das escolas fizeram várias tentativas de introduzir uma vestimenta escolar que facilitasse um clima de aprendizado.

Parte da fisionomia da Revolução de 1968 foi que a pedofilia também foi diagnosticada como um comportamento aceitável e apropriado.

Para os jovens da Igreja, mas não apenas para eles, este foi um momento muito difícil em muitos aspectos. Sempre me perguntei como os jovens nessa situação poderiam se aproximar do sacerdócio e aceitá-lo com todas as suas ramificações. O extenso colapso das gerações seguintes de sacerdotes naqueles anos e o grande número de secularizações foram uma consequência de todos esses desenvolvimentos.

(2) Ao mesmo tempo, independentemente destes desenvolvimentos, a teologia moral católica sofreu um colapso que deixou a Igreja desamparada diante dessas mudanças na sociedade. Vou tentar delinear brevemente a trajetória que esse desenvolvimento percorreu.

Até o Concílio Vaticano II, a teologia moral católica era em grande parte baseada na lei natural, enquanto as Sagradas Escrituras eram citadas apenas para obter contexto ou justificação. Na luta do Concílio por uma nova compreensão do Apocalipse, a opção pela lei natural foi amplamente abandonada, e uma teologia moral baseada inteiramente na Bíblia foi exigida.

Ainda me lembro como a faculdade jesuíta em Frankfurt treinou o jovem e inteligente Padre (Schüller) com o propósito de desenvolver uma moralidade baseada inteiramente nas Escrituras. A bela dissertação do Padre (Bruno) Schüller mostra um primeiro passo para a construção de uma moralidade baseada nas Escrituras. O sacerdote foi então enviado para os Estados Unidos e voltou, percebendo que somente com a Bíblia a moralidade não poderia ser expressa sistematicamente. Então ele tentou uma teologia moral mais pragmática, sem poder dar uma resposta à crise da moralidade.

Consequentemente, nada poderia ser considerado um bem absoluto, assim como, por outro lado, coisa alguma poderia ser considerada fundamentalmente ruim; (Poderia haver) apenas juízos de valor relativos. Não havia mais o bom em seu sentido mais absoluto, apenas o aquilo que era relativamente melhor ou contingente para o momento e as circunstâncias específicas.

A crise da justificação e da forma de expor a moral católica alcançou proporções dramáticas no final dos anos 80 e 90. Em 5 de janeiro de 1989, foi publicada a “Declaração de Colônia”, assinada por 15 catedráticos católicos de teologia. O documento se concentrou em vários pontos da crise da relação entre o magistério dos bispos e a tarefa da teologia. (As reações a) este texto, que em princípio não passaram do usual nível de protestos, cresceu rapidamente e se tornou um grito contra o magistério da Igreja e reuniu, clara e visivelmente, o potencial de um protesto global contra os esperados textos doutrinais de João Paulo II. (cf. (cf. D. Mieth, Kölner Erklärung, LThK, VI3, p. 196) (N.dT: O LTHK é o Lexikon für Theologie und Kirche, o Lexicon de Teologia e a Igreja, cujos editores incluíam o teólogo Karl Rahner y o hoje Cardeal alemão Walter Kasper).

O Papa João Paulo II, que conhecia muito bem e acompanhava de perto a situação em que a teologia moral se encontrava, encomendou o trabalho de uma encíclica para tornar as coisas claras novamente. E foi publicada sob o título de Veritatis Splendor no dia 6 de agosto de 1993 e logo gerou reações veementes de vários teólogos morais. Antes disso, o Catecismo da Igreja Católica (publicado em 1992) já havia apresentado, de maneira persuasiva e sistemática, a moralidade proclamada pela Igreja.

Nunca vou esquecer a forma como o então líder teólogo moral alemão, Franz Böckle, tendo retornado para sua Suíça natalapós a aposentadoria, anunciou em relação à Veritatis Splendor que se a encíclica determinasse que existem ações que sempre e em todas as circunstâncias deveriam ser classificados como más, ele iria rebatê-la com todos os recursos à sua disposição.

Foi Deus, o Misericordioso, que evitou que este propósito fosse executado, pois Böckle morreu em 8 de julho de 1991. A encíclica foi publicada em 06 de agosto de 1993 e efetivamente incluía a determinação de que certas ações jamais podem ser consideradas boas.

O Papa estava plenamente consciente da importância dessa decisão e, nessa parte do texto, consultou novamente os melhores especialistas que não participaram da edição da encíclica. Ele sabia que não deveria deixar dúvidas sobre o fato de que a moralidade que busca o equilíbrio de bens deve ter sempre um limite final. Alguns bens simplesmente não estão sujeitos a concessões.

Há valores que jamais devem ser abandonados por um valor mais alto e até mesmo superar a preservação da vida física. Há martírio. Deus é mais. Ele vale mais que a própria sobrevivência física. Uma vida comprada pela negação de Deus, uma vida baseada em uma mentira, ao final, não é vida.

O martírio é a categoria básica da existência cristã. O fato de que o mesmo já não seja moralmente necessário, como afirma a teoria defendida por Böckle e muitos outros, demonstra que a própria essência do cristianismo está em jogo aqui.

Na teologia moral, no entanto, outra questão tornou-se urgente: a hipótese de que o Magistério da Igreja deveria ter competência final (“infalibilidade”) apenas nas questões relativas à fé e já não nas que se referem à moralidade, havia ganhado ampla aceitação. Dizia-se que estas questões não deveriam cair no âmbito de decisões infalíveis do magistério da Igreja. Provavelmente há algo de verdade nesta hipótese e que merece mais discussão, mas há um conjunto mínimo de questões morais que estão intimamente relacionadas com o princípio fundamental da fé, o qual deve ser defendido, para que a fé não venha a ser reduzida a uma teoria e que já não seja reconhecida em seu clamor pela vida concreta.

Tudo isso nos permite ver o quão fundamentalmente a autoridade da Igreja é questionada quando se trata de questões de moralidade. Aqueles que negam à Igreja uma competência no ensinamento definitivo nesta área, forçam-na a permanecer em silêncio exatamente ali, onde se encontra em jogo a fronteira entre a verdade e a mentira.

Independentemente deste assunto, em muitos círculos da teologia moral foi apresentada a tese de que a Igreja não tem e não pode ter sua própria moralidade. O argumento era que todas as hipóteses morais teriam seu paralelo em outras religiões e, portanto, não haveria uma natureza cristã. Mas a questão da natureza da moralidade bíblica não é respondida pelo fato de que para cada frase singular em algum lugar da Escritura, podemos encontrar um paralelo em outras religiões. Na verdade, trata-se do conjunto da moralidade bíblica, que, como tal, é novo e distinto de suas partes individuais.

A doutrina moral das Sagradas Escrituras tem a sua forma única de ser predicada em última instância na sua concreção à imagem de Deus, na fé em um Deus que se manifestou a Si mesmo em Jesus Cristo e viveu como ser humano. O Decálogo é uma aplicação para a vida humana da fé bíblica em Deus. A imagem de Deus e da moralidade se pertence uma a outra e é por isso que resulta na mudança particular da atitude cristã em relação ao mundo e à vida humana. Além disso, o cristianismo tem sido descrito desde o início com o termo Hodoš (caminho, em grego, usado no Novo Testamento para discutir um caminho de progresso).

A fé é uma travessia e uma forma de vida. Na Igreja antiga, o catecumenato foi criado como um habitat no qual os aspectos distintos e frescos daquele modo de viver a vida cristã eram ao mesmo tempo praticados e protegidos, contra uma cultura cada vez mais desmoralizada. Acredito que mesmo hoje, algo como estas comunidades de catecumenato sejam necessárias para que a vida cristã possa se afirmar da maneira que lhe é própria.

II.

As reações eclesiais iniciais

(1) O processo há muito preparado e em andamento para a dissolução do conceito cristão de moralidade foi marcado, como tentei demonstrar, pelo radicalismo sem precedentes dos anos 1960. Essa dissolução da autoridade moral do ensino da Igreja devia ter um efeito sobre os diferentes membros da Igreja. No contexto da reunião dos presidentes das conferências episcopais em todo o mundo com o Papa Francisco, a questão da vida sacerdotal, assim como a dos seminários, é de particular interesse. Uma vez que está relacionado ao problema o tema da preparação para o ministério sacerdotal nos seminários, e, existe de fato uma ampla decomposição no que diz respeito à anterior forma de preparação dos candidatos.

Em vários seminários foram estabelecidos grupos homossexuais que agiram mais ou menos abertamente, o que mudou significativamente o clima que se vivia ali. Em um seminário no sul da Alemanha, os candidatos ao sacerdócio e ao ministério leigo de agentes de pastoral (Pastoralreferent) viviam juntos. Nas refeições diárias, os seminaristas e os especialistas em pastoral estavam juntos. Os casados ​​às vezes estavam com suas esposas e filhos; e às vezes com suas namoradas. O clima neste seminário não oferecia o apoio necessário para a preparação adequada para a vocação sacerdotal. A Santa Sé sabia desses problemas sem ser informada com precisão. Como primeiro passo, foi acordada uma visita apostólica para os seminários nos Estados Unidos.

Como os critérios para a seleção e nomeação dos bispos também mudaram depois do Concílio Vaticano II, a relação dos bispos com seus seminários também tornou-se muito diferente. Acima de tudo, a “conciliaridade” foi estabelecida como um critério para a nomeação de novos bispos, o que poderia ser entendido de várias maneiras.

De fato, em muitos lugares entendeu-se que as atitudes conciliares se relacionavam a uma postura crítica ou negativa à tradição que existia até então, e que precisava ser substituída por uma relação nova e radicalmente aberta com o mundo. Um bispo, que já havia sido reitor de um seminário, fez os seminaristas assistirem a filmes pornográficos com a intenção de torná-los resistentes a condutas contrárias à fé.

Havia – e não apenas nos Estados Unidos da América – bispos que individualmente rejeitavam totalmente a tradição católica e buscavam uma nova e moderna “catolicidade” em suas dioceses. Pode valer a pena mencionar que em muitos seminários, os estudantes que os viram lendo meus livros eram considerados inadequados para o sacerdócio. Meus livros estavam escondidos, como se fossem literatura ruim, e eram lidos apenas debaixo da escrivaninha.

A visita apostólica afinal não trouxe novas pistas, aparentemente porque vários poderes juntaram forças para maquiar a verdadeira situação. Uma segunda visita foi ordenada e permitiu novos dados, mas no final tampouco obteve resultado algum. No entanto, desde a década de 1970, a situação nos seminários geralmente melhorou. E, no entanto, apenas casos isolados de um novo fortalecimento das vocações sacerdotais surgiram, posto que a situação em geral havia tomado outro rumo.

(2) A questão da pedofilia, se não me falha a memória, não era crítica até a segunda metade da década de 1980. Entretanto, ele se tornou um assunto público nos Estados Unidos, tanto assim que os bispos foram a Roma para procurar ajuda e que o direito canônico, conforme escrito no novo Código (1983), não parecia suficiente para tomar as medidas necessárias. Na primeira visita, Roma e os canonistas romanos tinham dificuldades com estas preocupações porque, em sua opinião, a suspensão temporária do ministério sacerdotal deveria ser suficiente para gerar purificação e esclarecimento. Isto não podia ser aceito pelos bispos americanos, porque assim os sacerdotes permaneciam a serviço do bispo e, portanto, seguiam diretamente associados a ele. Lentamente, foi tomando forma uma renovação e um aprofundamento na lei criminal do novo Código, construída deliberadamente e com ligeireza.

Além disso e no entanto, havia um problema fundamental na percepção do direito penal. Apenas o chamado “garantismo” (uma espécie de protecionismo processual ao réu) era considerado uma postura “conciliar”. Isso significa que os direitos do acusado devem ser garantidos, acima de tudo, até o ponto em que qualquer tipo de condenação fosse impossibilitada. Como um contrapeso para as opções de defesa disponíveis para os teólogos acusados ​​e muitas vezes inadequadas, o direito de defesa dos mesmos usando o “garantismo” estendeu-se a tal ponto que era quase impossível uma condenação.

Permitam-me um breve excurso neste momento. À luz da escalada da conduta pedófila, uma palavra de Jesus novamente nos interpela: ” Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço” (Mc 9,42).

A palavra pequenino, na língua de Jesus, significava aqueles crentes comuns que podem ver sua fé confundida pela arrogância intelectual daqueles que acreditam ser inteligentes. Então, aqui Jesus protege o depósito da fé com uma ameaça ou punição enfática para aqueles que prejudicam estas pessoas.

O uso moderno da frase não está em si mesmo errado, mas não deve obscurecer o significado original. Fica claro, contra qualquer garantismo, que não apenas o direito do acusado é importante e requer uma garantia. Grandes bens como a fé são igualmente importantes.

Assim, uma lei canônica equilibrada, que corresponda à totalidade da mensagem de Jesus, não apenas deve fornecer uma garantia para o acusado, para quem o respeito é um bem lícito, mas também deve proteger a fé que também é um importante e lícito bem. Uma lei canônica adequadamente formada deve então conter uma dupla garantia: a proteção legal do acusado e a proteção legal da propriedade que está em jogo. Se hoje esta concepção intrinsecamente clara é apresentada, ela geralmente cai em ouvidos surdos quando se trata da questão da proteção da fé como um bem legal. Na consciência geral da lei, a fé não parece mais ter o grau de um bem que requer proteção. Esta é uma situação alarmante que os pastores da Igreja devem considerar e levar a sério.

Agora eu gostaria de acrescentar, às breves notas sobre a situação da formação sacerdotal na época da crise, algumas observações sobre o desenvolvimento do direito canônico nesta matéria.

Em princípio, a Congregação para o Clero é responsável por lidar com crimes cometidos por padres, mas dado que o “garantismo” dominava amplamente a situação daquela época, eu concordei com o Papa João Paulo II que era apropriado designar essas ofensas à Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título de “Delicta maiora contra fidem” (NdT: Delitos graves contra a fé).

Isso possibilitou a imposição da pena máxima, ou seja, a expulsão do estado clerical, que não poderia ter sido imposta sob outras disposições legais. Este não foi um truque para impor a pena máxima, mas uma consequência da importância da do bem que é a fé para a Igreja. De fato, é importante notar que uma tamanha má conduta deste tipo por parte de um clérigo, acaba, em última instância, prejudicando a fé.

Onde a fé não determina mais as ações do homem tais ofensas se tornam possíveis.

A severidade da pena, no entanto, também pressupõe uma prova clara da ofensa: este aspecto da garantia continua em vigor.

Em outras palavras, para impor a pena máxima legalmente, é necessário um processo criminal genuíno, mas ambas as dioceses e a Santa Sé estão sobrecarregadas por esta exigência. Portanto, formulamos um nível mínimo de procedimentos criminais e deixamos aberta a possibilidade de que a própria Santa Sé assuma o julgamento quando a diocese ou a administração metropolitana não possam fazê-lo. Em cada caso, o julgamento deve ser revisado pela Congregação para a Doutrina da Fé para garantir os direitos do acusado. Finalmente, na quarta feria (N.dT. a assembleia ou reunião geral dos membros desta Congregação da Cúria em que são discutidos os diversos casos em andamento), estabelecemos uma instância de recurso para oferecer a possibilidade de o acusado apelar.

Já que tudo isso ultrapassou as capacidades concretas da Congregação para a Doutrina da Fé e não havia outra alternativa mais que enfrentar os longos atrasos, devido à natureza peculiar do assunto, o Papa Francisco decidiu então realizar mais reformas.

III.

(1) O que deve ser feito? Talvez devêssemos criar outra Igreja para que as coisas funcionem? Bem, essa experiência já foi feita e já falhou. Somente a obediência e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo pode nos mostrar o caminho, então primeiramente devemos tentar entender de novo e de dentro (de nós mesmos) o que o Senhor quer e quis de nós.

Em primeiro lugar, gostaria de sugerir o seguinte: se realmente queremos resumir muito brevemente o conteúdo da fé, tal como está na Bíblia, teríamos que fazê-lo dizendo que o Senhor começou uma narrativa de amor com as pessoas e quer abraçar toda a criação nesta narrativa. A maneira de lutar contra o mal que nos ameaça e ameaça o mundo todo, só pode residir no nosso ingresso neste amor em última instância. Esta é a verdadeira força contra o mal, já que o poder do mal surge da nossa recusa em amar a Deus. Quem se entrega ao amor de Deus é redimido. Nossa realidade de não-redimidos é consequência de nossa incapacidade de amar a Deus. Aprender a amar a Deus é, portanto, o caminho da redenção humana.

Vamos tentar desenvolver um pouco mais este conteúdo essencial da revelação de Deus. Podemos assim dizer que o primeiro dom fundamental que a fé nos oferece é a certeza de que Deus existe. Um mundo sem Deus só pode ser um mundo sem significado. Caso contrário, de onde tudo viria? Em todo caso, não haveria um propósito espiritual. De alguma forma, simplesmente está lá e não tem propósito ou significado algum. Então não há padrões de bem ou mal, e somente o que é mais forte do que qualquer outra coisa que se possa afirmar e então o poder se torna o único princípio. A verdade não conta, simplesmente não existe. Somente se as coisas tiverem uma razão espiritual, elas têm uma intenção e são concebidas. Somente se existe um Deus Criador que é bom e que quer o bem, a vida do homem pode então fazer sentido.

Existir um Deus que seja o criador e a medida de todas as coisas é primeiro e acima de tudo uma necessidade, mas um Deus que não se expressa em nada aquilo que é, que não se dá a conhecer, permaneceria como uma presunção e, em consequência, não poderia determinar a forma [Gestalt] do nosso viver. Para que Deus seja realmente Deus nesta criação deliberada, temos que olhar para Ele para que ele se expresse de alguma forma. Ele fez de muitas maneiras, mas decisivamente na vocação de Abraão e deu às pessoas que procuravam a Deus a orientação que nos leva além de toda expectativa: o próprio Deus se torna criatura, falando como um homem conosco, seres humanos.

Nesse sentido, a frase “Deus é”, torna-se ao final uma mensagem verdadeiramente alegre, precisamente porque Ele é mais do que intelecto porque cria – e é – o amor para que mais uma vez as pessoas tenham consciência de que esta é a primeira e mais fundamental tarefa confiada a nós pelo Senhor.

Uma sociedade sem Deus – uma sociedade que não o conhece e o trata como inexistente – é uma sociedade que perde sua medida. Em nossos dias, a frase da morte de Deus foi acunhada. Quando Deus morre em uma sociedade, nos é dito, torna-se livre. Na realidade, a morte de Deus em uma sociedade também significa o fim da liberdade porque o que morre é o propósito que provê orientação, já que desaparece a bússola que nos indica a direção certa e que nos ensina a distinguir o bem do mal. A sociedade ocidental é uma sociedade na qual Deus está ausente na esfera pública e não tem nada para oferecer a ela. E essa é a razão pela qual a sociedade perde cada vez mais sua noção de humanidade. Em pontos individuais, de repente parece que o que é ruim e destrói o homem se tornou uma questão de rotina.

Esse é o caso da pedofilia. Admitiu-se há pouco tempo como algo legítimo, mas se espalhou mais e mais. E agora percebemos com surpresa que as coisas que estão acontecendo com nossas crianças e jovens ameaçam destruí-las. O fato de que isso também pode ser estendido na Igreja e entre os sacerdotes é algo que deve nos interpelar de maneira particular.

Por que a pedofilia atingiu tais proporções? No final, a razão é a ausência de Deus. Nós cristãos e sacerdotes também preferimos não falar de Deus porque esse discurso não parece ser prático. Após a convulsão da Segunda Guerra Mundial, nós na Alemanha ainda tínhamos expressamente em nossa Constituição que estávamos sob a responsabilidade de Deus como um princípio orientador. Meio século depois, já não era possível incluir a responsabilidade para com Deus como um princípio orientador na Constituição Europeia. Deus é visto como a preocupação partidária de um pequeno grupo e não pode mais ser um princípio orientador para a comunidade como um todo. Esta decisão é refletida na situação no Ocidente, onde Deus se tornou um assunto particular, destinado a uma pequena minoria.

Uma tarefa primordial, que deve resultar das convulsões morais de nosso tempo, é que novamente comecemos a viver para Deus e sob Ele. Acima de tudo, temos que aprender mais uma vez a reconhecer Deus como a base de nossa vida. Em vez de deixá-lo de lado como se fosse uma frase ineficaz. Jamais esquecerei o aviso do grande teólogo Hans Urs von Balthasar que uma vez me escreveu em um de seus cartões postais. “Não pressuponha o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo, apresente-o!”

De fato, na teologia, Deus é sempre tomado como uma questão de rotina, mas na vida concreta não a pessoa não se relaciona com Ele. O tema de Deus parece tão irreal, tão alheio às coisas que nos preocupam e entretanto, tudo se torna diferente quando nós não pressupomos mas apresentamos Deus aos demais. Não deixando para trás como uma moldura, mas reconhecendo-o como o centro de nossos pensamentos, palavras e ações.

(2) Deus se tornou homem para nós. O homem como sua criatura está tão perto de seu coração que se uniu a si mesmo e, assim, entrou na história humana de maneira muito prática. Ele fala conosco, vive conosco, sofre conosco e assumiu a morte por nós. Falamos sobre isso em detalhes em teologia, com palavras e pensamentos aprendidos, mas é precisamente assim que corremos o risco de nos tornarmos professores da fé, em vez de sermos renovados e transformados em mestres pela fé.

Considere isso com relação à questão central, a celebração da Santa Eucaristia. Nossa forma de lidar com a Eucaristia só pode gerar preocupação. O Concílio Vaticano II concentrou-se justamente em devolver este sacramento da presença do corpo e do sangue de Cristo, da presença da sua pessoa, da sua paixão, morte e ressurreição, ao centro da vida cristã e à própria existência da Igreja. Em parte, isso realmente aconteceu e devemos ser gratos ao Senhor por isso.

E ainda assim uma atitude muito diferente prevalece. O que predomina não é uma nova reverência pela presença da morte e ressurreição de Cristo, mas uma maneira de lidar com Ele que destrói a grandeza do Mistério. A queda na participação das celebrações eucarísticas dominicais mostra quão pouco os cristãos de hoje sabem apreciar a grandeza do dom que consiste em sua verdadeira Presença. A Eucaristia tornou-se um mero gesto cerimonial quando se toma por parâmetro que as boas maneiras exigem que que esta seja oferecida em celebrações familiares ou às vezes em casamentos e funerais a todos os convidados, simplesmente por motivos familiares.

A maneira pela qual as pessoas simplesmente recebem o Santíssimo Sacramento na comunhão como algo rotineiro mostra que muitos o veem como um gesto puramente cerimonial. Portanto, quando você pensa sobre a ação que é necessária em primeiro lugar, é bastante óbvio que não precisamos de outra Igreja com um design próprio. Em vez disso, precisa-se, em primeiro lugar, alcançar a renovação da fé na realidade de que Jesus Cristo realmente nos é dado no Santíssimo Sacramento.

Em conversas com vítimas de pedofilia, fiquei muito consciente desse primeiro e fundamental requisito.

Uma jovem que tinha sido acólita me disse que o capelão, seu superior no culto do altar, sempre a introduzia ao abuso sexual com estas palavras: “Este é o meu corpo que será entregue por ti”.

É óbvio que esta mulher não pode mais ouvir as palavras da consagração sem experimentar novamente a terrível angústia do abuso. Sim, temos que implorar ao Senhor urgentemente pelo seu perdão, mas antes de tudo temos que jurar por Ele e pedir a Ele que nos ensine novamente a entender a grandeza de Seu sofrimento e Seu sacrifício. E nós temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger o dom da Santa Eucaristia do abuso.

(3) E finalmente, está o Mistério da Igreja. A frase com que Romano Guardini, há quase 100 anos, expressou a esperança alegre dele, e de tantos outros, permanece inesquecível: “Um evento de importância incalculável começou, a Igreja está despertando nas almas (do povo) “

Ele quis dizer que a igreja não foi experimentada ou vista simplesmente como um sistema externo que entrou em nossas vidas, como uma espécie de autoridade, mas tinha começado a ser percebido como presente nos corações das pessoas, não como algo meramente externo, mas que nos moveu internamente. Quase 50 anos depois, a repensar esse processo e ver o que vem acontecendo, estou tentado a reverter a frase: “A Igreja está morrendo nas almas (das pessoas).”

De fato, hoje a Igreja é amplamente vista apenas como um tipo de aparato político. Fala-se dela quase que exclusivamente em categorias políticas e isso se aplica até mesmo a bispos que formulam a sua concepção da Igreja do amanhã quase exclusivamente em termos políticos. A crise, causada por muitos casos de abuso de clérigos, nos faz olhar para a Igreja como algo quase inaceitável que nós temos que tomar em nossas mãos e redesenhar. Mas uma Igreja que se autoconstrói não pode constituir esperança alguma.

O próprio Jesus comparou a Igreja a uma rede de pesca na qual o próprio Deus separa os bons peixes dos maus. Há também uma parábola da Igreja como um campo onde o trigo cresce que o próprio Deus semeou com a erva daninha que “um inimigo” secretamente lançou. Na verdade, a erva daninha no campo de Deus, a Igreja, é agora demasiado visível e os maus peixes na rede também mostram sua força. No entanto, o campo ainda é o campo de Deus e a rede é a rede de Deus. E em todos os tempos não houve apenas má erva daninha ou peixes ruins, mas também as colheitas de Deus e a boa pesca. Proclamar ambos com ênfase e da mesma forma não só é uma falsa apologética, mas um serviço necessário à Verdade.

Neste contexto, é necessário se referir a um texto importante no Apocalipse de João. O diabo é identificado como o acusador que acusa nossos irmãos diante de Deus dia e noite. (Apocalipse 12:10). O Apocalipse, em seguida, leva um pensamento que está no centro da narrativa no livro de Jó (Jó 1 e 2, 10; 42: 7-16). Ali se diz que o diabo procurou mostrar que a retidão de vida de Jó perante Deus era meramente externa. E é exatamente isso que o Apocalipse tem a dizer: o diabo quer provar que não há pessoas corretas, que sua correção só se mostra externamente. Se alguém pudesse se aproximar, a aparência da justiça cairia rapidamente.

A narrativa começa com uma disputa entre Deus e o diabo, na qual Deus se referiu a Jó como um homem verdadeiramente justo. Agora ele será usado como um exemplo para provar quem está certo. O diabo pede que todas as suas posses sejam removidas para ver que nada resta de sua piedade. Deus permite que ele faça isso, depois do qual Jó age positivamente. Então o demônio pressiona e diz: “Pele por pele! Sim, tudo que o homem tem dará por sua vida. Agora, porém, estende a tua mão e toca o seu osso e a sua carne, e verás se não te amaldiçoa na tua face “(Jó 2,4f).

Então Deus dá ao demônio um segundo round. Ele também toca a pele de Jó e só lhe é negado matá-lo. Para os cristãos, é claro que este trabalho, que se coloca diante de Deus como um exemplo para toda a humanidade, é Jesus Cristo. No Apocalipse, o drama da humanidade nos é apresentado em toda a sua amplitude.

O Deus Criador é confrontado com o diabo que fala a toda a humanidade e a toda a criação. Ele fala não só a Deus, mas acima de tudo ao povo: Veja o que este Deus fez. Supostamente uma boa criação. Na realidade, Ele é cheio de miséria e desprazer. O desânimo da criação é, na realidade, o desprezo de Deus. Ele quer provar que o próprio Deus não é bom e afastar-nos dEle.

A oportunidade da que o Apocalipse nos está falando aqui é óbvia. Hoje, a acusação contra Deus é, acima de tudo, desprezo de Sua Igreja como algo maligno em sua totalidade e, portanto, nos desencoraja dela. A idéia de uma Igreja melhor, feita por nós mesmos, é na verdade uma proposta do diabo, com a qual ele quer nos afastar do Deus vivo usando uma lógica enganosa em que podemos facilmente cair. Não, ainda hoje a Igreja não é feita apenas de peixes ruins e ervas daninhas. A Igreja de Deus também existe hoje e hoje é o mesmo instrumento pelo qual Deus nos salva.

É muito importante opor com toda a verdade as mentiras e meias-verdades do diabo: sim, há pecado e mal na Igreja, mas ainda hoje há a Santa Igreja, que é indestrutível. Também hoje há muitas pessoas que humildemente acreditam, sofrem e amam, em quem o verdadeiro Deus, o Deus amoroso, se mostra a nós. Deus também tem Suas testemunhas (“mártires”) no mundo hoje. Nós apenas precisamos estar atentos para conseguir vê-los e ouvi-los.

A palavra mártir é tirada da lei processual. No julgamento contra o diabo, Jesus Cristo é o primeiro e verdadeiro testemunho de Deus, o primeiro mártir, que desde então tem sido seguido por inúmeros outros.

Hoje, a Igreja é mais do que nunca uma Igreja dos mártires e, portanto, um testemunho do Deus vivo. Se olharmos em volta e escutarmos com um coração atento, hoje poderemos encontrar testemunhas por toda parte, especialmente entre as pessoas comuns, mas também nas altas fileiras da Igreja, que defendem a Deus com suas vidas e seus sofrimentos. É uma inércia do coração que nos leva a não querer reconhecê-los. Uma das grandes e essenciais tarefas de nossa evangelização é, na medida do possível, estabelecer habitats de fé e, acima de tudo, encontrá-los e reconhecê-los.

Eu moro em uma casa, em uma pequena comunidade de pessoas que descobrem repetidamente esses testemunhos do Deus vivo na vida cotidiana, e que alegremente me dizem isso. Ver e encontrar a Igreja viva é uma tarefa maravilhosa que nos fortalece e que, uma e outra vez, nos faz felizes na nossa fé.

Ao final de minhas reflexões, gostaria de agradecer ao Papa Francisco por tudo que ele faz para nos mostrar-nos sempre a luz de Deus que, mesmo nos dias de hoje, não desapareceu.

Obrigado Santo Padre!

Bento XVI

“Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 07 de abril.

 

Diocese de Iguatu |Alimentar o sonho e o desejo de libertação no exílio da Babilônia significava dar ânimo à esperança de reconstruir o povo e a nação e o culto. Por isso, o profeta, de modo poético, afirma da parte de Deus: “Eis que vou fazer coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto…” (Is 43, 19).

Abrir estrada significa alimentar a profecia em ato, a esperança da libertação possível e o futuro próximo. Por isso, é necessária a advertência: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos” (v. 18), ainda que fossem a abertura do mar e a passagem dos hebreus a pé enxuto. O povo se ergueria, agora, olhando para frente, mesmo diante das dificuldades, pois Deus já faz uma realidade nova, no deserto: “correr rios na terra seca” (v. 20). O Deus da vida recria. O Deus da Aliança dá de beber ao seu povo sedento (v. 20).

Jesus também abriu um novo caminho para a mulher surpreendida em adultério (Jo 8,1-11). Colocando-nos na cena como observadores, unimo-nos às pessoas reunidas em torno de Jesus. Para seus ouvintes, Ele abre um novo caminho de compreensão. Sentado e ensinando, Jesus comporta-se como mestre (v. 2). Se entrarmos na cena, acolheremos seu ensinamento que abre para nós um caminho novo de aceitação da lei nova: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15, 12).

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram a mulher adúltera. Colocam-na no meio deles. A cena constrange a mulher posta no centro dos olhares. Será julgada ou melhor já está condenada à morte pelo apedrejamento, segundo a aplicação da lei antiga que os presentes conheciam bem e os acusadores defendem.

Na verdade, quem está em uma espécie de tribunal é Jesus e seu ensinamento e atitudes para com os pecadores. O evangelista desmascara a perfídia dos mestres da lei e dos fariseus na pergunta: “Que dizes tu? Perguntavam apenas para experimentar Jesus e terem motivo de o acusar” (v. 5-6).

Tratava-se de uma farsa, de um pretexto legal. Talvez por isso, Jesus inclinou-se e começou a escrever com o dedo no chão. Parecia ignorá-los. Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça. Eram apenas acusadores com outras intenções. Enfim, Jesus se ergue, pois persistiam em interroga-lo. Responde envolvendo os próprios acusadores: “Quem não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe a pedra” (v. 7). Subitamente, passam a ser juízes de si mesmos, da própria consciência. Por isso, todos se retiram a começar dos mais velhos.

O final da cena é igualmente surpreendente. O mestre dialoga e não julga. Diz: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? … Eu também não te condeno” (v. 10-11). Não compactua com o pecado, mas dá uma nova oportunidade para a adúltera. Abre-lhe um caminho novo: “podes ir e, de agora em diante, não peques mais” (v. 11).

Abrir caminhos é a meta do discípulo libertado do farisaísmo hipócrita e do legalismo acusador. Abrir caminhos é possibilitar mudanças na vida das pessoas que erram, sem acusa-las, julgá-las  ou humilhá-las. Abrir caminhos é a arte de facilitar a recuperação de quem precisa ou pede ajuda. Abrir caminhos é oferecer oportunidades de vida nova a quem peca.

A Igreja está “cega pelo mistério da iniquidade”, afirma Cardeal Sarah em novo livro.


Por LifeSiteNews, 19 de março de 2019 | Tradução: FratresInUnum.comEm seu último livro,  Le soir approche et déjà le soir baisse (“Já é tarde e a noite vem chegando”, citação do episódio dos peregrinos de Emaus, no Evangelho de São Lucas), o Cardeal Robert Sarah decidiu “se manifestar” para os “católicos desorientados” atingidos pela profunda crise pela qual passa a Igreja.

Sarah

“Não consigo mais ficar em silêncio. Eu não posso mais ficar em silêncio”, escreveu o Cardeal Sarah em seu parágrafo inicial. Ele fez uma análise ampla da “noite escura” da Igreja e de que ela “está envolvida e cega pelo mistério da iniquidade”.

Diante antes da publicação do livro na França, em 20 de março, uma introdução foi publicada online, dando o aperitivo de um texto verdadeiramente arrebatador que aborda os problemas atuais de frente: abusos sexuais, mas também relativismo doutrinal, ativismo social e falta de oração, falsas acusações de homossexualidade e hipocrisia generalizadas, e as dúvidas dos fiéis que vêem os inimigos da Igreja em seu próprio meio.

O Cardeal Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, não oferece estratégias, diz ele. Pelo contrário, ele anuncia as respostas atemporais sem as quais todos os esforços são inúteis — uma vida profundamente arraigada de oração, fidelidade ao ensinamento transmitido pela Igreja, ao invés de subestimar a doutrina católica como “muitos pastores” estão fazendo, caridade fraterna e amor a Pedro.

Mas as suas palavras não são, de forma alguma, do suplício pelo qual a Igreja está passando.

O Cardeal Sarah não hesita em falar — nas palavras de Paulo VI — da “fumaça de Satanás” que invadiu a Igreja, apontando abertamente os “traidores” que, como Judas Iscariotes, tornaram-se “agentes do Mal”. “Eles buscaram profanar as puras almas dos pequeninos. Humilharam a imagem de Cristo presente em cada criança”, ao mesmo tempo em que humilharam e traíram a tantos padres fiéis, escreveu.

“A Igreja está passando pelo mistério da flagelação” pelas mãos daqueles que “deveriam amá-la e protege-lá”, advertiu o Cardeal.

Mas a causa do escândalo dos abusos sexuais, ele acrescentou, só pode ser encontrada em traições anteriores: “A crise pela qual o clero, a Igreja e o mundo estão passando é radicalmente uma crise espiritual, uma crise de fé”.

O cardeal africano recorda que o “mistério de Judas” — palavras tomadas do Papa Francisco — reside em se distanciar do ensinamento de Jesus, e pode, portanto, ser comparado ao mistério do mal em nosso tempo.

“Jesus o chamou tal como os outros apóstolos. Jesus o amava! Ele o enviou para anunciar a Boa Nova. Mas, pouco a pouco, o coração de Judas foi sendo tomado pelas dúvidas. Sem perceber, ele começou a julgar o ensinamento de Jesus. Ele disse a si mesmo: esse Jesus é muito exigente, e não eficiente o bastante. Judas queria fazer o reino de Deus vir à terra imediatamente, por meios humanos e de acordo com seus planos pessoais”. Ele deixou de rezar com Jesus e “buscou refúgio nas coisas do mundo, provavelmente murmurando em seu coração ‘não servirei’ quando Jesus lavou seus pés na última ceia”, escreveu o Cardeal Sarah.

“Ele recebeu a comunhão quando seus planos já estavam completos. Foi a primeira comunhão sacrílega da história. E ele traiu”.

Segundo o Cardeal Sarah, as mesmas faltas, as mesmas traições, são cometidas hoje: “Nós abandonamos a oração. O mal do ativismo eficiente se infiltrou em todo lugar. Nós buscamos imitar a organização das grandes empresas. Esquecemo-nos que só a oração é o sangue que irriga o coração da Igreja… Aquele que não reza já traiu. Já está preparado para toda concessão ao mundo. Ele segue os passos de Judas”.

O cardeal tem palavras duras quanto ao abandono da doutrina católica. Eis onde ele vê a causa dos atuais escândalos de abusos sexuais:

“Nós toleramos qualquer questionamento. A doutrina católica é desafiada e, em nome de posturas pretensamente intelectuais, teólogos sentem prazer em desconstruir o dogma e em esvaziar a moral de seu conteúdo profundo. O relativismo é a máscara de Judas disfarçada de intelectual. Como podemos nos surpreender de que tantos padres rompem os seus compromissos? Nós depreciamos o significado do celibato, nós exigimos o direito a uma vida privada, o que é oposto à missão sacerdotal. Alguns vão tão longe, a ponto de reivindicar o direito ao ato homossexual. Um escândalo segue o outro, envolvendo padres e bispos”.

O Cardeal Sarah prossegue, advertindo seus irmãos padres de que todos serão prejudicados por acusações que são verdadeiras apenas para uma minoria. Mas “não se inquiete os seus corações”, acrescentou, recordando que o próprio Cristo foi atingido pelas palavras “Crucifica-O!” e pede-lhes que não se inquietem por “investigações tendenciosas” que apresenta os pastores no topo da Igreja como “clérigos irresponsáveis com uma vida interior anêmica”.

“Padres, bispos e cardeais sem moral não vão, de maneira alguma, manchar o testemunho luminoso de mais de 400 mil padres no mundo que, todos os dias, leal, alegre e santamente servem ao Senhor. Apesar da violência dos ataques que ela suporta, a Igreja não morrerá. Esta é a promessa do Senhor, e Sua palavra é infalível”.

Dirigindo-se especificamente aos católicos que são levados à duvidas, ele falou do “sutil veneno de Judas” da traição. O demônio “quer nos ver (a Igreja) como uma organização humana em crise” quando ela é “Cristo perpetuando-Se”. Satanás leva os fiéis à divisão e ao cisma “ao nos fazer crer que a Igreja traiu”. “Mas a Igreja não trai. A Igreja, cheia de pecadores, é, ela mesma, sem pecado. Sempre haverá luz suficiente nela para aqueles que buscam a Deus”.

O Cardeal Sarah advertiu os fiéis católicos contra a tentação de “resolver as coisas com nossas próprias mãos” — uma tentação que levaria à divisão através da crítica e divisão. “Não hesitemos (…) em denunciar o pecado, a começar pelos nossos próprios”.

“Eu tremo com a ideia de que a túnica inconsútil de Cristo possa uma vez mais ser despedaçada. Jesus sofreu a agonia ao ver antecipadamente as divisões dos cristãos. Não O crucifiquemos novamente”, implorou o cardeal.

Sarah não está procurando popularidade ou sucesso, ele insistiu. “Este livro é um pranto de minha alma! Um pranto de amor a Deus e a meus irmãos. Eu devo a vós, cristãos, a única verdade que salva. A Igreja está morrendo porque os pastores têm medo de falar com toda a verdade e clareza. Estamos com medo da mídia, da opinião pública, de nossos próprios irmãos. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

Aos católicos confusos a quem se dirige, o Cardeal Sarah exorta, especialmente aos padres, à oração: “Quem não reza se condena”, escreveu, citando Santo Afonso. “Não é uma questão de acumular devoções. É uma questão de guardar silêncio e adorar, de estar de joelhos, de entrar com temor e respeito na liturgia. É a obra de Deus, não um teatro”.

E ele prossegue sua meditação: “Caros amigos, querem colocar a Igreja em seu devido lugar? Caiam de joelhos! É o único caminho! Se fizer diferente, o que fizer não será de Deus (…) Se não encostarmos nossas cabeças, como São João, no Coração de Cristo, não teremos forças para segui-lO até a Cruz. Se não tivermos tempo de ouvir as batidas do Coração de nosso Deus, nós O abandonaremos, nós O trairemos como os apóstolos fizeram”.

Junto com as orações, na atual crise, é necessária a fidelidade à doutrina. O Cardeal Sarah está claramente consciente das razões da confusão dos dias de hoje. “Como podemos aceitar que conferências episcopais contradigam uma a outra? Onde reina a confusão, Deus não está!, escreveu.

“A unidade de fé supõe a unidade do magistério no espaço e no tempo. Quando um novo ensinamento nos é dado, deve ser sempre interpretado em coerência com o ensinamento que o precedeu. Se nós introduzimos rupturas e revoluções, rompemos a unidade que governa a Santa Igreja pelos séculos”, insistiu. “Aqueles que bradam em voz alta a mudança e ruptura são falsos profetas. Eles não procuram o bem do rebanho”.

Fidelidade à verdade significa aceitar a Cruz, escreveu o Cardeal Sarah, acrescentando que Cristo exige aquela fidelidade mais uma vez.

“Ele nos olha diretamente nos olhos e pergunta a cada um de nós: você me abandonará? Você renunciará o ensinamento da fé em toda sua plenitude? Terá coragem de pregar minha presença real na Eucaristia? Terá coragem de convidar os jovens à vida consagrada? Quando você terá força para dizer que sem a confissão frequente, a comunhão sacramental corre o risco de perder seu sentido? Você terá a audácia de recordar a verdade sobre a indissolubilidade do matrimônio? Terá a caridade de fazer o mesmo àqueles que ameaçam culpá-lo por isso? Você prefere o sucesso ou me seguirá? Queira Deus que respondamos com São Pedro, cheios de amor a humildade, ‘Senhor, a quem iremos? Só vós tendes palavras de vida eterna’. (João 6:68).”

Tudo isso exige “amor a Pedro”, escreveu o Cardeal Sarah. “O mistério de Pedro é um mistério de fé. Jesus escolheu confiar sua Igreja a um homem. Não nos esqueçamos, Ele permitiu a este homem trair três vezes à frente de todos, antes de lhe entregar as chaves de Sua Igreja. Nós sabemos que a barca da Igreja não foi confiada a um homem por causa de suas habilidades extraordinárias. Mas sabemos que este homem seria sempre assistido pelo Divino Pastor, a fim de guardar a regra da fé”.

Essa é a razão pela qual não devemos ter medo, acrescentou, falando do “fio de ouro das definições infalíveis dos pontífices, sucessores de Pedro” em oposição ao “fio negro dos atos humanos e imperfeitos dos Papas, sucessores de Simão”, nos quais ainda “sentimos a pequena agulha guiada pela mão invisível de Deus”.

Na mesma direção de sua introdução, Sarah deixou claro que não se espera que os católicos sejam cegos:

“Queridos amigos, os seus pastores estão cobertos de faltas e imperfeições. Mas não é desprezando esse fato que se construirá a unidade da Igreja. Não tenham medo de pedir a eles a fé católica, os sacramentos da vida divina. Lembrem-se das palavras de Santo Agostinho: ‘Quando Pedro batiza, é Jesus que batiza. Quando Judas batiza, ainda é Jesus que batiza!”.

E prosseguiu: “Se você pensa que seus padres e bispos não são santos, seja santo por eles. Faça penitência, jejum para reparar as faltas e covardia. É a única maneira de carregar o fardo do outro”.

A quarta exortação do cardeal é sobre a “caridade fraterna”, refletindo sobre a Igreja como mãe que abre seus braços a nós: “Em seu seio, nada pode nos ameaçar. Cristo abriu Seus braços de uma vez por todas na Cruz para que a Igreja pudesse abrir os seus a fim de nos reconciliar com ela, com Deus e conosco mesmo”, um chamado contra a divisão que “persegue a Jesus”.

Em resumo, o Cardeal Sarah está chamando os fiéis a reconhecer “a grandeza e a transcendência de Deus”, a quem devemos amar até a morte — a única condição que pode nos permitir ouvir as palavras ditas por São Francisco de Assis: “Vai e reconstrói a minha Igreja”. Ainda afirmou o Cardeal: “Vai, reconstrói pela sua fé, esperança e caridade. Vai e reconstrói pela sua o oração e fidelidade. Graças a você, minha Igreja novamente se tornará minha casa”.

Essas palavras foram assinadas em 22 de fevereiro, durante o encontro sobre abusos sexuais no Vaticano, no momento em que acusações horríveis começaram a se acumular contra a Igreja, especialmente contra aqueles membros mais fiéis a seu ensinamento perene.

Motivos de Festa


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 31 de março.

Diocese de Iguatu | Deus falara pela boca de Joel: “voltai para mim com todo o vosso coração…rasgai o coração…voltai para o Senhor, vosso Deus…inclinado a perdoar” (Jl 2, 12-13). Trata-se de comovente apelo à conversão. O motivo de confiança é o fato de Deus ser inclinado a perdoar.

A parábola do filho pródigo ou do pai misericordioso, a mais bela de todas, acentua tanto a bondade de Deus, capaz de perdoar, quanto a atitude do filho, impelido a retornar à casa paterna ao se encontrar na precariedade. Precisaria rasgar o próprio coração, o amor próprio e a vergonha, reconhecendo seu estado miserável e aceitar o perdão. Precisava confiar e retornar.

A parábola diz tudo por si mesma. Não precisa de explicação. No entanto, é possível acentuar alguns elementos até de ordem psicológica, mediante alguma descrição dos três personagens:  o filho mais novo, o filho mais velho e o pai. É útil ilustrá-los pela meditação criativa. Possibilita entrarmos na cena com proveito.

Podemos considerar a situação do mais novo e (ou) do mais velho, ambos afastados do pai. Um se afastou para longe para esbanjar a própria vida no simbolismo dos bens.  Outro, embora residindo com o pai, afastou-se do irmão que voltou e do pai que o aceitou. A misericórdia o escandalizara. Feriu sua compreensão de justiça: “tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos” (Lc 15, 29). O texto diz “ficou com raiva”, não com inveja.  Raiva do pai pela injustiça sofrida. Porém, é aparente a injustiça, pois, o pai explica seu amor partilhado: “tu estás sempre comigo, tudo que é meu é teu” (v. 31)

Quanto ao filho mais novo, não foi fácil voltar. Foi muito incômodo. Foi bastante custoso. A parábola demostra o aspecto oneroso da conversão. Daí a figura do itinerário de volta à semelhança de um caminho a ser percorrido até a hora da decisão. Começa no íntimo do coração. “Caiu em si e disse: Quantos, empregados na casa de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai” (v. 17-18). A certeza em ter um pai e de poder retornar é, então, fundamental para que se encorajasse a voltar.

No seu íntimo, planejava dizer: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados”. Dificílimo conviver com o relacionamento ferido, a aliança quebrada, a ausência de merecimento. Só podia pedir ser aceito como empregado e ser bem tratado como tal. Um simples pedinte. Mendigo.

Quanto ao pai, ama gratuitamente, incondicionalmente. Avistou-o de longe e quando estava chegando, sentiu compaixão do filho. O pai também se volta para o filho, em certo sentido. A parábola acentua: “Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos” (v. 20).

Deveríamos parar para experimentar a ternura de Deus, entrando na cena. Não bastava um beijo. O transbordamento da graça -do amor gratuito- que é a própria ternura divina explica o abraço na soma de beijos. O restante é complemento necessário: a entrega da veste, do anel, das sandálias, a preparação do banquete, o relacionamento reatado. O pai festeja mais do que todos: “este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado” (v. 24).

 Com esta parábola, o quarto domingo da quaresma festeja o fruto alegre da Páscoa. Aliás, desde a antífona de entrada: “Alegra-te, Jerusalém! ” (Is 66, 10). Também a oração do dia pede a Deus que o povo cristão corra ao encontro das festas que se aproximam…exultando de fé. O salmo de resposta é um canto de exultação: “bendirei o Senhor em todo tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor” (Sal 53). São motivos de festa.

Aos partidários da revolução…


 

Seja a Revolução Francesa, seja a Comunista e/ou Socialista. Há um velho sábio e com muitos seguidores aqui no meu Nordeste, tido por muitos como um revolucionário, que, no entanto, abomina a Revolução*. Ele apenas segue a Escritura que diz “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!” (Mt 5,5) e ainda “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas”. (Mt 11,29)

Então você, seguidorzinho de meia-pataca do Leonardo Boff e congêneres, que vê no Padre Cícero a imagem de um revolucionário e o usa como bucha de canhão para infectar a Igreja com suas mentiras materialistas imundas, escolha: ou a já condenada Teologia da Libertação ou Padre Cícero. Os dois não se misturam. E pare de enganar o humilde povo de Deus!

 

*Sobre Revolução, aconselho esta leitura:

A Cidade do Homem contra a Cidade de Deus – As Revoluções da Modernidade

 

 

 

Procure por uma…


Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo

Se eu não fosse Católico e estivesse procurando a verdadeira Igreja no mundo de hoje, eu iria em busca da única Igreja que não se dá muito bem com o mundo. Em outras palavras, eu procuraria uma Igreja que o mundo odiasse. Minha razão para fazer isso seria que, se Cristo ainda está presente em qualquer uma das igrejas do mundo de hoje, Ele ainda deve ser odiado como o era quando estava na terra, vivendo na carne.

 

Dom Fulton Sheen

Dom Fulton Sheen

Se você tiver que encontrar Cristo hoje, então procure uma Igreja que não se dá bem com o mundo. Procure por uma Igreja que é odiada pelo mundo como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure pela Igreja que é acusada de estar desatualizada com os tempos modernos, como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e nunca ter aprendido. Procure pela Igreja que os homens de hoje zombam e acusam de ser socialmente inferior, assim como zombaram de Nosso Senhor porque Ele veio de Nazaré. Procure pela Igreja, que é acusada de estar com o diabo, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, príncipe dos demônios .

Procure a Igreja que em tempos de intolerância (contra a sã doutrina,) os homens dizem que deve ser destruída em nome de Deus, do mesmo modo que os que crucificaram Cristo julgavam estar prestando serviço a Deus.

Procure a Igreja que o mundo rejeita porque ela se proclama infalível, pois foi pela mesma razão que Pilatos rejeitou Cristo: por Ele ter se proclamado a si mesmo A VERDADE. Procure a Igreja que é rejeitada pelo mundo assim como Nosso Senhor foi rejeitado pelos homens. Procure a Igreja que em meio às confusões de opiniões conflitantes, seus membros a amam do mesmo modo como amam a Cristo e respeitem a sua voz como a voz do seu Fundador.

E então você começará a suspeitar que se essa Igreja é impopular com o espírito do mundo é porque ela não pertence a esse mundo e uma vez que pertence a outro mundo, ela será infinitamente amada e infinitamente odiada como foi o próprio Cristo. Pois só aquilo que é de origem divina pode ser infinitamente odiado e infinitamente amado. Portanto, essa Igreja é divina .”

Arcebispo Fulton J. Sheen, Radio Replies, Vol. 1, p IX, Rumble & Carty, Tan Publishing – Tradução: Gercione Lima

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