“O que aconteceu com o sacerdote, aquele majestoso e misterioso representante de Deus?”


Por Peter Kwasniewski, LifeSiteNews.com | Tradução: João Pedro de Oliveira, FratresInUnum.com – No meio do que parece ser uma interminável e inextirpável crise de abusos sexuais, alguns católicos se sentirão tentados a jogar a culpa de tudo isso na concepção tradicional de sacerdócio, que eles mal entendem.

Na minha opinião, o problema não é que tenhamos o clero em alta conta, mas sim que rebaixamos o ofício sacerdotal a um trabalho meramente humano, ao invés de enxergá-lo como uma missão sagrada paraa qualalguns homens são chamados e consagrados por Deus.

A solução para os abusos não é descartar o ideal, mas enfatizá-lo uma vez mais, purificando-o de quaisquer vícios que ele possa ter adquirido em um certo período da história. Nosso período atual é manchado pela Revolução Sexual de 1968, como observou recentemente o Papa Bento XVI em sua carta sobre a crise dos abusos. Poder-se-ia acrescentar que nosso período também é manchado pelo igualitarismo, pelo horizontalismo e pelo secularismo — uma mistura diabólica que, bebida pelos sacerdotes, impede-os de sonharem e se alegrarem com a plenitude da nobreza espiritual e do autossacrifício exigidos por sua vocação.

A figura do padre, tal como se conhece no Ocidente há quase dois mil anos, tem sido gradativamente reduzida nas últimas décadas a algo que dificilmente se pode reconhecer como “oficial”, quanto mais como algo sagrado ou sacerdotal. A maioria dos sacerdotes que conheci na minha juventude passava a imagem de administradores cuidando de relações públicas, almoços, arrecadação de fundos e coisas semelhantes, entregando aos leigos as responsabilidades pelo “planejamento litúrgico” e até mesmo a distribuição da Sagrada Comunhão, para a qual as mãos do padre foram ungidas. O que aconteceu com o sacerdote, aquele majestoso e misterioso representante de Deus?

Considere por um momento como as tendências antitradicionais, cujos frutos amargos ainda estamos colhendo, afetam o papel do sacerdote na paróquia e a própria percepção que ele tem dos deveres de seu ofício. Não pode haver dúvida de que os padres devem ser pastores, mestres e líderes, à imitação de seu modelo divino, assim como não há dúvida de que pessoas em todas as épocas precisam ser pastoreadas, ensinadas e guiadas. Os meios mais importantes para o exercício desse tríplice ofício são o confessionário, onde o sacerdote pode perdoar aos pecadores e levá-los à santidade, e a sagrada liturgia, através da qual ele pode unir os fiéis aos maravilhosos e vivificantes mistérios de Cristo.

Contudo, a falsa concepção da liturgia como um encontro de canto e socialização desvaloriza tudo o que o sacerdote é chamado a ser, transformando-o em um mero “facilitador” das atividades paroquiais programadas para um domingo de manhã. Não há razão para que qualquer outra pessoa não possa “facilitar” essas mesmas tarefas simples: basta ler o que está impresso em uma página presa a um fichário. Esse reducionismo utilitarista é parte da razão pela qual alguns católicos falam tanto de “diaconisas”. Eu aposto que se as tais diaconisas tivessem de se envolver em liturgias latinas solenes com várias horas de duração, elas não ficariam clamando por esse trabalho.

Quando os mistérios da fé e a adoração de Deus recuam para o segundo plano, quando a doutrina de Cristo e de sua Igreja mal recebe um momento de atenção, quando o confessionário está vazio, o sacerdote perde a sua razão de ser. Se os homens não são de fato pecadores, por que eles precisariam mesmo da absolvição sacramental? Se os homens não são realmente chamados a trabalhar em sua salvação com temor e tremor, por que precisariam receber o Pão da Vida — ou mesmo sentir fome desse pão? Não é de se admirar que os padres achem os seus dias monótonos. Afinal, eles deixaram de reger, curar e nutrir as almas com o Deus Encarnado.

Foi depois de assistir, certa manhã, a uma rápida e insípida Missa paroquial, que eu fui me dar conta da razão pela qual, em algumas partes do mundo, o sacerdócio está beirando a irrelevância: o padre não é mais uma autoridade, um mestre, um homem que santifica as outras pessoas. Sua principal razão de existir — oferecer o sacrifício a Deus em favor do povo — está se esvaindo. À medida que os católicos adotam uma visão protestante de “ministério” (n.d.t.: como se os padres fossem equivalentesaos pastores evangélicos), a única base para uma hierarquia sacerdotal e um sacerdócio ordenado é solapada. Se, como dizem os liturgistas progressistas, é a congregação o verdadeiro celebrante e o sacerdote não passa de um representante que trabalha em seu nome, o que se torna o padre, senão um leigo agraciado com a oportunidade invejável de se sentar em um trono de madeira e usar um casaco “dos sonhos”, cheio de efeitos e cores? É óbvio, também, que ninguém se sente atraído por ser um celibatário no centro dos holofotes em uma época na qual as coisas boas são medidas pelo conforto carnal que oferecem. Na ausência de aspirações espirituais genuínas, então, os apetites sensoriais impõem-se a si mesmos — e não surpreende que ouçamos o clamor incessante por um clero casado.

Não nos enganemos sobre a razão mais profunda por que os protestantes rejeitaram tão  prontamente o celibato no século XVI. Se o sacerdócio não foi instituído por Cristo a fim de que o mundo seja preenchido com “outros Cristos”, homens separados para levar adiante o ofício sagrado do Sumo e Eterno Sacerdote, então não há absolutamente base alguma, nem para qualquer distinção entre os leigos e o padre, nem para que o sacerdote leve um modo de vida diferente. Os protestantes sabiam desde o início que uma compreensão “congregacionalista” da Igreja anulava tanto a hierarquia quanto o sacrifício; em uma sociedade igualitária de crentes, cada membro se governa e se santifica por uma comunicação pessoal com o Espírito Santo.

A crise dos abusos e a campanha contra o celibato, apesar de sua oposição superficial, são, na verdade, duas faces da mesma moeda: ambas resultam do abandono da identificação mística do sacerdote com Cristo, e da marginalização do heroísmo e do gênio desse modo de vida, favorecido de modo especial para ser uma bênção para toda a Igreja. Se queremos bons e santos sacerdotes, e muitos deles, a única coisa que devemos fazer é recuperar um catolicismo que, em fidelidade à Tradição, compreenda a dignidade e as exigências do sacerdócio. Qualquer solução que pretenda menos do que isso só o que irá produzir são mais abusos, sejam eles criminosos ou subliminares.

“A Virgem participou do mistério pascal, no sofrimento, estando de pé junto à cruz”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o mês de maio.

Nossa_Senhora

Diocese de Iguatu |O mês de maio é dedicado a Maria pela devoção popular por gestos de piedade filial como a recitação do rosário, a ladainha e a coroação de sua imagem. Convém inserir tais atos no tempo pascal como faz a saudação mariana, recitada no lugar do Angelus: “Rainha dos céus, alegrai-vos, aleluia! Pois o Senhor que merecestes trazer em vosso seio, aleluia, ressuscitou como disse, aleluia. Rogai a Deus por nós, aleluia”.

A Virgem participou do mistério pascal, no sofrimento, estando de pé junto à cruz, e na alegria das aparições, acolhendo o testemunho dos discípulos, dos apóstolos e especialmente das discípulas, que “voltaram do túmulo, anunciaram tudo isso aos Onze, bem como a todos os outros” (Lc 24,9). Ela vivenciou esse clima das aparições, inserida na Igreja nascente.

As Escrituras não dizem que Jesus Ressuscitado apareceu a sua Mãe. É possível supor, pois, que apareceu a vários não nomeados (1Cor 15, 5-8). No entanto, Santo Inácio de Loyola pôs na quarta semana dos seus Exercícios Espirituais como primeira contemplação: como Cristo nosso Senhor apareceu a Nossa Senhora em primeiro lugar. A imaginação criativa iluminada pela fé extasia-se no encontro da Mãe com o Filho. Excelente e proveitosa meditação!

Envolvida pelas alegrias pascais, a Virgem permaneceu junto aos apóstolos e discípulas, reunidos em oração no domingo de Pentecostes (At 1, 13-14). Aguardavam a promessa do Pai, o batismo com o Espírito Santo (At 1, 4-5). Com uma graça especial de intimidade com o Ressuscitado e com a nova recepção do Espírito Santo, ela conheceu de modo pleno o significado de tudo o que aconteceu em sua vida (cf. Jo 14, 26). Pode, agora, realizar sua solicitude materna em relação aos membros da Igreja recebidos como filhos e filhas.

Além de tudo, a verdade da Assunção afirma a glorificação de Maria em Cristo. Pio XII declarou que ”a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, depois de terminar o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória do céu”. Participa, portanto, da plenitude da Páscoa da ressurreição e reina com Cristo na glória.

O corpo de Maria é glorificado à semelhança do corpo de Jesus Ressuscitado. Para seu corpo feminino, vale o emprego das imagens, utilizadas por Paulo, para exprimir a novidade e a peculiaridade de todo corpo, transformado ou transfigurado: incorruptível, reluzente de glória, cheio de força, espiritual (1Cor 15, 42-44).

Celebrar a Páscoa de Cristo com a Páscoa de Maria é louvar a ambos e expressar o desejo da nossa “esperança da glória de Deus” (Rm 5, 2), sobre a qual Santo Irineu se referia nos seguintes termos: “a glória de Deus é que o homem viva, e a vida do homem é a visão de Deus”. Segue-se que tudo que fazemos e sofremos em Cristo contribuirá para nossa glorificação quando estivermos face a face ao Mistério.

Neste tempo pascal, pedimos ao Deus que alegrou o mundo com a ressurreição de seu Filho: “concedei-nos, por sua mãe, a Virgem Maria, o júbilo da vida eterna”. Com efeito, nossa esperança não é só para este mundo –que tenhamos dias melhores-  pois, o horizonte se alarga à perspectiva celeste, prêmio e dom, da visão beatífica de Deus.

“Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 14 de abril.

Diocese de Iguatu | Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa. Trata-se do tempo litúrgico no qual a Igreja acompanha os passos do nosso Redentor do sofrimento à glória. A Liturgia é rica e bela e as expressões devocionais são comoventes. Porém, uma coisa é assistir à encenação teatral da Paixão e morte do Senhor; outra, é de verdade acompanhar, na Liturgia e nas devoções, o itinerário de Jesus Cristo Salvador com fé e amor.

A primeira é recordação, não implica comprometimento vital e pode até ser um simples passatempo. A segunda é a celebração da fé pessoal e eclesial do acontecimento da redenção universal e a atualização dos seus frutos na nossa existência. De fato, a Liturgia atualiza, na memória viva dos crentes, os efeitos salutares da Páscoa do Senhor.

Em relação ao Cristo, Paulo nos estimula pelo seu testemunho em primeira pessoa de: “ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos “ (Fil 3,10-11). Trata-se da conformidade mística e ética com Jesus desde os momentos conclusivos de sua existência terrena. Associamo-nos à sua cruz para participarmos de sua ressurreição e sua vida, já desde este mundo.

A proclamação do Evangelho de São Lucas, na celebração de Ramos e da Paixão, iluminará o início da semana. A multidão grita e louva com palmas na mão. Porém, para Jesus, Jerusalém será lugar do silêncio da morte e até do silêncio de Deus que não o livra (Lc 23, 35). Jesus rompe o próprio silêncio, antes de morrer, e conversa com o ladrão: “ainda hoje estarás comigo no paraíso” (v. 43). Grita um forte grito ao Pai, em oração de confiança: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (v. 46) e expira.

Vale para a morte na cruz o que valeria na entrada de Jerusalém a declaração do Mestre: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,40). Coube ao oficial do exército romano, dizer em primeiro lugar: “De fato! Este homem era justo! ” (Lc 23, 47).  Caberá a nós, seguidores e imitadores do Mestre, dizer ao mundo e à história tais acontecimentos pelos quais Jesus garante nossa salvação.  A cruz de Cristo evangeliza quando anunciamos sua morte e ressurreição.

Cabe-nos igualmente testemunhá-lo como Justo Sofredor cujo sacrifício nos resgata do pecado e da morte e do qual Deus dissera pelo profeta: “ Ele oferece sua vida como sacrifício do pecado… Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas” (Is 53,10-11). O próprio Jesus, na quinta-feira santa, deu o sentido sacrifical de sua morte e institui-lhe a memória eucarística: “Este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos para remissão dos pecados ” (Mt 26,28).

Quanto à Vigília Pascal já é a festa celebrada em vários tons e sons. Coroa a Semana Santa. Após a Liturgia da Luz, a Igreja celebra a Liturgia da Palavra, recordando as maravilhas da criação, a libertação do êxodo e a promessa messiânica. Segue-se a Liturgia Batismal com a bênção da água e a renovação das promessas batismais. Enfim, tudo culmina na Liturgia Eucarística, encontro com o Vivente no mistério da sua presença. Ele, causa de nossa alegria.

Na Santa Vigília, faremos o itinerário das mulheres, Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, entre outras que estavam com elas. Ir ao túmulo, levando perfumes, prova de amor. Voltar para anunciar a notícia aos apóstolos a respeito do túmulo vazio com o anúncio do anjo: “Ele não está aqui”. Ressuscitou! ” (Lc 24,6), dois momentos de um trajeto espiritual.

COM AMOR, PARTICIPEMOS DO TRÍDUO PASCAL DA PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SENHOR!

“Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 07 de abril.

 

Diocese de Iguatu |Alimentar o sonho e o desejo de libertação no exílio da Babilônia significava dar ânimo à esperança de reconstruir o povo e a nação e o culto. Por isso, o profeta, de modo poético, afirma da parte de Deus: “Eis que vou fazer coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto…” (Is 43, 19).

Abrir estrada significa alimentar a profecia em ato, a esperança da libertação possível e o futuro próximo. Por isso, é necessária a advertência: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos” (v. 18), ainda que fossem a abertura do mar e a passagem dos hebreus a pé enxuto. O povo se ergueria, agora, olhando para frente, mesmo diante das dificuldades, pois Deus já faz uma realidade nova, no deserto: “correr rios na terra seca” (v. 20). O Deus da vida recria. O Deus da Aliança dá de beber ao seu povo sedento (v. 20).

Jesus também abriu um novo caminho para a mulher surpreendida em adultério (Jo 8,1-11). Colocando-nos na cena como observadores, unimo-nos às pessoas reunidas em torno de Jesus. Para seus ouvintes, Ele abre um novo caminho de compreensão. Sentado e ensinando, Jesus comporta-se como mestre (v. 2). Se entrarmos na cena, acolheremos seu ensinamento que abre para nós um caminho novo de aceitação da lei nova: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15, 12).

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram a mulher adúltera. Colocam-na no meio deles. A cena constrange a mulher posta no centro dos olhares. Será julgada ou melhor já está condenada à morte pelo apedrejamento, segundo a aplicação da lei antiga que os presentes conheciam bem e os acusadores defendem.

Na verdade, quem está em uma espécie de tribunal é Jesus e seu ensinamento e atitudes para com os pecadores. O evangelista desmascara a perfídia dos mestres da lei e dos fariseus na pergunta: “Que dizes tu? Perguntavam apenas para experimentar Jesus e terem motivo de o acusar” (v. 5-6).

Tratava-se de uma farsa, de um pretexto legal. Talvez por isso, Jesus inclinou-se e começou a escrever com o dedo no chão. Parecia ignorá-los. Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça. Eram apenas acusadores com outras intenções. Enfim, Jesus se ergue, pois persistiam em interroga-lo. Responde envolvendo os próprios acusadores: “Quem não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe a pedra” (v. 7). Subitamente, passam a ser juízes de si mesmos, da própria consciência. Por isso, todos se retiram a começar dos mais velhos.

O final da cena é igualmente surpreendente. O mestre dialoga e não julga. Diz: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? … Eu também não te condeno” (v. 10-11). Não compactua com o pecado, mas dá uma nova oportunidade para a adúltera. Abre-lhe um caminho novo: “podes ir e, de agora em diante, não peques mais” (v. 11).

Abrir caminhos é a meta do discípulo libertado do farisaísmo hipócrita e do legalismo acusador. Abrir caminhos é possibilitar mudanças na vida das pessoas que erram, sem acusa-las, julgá-las  ou humilhá-las. Abrir caminhos é a arte de facilitar a recuperação de quem precisa ou pede ajuda. Abrir caminhos é oferecer oportunidades de vida nova a quem peca.

Motivos de Festa


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 31 de março.

Diocese de Iguatu | Deus falara pela boca de Joel: “voltai para mim com todo o vosso coração…rasgai o coração…voltai para o Senhor, vosso Deus…inclinado a perdoar” (Jl 2, 12-13). Trata-se de comovente apelo à conversão. O motivo de confiança é o fato de Deus ser inclinado a perdoar.

A parábola do filho pródigo ou do pai misericordioso, a mais bela de todas, acentua tanto a bondade de Deus, capaz de perdoar, quanto a atitude do filho, impelido a retornar à casa paterna ao se encontrar na precariedade. Precisaria rasgar o próprio coração, o amor próprio e a vergonha, reconhecendo seu estado miserável e aceitar o perdão. Precisava confiar e retornar.

A parábola diz tudo por si mesma. Não precisa de explicação. No entanto, é possível acentuar alguns elementos até de ordem psicológica, mediante alguma descrição dos três personagens:  o filho mais novo, o filho mais velho e o pai. É útil ilustrá-los pela meditação criativa. Possibilita entrarmos na cena com proveito.

Podemos considerar a situação do mais novo e (ou) do mais velho, ambos afastados do pai. Um se afastou para longe para esbanjar a própria vida no simbolismo dos bens.  Outro, embora residindo com o pai, afastou-se do irmão que voltou e do pai que o aceitou. A misericórdia o escandalizara. Feriu sua compreensão de justiça: “tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos” (Lc 15, 29). O texto diz “ficou com raiva”, não com inveja.  Raiva do pai pela injustiça sofrida. Porém, é aparente a injustiça, pois, o pai explica seu amor partilhado: “tu estás sempre comigo, tudo que é meu é teu” (v. 31)

Quanto ao filho mais novo, não foi fácil voltar. Foi muito incômodo. Foi bastante custoso. A parábola demostra o aspecto oneroso da conversão. Daí a figura do itinerário de volta à semelhança de um caminho a ser percorrido até a hora da decisão. Começa no íntimo do coração. “Caiu em si e disse: Quantos, empregados na casa de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai” (v. 17-18). A certeza em ter um pai e de poder retornar é, então, fundamental para que se encorajasse a voltar.

No seu íntimo, planejava dizer: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados”. Dificílimo conviver com o relacionamento ferido, a aliança quebrada, a ausência de merecimento. Só podia pedir ser aceito como empregado e ser bem tratado como tal. Um simples pedinte. Mendigo.

Quanto ao pai, ama gratuitamente, incondicionalmente. Avistou-o de longe e quando estava chegando, sentiu compaixão do filho. O pai também se volta para o filho, em certo sentido. A parábola acentua: “Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos” (v. 20).

Deveríamos parar para experimentar a ternura de Deus, entrando na cena. Não bastava um beijo. O transbordamento da graça -do amor gratuito- que é a própria ternura divina explica o abraço na soma de beijos. O restante é complemento necessário: a entrega da veste, do anel, das sandálias, a preparação do banquete, o relacionamento reatado. O pai festeja mais do que todos: “este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado” (v. 24).

 Com esta parábola, o quarto domingo da quaresma festeja o fruto alegre da Páscoa. Aliás, desde a antífona de entrada: “Alegra-te, Jerusalém! ” (Is 66, 10). Também a oração do dia pede a Deus que o povo cristão corra ao encontro das festas que se aproximam…exultando de fé. O salmo de resposta é um canto de exultação: “bendirei o Senhor em todo tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor” (Sal 53). São motivos de festa.

Ir à Missa é “remédio para melhorar a saúde física e mental”, assegura cientista de Harvard


(ACI).- Em uma coluna publicada no jornal americano ‘USA Today’, Tyler J. VanderWeele, professor de epidemiologia na Universidade de Harvard, e John Siniff, especialista em comunicações, qualificaram a participação regular na Missa como um “remédio para melhorar a saúde física e mental”.

O artigo do ‘USA Today’, intitulado “A religião poderia ser um medicamento milagroso”, aponta os resultados de um estudo liderado por VanderWeele e publicado em maio de 2016 na prestigiosa revista de psiquiatria JAMA Psychiatry, da Associação Americana de Medicina.

O estudo, intitulado “Associação entre assistência a serviços religiosos e menores taxas de suicídio entre mulheres norte-americanas”, concluiu que “a participação frequente nos serviços religiosos estava associada com uma taxa significativamente mais baixa de suicídio”.

VanderWeele e Siniff assinalaram que “a saúde e a religião estão muito ligadas” e, de acordo com o estudo publicado em meados deste ano, os adultos que vão à Missa pelo menos uma vez por semana, em comparação com aqueles que nunca vão, “apresentam um menor risco de morte na próxima década e meia”.

“Os resultados foram replicados em suficientes estudos e populações para ser considerados bastante confiáveis”, asseguraram.

Embora garantiram que “a ciência não se adere a uma fé ou outra, nem sugere o que a sociedade deve fazer com essa informação”, destacaram que tanto a sociedade como cada pessoa poderiam aproveitar estes resultados.

“Os meios informativos, a academia e o público em geral poderiam usar esta nova compreensão do grande valor social da religião”, indicaram. Já para cada pessoa, “esta investigação convida não tão sutilmente a reconsiderar o que a religião pode fazer por eles”.

As pessoas que participam da Missa, assinalaram, “estão menos propensas a fumar, ou mais propensos a parar de fumar, causando benefícios significativos para a saúde”.

Além disso, destacaram, “a investigação de Harvard e outras indicam que, possivelmente devido a uma mensagem de fé ou esperança, pessoas que participam da Missa são mais otimistas e têm menores taxas de depressão. A investigação de Harvard também mostrou que esta participação protege contra o suicídio”.

“Outros descobriram que as pessoas que vão à igreja asseguram ter um propósito maior na vida e desenvolvem mais autocontrole”.

Enquanto alguns norte-americanos substituíram a participação da Missa, que “é vista como ‘pitoresca e antiquada’, pela “espiritualidade”, VanderWeele e Siniff reforçaram que ir à igreja, e não a uma “espiritualidade privada ou prática solitária”, geram benefícios para a saúde.

“Algo na participação religiosa comunitária parece ser essencial”, assinalaram.

Participar da Missa, disseram, “demostrou que aumenta a probabilidade de um matrimônio estável, aumenta o sentido próprio de significado e se estende à própria rede social”, assim como “leva a maiores doações caritativas e um maior voluntariado e compromisso cívico”.

VanderWeele e Siniff destacaram que “algo na experiência e participação religiosa comunitária é importante. Algo poderoso parece suceder aí e melhora a saúde”.

“Isto tem importantes implicações para o grau em que a sociedade promove e protege as instituições religiosas”, entre outros, assinalaram.

Crisma seguida de Missa Pontifical é realizada em Brasília na Festa da Santíssima Trindade


Teve lugar ontem, em Brasília, celebração do sacramento do Santo Crisma em concordância com os livros litúrgicos reformados por S. João XXIII seguida por Missa Pontifical também pelo Missal de S. João XXIII, dito mais propriamente de São Pio V – ou, para ser mais preciso, na forma extraordinária do Rito Romano.

A frente da festiva celebração esteve o Bispo Auxiliar de Brasília S. Exa. D. José Aparecido Gonçalves que a realizou na Capela Nossa Senhora das Dores administrada pelo zeloso padre do Instituto do Bom Pastor (IBP) o reverendo padre Daniel Pinheiro. É o que informa o site Missa Tridentina em Brasília.

No site afirma-se que “Após a curta, mas profunda e frutuosa cerimônia de Crisma, tivemos a graça excelsa de mais uma Missa Pontifical Solene no Faldistório. Que coisa tremenda ver o céu se abrir diante dos nossos olhos, como se já estivéssemos na liturgia que os anjos e santos tributam a Deus na vida eterna.

Em tom de agradecimento a publicação do ocorrido encerra-se da seguinte maneira:

Agradecemos a Dom José Aparecido, bispo auxiliar de Brasília, e a Dom Sérgio, nosso Arcebispo. Por obra da providência, é hoje também o dia Dedicação da Catedral de Brasília, o que nos obriga a cumprir com mais afinco o dever de rezar pela Arquidiocese e pelos seus pastores.

Fotos publicadas retiradas do site Missa Tridentina em Brasília.

O Papa celebrou uma Missa versus Deum

Decano do colégio cardinalício: “A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas”


SANTA MISSA «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE»

HOMILIA DO CARDEAL ANGELO SODANO
DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

Basílica Patriarcal de São Pedro
Terça-feira, 12 de março de 2013

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Queridos Concelebrantes, distintas Autoridades, Irmãos e Irmãs no Senhor!

“Cantarei, eternamente, as bondades do Senhor” é o canto que mais uma vez ressoou junto ao túmulo do Apóstolo Pedro nesta ora importante da história da Santa Igreja de Cristo. São as palavras do Salmo 88 que afloraram em nossos lábios para adorar, agradecer e suplicar ao Pai que está nos Céus. “Misericordias Domini in aeternum cantabo“: é o bonito texto latino, que nos introduziu na contemplação d’Aquele que sempre vela com amor a sua Igreja, sustentado-a em seu caminho ao longo dos séculos e vivificando-a com o seu Espírito Santo.

Também nós hoje com tal atitude interior queremos oferecer-nos com Cristo ao Pai que está nos Céus para agradecer-lhe pela amorosa assistência que sempre reserva à sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º Sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão.

Ao mesmo tempo hoje queremos implorar do Senhor que mediante a solicitude pastoral dos Padres Cardeais queira em breve conceder outro Bom Pastor à sua Santa Igreja. Certamente, auxilia-nos nesta ora a fé na promessa de Cristo sobre o caráter indefectível da sua Igreja. De fato, Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cfr. Mt 16,18).

Meus irmãos, as leituras da Palavra de Deus que acabamos de ouvir podem nos ajudar a compreender melhor a missão que Cristo confiou a Pedro e a seus Sucessores.

1. A mensagem do amor

A primeira leitura repropôs-nos um célebre oráculo messiânico da segunda parte do livro de Isaías, aquela parte que é chamada “o Livro da consolação” (Is 40-66). É uma profecia dirigida ao povo de Israel destinado ao exílio na Babilônia. Deus anuncia para o povo de Israel o envio de um Messias cheio de misericórdia, um Messias que poderá dizer: “O espírito do Senhor repousa sobre mim… enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar um ano de graças da parte do Senhor” (Is 61,1-3)

O cumprimento de tal profecia realizou-se plenamente em Jesus, vindo ao mundo para tornar presente o amo do Pai pelos homens. É um amor que se faz notar particularmente no contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza, com todas as fragilidades do homem, tanto físicas quanto morais. É conhecida, a esse propósito, a célebre Encíclica do Papa João Paulo II Dives in misericordia, que acrescentava: “o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica «misericórdia» (Ibidem, n. 3).

Esta missão de misericórdia foi confiada por Cristo aos Pastores da sua Igreja. É uma missão que empenha todo sacerdote e bispo, mas empenha ainda mais o Bispo de Roma, Pastor da Igreja universal. De fato, Jesus disse a Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?… Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15). É conhecido o comentário de S. Agostinho a essas palavras de Jesus: “seja, portanto, missão do amor apascentar o rebanho do Senhor”; “sit amoris officium pascere dominicum gregem” (In Iohannis Evangelium, 123, 5; PL 35, 1967).

Na realidade, é este amor que impele os Pastores da Igreja a realizar a sua missão de serviço aos homens de todos os tempos, do serviço caritativo mais imediato até o serviço mais alto, o serviço de oferecer aos homens a luz do Evangelho e a força da graça.

Assim o indicou Bento XVI na Mensagem para a Quaresma deste ano (cfr. n. 3). De fato, lemos em tal mensagem: “De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16)”.

2. A mensagem da unidade

A segunda leitura é extraída da Carta aos Efésios, escrita pelo Apóstolo Paulo justamente nesta cidade de Roma durante a sua primeira prisão (anos 62-63 d.C.).

É uma leitura sublime na qual Paulo apresenta o mistério de Cristo e da Igreja. Enquanto a primeira parte é mais doutrinal (cap. 1-3), a segunda, onde se insere o texto que ouvimos, é de tom mais pastoral (cap. 4-6). Nesta parte Paulo ensina as conseqüências práticas da doutrina apresentada antes e começa com um forte apelo à unidade eclesial: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade, mansidão, e paciência. Suportai-vos caridosamente uns aos outros. Esforçai-vos por conservara unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4,1-3)”.

S. Paulo explica em seguida que na unidade da Igreja existe uma diversidade de dons, segundo a multiforme graça de Cristo, mas essa diversidade está em função da edificação do único corpo de Cristo: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, visando o aperfeiçoamento dos cristãos, e o trabalho na obra da construção do corpo de Cristo” (cfr. 4,11-12).

É justamente para a unidade do seu Corpo Místico que Cristo em seguida enviou o seu Espírito Santo e, ao mesmo tempo, estabeleceu os seus Apóstolos, entre os quais Pedro tem a primazia como o fundamento visível da unidade da Igreja.

Em nosso texto São Paulo ensina-nos que também todos nós devemos colaborar para edificar a unidade da Igreja, porque para realizá-la é necessária “a colaboração de cada conexão, segundo a energia própria de cada membro” (Ef 4,16). Todos nós, portanto, somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesial.

3. A missão do Papa

Irmãos e irmãs no Senhor, o Evangelho de hoje reconduz-nos à última ceia, quando o Senhor disse aos seus Apóstolos: “Este é o meu mandamento: que vós ameis uns aos outros, com eu vos amei” (Jo 15,12). O texto se une assim também à primeira leitura do profeta Isaías sobre o agir do Messias, para recordar-nos que a atitude fundamental dos Pastores da Igreja é o amor. É aquele amor que nos impele a oferecer a própria vida pelos irmãos. De fato, Jesus nos diz: “ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos” (Jo 15,12).

A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas(cfr Jo10,15). Isto vale, sobretudo, para o Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. Porque quanto mais alto e mais universal é o ofício pastoral, tanto maior deve ser a caridade do Pastor. Por isto no coração de todo Sucessor de Pedro sempre ressoaram as palavras que o Divino Mestre dirigiu um dia ao humilde pescador da Galileia: “Diligis me plus his? Pasce agnos meos… pasce oves meas“; “Amas-me mais do que estes? Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas!” (cfr. Jo 21,15-17).

No sulco deste serviço de amor pela Igreja e pela humanidade inteira, os últimos Pontífices foram artífices de muitas iniciativas benéficas também para os povos e a comunidade internacional, promovendo sem cessar a justiça e a paz. Rezemos para que o futuro Papa possa continuar esta incessante obra em nível mundial.

Ademais, este serviço de caridade faz parte da natureza íntima da Igreja. Recordou-nos isso o Papa Bento XVI dizendo-nos: “também o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Carta Apostólica em forma de Motu proprio Intima Ecclesiae natura, 11 de novembro de 2012, proêmio; cfr. Carta Encíclica Deus caritas est, n. 25).

É uma missão de caridade que é própria da Igreja, e de modo particular é própria da Igreja de Roma, que, segundo a bela expressão de S. Inácio de Antioquia, é a Igreja que “preside à caridade”; “praesidet caritati” (cfr. Ad Romanos, praef.: Lumen gentium, n. 13).

Meus irmãos, rezemos a fim de que o Senhor nos conceda um Pontífice que realize com coração generoso tal nobre missão. É o que Lhe pedimos por intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, e de todos os Mártires e Santos que ao longo dos séculos deram glória a esta igreja de Roma. Amém!

Aplauda esta campanha!

Quem diria Canção Nova!


Pois é… Missa Tridentina na Canção Nova. Quem diria? Eu, confesso, nunca diria. Mas aconteceu.

No entanto, elogiar a Canção Nova é como elogiar bandeirinha ou juiz de futebol antes do jogo acabar. É um perigo!

Mas tenho que correr o risco: parabéns Canção Nova!

Agora só falta que acabem os grunhidos que ninguém entende, as dancinhas e “espetáculos” nas outras Missas, os desmaios tresloucados atribuídos ao Santo Espírito, etc.

Miserere nobis


Aparecida (Segunda-feira, 23-04-2012, Gaudium Press) Na 50ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, que acontece em Aparecida (SP), os bispos estão tratando, entre outros temas, da tradução do Missal Romano.

Segundo o Arcebispo de Juiz de Fora (MG), Dom Gil Antônio Moreira, em todas Assembleias, a liturgia recebe um destaque especial. “O que estamos vendo é uma tradução mais adequada das orações que estão em latim, sejam as orações da Missa, sejam as orações também eucarísticas que são fixas e esta tradução é importante para que haja sempre uma melhor compreensão e fidelidade ao texto original”.

Esta tradução estão sendo feita com muito cuidado e zelo para que depois seja encaminhada à Santa Sé para sua aprovação final. Dom Gil afirma que o fato de a tradução estar sendo discutida há algum tempo, é o fato de que a Igreja é muito minunciosa “temos todo o cuidado, não palavra por palavra, mas vírgula por vírgula”.

Este cuidado todo, segundo o Arcebispo de Juiz de Fora, é porque “a liturgia é o ápice, o ponto alto da comunidade com Deus e por isso, a Igreja tem de ser muito cuidadosa neste aspecto para que nada saia errado, para que não haja nenhum sinal, nenhuma palavra, nenhuma preposição que possa causar dificuldade no entendimento naquilo que se reza, que é a expressão da fé”.

Por este motivo, segundo Dom Gil, é que esta tradução não é um texto fácil de ser concluído mas, “esperamos que seja finalizado em breve, mas eu não tenho a ilusão de saia de hoje para amanhã”.

Luciano Batista

Abusos litúrgicos: a fumaça de satanás na Igreja


“O Papa Montini, por Satanás, queria indicar todos aqueles padres ou bispos e cardeais que não rendem culto ao Senhor, celebrando mal a Santa Missa por causa de uma errônea interpretação e aplicação do Concílio Vaticano II. Ele falou da fumaça de Satanás porque sustentava que aqueles prelados que faziam da Santa Missa uma palha seca em nome da criatividade, na verdade estavam possuídos da vanglória e do orgulho do Maligno. Portanto, o fumo de Satanás não era outra coisa além da mentalidade que queria distorcer os cânones tradicionais e litúrgicos da cerimônia Eucarística.”

Cardeal Virgílio Noé, explicando o que Paulo VI queria dizer com “fumaça de Satanás” na Igreja

Liturgia não rima com simpatia (simpatia barata ou as invenções “cativantes”)


"A liturgia não vive de surpresas ‘simpáticas’, de invenções ‘cativantes’, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado" (J. Ratzinger).

Está aí uma citação que expressa muito bem a minha compreensão da liturgia da Igreja. Se não recebermos a liturgia como um dom, ela se tornará simplesmente disponível e já não nos poderá educar para o Mistério. Salvemos a liturgia!

Pe. Elílio de Faria Matos Júnior

“Chegou a hora”, pelo “retorno da verdadeira liturgia da Igreja”


Desejo expressar, primeiramente, minha gratidão a todos vós pelo zelo e entusiasmo com que promoveis a causa da restauração das verdadeiras tradições litúrgicas da Igreja.

Como sabeis, é a liturgia que aperfeiçoa a fé e sua heróica realização na vida. Ela é o meio com que os seres humanos são elevados ao nível do transcendente e do eterno: o lugar de um profundo encontro entre Deus e o homem.

A liturgia, por esta razão, nunca pode ser criada pelo homem. Pois se rezamos da forma como queremos e ajustamos as normas a nós mesmos, corremos, então, o risco de recriar o bezerro de ouro de Aarão. Devemos constantemente insistir na liturgia enquanto participação naquilo que o próprio Deus faz, correndo o risco, de outra forma, de cair na idolatria. O simbolismo litúrgico nos ajuda a nos elevarmos acima do que é humano, em direção ao divino. A esse respeito, é minha firme convicção de que o Vetus Ordo representa em grande extensão e de maneira mais satisfatória aquele chamado místico e transcendente a um encontro com Deus na liturgia. Portanto, chegou para nós a hora de não só renovarmos, por mudanças radicais, o conteúdo da nova Liturgia, mas de também encorajarmos mais e mais o retorno do Vetus Ordo, como um caminho para uma verdadeira renovação da Igreja, que foi o que os Padres da Igreja assentados no Concílio Vaticano II tanto desejaram.

A cuidadosa leitura da Constituição Conciliar sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum Concilium, demonstra que as imprudentes mudanças introduzidas posteriormente na Liturgia nunca estiveram nas mentes dos Padres do Concílio.

Assim, chegou a hora de sermos corajosos no trabalho por uma verdadeira reforma da reforma e também pelo retorno da verdadeira liturgia da Igreja, que se desenvolveu por sua história bimilenar em um contínuo fluxo. Desejo e rezo para que isso ocorra.

Possa Deus abençoar os vossos esforços com sucesso.

+Malcolm Cardeal Ranjith

Arcebispo de Colombo

24/8/2011

Carta do Cardeal Ranjith à 20ª Assembléia Geral da Foederatio Internationalis Una Voce, ocorrida em 5 e 6 de novembro de 2011, em Roma. Tradução: Fratres in Unum.com

Atenciosamente,

Moisés Gomes.

Depto. de Distribuição Centro-Sul

Centro de Serviço de Icó, Projetos e Obras
Fone: (88) 3561-1894 Ramal: 833-2207.

moises

“Onde os sentidos são senhores as almas são escravas, e a escravidão da alma é a pior das calamidades” (H. Colas).

A verdadeira dança litúrgica


via Salvem a Liturgia! de Cleiton Robson

* David G. Bonagura Jr.

Trad. e Adapt. Cleiton Robson.

A simples menção de “dança litúrgica” chama a atenção para alguns dos piores abusos na Missa no Novus Ordo: Mulheres e meninas como um todo, têm ido à frente com os dons, com as danças tribais, na intenção de entreter o povo, durante as Missas da juventude; e tudo isso como tentativas de tornar a Liturgia “mais relevante” para os fiéis. A dança na Missa é uma falha, como o Cardeal Joseph Ratzinger explicou em “O Espírito da Liturgia”, porque é incompatível com o objetivo essencial da Liturgia do “Justo Sacrifício.”

Enquanto, a dança em si não pertence à Missa, mas é inteiramente adequado descrever esta última como uma dança: uma série sagrada de movimentos rítmicos e gestos, muitas vezes acompanhada por música, que visa "entreter", isto é, oferecer culto perfeito a Deus. Na verdade, quando a Missa é celebrada com solenidade e reverência adequada, tem, do começo ao fim, um ritmo interno e dinâmica própria, uma vez que ela marcha conforme os ditames da história da Igreja e da salvação. Com isso, pode-se afirmar que a ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência.

Durante décadas os católicos que se inclinam para o culto litúrgico solene demandaram uma "reforma da reforma" – uma revisão da Missa no Novus Ordo, em conformidade com o seu rito latino antecessor. O Papa Bento XVI acentuou esta meta, utilizando-se de suas liturgias papais, em parte, como modelos para a celebração da Missa reverentemente. A solenidade destas liturgias não vem apenas dos parâmentos musicais bem ornados, mas a partir do ritmo interno que resulta da correta ars celebrandi da Missa. Assim como uma dança majestosa secular tem uma qualidade magnética que atrai espectadores em sua dinâmica interna, o ritmo sagrado da Missa atrai os fiéis, envolvendo a mente e o coração na participação plena, consciente e real.

A “dança litúrgica”, que é a celebração do sacrifício de Cristo de uma vez por todas, pode, como nas danças seculares, “atravessar” ou entrar em colapso totalmente, por incursões de fora ou falhas de dentro. Ambas ocorrem em muitas Missas no Novus Ordo, na maneira como elas são geralmente celebradas. Mas a falta de ritmo interno da Forma Ordinária não nasce somente de abusos: algumas das rubricas por si mesmas proibem uma verdadeira harmonia litúrgica, e com ela, solenidade.

Uma incursão externa, por exemplo, vem imediatamente antes do fim da Missa: logo que o fiel recebeu a Eucaristia, rezou em silêncio e juntou-se com a oração conclusiva dita pelo sacerdote, uma voz vinda do ambão, pede a todos para sentarem-se para alguns avisos breves (Instrução Geral do Missal Romano, nº 90). E isto, convidando os fiéis para o café, bingo, ou mesmo para a devoção das Quarenta Horas (N.T.: No Brasil, existe uma devoção análoga – mas que não suprime as ‘Quarenta Horas’ – chamada de “Cerco de Jericó”), quebrando assim, a dinâmica da Eucaristia, que é o clímax, e a conclusão da Missa.

A ação sagrada da Missa é uma dança, por excelência!

Restabelecer um caráter de solenidade torna-se impossível após esta invasão do profano no que é sagrado, na maior parte das finalizações. De maneira similar, as antífonas de entrada e da comunhão lidas "pelos fiéis, ou por algum deles, ou por um leitor" (IGMR nºs 48 e 87) perdem alguns dos seus efeitos quando precedidas por um anúncio espalhafatoso de data, número de página e volume do missal [ou ainda, da “liturgia diária”, do folheto].

Internamente, o ritmo do Novus Ordo sofre de silêncios impostos em lugares onde o silêncio se torna desagradável ao invés de propício à meditação, como no rito penitencial (IGMR 51) e o tempo depois da comunhão (IGMR 88), quando o silêncio faz parte da dinâmica de pedir perdão a Deus ou agradecê-lo pelo dom de Si mesmo. Mas os momentos de silêncio antes, durante e depois da Liturgia da Palavra (IGMR 56), embora bem intencionados, na verdade, interrompem a ação litúrgica; vários segundos de cabeça baixa dificilmente podem permitir a compreensão da leitura da Palavra de Deus. Durante a Liturgia da Palavra, há o problema adicional do movimento de leitores e cantores para o ambão. Nestes movimentos, falta o ritmo e o decoro de uma procissão do Evangelho, e sua falta de uniformidade tende a tornar a Liturgia artificial e não natural.

Todas estas práticas litúrgicas contêm um pouco mais de interrupções profanas e artificiais; todos existem para um propósito comum: eles são encaminhados para os fiéis e sua experiência com a Liturgia. Como tal, eles quebram o ritmo da Missa, porque desviam a ação sagrada de seu objeto próprio: Deus.

O que, então, pode ser feito para restaurar a harmonia da forma ordinária? Em sua carta de acompanhamento para o Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI expressou sua esperança de que as duas formas do Rito Romano da Missa “enriquecer-se-iam mutuamente”. A Forma Extraordinária, seja em uma Missa baixa ou Missa solene, é o epítome da dança litúrgica: o seu movimento contínuo, o silêncio orgânico, e os gestos rubricizados para todos os participantes asseguram a solenidade dos movimentos da dança em sintonia com seu objetivo: adorar a Deus.

O profano não deve interromper esta Forma da Missa, que é absorvida e transformada em parte do rito sagrado em si. Se a Forma Ordinária seguir a sua irmã mais velha nas áreas acima, ela irá encontrar o seu ritmo restaurado e a solenidade descoberta.

A dança litúrgica adequadamente compreendida não é um abuso na Missa, mas a sua expressão mais alta e mais bonita. Quando cada movimento litúrgico e gesto são direcionados para adorar a Deus, a Missa se torna a dança mais solene e profunda deste lado do paraíso.

* David G. Bonagura Jr. é professor adjunto de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, NY.

Texto Original disponível AQUI.

Comunhão na boca, de joelhos e das mãos do sacerdote


via APOSTOLADO TRADIÇÃO EM FOCO de Luciano Beckman

CATECISMO ROMANO

"Devemos, pois, ensinar que só aos sacerdotes foi dado poder de consagrar a Sagrada Eucaristia, e de distribuí-la aos fiéis cristãos. Sempre foi praxe da Igreja que o povo fiel recebesse o Sacramento pelas mãos dos sacerdotes, e os sacerdotes comungassem por si próprios, ao celebrarem os Sagrados Mistérios. Assim o definiu o Santo Concílio de Trento; e determinou que esse costume devia ser religiosamente conservado, por causa de sua origem apostólica, e porque também Cristo Nosso Senhor nos deu o exemplo, quando consagrou Seu Corpo Santíssimo, e por Suas próprias mãos O distribuiu aos Apóstolos.

De mais a mais, com o intuito de salvaguardar, sob todos os aspectos, a dignidade de tão augusto Sacramento, não se deu unicamente aos sacerdotes o poder de administrá-lo: como também se proibiu, por uma lei da Igreja, que, salvo grave necessidade ninguém sem Ordens Sacras ousasse tomar nas mãos ou tocar vasos sagrados, panos de linho, e outros objetos necessários à confecção da Eucaristia.

Destas determinações podem todos, os próprios sacerdotes e os demais fiéis, inferirquão virtuosos e tementes a Deus devem ser aqueles que se dispõem a consagrar, a ministrar, ou a receber a Sagrada Eucaristia".

CATECISMO MAIOR DE SÃO PIO X

"No ato de receber a sagrada Comunhão, devemos estar de joelhos, com a cabeça medianamente levantada, com os olhos modestos e voltados para a sagrada Hóstia, com a boca suficientemente aberta e com a língua um pouco estendida sobre o lábio inferior. Senhoras e meninas devem estar com a cabeça coberta".

MISSAL ROMANO (Forma Extraordinária)

O Missal Romano determina que a partir do momento da consagração, o sacerdote deve manter juntos os dedos indicador e polegar, de tal forma que, ao elevar o cálice, ao virar as páginas do missal ou ao abrir o sacrário, aqueles dedos toquem somente a Hóstia consagrada. No final da missa, o sacerdote passa com a patena sobre o corporal e limpa-o para dentro do cálice, para que possa ser recolhida e consumida com reverência a menor Partícula que possa ter aí ficado. Após a comunhão, as mãos do sacerdote são lavadas sobre o cálice com água e vinho – consumidos reverentemente, impedindo que alguma Partícula seja profanada.

SANTO TOMÁS DE AQUINO

"Pertence ao sacerdote distribuir o Corpo de Cristo por três motivos.

Primeiro, porque é ele que consagra na pessoa de Cristo. Assim como Cristo consagrou o seu corpo na Ceia, assim também distribuiu-o aos discípulos. Por isso, assim como pertence ao sacerdote consagrar o Corpo de Cristo, assim também o de distribuí-lo.

Segundo, porque o sacerdote se constitui intermediário entre Deus e o povo. Portanto, como lhe pertence apresentar a Deus as oferendas do povo, assim também lhe pertence distribuir ao povo os dons divinamente santificados.

Terceiro, porque por respeito à Eucaristia, nada a deve tocar que não esteja consagrado. Por isso, consagram-se os corporais, os cálices, igualmente as mãos do sacerdote para tocarem este sacramento. Não é lícito, pois, a ninguém mais tocá-lo, a não ser em caso de necessidade, por exemplo se cair no chão ou em outro caso semelhante"

(Suma Teológica, III, q.82, a.III).

"Depois da consagração, o celebrante une os dedos, isto é o polegar com o indicador, que tocaram o Corpo consagrado de Cristo, para que, se alguma partícula aderira a eles, não desprenda. Manifesta o respeito devido ao sacramento" (Suma Teológica, III, q.83, a.VI, ad5).

SÃO FRANCISCO DE SALES

"Começa já na véspera do dia da comunhão a te preparar com repetidas aspirações do amor divino e deita-te mais cedo que de costume, para te levantares também mais cedo. Se acordas durante a noite, santifica esses momentos por algumas palavras devotas ou por um sentimento que impregne tua alma de felicidade de receber o divino esposo; enquanto dormes, ele está velando sobre o teu coração e preparando as graças que te quer dar em abundância, se te achar devidamente preparada. Levanta-te de manhã com este fervor e alegria que uma tal esperança te deve inspirar, e depois da confissão aproxima-te com uma grande confiança e profunda humildade da mesa sagrada, para receber este alimento celeste, que te comunicará a imortalidade. Depois de pronunciares as palavras: "Senhor, eu não sou digno …", já não deves mover a cabeça ou os lábios para rezar ou suspirar; mas, abrindo um pouco a boca e elevando a cabeça de modo que o padre possa ver o que faz, estende um pouco a língua e recebe com fé, esperança e caridade aquele que é de tudo isso ao mesmo tempo o princípio, o objeto, o motivo e o fim".

Fonte: Ultimas e derradeiras graças.

Redemptionis Sacramentum em pílulas para os “inovadores” da Liturgia


1ª dráguea:

 

todos os fiéis cristãos gozam do direito de celebrar uma liturgia verdadeira, especialmente a celebração da santa Missa, que seja tal como a Igreja tem querido e estabelecido, como está prescrito nos livros litúrgicos e nas outras leis e normas. Além disso, o povo católico tem direito a que se celebre por ele, de forma íntegra, o santo Sacrifício da Missa, conforme toda a essência do Magistério da Igreja. Finalmente, a comunidade católica tem direito a que de tal modo se realize para ela a celebração da Santíssima Eucaristia, que apareça verdadeiramente como sacramento de unidade, excluindo absolutamente todos os defeitos e gestos que possam manifestar divisões e facções na Igreja.” (Redemptionis Sacramentum, nº. 12)

De quem é a Missa? Ou: a RCC pode “mecher” na Liturgia?


A resposta à primeira perguntra do título deste post é: com certeza não é da R.C.C., nem de nem uma pastoral ou de qualquer padre que se arrogue. A resposta à segunda é óbvia: NÃO!

Por quê de citar a R.C.C. neste post? Ora, por que eu não gosto dela 🙂 [momento brincadeirinha, é claro]

Na verdade é por que a R.C.C. é famosa e patente em abusos e desrespeitos com relação a Sagrada Liturgia, apesar de [infelizmente] não ser a única. Mas também por que fiquei “encucado” com o comentário de um leitor do blog.

Neste comentário, mole, sem nexo, pé ou cabeça, como a maioria dos comentários carismáticos aqui postados, o cara diz que a T.L.”torna da liturgia algo totalmente maleável, como se não houver valor algum toda a tradição catolica” mas que a R.C.C. não! Não a R.C.C.! Ela que é o baluarte da Tradição Católica não faz isso! A R.C.C. “não visa nenhuma mudança, mas alguns acrescimos quanto a momentos que não existe nenhuma restrição de acrescimentos, tais como comentarios e momentos de oração em comunidade“.

Não preciso nem dizer que isto é um absurdo. E a minha resposta a tal comentário (e olha que tem comentários que nem respondo, apago logo!, pois não tenho tempo pra isso) é simplesmente: nem a R.C.C. nem a T.L. têm permissão para alterar a Sagrada Liturgia, pois não pertencem a elas!

E não sou eu que o digo, é a Igreja:

(…) a autoridade eclesiástica regule a sagrada Liturgia de forma plena e eficaz, para que nunca seja considerada a liturgia como «propriedade privada, nem do celebrante, nem da comunidade em que se celebram os Mistérios»” (Redemptionis Sacramentum, nº. 18 )

Ou seja, quem diz o que deve o que não deve ter na Sagrada Liturgia é a autoridade eclsiástica e não a R.C.C. ou a T.L. ou quem quer que seja. Não me venha com negocinho de “acrescimos onde não existe restrição” que isso não existe! É coisa protestantóide pra protestantizar a Missa.

Ora, se “cada Bispo e a mesma Conferência não têm nenhuma capacidade para permitir experimentos sobre os textos litúrgicos ou sobre outras coisas que se indicam nos livros litúrgicos” (cf. Redemptionis Sacramentum, nº. 27 ), quanto mais a R.C.C. fazer “acrescimos onde não existe restrição”.

Então para novidadezinhas protestantóides carismáticas ou para celbraçõezinhas comuno-libertacionistas nota ZERO!

Por que não palmas na Santa Missa, por D. Roberto Francisco


Primeiramente porque não existe o gesto litúrgico de bater palmas, a única referência que a CNBB autoriza como facultativo é no rito de ordenação depois de ser aceito o candidato, que como podemos apreciar não é um contexto celebrativo.

Porque não se adequa a teologia da Missa que conforme a Carta Apostólica Domenica Caena de João Paulo II do 24/02/1980, exige respeito a sacralidade e sacrificialidade do mistério eucarístico: “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal”. Superando as visões secularistas que reduzem a eucaristia a uma ceia fraterna ou uma festa profana. Nossa Senhora e São João ao pé da cruz no Calvário, certamente não estavam batendo palmas.

Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembléia de povo sacerdotal orante a massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.

Porque o gesto de bater palmas olvida e esquece duas importantes observações do então Cardeal Joseph Raztinger sobre os desvios da Iiturgia : “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a Iiturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta e o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão …. Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio , em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio”.

Finalmente porque sendo a Iiturgia um Bem de todos, temos o direito a encontrarmos a Deus nela, o direito a uma celebração harmoniosa, equilibrada e sóbria que nos revele a beleza eterna do Deus Santo, superando tentativas de reduzi-Ia a banalidade e a mediocridade de eventos de auditório.

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz Bispo Auxiliar de Niterói

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