“Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 14 de abril.

Diocese de Iguatu | Não há melhor qualificação para esta semana: ela é santa. Trata-se do tempo litúrgico no qual a Igreja acompanha os passos do nosso Redentor do sofrimento à glória. A Liturgia é rica e bela e as expressões devocionais são comoventes. Porém, uma coisa é assistir à encenação teatral da Paixão e morte do Senhor; outra, é de verdade acompanhar, na Liturgia e nas devoções, o itinerário de Jesus Cristo Salvador com fé e amor.

A primeira é recordação, não implica comprometimento vital e pode até ser um simples passatempo. A segunda é a celebração da fé pessoal e eclesial do acontecimento da redenção universal e a atualização dos seus frutos na nossa existência. De fato, a Liturgia atualiza, na memória viva dos crentes, os efeitos salutares da Páscoa do Senhor.

Em relação ao Cristo, Paulo nos estimula pelo seu testemunho em primeira pessoa de: “ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos “ (Fil 3,10-11). Trata-se da conformidade mística e ética com Jesus desde os momentos conclusivos de sua existência terrena. Associamo-nos à sua cruz para participarmos de sua ressurreição e sua vida, já desde este mundo.

A proclamação do Evangelho de São Lucas, na celebração de Ramos e da Paixão, iluminará o início da semana. A multidão grita e louva com palmas na mão. Porém, para Jesus, Jerusalém será lugar do silêncio da morte e até do silêncio de Deus que não o livra (Lc 23, 35). Jesus rompe o próprio silêncio, antes de morrer, e conversa com o ladrão: “ainda hoje estarás comigo no paraíso” (v. 43). Grita um forte grito ao Pai, em oração de confiança: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (v. 46) e expira.

Vale para a morte na cruz o que valeria na entrada de Jerusalém a declaração do Mestre: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,40). Coube ao oficial do exército romano, dizer em primeiro lugar: “De fato! Este homem era justo! ” (Lc 23, 47).  Caberá a nós, seguidores e imitadores do Mestre, dizer ao mundo e à história tais acontecimentos pelos quais Jesus garante nossa salvação.  A cruz de Cristo evangeliza quando anunciamos sua morte e ressurreição.

Cabe-nos igualmente testemunhá-lo como Justo Sofredor cujo sacrifício nos resgata do pecado e da morte e do qual Deus dissera pelo profeta: “ Ele oferece sua vida como sacrifício do pecado… Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas” (Is 53,10-11). O próprio Jesus, na quinta-feira santa, deu o sentido sacrifical de sua morte e institui-lhe a memória eucarística: “Este é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos para remissão dos pecados ” (Mt 26,28).

Quanto à Vigília Pascal já é a festa celebrada em vários tons e sons. Coroa a Semana Santa. Após a Liturgia da Luz, a Igreja celebra a Liturgia da Palavra, recordando as maravilhas da criação, a libertação do êxodo e a promessa messiânica. Segue-se a Liturgia Batismal com a bênção da água e a renovação das promessas batismais. Enfim, tudo culmina na Liturgia Eucarística, encontro com o Vivente no mistério da sua presença. Ele, causa de nossa alegria.

Na Santa Vigília, faremos o itinerário das mulheres, Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, entre outras que estavam com elas. Ir ao túmulo, levando perfumes, prova de amor. Voltar para anunciar a notícia aos apóstolos a respeito do túmulo vazio com o anúncio do anjo: “Ele não está aqui”. Ressuscitou! ” (Lc 24,6), dois momentos de um trajeto espiritual.

COM AMOR, PARTICIPEMOS DO TRÍDUO PASCAL DA PAIXÃO E RESSURREIÇÃO DO SENHOR!

“Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça”


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 07 de abril.

 

Diocese de Iguatu |Alimentar o sonho e o desejo de libertação no exílio da Babilônia significava dar ânimo à esperança de reconstruir o povo e a nação e o culto. Por isso, o profeta, de modo poético, afirma da parte de Deus: “Eis que vou fazer coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto…” (Is 43, 19).

Abrir estrada significa alimentar a profecia em ato, a esperança da libertação possível e o futuro próximo. Por isso, é necessária a advertência: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos” (v. 18), ainda que fossem a abertura do mar e a passagem dos hebreus a pé enxuto. O povo se ergueria, agora, olhando para frente, mesmo diante das dificuldades, pois Deus já faz uma realidade nova, no deserto: “correr rios na terra seca” (v. 20). O Deus da vida recria. O Deus da Aliança dá de beber ao seu povo sedento (v. 20).

Jesus também abriu um novo caminho para a mulher surpreendida em adultério (Jo 8,1-11). Colocando-nos na cena como observadores, unimo-nos às pessoas reunidas em torno de Jesus. Para seus ouvintes, Ele abre um novo caminho de compreensão. Sentado e ensinando, Jesus comporta-se como mestre (v. 2). Se entrarmos na cena, acolheremos seu ensinamento que abre para nós um caminho novo de aceitação da lei nova: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 15, 12).

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram a mulher adúltera. Colocam-na no meio deles. A cena constrange a mulher posta no centro dos olhares. Será julgada ou melhor já está condenada à morte pelo apedrejamento, segundo a aplicação da lei antiga que os presentes conheciam bem e os acusadores defendem.

Na verdade, quem está em uma espécie de tribunal é Jesus e seu ensinamento e atitudes para com os pecadores. O evangelista desmascara a perfídia dos mestres da lei e dos fariseus na pergunta: “Que dizes tu? Perguntavam apenas para experimentar Jesus e terem motivo de o acusar” (v. 5-6).

Tratava-se de uma farsa, de um pretexto legal. Talvez por isso, Jesus inclinou-se e começou a escrever com o dedo no chão. Parecia ignorá-los. Não mereciam ser ouvidos, pois não procuravam a verdade e a justiça. Eram apenas acusadores com outras intenções. Enfim, Jesus se ergue, pois persistiam em interroga-lo. Responde envolvendo os próprios acusadores: “Quem não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe a pedra” (v. 7). Subitamente, passam a ser juízes de si mesmos, da própria consciência. Por isso, todos se retiram a começar dos mais velhos.

O final da cena é igualmente surpreendente. O mestre dialoga e não julga. Diz: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? … Eu também não te condeno” (v. 10-11). Não compactua com o pecado, mas dá uma nova oportunidade para a adúltera. Abre-lhe um caminho novo: “podes ir e, de agora em diante, não peques mais” (v. 11).

Abrir caminhos é a meta do discípulo libertado do farisaísmo hipócrita e do legalismo acusador. Abrir caminhos é possibilitar mudanças na vida das pessoas que erram, sem acusa-las, julgá-las  ou humilhá-las. Abrir caminhos é a arte de facilitar a recuperação de quem precisa ou pede ajuda. Abrir caminhos é oferecer oportunidades de vida nova a quem peca.

Motivos de Festa


Palavras do Bispo Diocesano de Iguatu, D. Edson de Castro sobre o evangelho deste domingo de 31 de março.

Diocese de Iguatu | Deus falara pela boca de Joel: “voltai para mim com todo o vosso coração…rasgai o coração…voltai para o Senhor, vosso Deus…inclinado a perdoar” (Jl 2, 12-13). Trata-se de comovente apelo à conversão. O motivo de confiança é o fato de Deus ser inclinado a perdoar.

A parábola do filho pródigo ou do pai misericordioso, a mais bela de todas, acentua tanto a bondade de Deus, capaz de perdoar, quanto a atitude do filho, impelido a retornar à casa paterna ao se encontrar na precariedade. Precisaria rasgar o próprio coração, o amor próprio e a vergonha, reconhecendo seu estado miserável e aceitar o perdão. Precisava confiar e retornar.

A parábola diz tudo por si mesma. Não precisa de explicação. No entanto, é possível acentuar alguns elementos até de ordem psicológica, mediante alguma descrição dos três personagens:  o filho mais novo, o filho mais velho e o pai. É útil ilustrá-los pela meditação criativa. Possibilita entrarmos na cena com proveito.

Podemos considerar a situação do mais novo e (ou) do mais velho, ambos afastados do pai. Um se afastou para longe para esbanjar a própria vida no simbolismo dos bens.  Outro, embora residindo com o pai, afastou-se do irmão que voltou e do pai que o aceitou. A misericórdia o escandalizara. Feriu sua compreensão de justiça: “tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos” (Lc 15, 29). O texto diz “ficou com raiva”, não com inveja.  Raiva do pai pela injustiça sofrida. Porém, é aparente a injustiça, pois, o pai explica seu amor partilhado: “tu estás sempre comigo, tudo que é meu é teu” (v. 31)

Quanto ao filho mais novo, não foi fácil voltar. Foi muito incômodo. Foi bastante custoso. A parábola demostra o aspecto oneroso da conversão. Daí a figura do itinerário de volta à semelhança de um caminho a ser percorrido até a hora da decisão. Começa no íntimo do coração. “Caiu em si e disse: Quantos, empregados na casa de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai” (v. 17-18). A certeza em ter um pai e de poder retornar é, então, fundamental para que se encorajasse a voltar.

No seu íntimo, planejava dizer: “Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados”. Dificílimo conviver com o relacionamento ferido, a aliança quebrada, a ausência de merecimento. Só podia pedir ser aceito como empregado e ser bem tratado como tal. Um simples pedinte. Mendigo.

Quanto ao pai, ama gratuitamente, incondicionalmente. Avistou-o de longe e quando estava chegando, sentiu compaixão do filho. O pai também se volta para o filho, em certo sentido. A parábola acentua: “Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos” (v. 20).

Deveríamos parar para experimentar a ternura de Deus, entrando na cena. Não bastava um beijo. O transbordamento da graça -do amor gratuito- que é a própria ternura divina explica o abraço na soma de beijos. O restante é complemento necessário: a entrega da veste, do anel, das sandálias, a preparação do banquete, o relacionamento reatado. O pai festeja mais do que todos: “este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado” (v. 24).

 Com esta parábola, o quarto domingo da quaresma festeja o fruto alegre da Páscoa. Aliás, desde a antífona de entrada: “Alegra-te, Jerusalém! ” (Is 66, 10). Também a oração do dia pede a Deus que o povo cristão corra ao encontro das festas que se aproximam…exultando de fé. O salmo de resposta é um canto de exultação: “bendirei o Senhor em todo tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor” (Sal 53). São motivos de festa.

Ir à Missa é “remédio para melhorar a saúde física e mental”, assegura cientista de Harvard


(ACI).- Em uma coluna publicada no jornal americano ‘USA Today’, Tyler J. VanderWeele, professor de epidemiologia na Universidade de Harvard, e John Siniff, especialista em comunicações, qualificaram a participação regular na Missa como um “remédio para melhorar a saúde física e mental”.

O artigo do ‘USA Today’, intitulado “A religião poderia ser um medicamento milagroso”, aponta os resultados de um estudo liderado por VanderWeele e publicado em maio de 2016 na prestigiosa revista de psiquiatria JAMA Psychiatry, da Associação Americana de Medicina.

O estudo, intitulado “Associação entre assistência a serviços religiosos e menores taxas de suicídio entre mulheres norte-americanas”, concluiu que “a participação frequente nos serviços religiosos estava associada com uma taxa significativamente mais baixa de suicídio”.

VanderWeele e Siniff assinalaram que “a saúde e a religião estão muito ligadas” e, de acordo com o estudo publicado em meados deste ano, os adultos que vão à Missa pelo menos uma vez por semana, em comparação com aqueles que nunca vão, “apresentam um menor risco de morte na próxima década e meia”.

“Os resultados foram replicados em suficientes estudos e populações para ser considerados bastante confiáveis”, asseguraram.

Embora garantiram que “a ciência não se adere a uma fé ou outra, nem sugere o que a sociedade deve fazer com essa informação”, destacaram que tanto a sociedade como cada pessoa poderiam aproveitar estes resultados.

“Os meios informativos, a academia e o público em geral poderiam usar esta nova compreensão do grande valor social da religião”, indicaram. Já para cada pessoa, “esta investigação convida não tão sutilmente a reconsiderar o que a religião pode fazer por eles”.

As pessoas que participam da Missa, assinalaram, “estão menos propensas a fumar, ou mais propensos a parar de fumar, causando benefícios significativos para a saúde”.

Além disso, destacaram, “a investigação de Harvard e outras indicam que, possivelmente devido a uma mensagem de fé ou esperança, pessoas que participam da Missa são mais otimistas e têm menores taxas de depressão. A investigação de Harvard também mostrou que esta participação protege contra o suicídio”.

“Outros descobriram que as pessoas que vão à igreja asseguram ter um propósito maior na vida e desenvolvem mais autocontrole”.

Enquanto alguns norte-americanos substituíram a participação da Missa, que “é vista como ‘pitoresca e antiquada’, pela “espiritualidade”, VanderWeele e Siniff reforçaram que ir à igreja, e não a uma “espiritualidade privada ou prática solitária”, geram benefícios para a saúde.

“Algo na participação religiosa comunitária parece ser essencial”, assinalaram.

Participar da Missa, disseram, “demostrou que aumenta a probabilidade de um matrimônio estável, aumenta o sentido próprio de significado e se estende à própria rede social”, assim como “leva a maiores doações caritativas e um maior voluntariado e compromisso cívico”.

VanderWeele e Siniff destacaram que “algo na experiência e participação religiosa comunitária é importante. Algo poderoso parece suceder aí e melhora a saúde”.

“Isto tem importantes implicações para o grau em que a sociedade promove e protege as instituições religiosas”, entre outros, assinalaram.

Crisma seguida de Missa Pontifical é realizada em Brasília na Festa da Santíssima Trindade


Teve lugar ontem, em Brasília, celebração do sacramento do Santo Crisma em concordância com os livros litúrgicos reformados por S. João XXIII seguida por Missa Pontifical também pelo Missal de S. João XXIII, dito mais propriamente de São Pio V – ou, para ser mais preciso, na forma extraordinária do Rito Romano.

A frente da festiva celebração esteve o Bispo Auxiliar de Brasília S. Exa. D. José Aparecido Gonçalves que a realizou na Capela Nossa Senhora das Dores administrada pelo zeloso padre do Instituto do Bom Pastor (IBP) o reverendo padre Daniel Pinheiro. É o que informa o site Missa Tridentina em Brasília.

No site afirma-se que “Após a curta, mas profunda e frutuosa cerimônia de Crisma, tivemos a graça excelsa de mais uma Missa Pontifical Solene no Faldistório. Que coisa tremenda ver o céu se abrir diante dos nossos olhos, como se já estivéssemos na liturgia que os anjos e santos tributam a Deus na vida eterna.

Em tom de agradecimento a publicação do ocorrido encerra-se da seguinte maneira:

Agradecemos a Dom José Aparecido, bispo auxiliar de Brasília, e a Dom Sérgio, nosso Arcebispo. Por obra da providência, é hoje também o dia Dedicação da Catedral de Brasília, o que nos obriga a cumprir com mais afinco o dever de rezar pela Arquidiocese e pelos seus pastores.

Fotos publicadas retiradas do site Missa Tridentina em Brasília.

O Papa celebrou uma Missa versus Deum

Decano do colégio cardinalício: “A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas”


SANTA MISSA «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE»

HOMILIA DO CARDEAL ANGELO SODANO
DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

Basílica Patriarcal de São Pedro
Terça-feira, 12 de março de 2013

[Vídeo]

 

Queridos Concelebrantes, distintas Autoridades, Irmãos e Irmãs no Senhor!

“Cantarei, eternamente, as bondades do Senhor” é o canto que mais uma vez ressoou junto ao túmulo do Apóstolo Pedro nesta ora importante da história da Santa Igreja de Cristo. São as palavras do Salmo 88 que afloraram em nossos lábios para adorar, agradecer e suplicar ao Pai que está nos Céus. “Misericordias Domini in aeternum cantabo“: é o bonito texto latino, que nos introduziu na contemplação d’Aquele que sempre vela com amor a sua Igreja, sustentado-a em seu caminho ao longo dos séculos e vivificando-a com o seu Espírito Santo.

Também nós hoje com tal atitude interior queremos oferecer-nos com Cristo ao Pai que está nos Céus para agradecer-lhe pela amorosa assistência que sempre reserva à sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º Sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão.

Ao mesmo tempo hoje queremos implorar do Senhor que mediante a solicitude pastoral dos Padres Cardeais queira em breve conceder outro Bom Pastor à sua Santa Igreja. Certamente, auxilia-nos nesta ora a fé na promessa de Cristo sobre o caráter indefectível da sua Igreja. De fato, Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cfr. Mt 16,18).

Meus irmãos, as leituras da Palavra de Deus que acabamos de ouvir podem nos ajudar a compreender melhor a missão que Cristo confiou a Pedro e a seus Sucessores.

1. A mensagem do amor

A primeira leitura repropôs-nos um célebre oráculo messiânico da segunda parte do livro de Isaías, aquela parte que é chamada “o Livro da consolação” (Is 40-66). É uma profecia dirigida ao povo de Israel destinado ao exílio na Babilônia. Deus anuncia para o povo de Israel o envio de um Messias cheio de misericórdia, um Messias que poderá dizer: “O espírito do Senhor repousa sobre mim… enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar um ano de graças da parte do Senhor” (Is 61,1-3)

O cumprimento de tal profecia realizou-se plenamente em Jesus, vindo ao mundo para tornar presente o amo do Pai pelos homens. É um amor que se faz notar particularmente no contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza, com todas as fragilidades do homem, tanto físicas quanto morais. É conhecida, a esse propósito, a célebre Encíclica do Papa João Paulo II Dives in misericordia, que acrescentava: “o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica «misericórdia» (Ibidem, n. 3).

Esta missão de misericórdia foi confiada por Cristo aos Pastores da sua Igreja. É uma missão que empenha todo sacerdote e bispo, mas empenha ainda mais o Bispo de Roma, Pastor da Igreja universal. De fato, Jesus disse a Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?… Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15). É conhecido o comentário de S. Agostinho a essas palavras de Jesus: “seja, portanto, missão do amor apascentar o rebanho do Senhor”; “sit amoris officium pascere dominicum gregem” (In Iohannis Evangelium, 123, 5; PL 35, 1967).

Na realidade, é este amor que impele os Pastores da Igreja a realizar a sua missão de serviço aos homens de todos os tempos, do serviço caritativo mais imediato até o serviço mais alto, o serviço de oferecer aos homens a luz do Evangelho e a força da graça.

Assim o indicou Bento XVI na Mensagem para a Quaresma deste ano (cfr. n. 3). De fato, lemos em tal mensagem: “De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16)”.

2. A mensagem da unidade

A segunda leitura é extraída da Carta aos Efésios, escrita pelo Apóstolo Paulo justamente nesta cidade de Roma durante a sua primeira prisão (anos 62-63 d.C.).

É uma leitura sublime na qual Paulo apresenta o mistério de Cristo e da Igreja. Enquanto a primeira parte é mais doutrinal (cap. 1-3), a segunda, onde se insere o texto que ouvimos, é de tom mais pastoral (cap. 4-6). Nesta parte Paulo ensina as conseqüências práticas da doutrina apresentada antes e começa com um forte apelo à unidade eclesial: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade, mansidão, e paciência. Suportai-vos caridosamente uns aos outros. Esforçai-vos por conservara unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4,1-3)”.

S. Paulo explica em seguida que na unidade da Igreja existe uma diversidade de dons, segundo a multiforme graça de Cristo, mas essa diversidade está em função da edificação do único corpo de Cristo: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, visando o aperfeiçoamento dos cristãos, e o trabalho na obra da construção do corpo de Cristo” (cfr. 4,11-12).

É justamente para a unidade do seu Corpo Místico que Cristo em seguida enviou o seu Espírito Santo e, ao mesmo tempo, estabeleceu os seus Apóstolos, entre os quais Pedro tem a primazia como o fundamento visível da unidade da Igreja.

Em nosso texto São Paulo ensina-nos que também todos nós devemos colaborar para edificar a unidade da Igreja, porque para realizá-la é necessária “a colaboração de cada conexão, segundo a energia própria de cada membro” (Ef 4,16). Todos nós, portanto, somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesial.

3. A missão do Papa

Irmãos e irmãs no Senhor, o Evangelho de hoje reconduz-nos à última ceia, quando o Senhor disse aos seus Apóstolos: “Este é o meu mandamento: que vós ameis uns aos outros, com eu vos amei” (Jo 15,12). O texto se une assim também à primeira leitura do profeta Isaías sobre o agir do Messias, para recordar-nos que a atitude fundamental dos Pastores da Igreja é o amor. É aquele amor que nos impele a oferecer a própria vida pelos irmãos. De fato, Jesus nos diz: “ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos” (Jo 15,12).

A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas(cfr Jo10,15). Isto vale, sobretudo, para o Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. Porque quanto mais alto e mais universal é o ofício pastoral, tanto maior deve ser a caridade do Pastor. Por isto no coração de todo Sucessor de Pedro sempre ressoaram as palavras que o Divino Mestre dirigiu um dia ao humilde pescador da Galileia: “Diligis me plus his? Pasce agnos meos… pasce oves meas“; “Amas-me mais do que estes? Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas!” (cfr. Jo 21,15-17).

No sulco deste serviço de amor pela Igreja e pela humanidade inteira, os últimos Pontífices foram artífices de muitas iniciativas benéficas também para os povos e a comunidade internacional, promovendo sem cessar a justiça e a paz. Rezemos para que o futuro Papa possa continuar esta incessante obra em nível mundial.

Ademais, este serviço de caridade faz parte da natureza íntima da Igreja. Recordou-nos isso o Papa Bento XVI dizendo-nos: “também o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Carta Apostólica em forma de Motu proprio Intima Ecclesiae natura, 11 de novembro de 2012, proêmio; cfr. Carta Encíclica Deus caritas est, n. 25).

É uma missão de caridade que é própria da Igreja, e de modo particular é própria da Igreja de Roma, que, segundo a bela expressão de S. Inácio de Antioquia, é a Igreja que “preside à caridade”; “praesidet caritati” (cfr. Ad Romanos, praef.: Lumen gentium, n. 13).

Meus irmãos, rezemos a fim de que o Senhor nos conceda um Pontífice que realize com coração generoso tal nobre missão. É o que Lhe pedimos por intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, e de todos os Mártires e Santos que ao longo dos séculos deram glória a esta igreja de Roma. Amém!

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