Papa Bento XVI: A Igreja e o Escândalo do abuso sexual


De 21 a 24 de fevereiro, a convite do Papa Francisco, os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo se reuniram no Vaticano para discutir a crise da Fé e da Igreja, uma crise palpável em todo o mundo após as estarrecedoras revelações dos abusos perpetrado por clérigos contra menores. A extensão e a gravidade dos incidentes relatados têm afligido profundamente tanto sacerdotes quanto leigos, e levou a não poucas pessoas a questionarem a própria fé da Igreja. Era necessário enviar uma mensagem forte e procurar um novo começo, com tal de tornar a Igreja novamente verdadeiramente credível como uma luz entre os povos e como uma força ativa contra os poderes da destruição.

Já que eu mesmo me encontrava servindo em uma posição de responsabilidade como pastor da Igreja no momento da eclosão pública da crise e durante seu desenvolvimento, eu tive que me perguntar – ainda que como emérito já não seja mais diretamente responsável por essa situação – o que eu podia fazer para contribuir com um novo começo em retrospecto. Assim, durante o período que vai do anúncio até a realização da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais, compilei algumas anotações com as quais creio poder oferecer uma ou duas observações e ajudar a Igreja nessa hora tão difícil. Tendo entrado em contato com o Secretário de Estado, Cardeal [Pietro] Parolin e o Santo Padre [Papa Francisco], pareceu-me apropriado publicar o texto resultante deste esforço no “Klerusblatt” (NdT: um jornal mensal para o clero de algumas dioceses da Baviera).

Meu trabalho está dividido em três partes. Na primeira, pretendo apresentar brevemente o contexto societário mais amplo da questão, sem o qual o problema não pode ser entendido. Eu tento mostrar que na década de 60 ocorreu um evento excepcional, em uma escala sem precedentes na história. Pode-se dizer que, nos 20 anos decorridos entre 1960 e 1980, os padrões vinculantes relativos à sexualidade até então entraram em colapso por completo, gerando uma ausência de normativa que já foi objeto de tentativas laboriosas de compreensão.

Na segunda parte, pretendo destacar os efeitos dessa situação na formação dos sacerdotes e na vida dos sacerdotes.

Finalmente, na terceira parte, gostaria de desenvolver algumas perspectivas para uma resposta adequada por parte da Igreja.

I.

(1) O assunto começa com a introdução, prescrita e apoiada pelo Estado, de crianças e jovens no tema da natureza da sexualidade. Na Alemanha, a então ministra da Saúde, [Käte] Strobel, mandou fazer um filme mostrando tudo o que antes não podia ser exibido publicamente, incluindo relações sexuais, e que passou a ser exibido com o propósito de educar os jovens. O que inicialmente se destinava apenas à educação sexual destes, por conseguinte, foi amplamente aceito como uma opção viável para o resto da sociedade.

Efeitos semelhantes foram alcançados pelo “Sexkoffer” publicado pelo governo austríaco [NdT: Uma espécie de ´kit´ repleto de material destinado à educação sexual usado nas escolas austríacas no final da década de 1980]. Filmes sexuais e pornográficos tornaram-se uma ocorrência comum, a ponto de serem exibidos nos cinemas [Bahnhofskinos]. Ainda me lembro de ter visto, andando pela cidade de Regensburg um dia, verdadeiras multidões de pessoas se alinhando em frente a uma grande sala de cinema, algo que anteriormente só havíamos visto nos tempos da guerra, quando alguma alocação especial era esperada. Lembro-me também de ter chegado à cidade na Sexta-feira Santa, no ano de 1970, e de ver todos os outdoors preenchidos por um grande cartaz de duas pessoas completamente nuas num abraço apertado.

Entre as liberdades pelas quais a Revolução de 1968 lutou estava a total liberdade sexual, uma que não mais possuía normas. A vontade de usar a violência, que caracterizou esses anos, está fortemente relacionada a esse colapso mental. Na verdade, os filmes sexuais não eram mais permitidos nos aviões porque poderiam gerar violência na pequena comunidade de passageiros. E dado que os excessos no vestuário também provocavam agressão, os diretores das escolas fizeram várias tentativas de introduzir uma vestimenta escolar que facilitasse um clima de aprendizado.

Parte da fisionomia da Revolução de 1968 foi que a pedofilia também foi diagnosticada como um comportamento aceitável e apropriado.

Para os jovens da Igreja, mas não apenas para eles, este foi um momento muito difícil em muitos aspectos. Sempre me perguntei como os jovens nessa situação poderiam se aproximar do sacerdócio e aceitá-lo com todas as suas ramificações. O extenso colapso das gerações seguintes de sacerdotes naqueles anos e o grande número de secularizações foram uma consequência de todos esses desenvolvimentos.

(2) Ao mesmo tempo, independentemente destes desenvolvimentos, a teologia moral católica sofreu um colapso que deixou a Igreja desamparada diante dessas mudanças na sociedade. Vou tentar delinear brevemente a trajetória que esse desenvolvimento percorreu.

Até o Concílio Vaticano II, a teologia moral católica era em grande parte baseada na lei natural, enquanto as Sagradas Escrituras eram citadas apenas para obter contexto ou justificação. Na luta do Concílio por uma nova compreensão do Apocalipse, a opção pela lei natural foi amplamente abandonada, e uma teologia moral baseada inteiramente na Bíblia foi exigida.

Ainda me lembro como a faculdade jesuíta em Frankfurt treinou o jovem e inteligente Padre (Schüller) com o propósito de desenvolver uma moralidade baseada inteiramente nas Escrituras. A bela dissertação do Padre (Bruno) Schüller mostra um primeiro passo para a construção de uma moralidade baseada nas Escrituras. O sacerdote foi então enviado para os Estados Unidos e voltou, percebendo que somente com a Bíblia a moralidade não poderia ser expressa sistematicamente. Então ele tentou uma teologia moral mais pragmática, sem poder dar uma resposta à crise da moralidade.

Consequentemente, nada poderia ser considerado um bem absoluto, assim como, por outro lado, coisa alguma poderia ser considerada fundamentalmente ruim; (Poderia haver) apenas juízos de valor relativos. Não havia mais o bom em seu sentido mais absoluto, apenas o aquilo que era relativamente melhor ou contingente para o momento e as circunstâncias específicas.

A crise da justificação e da forma de expor a moral católica alcançou proporções dramáticas no final dos anos 80 e 90. Em 5 de janeiro de 1989, foi publicada a “Declaração de Colônia”, assinada por 15 catedráticos católicos de teologia. O documento se concentrou em vários pontos da crise da relação entre o magistério dos bispos e a tarefa da teologia. (As reações a) este texto, que em princípio não passaram do usual nível de protestos, cresceu rapidamente e se tornou um grito contra o magistério da Igreja e reuniu, clara e visivelmente, o potencial de um protesto global contra os esperados textos doutrinais de João Paulo II. (cf. (cf. D. Mieth, Kölner Erklärung, LThK, VI3, p. 196) (N.dT: O LTHK é o Lexikon für Theologie und Kirche, o Lexicon de Teologia e a Igreja, cujos editores incluíam o teólogo Karl Rahner y o hoje Cardeal alemão Walter Kasper).

O Papa João Paulo II, que conhecia muito bem e acompanhava de perto a situação em que a teologia moral se encontrava, encomendou o trabalho de uma encíclica para tornar as coisas claras novamente. E foi publicada sob o título de Veritatis Splendor no dia 6 de agosto de 1993 e logo gerou reações veementes de vários teólogos morais. Antes disso, o Catecismo da Igreja Católica (publicado em 1992) já havia apresentado, de maneira persuasiva e sistemática, a moralidade proclamada pela Igreja.

Nunca vou esquecer a forma como o então líder teólogo moral alemão, Franz Böckle, tendo retornado para sua Suíça natalapós a aposentadoria, anunciou em relação à Veritatis Splendor que se a encíclica determinasse que existem ações que sempre e em todas as circunstâncias deveriam ser classificados como más, ele iria rebatê-la com todos os recursos à sua disposição.

Foi Deus, o Misericordioso, que evitou que este propósito fosse executado, pois Böckle morreu em 8 de julho de 1991. A encíclica foi publicada em 06 de agosto de 1993 e efetivamente incluía a determinação de que certas ações jamais podem ser consideradas boas.

O Papa estava plenamente consciente da importância dessa decisão e, nessa parte do texto, consultou novamente os melhores especialistas que não participaram da edição da encíclica. Ele sabia que não deveria deixar dúvidas sobre o fato de que a moralidade que busca o equilíbrio de bens deve ter sempre um limite final. Alguns bens simplesmente não estão sujeitos a concessões.

Há valores que jamais devem ser abandonados por um valor mais alto e até mesmo superar a preservação da vida física. Há martírio. Deus é mais. Ele vale mais que a própria sobrevivência física. Uma vida comprada pela negação de Deus, uma vida baseada em uma mentira, ao final, não é vida.

O martírio é a categoria básica da existência cristã. O fato de que o mesmo já não seja moralmente necessário, como afirma a teoria defendida por Böckle e muitos outros, demonstra que a própria essência do cristianismo está em jogo aqui.

Na teologia moral, no entanto, outra questão tornou-se urgente: a hipótese de que o Magistério da Igreja deveria ter competência final (“infalibilidade”) apenas nas questões relativas à fé e já não nas que se referem à moralidade, havia ganhado ampla aceitação. Dizia-se que estas questões não deveriam cair no âmbito de decisões infalíveis do magistério da Igreja. Provavelmente há algo de verdade nesta hipótese e que merece mais discussão, mas há um conjunto mínimo de questões morais que estão intimamente relacionadas com o princípio fundamental da fé, o qual deve ser defendido, para que a fé não venha a ser reduzida a uma teoria e que já não seja reconhecida em seu clamor pela vida concreta.

Tudo isso nos permite ver o quão fundamentalmente a autoridade da Igreja é questionada quando se trata de questões de moralidade. Aqueles que negam à Igreja uma competência no ensinamento definitivo nesta área, forçam-na a permanecer em silêncio exatamente ali, onde se encontra em jogo a fronteira entre a verdade e a mentira.

Independentemente deste assunto, em muitos círculos da teologia moral foi apresentada a tese de que a Igreja não tem e não pode ter sua própria moralidade. O argumento era que todas as hipóteses morais teriam seu paralelo em outras religiões e, portanto, não haveria uma natureza cristã. Mas a questão da natureza da moralidade bíblica não é respondida pelo fato de que para cada frase singular em algum lugar da Escritura, podemos encontrar um paralelo em outras religiões. Na verdade, trata-se do conjunto da moralidade bíblica, que, como tal, é novo e distinto de suas partes individuais.

A doutrina moral das Sagradas Escrituras tem a sua forma única de ser predicada em última instância na sua concreção à imagem de Deus, na fé em um Deus que se manifestou a Si mesmo em Jesus Cristo e viveu como ser humano. O Decálogo é uma aplicação para a vida humana da fé bíblica em Deus. A imagem de Deus e da moralidade se pertence uma a outra e é por isso que resulta na mudança particular da atitude cristã em relação ao mundo e à vida humana. Além disso, o cristianismo tem sido descrito desde o início com o termo Hodoš (caminho, em grego, usado no Novo Testamento para discutir um caminho de progresso).

A fé é uma travessia e uma forma de vida. Na Igreja antiga, o catecumenato foi criado como um habitat no qual os aspectos distintos e frescos daquele modo de viver a vida cristã eram ao mesmo tempo praticados e protegidos, contra uma cultura cada vez mais desmoralizada. Acredito que mesmo hoje, algo como estas comunidades de catecumenato sejam necessárias para que a vida cristã possa se afirmar da maneira que lhe é própria.

II.

As reações eclesiais iniciais

(1) O processo há muito preparado e em andamento para a dissolução do conceito cristão de moralidade foi marcado, como tentei demonstrar, pelo radicalismo sem precedentes dos anos 1960. Essa dissolução da autoridade moral do ensino da Igreja devia ter um efeito sobre os diferentes membros da Igreja. No contexto da reunião dos presidentes das conferências episcopais em todo o mundo com o Papa Francisco, a questão da vida sacerdotal, assim como a dos seminários, é de particular interesse. Uma vez que está relacionado ao problema o tema da preparação para o ministério sacerdotal nos seminários, e, existe de fato uma ampla decomposição no que diz respeito à anterior forma de preparação dos candidatos.

Em vários seminários foram estabelecidos grupos homossexuais que agiram mais ou menos abertamente, o que mudou significativamente o clima que se vivia ali. Em um seminário no sul da Alemanha, os candidatos ao sacerdócio e ao ministério leigo de agentes de pastoral (Pastoralreferent) viviam juntos. Nas refeições diárias, os seminaristas e os especialistas em pastoral estavam juntos. Os casados ​​às vezes estavam com suas esposas e filhos; e às vezes com suas namoradas. O clima neste seminário não oferecia o apoio necessário para a preparação adequada para a vocação sacerdotal. A Santa Sé sabia desses problemas sem ser informada com precisão. Como primeiro passo, foi acordada uma visita apostólica para os seminários nos Estados Unidos.

Como os critérios para a seleção e nomeação dos bispos também mudaram depois do Concílio Vaticano II, a relação dos bispos com seus seminários também tornou-se muito diferente. Acima de tudo, a “conciliaridade” foi estabelecida como um critério para a nomeação de novos bispos, o que poderia ser entendido de várias maneiras.

De fato, em muitos lugares entendeu-se que as atitudes conciliares se relacionavam a uma postura crítica ou negativa à tradição que existia até então, e que precisava ser substituída por uma relação nova e radicalmente aberta com o mundo. Um bispo, que já havia sido reitor de um seminário, fez os seminaristas assistirem a filmes pornográficos com a intenção de torná-los resistentes a condutas contrárias à fé.

Havia – e não apenas nos Estados Unidos da América – bispos que individualmente rejeitavam totalmente a tradição católica e buscavam uma nova e moderna “catolicidade” em suas dioceses. Pode valer a pena mencionar que em muitos seminários, os estudantes que os viram lendo meus livros eram considerados inadequados para o sacerdócio. Meus livros estavam escondidos, como se fossem literatura ruim, e eram lidos apenas debaixo da escrivaninha.

A visita apostólica afinal não trouxe novas pistas, aparentemente porque vários poderes juntaram forças para maquiar a verdadeira situação. Uma segunda visita foi ordenada e permitiu novos dados, mas no final tampouco obteve resultado algum. No entanto, desde a década de 1970, a situação nos seminários geralmente melhorou. E, no entanto, apenas casos isolados de um novo fortalecimento das vocações sacerdotais surgiram, posto que a situação em geral havia tomado outro rumo.

(2) A questão da pedofilia, se não me falha a memória, não era crítica até a segunda metade da década de 1980. Entretanto, ele se tornou um assunto público nos Estados Unidos, tanto assim que os bispos foram a Roma para procurar ajuda e que o direito canônico, conforme escrito no novo Código (1983), não parecia suficiente para tomar as medidas necessárias. Na primeira visita, Roma e os canonistas romanos tinham dificuldades com estas preocupações porque, em sua opinião, a suspensão temporária do ministério sacerdotal deveria ser suficiente para gerar purificação e esclarecimento. Isto não podia ser aceito pelos bispos americanos, porque assim os sacerdotes permaneciam a serviço do bispo e, portanto, seguiam diretamente associados a ele. Lentamente, foi tomando forma uma renovação e um aprofundamento na lei criminal do novo Código, construída deliberadamente e com ligeireza.

Além disso e no entanto, havia um problema fundamental na percepção do direito penal. Apenas o chamado “garantismo” (uma espécie de protecionismo processual ao réu) era considerado uma postura “conciliar”. Isso significa que os direitos do acusado devem ser garantidos, acima de tudo, até o ponto em que qualquer tipo de condenação fosse impossibilitada. Como um contrapeso para as opções de defesa disponíveis para os teólogos acusados ​​e muitas vezes inadequadas, o direito de defesa dos mesmos usando o “garantismo” estendeu-se a tal ponto que era quase impossível uma condenação.

Permitam-me um breve excurso neste momento. À luz da escalada da conduta pedófila, uma palavra de Jesus novamente nos interpela: ” Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço” (Mc 9,42).

A palavra pequenino, na língua de Jesus, significava aqueles crentes comuns que podem ver sua fé confundida pela arrogância intelectual daqueles que acreditam ser inteligentes. Então, aqui Jesus protege o depósito da fé com uma ameaça ou punição enfática para aqueles que prejudicam estas pessoas.

O uso moderno da frase não está em si mesmo errado, mas não deve obscurecer o significado original. Fica claro, contra qualquer garantismo, que não apenas o direito do acusado é importante e requer uma garantia. Grandes bens como a fé são igualmente importantes.

Assim, uma lei canônica equilibrada, que corresponda à totalidade da mensagem de Jesus, não apenas deve fornecer uma garantia para o acusado, para quem o respeito é um bem lícito, mas também deve proteger a fé que também é um importante e lícito bem. Uma lei canônica adequadamente formada deve então conter uma dupla garantia: a proteção legal do acusado e a proteção legal da propriedade que está em jogo. Se hoje esta concepção intrinsecamente clara é apresentada, ela geralmente cai em ouvidos surdos quando se trata da questão da proteção da fé como um bem legal. Na consciência geral da lei, a fé não parece mais ter o grau de um bem que requer proteção. Esta é uma situação alarmante que os pastores da Igreja devem considerar e levar a sério.

Agora eu gostaria de acrescentar, às breves notas sobre a situação da formação sacerdotal na época da crise, algumas observações sobre o desenvolvimento do direito canônico nesta matéria.

Em princípio, a Congregação para o Clero é responsável por lidar com crimes cometidos por padres, mas dado que o “garantismo” dominava amplamente a situação daquela época, eu concordei com o Papa João Paulo II que era apropriado designar essas ofensas à Congregação para a Doutrina da Fé, sob o título de “Delicta maiora contra fidem” (NdT: Delitos graves contra a fé).

Isso possibilitou a imposição da pena máxima, ou seja, a expulsão do estado clerical, que não poderia ter sido imposta sob outras disposições legais. Este não foi um truque para impor a pena máxima, mas uma consequência da importância da do bem que é a fé para a Igreja. De fato, é importante notar que uma tamanha má conduta deste tipo por parte de um clérigo, acaba, em última instância, prejudicando a fé.

Onde a fé não determina mais as ações do homem tais ofensas se tornam possíveis.

A severidade da pena, no entanto, também pressupõe uma prova clara da ofensa: este aspecto da garantia continua em vigor.

Em outras palavras, para impor a pena máxima legalmente, é necessário um processo criminal genuíno, mas ambas as dioceses e a Santa Sé estão sobrecarregadas por esta exigência. Portanto, formulamos um nível mínimo de procedimentos criminais e deixamos aberta a possibilidade de que a própria Santa Sé assuma o julgamento quando a diocese ou a administração metropolitana não possam fazê-lo. Em cada caso, o julgamento deve ser revisado pela Congregação para a Doutrina da Fé para garantir os direitos do acusado. Finalmente, na quarta feria (N.dT. a assembleia ou reunião geral dos membros desta Congregação da Cúria em que são discutidos os diversos casos em andamento), estabelecemos uma instância de recurso para oferecer a possibilidade de o acusado apelar.

Já que tudo isso ultrapassou as capacidades concretas da Congregação para a Doutrina da Fé e não havia outra alternativa mais que enfrentar os longos atrasos, devido à natureza peculiar do assunto, o Papa Francisco decidiu então realizar mais reformas.

III.

(1) O que deve ser feito? Talvez devêssemos criar outra Igreja para que as coisas funcionem? Bem, essa experiência já foi feita e já falhou. Somente a obediência e o amor a nosso Senhor Jesus Cristo pode nos mostrar o caminho, então primeiramente devemos tentar entender de novo e de dentro (de nós mesmos) o que o Senhor quer e quis de nós.

Em primeiro lugar, gostaria de sugerir o seguinte: se realmente queremos resumir muito brevemente o conteúdo da fé, tal como está na Bíblia, teríamos que fazê-lo dizendo que o Senhor começou uma narrativa de amor com as pessoas e quer abraçar toda a criação nesta narrativa. A maneira de lutar contra o mal que nos ameaça e ameaça o mundo todo, só pode residir no nosso ingresso neste amor em última instância. Esta é a verdadeira força contra o mal, já que o poder do mal surge da nossa recusa em amar a Deus. Quem se entrega ao amor de Deus é redimido. Nossa realidade de não-redimidos é consequência de nossa incapacidade de amar a Deus. Aprender a amar a Deus é, portanto, o caminho da redenção humana.

Vamos tentar desenvolver um pouco mais este conteúdo essencial da revelação de Deus. Podemos assim dizer que o primeiro dom fundamental que a fé nos oferece é a certeza de que Deus existe. Um mundo sem Deus só pode ser um mundo sem significado. Caso contrário, de onde tudo viria? Em todo caso, não haveria um propósito espiritual. De alguma forma, simplesmente está lá e não tem propósito ou significado algum. Então não há padrões de bem ou mal, e somente o que é mais forte do que qualquer outra coisa que se possa afirmar e então o poder se torna o único princípio. A verdade não conta, simplesmente não existe. Somente se as coisas tiverem uma razão espiritual, elas têm uma intenção e são concebidas. Somente se existe um Deus Criador que é bom e que quer o bem, a vida do homem pode então fazer sentido.

Existir um Deus que seja o criador e a medida de todas as coisas é primeiro e acima de tudo uma necessidade, mas um Deus que não se expressa em nada aquilo que é, que não se dá a conhecer, permaneceria como uma presunção e, em consequência, não poderia determinar a forma [Gestalt] do nosso viver. Para que Deus seja realmente Deus nesta criação deliberada, temos que olhar para Ele para que ele se expresse de alguma forma. Ele fez de muitas maneiras, mas decisivamente na vocação de Abraão e deu às pessoas que procuravam a Deus a orientação que nos leva além de toda expectativa: o próprio Deus se torna criatura, falando como um homem conosco, seres humanos.

Nesse sentido, a frase “Deus é”, torna-se ao final uma mensagem verdadeiramente alegre, precisamente porque Ele é mais do que intelecto porque cria – e é – o amor para que mais uma vez as pessoas tenham consciência de que esta é a primeira e mais fundamental tarefa confiada a nós pelo Senhor.

Uma sociedade sem Deus – uma sociedade que não o conhece e o trata como inexistente – é uma sociedade que perde sua medida. Em nossos dias, a frase da morte de Deus foi acunhada. Quando Deus morre em uma sociedade, nos é dito, torna-se livre. Na realidade, a morte de Deus em uma sociedade também significa o fim da liberdade porque o que morre é o propósito que provê orientação, já que desaparece a bússola que nos indica a direção certa e que nos ensina a distinguir o bem do mal. A sociedade ocidental é uma sociedade na qual Deus está ausente na esfera pública e não tem nada para oferecer a ela. E essa é a razão pela qual a sociedade perde cada vez mais sua noção de humanidade. Em pontos individuais, de repente parece que o que é ruim e destrói o homem se tornou uma questão de rotina.

Esse é o caso da pedofilia. Admitiu-se há pouco tempo como algo legítimo, mas se espalhou mais e mais. E agora percebemos com surpresa que as coisas que estão acontecendo com nossas crianças e jovens ameaçam destruí-las. O fato de que isso também pode ser estendido na Igreja e entre os sacerdotes é algo que deve nos interpelar de maneira particular.

Por que a pedofilia atingiu tais proporções? No final, a razão é a ausência de Deus. Nós cristãos e sacerdotes também preferimos não falar de Deus porque esse discurso não parece ser prático. Após a convulsão da Segunda Guerra Mundial, nós na Alemanha ainda tínhamos expressamente em nossa Constituição que estávamos sob a responsabilidade de Deus como um princípio orientador. Meio século depois, já não era possível incluir a responsabilidade para com Deus como um princípio orientador na Constituição Europeia. Deus é visto como a preocupação partidária de um pequeno grupo e não pode mais ser um princípio orientador para a comunidade como um todo. Esta decisão é refletida na situação no Ocidente, onde Deus se tornou um assunto particular, destinado a uma pequena minoria.

Uma tarefa primordial, que deve resultar das convulsões morais de nosso tempo, é que novamente comecemos a viver para Deus e sob Ele. Acima de tudo, temos que aprender mais uma vez a reconhecer Deus como a base de nossa vida. Em vez de deixá-lo de lado como se fosse uma frase ineficaz. Jamais esquecerei o aviso do grande teólogo Hans Urs von Balthasar que uma vez me escreveu em um de seus cartões postais. “Não pressuponha o Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo, apresente-o!”

De fato, na teologia, Deus é sempre tomado como uma questão de rotina, mas na vida concreta não a pessoa não se relaciona com Ele. O tema de Deus parece tão irreal, tão alheio às coisas que nos preocupam e entretanto, tudo se torna diferente quando nós não pressupomos mas apresentamos Deus aos demais. Não deixando para trás como uma moldura, mas reconhecendo-o como o centro de nossos pensamentos, palavras e ações.

(2) Deus se tornou homem para nós. O homem como sua criatura está tão perto de seu coração que se uniu a si mesmo e, assim, entrou na história humana de maneira muito prática. Ele fala conosco, vive conosco, sofre conosco e assumiu a morte por nós. Falamos sobre isso em detalhes em teologia, com palavras e pensamentos aprendidos, mas é precisamente assim que corremos o risco de nos tornarmos professores da fé, em vez de sermos renovados e transformados em mestres pela fé.

Considere isso com relação à questão central, a celebração da Santa Eucaristia. Nossa forma de lidar com a Eucaristia só pode gerar preocupação. O Concílio Vaticano II concentrou-se justamente em devolver este sacramento da presença do corpo e do sangue de Cristo, da presença da sua pessoa, da sua paixão, morte e ressurreição, ao centro da vida cristã e à própria existência da Igreja. Em parte, isso realmente aconteceu e devemos ser gratos ao Senhor por isso.

E ainda assim uma atitude muito diferente prevalece. O que predomina não é uma nova reverência pela presença da morte e ressurreição de Cristo, mas uma maneira de lidar com Ele que destrói a grandeza do Mistério. A queda na participação das celebrações eucarísticas dominicais mostra quão pouco os cristãos de hoje sabem apreciar a grandeza do dom que consiste em sua verdadeira Presença. A Eucaristia tornou-se um mero gesto cerimonial quando se toma por parâmetro que as boas maneiras exigem que que esta seja oferecida em celebrações familiares ou às vezes em casamentos e funerais a todos os convidados, simplesmente por motivos familiares.

A maneira pela qual as pessoas simplesmente recebem o Santíssimo Sacramento na comunhão como algo rotineiro mostra que muitos o veem como um gesto puramente cerimonial. Portanto, quando você pensa sobre a ação que é necessária em primeiro lugar, é bastante óbvio que não precisamos de outra Igreja com um design próprio. Em vez disso, precisa-se, em primeiro lugar, alcançar a renovação da fé na realidade de que Jesus Cristo realmente nos é dado no Santíssimo Sacramento.

Em conversas com vítimas de pedofilia, fiquei muito consciente desse primeiro e fundamental requisito.

Uma jovem que tinha sido acólita me disse que o capelão, seu superior no culto do altar, sempre a introduzia ao abuso sexual com estas palavras: “Este é o meu corpo que será entregue por ti”.

É óbvio que esta mulher não pode mais ouvir as palavras da consagração sem experimentar novamente a terrível angústia do abuso. Sim, temos que implorar ao Senhor urgentemente pelo seu perdão, mas antes de tudo temos que jurar por Ele e pedir a Ele que nos ensine novamente a entender a grandeza de Seu sofrimento e Seu sacrifício. E nós temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger o dom da Santa Eucaristia do abuso.

(3) E finalmente, está o Mistério da Igreja. A frase com que Romano Guardini, há quase 100 anos, expressou a esperança alegre dele, e de tantos outros, permanece inesquecível: “Um evento de importância incalculável começou, a Igreja está despertando nas almas (do povo) “

Ele quis dizer que a igreja não foi experimentada ou vista simplesmente como um sistema externo que entrou em nossas vidas, como uma espécie de autoridade, mas tinha começado a ser percebido como presente nos corações das pessoas, não como algo meramente externo, mas que nos moveu internamente. Quase 50 anos depois, a repensar esse processo e ver o que vem acontecendo, estou tentado a reverter a frase: “A Igreja está morrendo nas almas (das pessoas).”

De fato, hoje a Igreja é amplamente vista apenas como um tipo de aparato político. Fala-se dela quase que exclusivamente em categorias políticas e isso se aplica até mesmo a bispos que formulam a sua concepção da Igreja do amanhã quase exclusivamente em termos políticos. A crise, causada por muitos casos de abuso de clérigos, nos faz olhar para a Igreja como algo quase inaceitável que nós temos que tomar em nossas mãos e redesenhar. Mas uma Igreja que se autoconstrói não pode constituir esperança alguma.

O próprio Jesus comparou a Igreja a uma rede de pesca na qual o próprio Deus separa os bons peixes dos maus. Há também uma parábola da Igreja como um campo onde o trigo cresce que o próprio Deus semeou com a erva daninha que “um inimigo” secretamente lançou. Na verdade, a erva daninha no campo de Deus, a Igreja, é agora demasiado visível e os maus peixes na rede também mostram sua força. No entanto, o campo ainda é o campo de Deus e a rede é a rede de Deus. E em todos os tempos não houve apenas má erva daninha ou peixes ruins, mas também as colheitas de Deus e a boa pesca. Proclamar ambos com ênfase e da mesma forma não só é uma falsa apologética, mas um serviço necessário à Verdade.

Neste contexto, é necessário se referir a um texto importante no Apocalipse de João. O diabo é identificado como o acusador que acusa nossos irmãos diante de Deus dia e noite. (Apocalipse 12:10). O Apocalipse, em seguida, leva um pensamento que está no centro da narrativa no livro de Jó (Jó 1 e 2, 10; 42: 7-16). Ali se diz que o diabo procurou mostrar que a retidão de vida de Jó perante Deus era meramente externa. E é exatamente isso que o Apocalipse tem a dizer: o diabo quer provar que não há pessoas corretas, que sua correção só se mostra externamente. Se alguém pudesse se aproximar, a aparência da justiça cairia rapidamente.

A narrativa começa com uma disputa entre Deus e o diabo, na qual Deus se referiu a Jó como um homem verdadeiramente justo. Agora ele será usado como um exemplo para provar quem está certo. O diabo pede que todas as suas posses sejam removidas para ver que nada resta de sua piedade. Deus permite que ele faça isso, depois do qual Jó age positivamente. Então o demônio pressiona e diz: “Pele por pele! Sim, tudo que o homem tem dará por sua vida. Agora, porém, estende a tua mão e toca o seu osso e a sua carne, e verás se não te amaldiçoa na tua face “(Jó 2,4f).

Então Deus dá ao demônio um segundo round. Ele também toca a pele de Jó e só lhe é negado matá-lo. Para os cristãos, é claro que este trabalho, que se coloca diante de Deus como um exemplo para toda a humanidade, é Jesus Cristo. No Apocalipse, o drama da humanidade nos é apresentado em toda a sua amplitude.

O Deus Criador é confrontado com o diabo que fala a toda a humanidade e a toda a criação. Ele fala não só a Deus, mas acima de tudo ao povo: Veja o que este Deus fez. Supostamente uma boa criação. Na realidade, Ele é cheio de miséria e desprazer. O desânimo da criação é, na realidade, o desprezo de Deus. Ele quer provar que o próprio Deus não é bom e afastar-nos dEle.

A oportunidade da que o Apocalipse nos está falando aqui é óbvia. Hoje, a acusação contra Deus é, acima de tudo, desprezo de Sua Igreja como algo maligno em sua totalidade e, portanto, nos desencoraja dela. A idéia de uma Igreja melhor, feita por nós mesmos, é na verdade uma proposta do diabo, com a qual ele quer nos afastar do Deus vivo usando uma lógica enganosa em que podemos facilmente cair. Não, ainda hoje a Igreja não é feita apenas de peixes ruins e ervas daninhas. A Igreja de Deus também existe hoje e hoje é o mesmo instrumento pelo qual Deus nos salva.

É muito importante opor com toda a verdade as mentiras e meias-verdades do diabo: sim, há pecado e mal na Igreja, mas ainda hoje há a Santa Igreja, que é indestrutível. Também hoje há muitas pessoas que humildemente acreditam, sofrem e amam, em quem o verdadeiro Deus, o Deus amoroso, se mostra a nós. Deus também tem Suas testemunhas (“mártires”) no mundo hoje. Nós apenas precisamos estar atentos para conseguir vê-los e ouvi-los.

A palavra mártir é tirada da lei processual. No julgamento contra o diabo, Jesus Cristo é o primeiro e verdadeiro testemunho de Deus, o primeiro mártir, que desde então tem sido seguido por inúmeros outros.

Hoje, a Igreja é mais do que nunca uma Igreja dos mártires e, portanto, um testemunho do Deus vivo. Se olharmos em volta e escutarmos com um coração atento, hoje poderemos encontrar testemunhas por toda parte, especialmente entre as pessoas comuns, mas também nas altas fileiras da Igreja, que defendem a Deus com suas vidas e seus sofrimentos. É uma inércia do coração que nos leva a não querer reconhecê-los. Uma das grandes e essenciais tarefas de nossa evangelização é, na medida do possível, estabelecer habitats de fé e, acima de tudo, encontrá-los e reconhecê-los.

Eu moro em uma casa, em uma pequena comunidade de pessoas que descobrem repetidamente esses testemunhos do Deus vivo na vida cotidiana, e que alegremente me dizem isso. Ver e encontrar a Igreja viva é uma tarefa maravilhosa que nos fortalece e que, uma e outra vez, nos faz felizes na nossa fé.

Ao final de minhas reflexões, gostaria de agradecer ao Papa Francisco por tudo que ele faz para nos mostrar-nos sempre a luz de Deus que, mesmo nos dias de hoje, não desapareceu.

Obrigado Santo Padre!

Bento XVI

Habemus Papam Fraciscum! O reformador.


Talvez ninguém tenha parado pra perceber ainda, e é compreensível, mas notem que a escolha de “Franciscum” por S.S. Papa Francisco está em total continuidade com a escolha de Bento XVI por “Benedictus”. Explico:

O Bispo Emérito de Roma havia escolhido este nome em “homenagem” a São Bento, conhecidamente um grande reformador da Europa e dos mosteiros de sua época. S.S. Bento XVI fez jus ao nome que escolheu carregar: foi de fato um verdadeiro reformador, aliás um “reformador da reforma”, se é que vocês me entendem. Seus gestos litúrgicos foram muito significantes nessa “reforma da reforma”. Também a sua sempre vigilante atenção doutrinária. Bento XVI foi um reformador doutrinal. Onde entra então nosso querido Papa Francisco?

Entra exatamente no seu nome: Francisco. É evidente que tal escolha é inspirada em São Francisco de Assis. Outro grande reformador da Igreja Católica. Reformador de costumes, principalmente. Um reformador moral. E talvez seja exatamente esta a reforma de que a Igreja necessita hoje. Após as sólidas bases doutrinais deixadas por S.S. Bento XVI, ou seja, o reformador doutrinal, entra em cena agora “Fracesco” o reformador moral. Sim, moral. O reformador de uma cúria desmoralizada e desacreditada por escândalos de corrupção e chantagem.

Minhas esperanças

Com base no exposto acima, espero então ver uma igreja – isso com “i” minúsculo – fortalecida moral e doutrinalmente, não aberta, mas fechada para este mundo moderno. Isso mesmo, fechada para toda imoralidade que o mundo moderno tenta infiltrar nela a todo instante. Isso é possível. Nós tempos um clero santo bem maior que um minúsculo clero pecador, que infelizmente é quem faz a fama da “i”greja. Agora, falando de Igreja – com “i” maiúsculo: não tenho dúvidas, segue firme e forte como rocha referencial em meio as tribulações deste vale de lágrimas.

Habemus Papam! Não estamos mais órfãos! Nunca estivemos. Viva Sua Santidade o Papa Francisco… Da Argentina (mero detalhe)

Decano do colégio cardinalício: “A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas”


SANTA MISSA «PRO ELIGENDO ROMANO PONTIFICE»

HOMILIA DO CARDEAL ANGELO SODANO
DECANO DO COLÉGIO CARDINALÍCIO

Basílica Patriarcal de São Pedro
Terça-feira, 12 de março de 2013

[Vídeo]

 

Queridos Concelebrantes, distintas Autoridades, Irmãos e Irmãs no Senhor!

“Cantarei, eternamente, as bondades do Senhor” é o canto que mais uma vez ressoou junto ao túmulo do Apóstolo Pedro nesta ora importante da história da Santa Igreja de Cristo. São as palavras do Salmo 88 que afloraram em nossos lábios para adorar, agradecer e suplicar ao Pai que está nos Céus. “Misericordias Domini in aeternum cantabo“: é o bonito texto latino, que nos introduziu na contemplação d’Aquele que sempre vela com amor a sua Igreja, sustentado-a em seu caminho ao longo dos séculos e vivificando-a com o seu Espírito Santo.

Também nós hoje com tal atitude interior queremos oferecer-nos com Cristo ao Pai que está nos Céus para agradecer-lhe pela amorosa assistência que sempre reserva à sua Santa Igreja e em particular pelo luminoso Pontificado que nos concedeu com a vida e as obras do 265º Sucessor de Pedro, o amado e venerado Pontífice Bento XVI, ao qual neste momento renovamos toda a nossa gratidão.

Ao mesmo tempo hoje queremos implorar do Senhor que mediante a solicitude pastoral dos Padres Cardeais queira em breve conceder outro Bom Pastor à sua Santa Igreja. Certamente, auxilia-nos nesta ora a fé na promessa de Cristo sobre o caráter indefectível da sua Igreja. De fato, Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cfr. Mt 16,18).

Meus irmãos, as leituras da Palavra de Deus que acabamos de ouvir podem nos ajudar a compreender melhor a missão que Cristo confiou a Pedro e a seus Sucessores.

1. A mensagem do amor

A primeira leitura repropôs-nos um célebre oráculo messiânico da segunda parte do livro de Isaías, aquela parte que é chamada “o Livro da consolação” (Is 40-66). É uma profecia dirigida ao povo de Israel destinado ao exílio na Babilônia. Deus anuncia para o povo de Israel o envio de um Messias cheio de misericórdia, um Messias que poderá dizer: “O espírito do Senhor repousa sobre mim… enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar um ano de graças da parte do Senhor” (Is 61,1-3)

O cumprimento de tal profecia realizou-se plenamente em Jesus, vindo ao mundo para tornar presente o amo do Pai pelos homens. É um amor que se faz notar particularmente no contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza, com todas as fragilidades do homem, tanto físicas quanto morais. É conhecida, a esse propósito, a célebre Encíclica do Papa João Paulo II Dives in misericordia, que acrescentava: “o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica «misericórdia» (Ibidem, n. 3).

Esta missão de misericórdia foi confiada por Cristo aos Pastores da sua Igreja. É uma missão que empenha todo sacerdote e bispo, mas empenha ainda mais o Bispo de Roma, Pastor da Igreja universal. De fato, Jesus disse a Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?… Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21,15). É conhecido o comentário de S. Agostinho a essas palavras de Jesus: “seja, portanto, missão do amor apascentar o rebanho do Senhor”; “sit amoris officium pascere dominicum gregem” (In Iohannis Evangelium, 123, 5; PL 35, 1967).

Na realidade, é este amor que impele os Pastores da Igreja a realizar a sua missão de serviço aos homens de todos os tempos, do serviço caritativo mais imediato até o serviço mais alto, o serviço de oferecer aos homens a luz do Evangelho e a força da graça.

Assim o indicou Bento XVI na Mensagem para a Quaresma deste ano (cfr. n. 3). De fato, lemos em tal mensagem: “De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16)”.

2. A mensagem da unidade

A segunda leitura é extraída da Carta aos Efésios, escrita pelo Apóstolo Paulo justamente nesta cidade de Roma durante a sua primeira prisão (anos 62-63 d.C.).

É uma leitura sublime na qual Paulo apresenta o mistério de Cristo e da Igreja. Enquanto a primeira parte é mais doutrinal (cap. 1-3), a segunda, onde se insere o texto que ouvimos, é de tom mais pastoral (cap. 4-6). Nesta parte Paulo ensina as conseqüências práticas da doutrina apresentada antes e começa com um forte apelo à unidade eclesial: “Exorto-vos, pois – prisioneiro que sou pela causa do Senhor – que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade, mansidão, e paciência. Suportai-vos caridosamente uns aos outros. Esforçai-vos por conservara unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4,1-3)”.

S. Paulo explica em seguida que na unidade da Igreja existe uma diversidade de dons, segundo a multiforme graça de Cristo, mas essa diversidade está em função da edificação do único corpo de Cristo: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, visando o aperfeiçoamento dos cristãos, e o trabalho na obra da construção do corpo de Cristo” (cfr. 4,11-12).

É justamente para a unidade do seu Corpo Místico que Cristo em seguida enviou o seu Espírito Santo e, ao mesmo tempo, estabeleceu os seus Apóstolos, entre os quais Pedro tem a primazia como o fundamento visível da unidade da Igreja.

Em nosso texto São Paulo ensina-nos que também todos nós devemos colaborar para edificar a unidade da Igreja, porque para realizá-la é necessária “a colaboração de cada conexão, segundo a energia própria de cada membro” (Ef 4,16). Todos nós, portanto, somos chamados a cooperar com o Sucessor de Pedro, fundamento visível de tal unidade eclesial.

3. A missão do Papa

Irmãos e irmãs no Senhor, o Evangelho de hoje reconduz-nos à última ceia, quando o Senhor disse aos seus Apóstolos: “Este é o meu mandamento: que vós ameis uns aos outros, com eu vos amei” (Jo 15,12). O texto se une assim também à primeira leitura do profeta Isaías sobre o agir do Messias, para recordar-nos que a atitude fundamental dos Pastores da Igreja é o amor. É aquele amor que nos impele a oferecer a própria vida pelos irmãos. De fato, Jesus nos diz: “ninguém tem um amor maior do que este: dar a vida pelos próprios amigos” (Jo 15,12).

A atitude fundamental de todo bom Pastor é, portanto, dar a vida por suas ovelhas(cfr Jo10,15). Isto vale, sobretudo, para o Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. Porque quanto mais alto e mais universal é o ofício pastoral, tanto maior deve ser a caridade do Pastor. Por isto no coração de todo Sucessor de Pedro sempre ressoaram as palavras que o Divino Mestre dirigiu um dia ao humilde pescador da Galileia: “Diligis me plus his? Pasce agnos meos… pasce oves meas“; “Amas-me mais do que estes? Apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas!” (cfr. Jo 21,15-17).

No sulco deste serviço de amor pela Igreja e pela humanidade inteira, os últimos Pontífices foram artífices de muitas iniciativas benéficas também para os povos e a comunidade internacional, promovendo sem cessar a justiça e a paz. Rezemos para que o futuro Papa possa continuar esta incessante obra em nível mundial.

Ademais, este serviço de caridade faz parte da natureza íntima da Igreja. Recordou-nos isso o Papa Bento XVI dizendo-nos: “também o serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e é expressão irrenunciável da sua própria essência” (Carta Apostólica em forma de Motu proprio Intima Ecclesiae natura, 11 de novembro de 2012, proêmio; cfr. Carta Encíclica Deus caritas est, n. 25).

É uma missão de caridade que é própria da Igreja, e de modo particular é própria da Igreja de Roma, que, segundo a bela expressão de S. Inácio de Antioquia, é a Igreja que “preside à caridade”; “praesidet caritati” (cfr. Ad Romanos, praef.: Lumen gentium, n. 13).

Meus irmãos, rezemos a fim de que o Senhor nos conceda um Pontífice que realize com coração generoso tal nobre missão. É o que Lhe pedimos por intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, e de todos os Mártires e Santos que ao longo dos séculos deram glória a esta igreja de Roma. Amém!

Cardeais reunidos pela quarta vez. Faltam poucos eleitores. Esta tarde, oração pela Igreja, na basílica de São Pedro


2013-03-06 Rádio Vaticana
Pela quarta vez neste período de Sé Vacante, os membros do Colégio dos Cardeais reuniram-se de novo nesta quarta-feira de manhã, às 9.30h, prosseguindo com diversas intervenções livres, sobre a situação da Igreja e do mundo, a ter em conta no momento de eleger o novo Papa, no Conclave cuja data deve ser estabelecida em breve.
Ontem encontravam-se já em Roma 110 Cardeais dos 115 Eleitores que deverão eleger o sucessor de Bento XVI. Os restantes cinco purpurados, segundo informou Padre Lombardi, porta voz da Sé Apostólica, estão em contacto com o Cardeal Decano e deverão chegar proximamente. São eles: o patriarca Naguib, egípcio, emérito de Alexandria dos Coptos; o alemão Lehmann, de Mainz; John Tong, de Hong Kong; Pham Minh-Man, do Vietname; e o polaco Nicz, arcebispo de Varsóvia. Entretanto, segundo quanto decidiram ontem, os Cardeais promovem esta tarde, às 17 horas, na basílica de São Pedro, junto ao altar da Cátedra, um momento de oração pela Igreja. A celebração terá início com o Terço do Rosário (mistérios gloriosos), em latim e italiano. Seguirá a exposição solene do Santíssimo Sacramento, com um tempo de adoração; finalmente, a recitação de Vésperas (presididas pelo cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica)

Bento XVI e eu


Sou dele, e ele é meu

Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo

Bento XVI é o meu papa. Em 2005 quando assumiu o ministério petrino, em datas marcantes na minha vida particular, este papa era tão relevante pra mim quanto para um ateu. Não que eu fosse ateu. Pelo contrário, era membro da RCC, e procurava atuar na Igreja como um jovem “revolucionário”, no melhor sentido da palavra, e devo admitir, a RCC – da qual atualmente não sou tão “partidário” – me ajudava e impulsionava a isto. Sim caro leitor, é isso mesmo, estou elogiando a RCC, mas não é dela que estou tratando neste post. Não tive tempo suficiente para conhecer João Paulo II, apesar de na sua morte eu já contabilizar meus 18 anos, era um imaturo doutrinal.

O tempo passou, conheci a Montfort (apenas pelo site), deixei a RCC, virei “tiete” do saudoso professor Orlando, depois me solidifiquei mais um pouco na lista tradição católica e hoje cá estou eu a escrever neste blog que quase ninguém lê. Onde entra Bento XVI nesta história? Ora, toda esta trajetória de mudanças radicais em minha vida foi sob a sombra dele. O professor Orlando Fedeli me ensinou a amar este papa. Sim, há muitos contra o professor, há muitos contra algumas coisas que ele ensinou, mas não estou aqui a julgar o professor, também não é o assunto deste post – Orlando Fedeli não era perfeito, mas fincou alguns tijolos na catedral de minh’alma que está em construção. Bento XVI também. Muitos tijolos foram postos por Bento XVI em minh’alma. Spes salvi muito me ajudou neste período de mudanças em minha vida. Deus caritas est conheci quando ainda estava na RCC, e tentei ainda fazer com que se estudasse este documento por lá. Caritaits in veritati me foi elucidadora!

Bento XVI é o meu papa! O seu discurso à cúria de dezembro de 2005! A liberação da Santa Missa em 2007! A corajosa atitude do levantamento das excomunhões posteriormente! O valente combate a pedofilia e homossexualismo, este pai daquele. A defesa da família! A defesa do embrião! O valente combate à AIDS na África e no mundo! Os puxões de orelhas nos prevaricadores bispos brasileiros nas visitas ad limina! A facada na moribunda Teologia da Libertação, seja quando ainda cardeal ao lado de João Paulo II, seja na sua visita ao Brasil para a abertura do CELAM. A facada na ainda viva e atuante Maçonaria, quando ainda era cardeal da Congregação para Doutrina da Fé!  A defesa da vida e da civilização ocidental em processo de autodestruição. Ah Bento XVI… o meu papa! Meu! Que diria eu se diante dele pudesse estar? Obrigado! Era o que diria. Obrigado por me confirmar na fé. Ó doce Cristo na Terra! Sou muito grato, imerecedor, de ter em nossa época um Papa como este. Não, nós não merecemos Bento XVI. Precisamos, é verdade, mas não merecemos.

Quando em um sitiozinho próximo a minha cidade natal, a mais de 400km da capital Fortaleza, e a milhares de quilômetros da Europa do Vaticano recebo a notícia de minha esposa que por telefone havia recebido a notícia de uma prima minha que Bento XVI havia renunciado, o que pensei? Com espírito mundano e cheio de conspirações logo pensei: foi a Maçonaria! Eles deram um jeito de derrubar o papa. Mas quando, de volta a civilização (ou ao que resta dela), leio o discurso do santo padre logo me acalmo, inquieto, triste e frustrado é bem verdade, mas mais calmo. Assim que leio as suas palavras me vêm a mente aquele papa que havia renunciado para ser monge, o qual no momento se quer lembrava o nome, mas assim respondi para a minha esposa quando me perguntara se algum papa já havia tomado semelhante decisão. Acolhi conformado, pois não tinha mais jeito, a sua escolha. Me entristeci. Me senti órfão, abandonado ao relento de um mundo tomado por lobos modernistas. Temi pelo futuro da Igreja. Agora não temo mais. A promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo me alenta, mas também as ultimas e fortes palavras do melhor pontificado da minha breve vida me acalmam, me conformam e me fazem ter confiança no sucessor do papa da minha vida!

Este texto está uma porcaria. Não é o que tinha em mente. Não consegui expor o que realmente queria. Mas não consigo mais do que isso. Não era somente isso que queria falar de Bento XVI. É muito mais. Mas não consigo. Não sei. Não tenho intelecto para mais. Sou um limitado cristão católico vítima da modernidade que viu em S.S. Bento XVI uma luz no fim do túnel. Sou um velho jovem de Bento XVI. Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo. É isto. Podem ir agora. Tchau.

Sé vacante

Íntegra da ultima audiência de S.S. Bento XVI: “Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão”


Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Autoridades ilustres!
Queridos irmãos e irmãs!

Obrigado por ter vindo em grande número a esta minha última audiência geral.

Obrigado! Eu estou realmente tocado! E eu vejo a Igreja viva! E eu acho que nós também temos que agradecer ao Criador para o clima agradável que nos dá, mesmo agora no inverno.

Como o Apóstolo Paulo no texto bíblico que acabamos de ouvir, eu sinto no meu coração ter de agradecer especialmente a Deus que orienta e edifica a Igreja, que é a semeadora de sua Palavra e, portanto, alimenta a fé em seu povo. Neste momento, meu ânimo se alarga e abraça toda a Igreja em todo o mundo; e eu agradeço a Deus pela “notícia” de que neste ano de ministério petrino eu haver podido receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e o amor que circula realmente no corpo da Igreja que a faz viver no amor, e da esperança que se abre e se orienta para a plenitude da vida, em direção à pátria celeste.

Sinto que trago todos em oração, em um presente que é aquele de Deus, onde eu coleciono cada reunião, a cada viagem, a cada visita pastoral. Tudo e todos se reúnem em oração para confiá-los ao Senhor, porque temos pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual, e por que nos comportamos de maneira digna Dele e de Seu amor, frutificando em toda boa obra (cf. Col 1 0,9-10).

Neste momento, há uma grande confiança em mim, porque eu sei, todos nós sabemos, que a palavra da verdade do Evangelho é o poder da Igreja, que é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, dá frutos, onde a comunidade de crentes ouve e recebe a graça de Deus na verdade e na caridade. Esta é a minha fé, esta é a minha alegria.

Quando, em 19 de abril de quase oito anos atrás, eu concordei em assumir o ministério petrino, tive a firme convicção de que sempre me acompanhou: esta certeza da vida da Igreja, a Palavra de Deus. Naquele momento, como já havia expresso outras vezes, as palavras que foram ditas em meu coração foram: Senhor, por que me pedes isso e que coisa me pedes? É um grande peso que me põe sobre os ombros, mas se Tu me pedes, a tua palavra lançarei as redes, confiante de que vais me guiar, mesmo com todas as minhas fraquezas. E oito anos depois, posso dizer que o Senhor me guiou, me estava próximo, eu podia sentir a sua presença todos os dias. Ela foi uma parte do caminho da Igreja, que teve momentos de alegria e luz, mas momentos também difíceis, eu me senti como São Pedro e os Apóstolos no barco no Mar da Galiléia, o Senhor nos deu muitos dias de sol e uma brisa leve, os dias em que a pesca é abundante, e havia também momentos em que a água era agitada e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas eu sempre soube que naquela barca está o Senhor e eu sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas dEle. E o Senhor não vai deixá-la afundar, é ele quem a conduz, certamente através dos homens que ele escolheu, porque ele queria. Esta foi e é uma certeza de que nada pode ofuscar. E é por isso que hoje meu coração está cheio de gratidão a Deus porque ele não sente falta de toda a Igreja e para mim o seu consolo, a sua luz, seu amor.

Estamos no Ano da Fé, o que eu queria para fortalecer a nossa própria fé em Deus, em um contexto que parece coloca-la mais e mais em um segundo plano. Eu gostaria de convidar a todos para renovar a firme confiança no Senhor, confiar como crianças nos braços de Deus, a certeza de que seu braço nos apoia e é o que nos permite caminhar todos os dias, mesmo na fadiga. Eu gostaria que todos se sintam amados por Deus, que deu o seu Filho por nós e nos mostrou seu amor sem limites. Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão. Em uma bela oração recitada diariamente no período da manhã se diz: “Eu te adoro, meu Deus, eu te amo com todo o meu coração. Agradeço-lhe por ter me criado, feito cristão”. Sim, estamos felizes pelo dom da fé; é a coisa mais preciosa, que ninguém pode tirar de nós! Agradecemos a Deus por isso todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós o amamos!

Mas não é só Deus que eu quero agradecer neste momento. Um Papa não é só na liderança do barco de Pedro, mesmo que seja sua a principal responsabilidade. Não tenho estado nem nunca estive só na alegria e peso do ministério petrino; o Senhor me colocou ao lado de muitas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram e estiveram próximas. Primeiro de tudo vocês, queridos Irmãos Cardeais:  vossa sabedoria, vosso conselho, vossa amizade foram preciosos para mim; meus colaboradores, começando com meu Secretário de Estado que me acompanhou fielmente ao longo dos anos, a Secretaria de Estado e toda a Cúria Romana, bem como todos aqueles que, em diversas áreas, deram o seu serviço à Santa Sé: são muitas faces que não aparecem, permanecem na sombra, no silêncio, no seu trabalho diário, em um espírito de fé e humildade foram o meu apoio seguro e confiável. Um sentimento especial para a Igreja de Roma, a minha diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, pessoas consagradas e todo o Povo de Deus nas visitas pastorais, nas reuniões, nas audiências, viagens, em que sempre recebi grande cuidado e afeto profundo; eu também amei todos e cada um, sem exceção, com a caridade pastoral, que é o coração de todo pastor, especialmente o Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro. Todos os dias eu trouxe cada um de vocês em oração, com o coração do pai.

Eu queria que meus cumprimentos e os meus agradecimentos chegasse a todos então: o coração de um Papa se estende a todo o mundo. E eu gostaria de expressar minha gratidão ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, o que torna esta uma grande família de nações. Aqui eu também acho que de todos aqueles que trabalham para uma boa comunicação e agradeço-lhes por seu serviço importante.

Neste ponto, eu gostaria de agradecer de todo o meu coração a muitas pessoas ao redor do mundo, que nas últimas semanas me enviaram comoventes provas de amizade, atenção e oração. Sim, o Papa nunca está sozinho, agora eu pude experimentá-lo novamente de uma forma tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e a tantas gente me sinto muito próximo a elas. É verdade que eu recebo cartas de grande parte do mundo – por parte dos chefes de Estado, líderes religiosos, representantes do mundo da cultura e assim por diante. Mas eu também recebo muitas cartas de pessoas comuns que escrevem para mim simplesmente a partir de seu coração e me fazem sentir seu afeto que nasce da nossa experiência com Jesus Cristo, na Igreja. Essas pessoas não me escrevem como se escreve a um príncipe ou a um importante que não conhecem. Eu escrevem como irmãos e irmãs, filhos e filhas, com o sentido de laços familiares muito afetuosos. Aqui você pode tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, uma associação para os religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunidade de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. Experimente a Igreja dessa forma e você quase pode tocá-la com as suas mãos o poder de sua verdade e seu amor, é uma fonte de alegria, um momento em que muitos falam de seu declínio. Vejamos como a Igreja está viva hoje!

Nos últimos meses, eu senti que a minha força diminuiu, e eu pedi a Deus fervorosamente em oração para que me iluminasse com a sua luz para me fazer tomar a decisão certa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja . Tomei este passo com plena consciência de sua gravidade e também inovação, mas com uma profunda paz de espírito. Amar a Igreja também significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante o bem da Igreja e não a si mesmo.

Aqui permita-me para voltar mais uma vez a 19 de abril de 2005. A gravidade da decisão foi justamente no fato de que a partir daquele momento eu estava ocupado sempre e para sempre do Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem qualquer privacidade. Sempre e totalmente pertence a todos, a toda a Igreja. Sua vida é, por assim dizer, totalmente privada da esfera privada. Eu pude experimentar, e experimento precisamente agora, que um recebe a vida como Ele dá [tradução incerta]. Eu disse antes que muitas pessoas que amam o Senhor também amam o Sucessor de São Pedro e gostam dele, que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas de todo o mundo, e que ele se sente seguro no abraço de a comunhão, porque já não pertence a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.

O “sempre” é também um “para sempre” – há um retorno para o privado. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério, não o revoga. Não retorno a vida privada, a uma vida de viagens, reuniões, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas estou em um novo modo  unido ao Senhor crucificado. Eu não uso mais do poder de Oficio para o governo da Igreja, mas no serviço da oração, por assim dizer, no pátio de São Pedro. São Bento, cujo nome porto de Papa, me será um grande exemplo disso. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence inteiramente à obra de Deus

Agradeço a todos e a cada um pelo respeito e compreensão com que têm recebido esta importante decisão. Vou continuar a acompanhar o caminho da Igreja, através da oração e da reflexão, com a dedicação ao Senhor e à sua esposa, que tentei viver até agora todos os dias e que quero viver para sempre. Eu peço que lembrem-se de mim diante de Deus, e acima de tudo rezem para os cardeais, que são chamados para uma tarefa tão importante, e pelo novo Sucessor de Pedro: o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito.

Invoco a materna intercessão de Maria, Mãe de Deus e da Igreja que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial, para que nós, confiança profunda.

Queridos amigos! Deus guia Sua Igreja sempre, e especialmente em tempos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vocês, há sempre a certeza alegre que o Senhor está próximo, não nos abandona, perto de nós e nos envolve com seu amor. Obrigado!

___________

Logo após estas palavras, o Santo Padre fez sua saudação em diversas línguas.

Traduzido do original em italiano do site da Santa Sé.

Tradução não oficial e não autorizada feita por mim.

O ultimo bonde para a FSSPX


POR ANDREA TORNIELLI – do Vatican Insider | Tradução §|Olhar Católico|§

Uma carta do Arcebispo Müller convida a sociedade a responder positivamente até 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro
O PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

O PREFEITO DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

CIDADE DO VATICANO – Último ato e última tentativa para os seguidores de D. Lefebvre. A Santa Sé pede a FSSPX para aceitar o acordo proposto por Roma [e responder] em 22 de fevereiro, festa da Cátedra de São Pedro, e, portanto, antes da demissão de Bento XVI entrar em vigor.

Depois da carta “pessoal”, e muito espiritual, enviada em dezembro passado para aos lefebvrianos pelo arcebispo americano D. Augustine Di Noia, uma nova carta datada de 08 de janeiro chegou ao superior da Fraternidade, Dom Bernard Fellay. Não se sabe ao certo se foi apresentado como um verdadeiro “ultimato”, mas certamente o documento – assinado por Dom Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” – coloca pela primeira vez um prazo aos lefebvrianos. Que sob a luz da clamorosa renúncia de Bento XVI acaba por assumir uma dramaticidade particular.

A existência da carta foi confirmada pelo abade Claude Barthe, intérprete cuidadoso das relações entre Roma e o tradicionalismo, em uma entrevista ao “Présent” no dia 16 de fevereiro: “Todo mundo já sabe que a Comissão Ecclesia Dei enviou uma carta ao bispo Fellay em 08 de janeiro e espera uma resposta dele em 22 de fevereiro, a festa da Cátedra de São Pedro”. Neste dia, 22 de fevereiro, pode ser datado a criação da Prelazia de São Pio X. Isto representaria a verdadeira conclusão do pontificado de Bento XVI: a reabilitação do Arcebispo Lefebvre. Pode-se imaginar o barulho do trovão e também, indiretamente, o peso da influência deste no evento de Março, ou seja, o conclave.

De acordo com o Abbé Barthe, os esquemas não seriam assim tão fechado. Embora pareça objetivamente improvável que os lefebvrianos aceitem assinar o “preâmbulo doutrinal” que a Santa Sé deu a eles em junho passado. De acordo com o jornal católico francês “La Croix”, em caso de silêncio no prazo de 22 de fevereiro, Roma reserva-se o direito de aplicar a cada um dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com um apelo direto, sem passar pelo seu superior Fellay. Convidando-os a voltar a entrar individualmente em comunhão com Roma. As primeiras reações do clero lefebvriano, no entanto, parecem bastante unidas e alinhadas com a de seu superior.

Como se sabe, em junho passado, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada, entregou nas mãos de Fellay a mais recente versão do preâmbulo doutrinal acompanhado pela proposta de um acordo canônico, que pretendia transformar a Sociedade de São Pio X em uma Prelatura pessoal.

Nesse documento se pedia aos lefebvrianos que reconhecessem que o Magistério é o intérprete autêntico da Tradição, que o Concílio Vaticano II está de acordo com a Tradição, e que o desenvolvimento da reforma litúrgica pós-conciliar promulgado pelo Papa Paulo VI não foi apenas válido, mas também lícita. Estas condições foram discutidas pelo Capítulo Geral da Sociedade, em julho de 2012, mas nenhuma resposta veio a Roma. Declarações e entrevistas do líder dos lefebvrianos , no entanto, deu a entender que era difícil de aceitar as condições.

A renúncia do Papa levará a uma aceleração dos tempos? Difícil dizer. Certamente uma situação tão favorável, com um Papa tão bem preparado, vai ser difícil se repetir no futuro. E, em caso de recusa à Santa Sé, neste caso, o novo Papa terá que decidir o que fazer.

Assuntos não resolvidos a espera do conclave


POR ANDREA TORNIELLIdo Vatican Insider | Tradução §|Olhar Católico|§

Reformar a Cúria, o mais pesado legado para o novo Pontífice

TORNIELLI
CIDADE DO VATICANO

Nas conversas entre os cardeais na sombra das paredes do Vaticano, nestes dias, mais do que a sucessão do novo Papa há se perguntado sobre o futuro das obras inacabadas deixadas por Bento XVI. Os problemas não resolvidos do pontificado. A discussão sobre as prioridades para a Igreja Católica no futuro será, de fato, decisiva para a escolha do seu sucessor.

 

O Papa Ratzinger tem se concentrado no anúncio da fé cristã no mundo e criou um "ministério" vaticano para a "Promoção da Nova Evangelização". A renúncia, no entanto, deixa incompleta a resposta papal à crise de fé, sobretudo do ponto de vista positivo e propositivo. Como comunicar o evangelho na sociedade pós-cristã, abandonando uma linguagem auto-referencial que é o a mais comum em tantos documentos da Igreja? O Papa deu um exemplo de uma comunicação eficaz, que nem sempre foi bem recebida.

Outra questão não resolvida diz respeito à liturgia. Como cardeal, Ratzinger havia auspiciado uma “reforma da reforma” da litúrgia conciliar, que recuperasse a sacralidade do rito. Nessa tentativa foi enquadrada também a decisão de liberalizar, em 2007, a missa em latim segundo o rito em vigor antes do Concílio, uma das medidas mais contestadas papais dentro da Igreja. O Pontífice alemão, como mostra o livro […] escrito por Gianni Valente, "Ratzinger no Vaticano II" (San Paolo), não se encaixa em tudo no clichê conservador: ele viveu na primeira pessoa e pediu reformas conciliares, das quais não se arrependeu.

A liberalização da antiga missa deveria servir para, no seu entender, trazer o tradicionalismo para uma correta interpretação das reformas conciliares para mitigar certos abusos e da possível “degeneração da Missa em show”. Mas a "reforma da reforma" não estava lá. O Papa tentou dar o exemplo: nas missas celebradas por ele se fez aparecer vestido de paramentos antigos e barrocos; a comunhão de joelhos; um maior uso do latim e do canto gregoriano; […]. Certa exterioridade acabou passando uma visão distorcida de recordar o essencial da liturgia como um encontro com o mistério.

O processo relativo aos  lefebvrianos, uma iniciativa do Papa, tinha como objetivo chegar a sanar o cisma de 1988, permanece sem solução. Durante anos o Papa estendeu a mão, respondeu positivamente aos pedidos da Sociedade de São Pio X, retirando as excomunhões e abrindo-se ao diálogo doutrinal. Apesar das concessões, a resposta positiva não chegou.

Como teólogo, Ratzinger tem um modo de pensar particular sobre o  que une cristãos ao judaísmo. No entanto, alguns incidentes de percurso, causados ​​pelo mau funcionamento da máquina curial, criaram tensões com o mundo judeu: a excomunhão removida para o bispo Williamson, negador das câmaras de gás e a polêmica em torno [dos textos] da Sexta-feira Santa encontrados na antiga liturgia liberalizada.

E ainda há mal-estar, após a polêmica de Ratisbona, no relacionamento com o mundo islâmico, na espera do novo equilíbrio da Primavera Árabe: as viagens na Turquia, Jordânia, Israel e Líbano foram sucessos; as nomeações de novos líderes da Igreja Católica no Oriente, no Iraque e Egito, era a esperança apesar das dificuldades. Continua em aberto as relações com a China: nos últimos anos seguiu os passos positivos, mas também lágrimas dolorosas.

No início de seu pontificado muitos esperavam que Bento XVI reformaria a Cúria Romana. Que a simplificasse para torná-la mais funcional, redimensionando em parte  o papel central da Secretaria de Estado, para dar mais poder aos discatérios e uma dimensão mais colegial. Os projetos ficaram no papel, depois de algumas tentativas iniciais de fusão. As nomeações episcopais da Cúria se multiplicaram e o vatileaks revelou uma realidade de tensões, confrontos e concordatas. O Papa, que era capaz de lutar como nenhum outro contra o flagelo da pedofilia na Igreja, não foi capaz de completar o trabalho de reforma interna do Vaticano e teve sempre uma equipe em torno dele para filtrar suas instruções e atos de governo.

Há ainda o assunto não resolvido da dissidência, representada por grupos de sacerdotes que abertamente convidam a desobediência, pelo fim do celibato sacerdotal e para pedir o sacerdócio das mulheres. Finalmente, em uma sociedade secularizada, o local permanece aberto sobre as respostas para a crise do casamento e do crescente número de divorciados e recasados. Há apenas três semanas, Bento XVI convidou a investigar a possibilidade de declarar um casamento nulo e sem efeito por falta de fé. Caberá ao seu sucessor também esta questão

Twitter: Papa supera 2 milhões de seguidores


Cidade do Vaticano (RV) – Cinco dias após ter enviado seu primeiro tweet, a conta em oito línguas do papa Bento XVI, @Pontifex, superou dois milhões de seguidores. O Presidente da Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Arcebispo Cláudio Maria Celli conversou com a Rádio Vaticano sobre o ingresso de Bento XVI neste novo espaço de comunicação.
Dom Celli explicou que “o Santo Padre teve o desejo de entrar neste espaço comunicativo, que para homem de hoje também é um ambiente existencial. As novas tecnologias, – destaca -, deram origem a uma nova cultura: deixaram de ser um instrumento de comunicação para se tornar um lugar, um ambiente, onde o homem de hoje vive. O desejo do Santo Padre é de estar alí onde os homens habitam e estar ao lado deles com palavras de verdade, adaptando-se a esta linguagem criada pelo Twitter, em 140 caracteres”.
Referindo-se aos diferentes contextos e limites da cultura digital, como as redes sociais, o prelado observa que “se olharmos para o mapa de distribuição de tecnologias, nos damos conta que na África existe um vazio. Isto significa que faltam provedores, falta eletricidade, faltam tantas coisas. O mesmo vale para algumas regiões da América Latina e da Ásia. Isto representa para a Igreja, que também ela, que atua nestes contextos para anunciar o Evangelho, deve levar em consideração as diferentes velocidades com que são oferecidas estas novas possibilidades digitais.”
O Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais adverte para o risco de as notícias não serem avaliadas corretamente devido à quantidade e à velocidade com que chegam a nós: “Corremos o risco – adverte – de perder a orientação. Somos inundados por tantas notícias, que não conseguimos descobrir onde está a Boa Nova, que é a resposta verdadeira aos problemas, da minha vida, do meu coração e isto, inegavelmente, é um desafio. Por esta razão temos necessidade não de fechar, mas de educar as pessoas neste contexto comunicativo, para descobrir o sentido de certas coisas”, conclui (JE)

Superior do distrito alemão da FSSPX: “Se quiser chegar a uma acordo Roma tem que mudar suas exigências”


Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: §|Olhar Católico|§

 

FRANZ SCHMIDBERGERFranz Schmidberger, superior do distrito alemão da Fraternidade São Pio X e primeiro sucessor de Dom Lefebvre na guia dos lefebvrianos, explicou o estado da questão sobre as relações com a Santa Sé, e revelou alguns detalhes sobre a carta que Bento XVI enviou ao bispo Bernard Fellay em junho deste ano. A entrevista de 18 de setembro é esta aqui.

Schmidberger insistiu sobre as exigências feitas pela Fraternidade para chegar à normalização das relações com Roma: "Acima de tudo, que haja a permissão para continuar a denunciar certos erros do Concílio Vaticano II, ou seja, para falar abertamente. Segundo, que concordem em não usar os livros litúrgicos de 1962, incluindo o missal. Em terceiro lugar, que sempre haja um bispo na hierarquia da Fraternidade, escolhido em seu interior."

O superior do distrito alemão, próximo de Fellay e representante da ala mais aberta ao diálogo da Fraternidade, também falou na entrevista de uma "mudança" que teriam ocorrido em 13 de junho, durante a última reunião entre Fellay e o Cardeal William Levada, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. "Nos apresentou um documento doutrinário novo que, por um lado, concorda com o texto proposto pelo bispo Fellay, mas por outro lado, contém algumas mudanças significativas que nos colocam em um problema real: Isto criou uma situação nova."

Franz Schmidberger confirmou ademais que a carta de Bento XVI à Fellay é "uma resposta a uma pergunta que havíamos formulado ao Papa". E, pela primeira vez, revela o conteúdo desta pergunta: "Nós queríamos saber se estes novos requisitos foram adicionados com a sua aprovação, se provinha realmente dele ou se, em vez disso, provinha de algum de seus colaboradores". O Papa, afirmou o religioso tradicionalista, "assegurou-nos que era sua vontade que tivéssemos de aceitar essas novas demandas".

Schmidberger também criticou o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, que seria "hostil" à fraternidade. Ele expressou o seu apreço pelo vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei, Dom Augustine Di Noia, com quem a Fraternidade está em contato constante. Também atacou o novo secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Arthur Roche, dizendo que era um dos que se opuseram ao motu proprio que havia liberalizado a Missa Antiga.

O lefebvriano acrescentou que não acha que uma nova excomunhão acontecerá no caso da FSSPX responder negativamente a dois pontos (sobre a validade da Missa Nova e continuidade da doutrina) exigidos no preâmbulo: "O Papa, em 2009, retirou a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos da Fraternidade", sendo assim uma nova excomunhão "representaria uma falta de coerência entre o seu pensamento e suas ações… Visto que a Fraternidade é, de certa forma, a coluna vertebral, o ponto de referência para todos que apoiam a tradição da Igreja", uma nova excomunhão "seria um desastre". Não tanto para a Fraternidade, "mas para a igreja".

“Não se pode ceder em plena batalha”: Bispo Tissier de Mallerais da FSSPX revela existência de carta do Papa Bento XVI enviada ao Superior da Fraternidade puco antes do Capítulo


Existência de carta de Bento XVI é revelada durante conferência do bispo lefebvriano Tissier de Mallerais, que havia dado como impossível o acordo com a Santa Sé.

Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: §|Olhar Católico|§

Em 30 de junho, poucos dias antes do capítulo geral da Sociedade de São Pio X, Bento XVI escreveu uma carta ao superior lefrebvista, o bispo Bernard Fellay. A existência da carta foi revelada por Dom Bernard Tissier de Mallerais, um dos quatro bispos da Fraternidade de posições conhecidas contrárias ao acordo com Roma, durante uma conferência realizada em 16 de setembro, na França, Priorado St. Louis- . Maria Grignon de Montfort traduzida em italiano aqui.

O bispo disse que: “Em 30 de junho de 2012 – é um segredo que irá revelar, mas que será tornado público – o Papa escreveu de próprio punho uma carta ao nosso Superior Geral, monsenhor Fellay: ‘Lhe confirmo efetivamente que, para serem realmente reintegrados na Igreja precisa aceitar realmente o Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar’”

“Trata-se propriamente – disse Tissier de Mallerais – de um ponto de parada, porque para nós não é aceitável, e não podemos assinar uma coisa dessas. Pode-se fazer alguns esclarecimentos, porque o Concílio é tão grande que você pode encontrar algumas coisas boas, mas esta não é a essência do Concílio. “

O bispo lefebvriano durante a conferência pronunciou palavras muito duras: “Não se pode ceder em plena batalha, não tentaremos o armistício [N.T.: trégua] enquanto a gerra seb enfurece: com Assis 3º ou 4º no ano passado; com a beatificação de um falso beato, o Papa João Paulo II. Uma coisa falsa, uma falsa beatificação. E com a exigência ,constantemente lembrada pelo Papa Bento XVI, de aceitar o Concílio e as reformas do magistério pós-conciliar. “

Tissier de Mallerais também disse que “a colegialidade, que destrói o poder do Papa, que já não se atreve a resistir às conferências epicscopais”; destrói “o poder dos bispos, que não ousam a resistir às conferências”. Acrescentou ainda que o ecumenismo “defende os valores da salvação de falsas religiões e do protestantismo, coisas que são falsas”, enquanto a liberdade religiosa “deixa de boa vontade construir livremente mesquitas em nossos países.”

“Obviamente – disse o bispo lefebvriano – estas questões não se pode assinar. Sobre este ponto não há acordo e não haverá acordo”. E não obstante a insistência da “Roma modernista”, Tissier assegura: “Pessoalmente, eu não vou assinar nunca estas coisas, é claro. Eu nunca vou dizer que a Missa Nova é legítima ou legal, vou dizer que muitas vezes é inválida, nas palavras do Arcebispo Lefebvre. Eu nunca vou dizer: ‘O Conícilio, se o interpreta-se bem, talvez fosse possível corresponder com a Tradição, se poderia encontrar um sentido aceitável’.”

Depois de definir como “mentiroso” o texto do preâmbulo doutrinal apresentado em 12 de junho pelo Cardeal William Levada para Fellay, o bispo lefebvriano disse que o Capítulo Geral da Sociedade reunido em julho passado tomou “decisões muito doce, suave”, de modo a “apresentar a Roma os obstáculos de Roma que ninguém se atreve a importunar”, dispondo de “condições praticamente impossíveis de impedir que nos leve a novas propostas. Mas o diabo é mau, e eu acho que eles vão voltar para o ataque e eu me preparo com cuidado também para proteger e defender a Fraternidade “.

Imagem de Nossa Senhora verte lágrimas de sangue concomitante a visita do Papa ao Líbano


Copiei e colei daqui: Terra.

 

Uma imagem de Nossa Senhora na cidade de Byblos, ao norte de Beirute, começou a chorar sangue e óleo, segundo meios de comunicação libaneses, que destacaram que o fenômeno coincide com a visita do papa Bento XVI ao país.

A estátua, que está no santuário de Nossa Senhora dos Mares em Byblos, considerada a cidade mais antiga do mundo e que deu seu nome à Bíblia, supostamente solta sangue e óleo pelo olho direito, pela boca e pelo pescoço.

A emissora de rádio A Voz do Líbano detalhou que a imagem começou a chorar ontem às 20h (14h de Brasília). O sacerdote da igreja, o padre Charbel Beirute, assinalou a essa rádio que, embora ele mesmo tenha comprovado que a estátua libera óleo e sangue, espera que as autoridades eclesiásticas mandem um comitê para averiguar se este fenômeno pode ser classificado como um milagre.

Bento XVI chegou ontem ao Líbano para uma visita de três dias, a primeira a este país em seus sete anos de Pontificado

Devagar com o andor…

A volta dos que não foram…


É com grande alegria que, via Fratres in Unum, podemos anunciar que em breve a FSSPX estará de volta à Santa Igreja. De onde nunca saiu 🙂

Como se volta de onde nunca saiu? – Perguntar-me-ia o nobre e raro leitor deste blog. Pois é, eu não sei, só sei que foi assim 😉

Na minha humilde e desautorizada opinião nunca estiveram fora aqueles que sempre declararam obediência ao Santo Papa e a Doutrina Católica que SEMPRE foi ensinada, ao contrário de muitos “católicos” que há por aí.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

E que Nosso Senhor Jesus Cristo se compadeça da FSSPX e do Santo Padre, o Papa Bento XVI, pois a ira dos lobos cairá sobre suas cabeças.

Fazendo uma previsão dos próximos noticiários poderemos ter:

-Papa readmite ultra-conservadores à Igreja Católica;

-Depois de retirar excomunhão de bispo negacionista, Papa o readmite na Igreja;

-Levrevistas que negam o Concílio Vaticano II, que renovou e atualizou a Igreja com o mundo, são readmitidos na Igreja;

-Teólogo e ex-colega do Papa Bento XVI, Hans Kung pede renúncia do Papa;

-No seu sétimo ano de pontificado o Papa Bento XVI entra em nova polêmica: readmite bispo negacionista na Igreja;

Então caros (e raros!) leitores, qual das opções acima vocês acham que mais vão, como se diz aqui no Ceará, virviar nos noticiários?

Se vocês acham que faltou alguma, indiquem nos comentários…

Por que confessar-me a um padre? O Papa responde.


Brilhante resposta de Sua Santidade Bento XVI à pergunta de um detento italiano quando da sua visita a alguns presos. É sobre a necessidade de confessar-se a um sacerdote em vez de “diretamente” com Deus. Reposta simples, rápida e didática. Típica de um Papa Professor! Retirei da ACI:

ROMA, 19 Dez. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- O Papa Bento XVI respondeu na prisão de Rebibbia em Roma uma série de perguntas dos presidiários. Respondendo à pergunta de um réu que sofre de AIDS sobre a forma em que algumas pessoas se referem a eles, o Santo Padre disse que também há quem fale mal do Papa, porém isso não deve desanimar-nos mas levar-nos a seguir adiante.

Pergunta 5 – absolvição dos pecados

Chamo-me Gianni, da Seção G8. Santidade, foi-me ensinado que o Senhor vê e lê o nosso interior. Pergunto-me porque a absolvição foi delegada aos padres? Se eu a pedisse de joelhos, sozinho, dentro de um quarto, dirigindo-me ao Senhor, me absolveria? Ou seria uma absolvição com um valor diferente? Qual seria a diferença?

Resposta
Sim: é uma grande e verdadeira questão aquela que me coloca. Eu diria duas coisas. A primeira: naturalmente, se vos coloca de joelhos e com verdadeiro amor a Deus reza para que Ele vos perdoe, Ele perdoa. Sempre foi Doutrina da Igreja que, se alguém, com verdadeiro arrependimento, isto é, não somente para evitar as penas e dificuldades, mas por amor ao bem, por amor a Deus, pede perdão, recebe o perdão de Deus. Essa é a primeira parte. Se eu realmente reconheço que fiz o mal e se, em mim, é reavivado o amor pelo bem, a vontade do bem, o arrependimento de não ter respondido a esse amor, e peço a Deus, que é o Bem, o perdão, Ele o dá. Mas há um segundo elemento: o pecado não é somente algo "pessoal", individual, entre mim e Deus; o pecado tem sempre também uma dimensão social, horizontal. Com o meu pecado pessoal, no entanto, ainda que ninguém saiba sobre ele, danifiquei também a comunhão com a Igreja, suja a comunhão com a Igreja, suja a humanidade. E, por isso, essa dimensão! Social, horizontal do pecado, exige que seja absolvido também no nível da comunidade humana, da comunidade da Igreja, quase corporalmente. Então, essa segunda dimensão do pecado, que não é somente contra Deus, mas concerne também a comunidade, exige o sacramento, que é o grande dom em que posso, na confissão, libertar-me disso e posso realmente receber o perdão no sentido também de uma plena readmissão na comunidade da Igreja viva, do Corpo de Cristo. E assim, nesse sentido, a absolvição requerida da parte do sacerdote, o sacramento, não é uma imposição que limita a bondade de Deus, mas, ao contrário, é uma expressão da bondade de Deus, porque me demonstra que também concretamente, na comunhão da Igreja, recebi o perdão e posso recomeçar de novo. Portanto, diria que é preciso manter presentes estas duas dimensões: a vertical, com Deus, e a horizontal, com a comunidade da Igreja e da humanidade. A absolvição do padre, a absolvição sacramental é necessária para, realmente, resolver-me, absolve-me desta prisão do mal e reintegrar-me na vontade de Deus, na óptica de Deus, completamente na sua Igreja, e dar-me a certeza, também quase corpórea, sacramental: Deus me perdoa, recebe-me na comunidade dos seus filhos. Penso que devemos aprender a compreender o sacramento da penitência neste sentido: a possibilidade de encontrar, quase corporalmente, a bondade do Senhor, a certeza da reconciliação.

Papa pede respeito pelo direito a vida


Cidade do Vaticano, 11 dez 2011 (Ecclesia) – Bento XVI deixou hoje um apelo em favor do respeito pela “vida”, assinalando no Vaticano o aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, firmada a 10 de dezembro de 1948.

“O primeiro entre todos os direitos é o [direito] à vida”, disse o Papa a representantes de movimentos e associações pró-vida de países europeus, incluindo Portugal, reunidos em Roma para a entrega do prémio ‘Madre Teresa de Calcutá’, que este ano distinguiu a título póstumo Chiara Lubich, fundador do movimento dos Focolares.

Perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a recitação do Angelus, Bento XVI apresentou uma reflexão sobre a proximidade do Natal, num domingo chamado ‘Gaudete’ (alegrai-vos), em que se substitui o roxo pelo rosa nas celebrações de Advento, tempo que antecede a celebração do nascimento de Jesus.

“O ambiente exterior propõe as tradicionais mensagens de tipo comercial, mesmo que num tom menor, por causa da crise económica. O cristão é convidado a viver o Advento sem se deixar distrair pelas luzes, mas sabendo dar o justo valor às coisas, para fixar o olhar interior em Cristo”, disse.

O Papa saudou, em seguida, um grupo de crianças que levaram ao Vaticano as imagens do Menino Jesus, para serem ali abençoadas.

“Queridas crianças, quando rezardes diante dos vossos presépios, recordai-vos também de mim, como eu me lembro de vós”, pediu.

Horas antes, Bento XVI tinha tido outro encontro com meninos e meninos na paróquia de Santa Maria das Graças, em Roma, que visitou esta manhã.

“Sabemos que o Natal está próximo: preparemo-nos não só com os presentes, mas com o nosso coração”, afirmou, então, desejando aos presentes “toda a alegria do Natal e toda a alegria da presença do Menino Jesus Cristo que é Deus”.

Na homilia da missa a que presidiu na paróquia romana, o Papa falou do tempo litúrgico do Advento como um momento de “esperança” e de anúncio de Jesus, a exemplo da figura de São João Baptista.

Bento XVI apelou a um testemunho da “caridade”, do “amor e da fraternidade”, sem deixar de lado o compromisso de “purificar e reforçar a própria fé diante dos perigos e das insídias que a podem ameaçar”.

O calendário do Papa até à celebração do Natal inclui, na quinta-feira, um encontro com os universitários de Roma, para a recitação da oração de vésperas na basílica de São Pedro, Vaticano, apontamento que o próprio quis hoje destacar, após o Angelus, convidando os jovens a participarem.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=88612

Comunicado da Santa Sé sobre a FSSPX


Sala de Imprensa da Santa Sé
http://press.catholica.va/news_services/bulletin/news/28010.php?index=28010〈=po

Tradução: Fratres in Unum.com http://fratresinunum.com/

Em 14 de setembro de 2011, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, teve lugar um encontro entre Sua Eminência Reverendíssima, o Cardeal William Levada, Prefeito desta Congregação e Presidente da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, Sua Excelência Dom Luis Ladaria, s.j., Secretário desta Congregação, e Monsenhor Guido Pozzo, Secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, com Sua Excelência Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, e os Senhores Padres Niklaus Pfluger e Alain-Marc Nély, Assistentes Gerais da Fraternidade.

Após a súplica dirigida em 15 de dezembro de 2008 pelo Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio à Sua Santidade, o Papa Bento XVI, o Santo Padre tomou a decisão de levantar a excomunhão dos quatro bispos sagrados por Dom Marcel Lefebvre e de abrir, ao mesmo tempo, colóquios doutrinais com a Fraternidade, a fim de superar as dificuldades e os problemas de ordem doutrinal, e chegar à superação da ruptura existente.

Obedecendo à vontade do Santo Padre, uma comissão mista de estudos, composta de peritos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e peritos da Congregação para a Doutrina da Fé, reuniu-se por oito vezes para encontros que tiveram lugar em Roma, entre o mês de outubro de 2009 e o mês de abril de 2011. *Estes colóquios, cujo objetivo era expor e aprofundar as dificuldades doutrinais essenciais sobre temas controversos, atingiram o seu objetivo, que era esclarecer as respectivas posições e as suas motivações*.

Tendo em conta as preocupações e as instâncias apresentadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X a propósito do respeito da integridade da fé católica em face da “hermenêutica da ruptura” do Concílio Vaticano II em relação à Tradição — hermenêutica mencionada pelo Papa Bento XVI em seu discurso à cúria romana de 22 de dezembro de 2005 –, a Congregação para a Doutrina da Fé toma por base fundamental para a plena reconciliação com a Sé Apostólica a aceitação do *Preâmbulo Doutrinal* que foi entregue durante o encontro de 14 de setembro de 2011. Este preâmbulo enuncia alguns dos princípios doutrinais e os critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o *sentire cum Ecclesia*, deixando, ao mesmo tempo, *abertos a uma legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões ou de formulações específicas presentes nos textos do Concílio Vaticano II e do Magistério que o seguiu. *

Durante a mesma reunião, foram propostos *alguns elementos em vista de uma solução canônica para a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que seguiria a eventual e esperada reconciliação*.

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Bento XVI e a Esperança :: Montfort


Alberto Luiz Zucchi

O recente noticiário a respeito da publicação possível e provável de uma Instrução da Comissão Ecclesia Dei a respeito do Summorum Pontificum deu novo alento à onda de comentários sobre a atuação do Papa Bento XVI. Esta discussão já havia tomado os ambientes chamados de tradicionais, especialmente os da Internet apesar desta não ser tão tradicional, desde o anúncio de uma nova jornada de Assis.

A leitura de muitos dos comentários me trouxe saudades do nosso Professor Orlando Fedeli (que, depois de tantos anos, nos acostumamos a chamar simplesmente de o Professor) .

Recordei-me de quando ele se referia a um fato do Antigo Testamento no qual um israelita vendo que a Arca da Aliança parecia tombar tentou segurá-la. No mesmo instante foi fulminado e morreu, porque era proibido tocar na Arca. Contava-nos o Professor que São Tomás ensina que este homem não cometeu pecado, mas com este fato Deus quis mostrar que os homens precisam ter confiança nele e mesmo quando parece que a Igreja “vai cair” não é permitido tomar iniciativas que são reservadas ao Clero. É necessário ter esperança na Providência.

Deus de nós exige confiança. Os apóstolos acordaram Nosso Senhor no meio de uma tempestade no mar, com medo de que o barco afundasse. Eles pediam um milagre e acreditavam que Nosso Senhor poderia fazê-lo, mas apesar disso eles foram repreendidos: “homens de pouca fé”. Não tiveram paciência de esperar o momento adequado que só Nosso Senhor conhecia.

Assim, em nossos dias, parece que muitos gritam contra o Papa na esperança de acordar Nosso Senhor, e parecem não ver que ainda dormindo ele pode agir, mesmo através de um Papa que outrora tenha sido um grande modernista. Um claro exemplo de querer “segurar a Arca” pode-se ver na absurda ampliação do chamado “estado de necessidade” que permitiu a alguns a criação de tribunais religiosos paralelos à autoridade papal, que se permitem declarar a nulidade matrimonial. E não duvido de que, no futuro, possa ser a justificativa até para a criação de institutos religiosos e dioceses.

De fato, o Professor tinha muita esperança de que Bento XVI seja o Papa que, de acordo com um dos sonhos de Dom Bosco, após uma grande luta, traria de volta a barca da Igreja para amarrá-la junto às colunas da Eucaristia e de Nossa Senhora. Isso não significa dizer que o Professor apoiasse todas as iniciativas do Papa. Ele jamais apoiaria o encontro de Assis,  e certamente não estaria de acordo com qualquer restrição à Missa Antiga. Mas certamente o Professor não esteve e não estaria entre aqueles que pretendem segurar a “Arca”.

O que levava o Professor a ter esta esperança em Bento XVI?

Creio eu que uma primeira razão pode ser encontrada na própria vida do Professor.

Não conheci ninguém que tivesse sido um instrumento de Deus, como foi o Professor, para operar tantas e tão profundas conversões. Digo instrumento porque ele foi o meio que Deus utilizou para realizar essas conversões. O próprio Professor não se cansava de repetir isso. Assim, o Professor sempre tinha esperança nas conversões mais difíceis e muitas vezes elas aconteciam. Dessa forma, o fato de Bento XVI ter sido um teólogo modernista, de maneira nenhuma se constituía em um impeditivo para que o Professor acreditasse em uma possível mudança de posição. Talvez seja a falta da experiência de ter realizado coisas aparentemente impossíveis, a razão por que muitos não acreditam que Bento XVI possa ser o Papa que, de forma vacilante e cambaleante, como na visão de Fátima, esteja a caminho de uma montanha encimada por uma cruz.  Como exemplo podemos citar o Sr. Sidney Silveira, que declara concordar em muitos pontos com o Professor, mas discordar dele neste assunto. Assim, nesse aspecto – só nesse aspecto! –  ele se posiciona  mais próximo das opiniões de representantes da Fraternidade São Pio X.

Mas o Professor citava outras e mais importantes razões para se ter esperança em Bento XVI, sempre lembrando que, segundo outro sonho de Dom Bosco, o tempo de afastamento da Cidade Santa é o mesmo tempo que demoraria para o retorno.

Uma destas razões é o ódio dos progressistas. Em suas aulas, contava o Professor que durante o Vaticano I um bispo velho e surdo, mas com uma doutrina muito correta se manifestava ora aplaudindo, ora protestando contra os discursos que eram feitos pelos Bispos. Alguém então o questionou como ele sabia de que forma se manifestar se era surdo. Ele então respondeu “é muito simples eu olho monsenhor Dupanloup, quando ele aplaude, eu critico, quando ele critica, eu aplaudo”. Assim, Bento XVI é muito criticado pelos modernistas e, portanto, é nossa obrigação aplaudi-lo sempre que possível. Quantas traições por parte dos modernistas não tem Bento XVI sofrido? Basta lembrar do padre Lombardi, seu porta-voz, desmentindo o Papa em tantas ocasiões.

Providencialmente, enquanto revisava este artigo apareceu em um site de importância nacional, com destaque, um artigo criticando o Papa:

“Os leitores mais atentos e fiéis do Balaio já sabem que não simpatizo muito com o papa Bento 16, o ultra conservador líder religioso alemão que está fazendo de tudo para esvaziar os templos da Igreja Católica”.

O autor é um esquerdista, cuja fraqueza intelectual e  parcialidade me dispensam de citá-lo nominalmente, mas vale a pena perguntar quando foi a última vez que a esquerda chamou um Papa de “ultra conservador”? Talvez tivéssemos que voltar aos tempos de São Pio X…

O ódio que setores progressistas demonstram a Bento XVI só é comparável à raiva que alguns setores tradicionalistas têm ao mesmo Papa. Assim os sedevacantistas se espalham como nunca, apesar de ser inegável que nenhum papa, desde o Concílio Vaticano II, tenha feito tanto pela Missa Antiga como Bento XVI. Apesar de todas as vantagens que obtivemos durante o reinado de Bento XVI, esses setores cada vez mais radicalizam sua oposição ao Papa, e nos dias de hoje já temos os “eclesiovacantistas”: segundo esses, não só a Sé de Pedro é vacante, mas não existem mais bispos no mundo todo ou nem mesmo um clero visível. Como ensina São Tomás, a “forma” de uma sociedade é dada pela  sua autoridade. Os sedevancantistas destroem a  autoridade do Papado, pois acreditam que têm direito de destituí-lo. Ao fazer isso, para eles, a  Igreja  perde sua “forma”.

De forma contrária, é curioso como alguns dos chamados tradicionalistas esquecem do bem feito por Bento XVI e somente ressaltam as suas falhas. Mas quando se trata de seus próprios grupos, agem de maneira diversa. Veja-se, por exemplo, o caso de Dom Williamson. Quanto mal não fizeram suas declarações exatamente no momento em que o Papa preparava o levantamento das excomunhões dos Bispos da Fraternidade? Quando ainda tínhamos contato com o Padre Beauvais, na época o superior da FSSPX para a América do Sul, ele comentou que existiam até padres gnósticos na Fraternidade. Nada disto é lembrado, os simpatizantes da FSSPX somente ressaltam as suas próprias atividades em favor da Missa Antiga, o que é sem dúvida um trabalho excelente.

Também foi a atuação de Bento XVI no caso da Missa que levou o Professor, e leva a nós hoje, a termos esperança neste Papa, assim como nos dá a convicção de que um retorno encontra-se em curso. E nesse caso basta lembrarmos o Motu Proprio Summorum Pontificum sobre a liturgia tridentina. Lembro-me do tempo em que os Padres em São Paulo se recusavam sequer a falar sobre a Missa Antiga. Hoje, somente na cidade de São Paulo, sem contar as cidades vizinhas, são ao menos cinco lugares onde essa Missa pode ser assistida de forma pública. E só não temos mais locais porque é difícil encontrarmos padres que estejam dispostos a celebrá-la, e não porque haja qualquer impedimento de Roma. Ademais, a afirmação de que a Missa Antiga nunca foi proibida nos tirou da posição de desobedientes, e colocou nesta situação todos aqueles que se recusaram em atender, no passado, a nossos pedidos, justificando assim o nosso trabalho de anos e transformando em um ato ilegal toda a perseguição que sofremos por causa da Missa.

Outro ponto que deixa claro este retorno foi a criação do IBP. Um Instituto que tem como rito exclusivo o missal de 1962 e que deve fazer criticas construtivas ao Vaticano II, deixa claro a todos que o Vaticano II não é um concílio infalível e que se pode pertencer a Igreja Católica sem assistir à Missa Nova. É uma pena que tantos daqueles que se atribuem um papel importante na luta pela “tradição” lhe façam tanta oposição.

Convivi trinta e oito anos com o Professor. Será que, apesar de ter um temperamento tão diferente do dele, este convívio também teria me transformado em um otimista? Mais do que todos os fatos citados anteriormente, nossa esperança, do Professor e a minha, está em que, apesar de todas as misérias humanas, inclusive as nossas, jamais deixamos de acreditar na Igreja. Isto significa acreditar na promessa de Cristo a Ela: “as portas do inferno não prevalecerão contra ti”. São Pio X na encíclica  Vehementer Nos, lamentando a lei francesa que determinou a separação entre a Igreja e o Estado, profetizou que a lei acarretaria prejuízos para a Igreja e para a França, acrescentando, entretanto, que sua preocupação com a França era muito maior do que com a Igreja, pois a promessa de perenidade feita por Cristo se dirigiu à Igreja e não à França. Também nós, apesar de nos preocuparmos com a situação da Igreja, devemos estar muito mais atentos com nossas próprias fraquezas, pois a promessa de Cristo foi feita para a Igreja e não para a Montfort ou para FSSPX. Assim, é somente na Igreja que repousa nossa esperança.

Que Nossa Senhora de Fátima nos ajude a manter a fé apesar de ver que a “Arca” está prestes a tombar. Que não tenhamos a ousadia de tocá-la, e que continuemos acreditando que Nosso Senhor, mesmo dormindo, move os céus e a terra, e também pode mover o Papa, que sempre foi e continua sendo o seu representante.

Fonte: http://www.montfort.com.br/index.php/blog/outros-blog/bento-xvi-e-a-esperanca/#comment-6229

 

A trave no olho da Academia Islâmica


do IN PRÆLIO!

Por Jefferson Nóbrega
Passeando pelas notícias no mundo virtual, deparei-me com uma que causou um mix de sentimentos ao lê-la. O título da reportagem era impactante, “Academia islâmica quer que Bento XVI se desculpe pelas Cruzadas”, e seu conteúdo traz uma mistura de preocupação com revolta.
A notícia informou que para a principal entidade sunita do mundo, um pedido de desculpa por parte do Santo Padre Bento XVI, é quase que uma condição sine qua non, para o retorno das conversas bi-laterais entre as duas maiores religiões do mundo, suspensas após Bento XVI denunciar à perseguição empregada pelos muçulmanos contra os Cristãos no Oriente Médio.
A instituição islâmica exige uma ação que demonstre a boa intenção do Papa para a retomada do diálogo.
Mas, porque desculpar-se pela defesa de suas terras assaltadas brutalmente, pelo socorro ao seu povo perseguido, escravizado e massacrado?
Quando em 638 o califa Omar conquista Jerusalém, esta era, há mais de três séculos, cristã. Pouco depois, sequazes do Profeta invadem e destroem as gloriosas igrejas, primeiro do Egito e, depois, de todo o norte da África, levando à extinção do cristianismo em lugares que tinham tido bispos como santo Agostinho.
Depois foi a vez da Espanha, da Sicília, da Grécia, daquela que será chamada Turquia e onde as comunidades fundadas pelo próprio São Paulo tornaram-se montes de ruínas. Em 1453, depois de sete séculos de assalto, capitula e é islamizada a própria Constantinopla, a segunda Roma. O rolo islâmico atinge os Balcãs, e, como por milagre, é detido e obrigado a retirar-se das portas de Viena.
Entretanto, até o século XIX, todo o Mediterrâneo e todas as costas dos países cristãos que ficam em face, são “reservas” de carne humana: navios e países serão assaltados por incursões islâmicas, que retornam às covas magrebinas cheios de butins, de mulheres e jovens para os prazeres sexuais dos ricos e de escravos obrigados a morrerem de cansaço ou para serem resgatados a preços altíssimos pelos Mercedários e Trinitários. Execre-se, com justiça, o massacre de Jerusalém em 1099, mas não se esqueçam de Maomé II, em 1480, em Otranto, simples exemplo de um cortejo sanguinolento de sofrimentos.  [1]
Afirma o historiador, especialista em Cruzadas, Jonathan Riley-Smith da Universidade de Cambridge: É difícil agora imaginara intensidade do amor que se sentia então pelos Santos Lugares e Jerusalém: a preocupação suscitada pela heresia e os assaltos físicos contra a Igreja; o medo dos ocidentais dos invasores muçulmanos, capazes de chegar ao centro da França no século VIII, e na Viena nos séculos XVI e XVII”. “Isto permite explicar – conclui Smith – por que, durante centenas de anos, papas, bispos e uma maioria de fiéis consideraram que combater nas Cruzadas era a melhor arma defensiva que tinham e uma forma popular de devoção; e isto pode ter obscurecido a seus olhos o fato de que na realidade se podia confiar pouco nisso”. Nesse sentido, não deve escandalizar “nem que o Papado reconhecesse as ordens militares nem que ao menos cinco concílios se pronunciaram em favor das Cruzadas e que dois, o IV Concílio de Latrão (1215) e o Concílio de Lyon (1274), publicaram as constituições “Ad Liberandam” e “Pro Zelo Fidei”, dois documentos que definiram o movimento cruzado”.[2]
Smith ainda explicou que a interpretação que desprestigiou e depreciou as Cruzadas é fruto das obras de sir Walter Scott (1771-1832) e de Joseph François Michaud (1767-1839), ambos autores românticos. Sir Walter Scott apresentou os cruzados comodedicados a assaltar brutalmente muçulmanos mais avançados e civilizados”, enquanto que o escritor e historiador francês Michaud divulgou a opinião de que “as Cruzadas eram expressão do imperialismo europeu”. [2]
Percival Puggina, demonstra muito bem em seu artigo “As Cruzadas a Jihad e certos professores”[3], que é impossível falar nas Cruzadas esquecendo da Jihad Islâmica. No entanto, a opinião pública, é quase que unânime ao condenar as cruzadas, omitindo (muitas vezes propositalmente) o fato que as Cruzes se ergueram como um ato de defesa e não de expansionismo. Ao contrário da motivação que levou os muçulmanos a essa batalha.
Mas, já que é para exigir desculpas, para o retorno das conversas entre a Cruz e a Lua Crescente. Por que não exigir desculpa pelo genocídio contra os Cristãos armênios, pelas mãos muçulmanas do Império Otomano?
Quase três milhões de cristãos, assírios, armênios e gregos foram assassinados pelos turcos otomanos islâmicos durante a Primeira Guerra Mundial, por causa de sua etnia e fé. [4]
Seria má fé negar que existiu abusos cometidos por parte dos Cristãos ao longo dos séculos onde reinou as cruzadas, mas colocar os muçulmanos como as vítimas inocentes das cruzes expansionista, é deturpar a história apenas para fomentar o anti-catolicismo reinante. Exigir uma possível retratação não olhando para seus próprios crimes, é uma terrível manobra de quem não quer diálogo ou boas relações. Demonstra apenas a vontade de esconder as terríveis transgressões de sua fé em detrimento de outra.
Por isso disse o homem adorado por Cristãos e admirado pelos Muçulmanos:
“Hypocrita, eice primum trabem de oculo tuo, et tunc videbis eicere festucam de oculo fratris tui”. (MT 7,5)
Nós, rejeitamos esse diálogo, pois nunca trouxe frutos proveitosos e verdadeiros, já que enquanto existiam conversas, os Cristãos continuavam a serem massacrados, já que os Sunitas não estão sujeitos as leis da Academia Islâmica, mas as leis do Islã, que são impiedosas para nós “infiéis” e “incrédulos”.
[4]Lee Enokian,The Times (Northwest Indiana) and The Illinois Leader

 

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