Seis bispos alemães saem em defesa da fé católica


Mons. Stefan Oster, bispo de Passau (Alemanha), recebeu o apoio público de outros cinco bispos alemães para a sua resposta à tese herética do Comitê Central dos Católicos Alemães, que solicitou que a Igreja abençoe uniões civis de ambos os divorciados como as uniões homossexuais. Mons. Oster lembra que a fé e a Escritura se “baseiam na revelação, no próprio Cristo. Ele não é um ‘valor’, mas a Palavra de Deus” e pergunta “por que justo nestes temas cruciais relativos ao casamento e sexualidade hão mudar a vontade de Jesus após dois mil anos”.

Publicado por InfoCatólica | Tradução: §|Olhar Católico|§: O prelado parte do seguinte texto da agência de notícias católica KNA:

O Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK) exige que se criem formulários para a bênção tanto de casais do mesmo sexo como de casais separado. Para isso se deveriam desenvolver ritos litúrgicos, de acordo com um documento aprovado no sábado passado em Würzburg por unanimidade da assembleia geral, em vistas ao sínodo dos bispos do próximo outono. Além disso, seria necessário alcançar uma “aceitação incondicional da coabitação de casais divorciados ​​do mesmo sexo, bem como uma posição clara contra a marginalização, ainda existente, dos homossexuais”. O comitê dos católicos salienta que também em outras formas de vida em comum se podem dar os valores do matrimônio, como o “sim” inabalável em direção a outra pessoa ou a constante vontade de reconciliação. “Essas formas de vida familiar devem ser valorizadas expressamente embora não correspondam a forma de um casamento sacramental” (KNA).

Mons. Oster adverte que “se alguém quiser obter informações mais detalhadas sobre o que diz a fé de nossa Igreja sobre o casal, a família e a sexualidade, se alguém quiser formar a sua consciência na fé da Igreja e quer saber o quê, do ponto de vista da fé, temos nestas questões sobre o que é certo ou errado”, deve contestar as exigências da ZdK.

O prelado recordou que “a Igreja acredita, baseada na Revelação, que o gozo da prática sexual encontra a sua verdadeira e, em definitivo, o único lugar legítimo no casamento entre um homem e uma mulher, em que ambos são abertos à transmissão da vida e pelo que se contrai uma união indissolúvel até a morte de um dos dois”.

Mons. Oster explica que “do ponto de vista das Escrituras, qualquer outra forma de efetivação da prática sexual fora do casamento é considerado fornicação e adultério, com consequências dramáticas para aqueles que se aventuram na mesma”.

Ele acrescenta:

“Se agora se exige que outras formas de convivência entre as pessoas sejam reconhecidas porque neles se vive a fidelidade, a vontade de reconciliação e o compromisso mútuo, é de se supor, então, que esta exigência da ZdK inclui a prática sexual e não a exclui, porque, caso contrário estaríamos falando sobretudo das relações de amizade e não de casais. Na minha opinião não há nenhum problema em reconhecer que a Igreja tem visto sempre com bons olhos e até mesmo abençoando a autêntica amizade. Em vez disso, o que vemos, estas questões que estamos discutindo dizem respeito essencialmente ao sexo entre duas pessoas”, pelo qual apela a total coerência com ZdK para incluir “abertamente a exigência de que também abençoemos a prática da sexualidade nas relações fora do casamento”.

O Bispo argumenta que, se “temos de organizar celebrações litúrgicas para abençoar relações de todo tipo diferentes do matrimônio sacramental, me vêm a mente a pergunta: por que apenas dois? Se, por exemplo, três ou mais pessoas, de sexos iguais ou distintos, uma vez que compartilham a mesma cama querem formar um lar acolhedor e confiável para as crianças, por que não abençoamos também esta união?”

“A fé e as Escrituras”, recorda o bispo “não se baseiam de forma primária em  valores, mas sim na Revelação, no próprio Cristo. Ele não é um “valor”, mas a Palavra de Deus, é aquele que ama o homem pessoalmente, o toca, o capacita para alcançar outra vida e, sobretudo, para um amor e uma fidelidade que o homem não possui em si mesmo, senão por meio de Cristo. Agora, se o critério é o mesmo Cristo, e se através da Escritura, da Tradição e do Magistério temos tido conhecimento confiável da Sua vontade (ver por exemplo, 1 Cor 7, 10-11), então, na minha opinião, necessitaríamos de uma explicação muito maior que as simples apelações a valores, que nos argumentem de maneira conclusiva por que é justo que estes temas cruciais relativos ao matrimônio e a sexualidade tenham que mudar a vontade de Jesus depois de 2000 anos”.

Quanto ao argumento dos “sinais dos tempos”, o prelado alemão pergunta: “Quem decide quais são estes sinais e por que precisamente nesta área deve produzir novos resultados?”

“Em minha opinião”, escreve o bispo, “o que propõe o ZdK com esta declaração é deixar abandonar aspectos essenciais da imagem bíblica do homem e do conhecimento bíblico da revelação. E acho que é realmente alarmante que, aparentemente, se aventurou por esse caminho com o apoio da imensa maioria dos seus representantes”.

Ele adverte que “as forçadas referências constantes ao Papa Francisco que sustentariam este novo programa não justificam de modo algum a dramática mudança de rumo que se quer levar a cabo”. Além disso, ele acredita que “há uma alta probabilidade de que o próximo sínodo no mostre que tanto o nome quanto o programa do Papa Francisco foram instrumentalizadas aqui em favor da própria agenda política, que não é bíblica, do ZdK”.

Mons. Oster concluiu assegurando que “o fato de que muitos católicos, depois de ler artigos como este, não se sentem representados pela ZdK, não acho que seja culpa destes católicos”.

Apoio de cinco bispos alemães

Poucos dias após a publicação do texto de Mons. Stefan Oster, cinco bispos alemães mostraram-lhe o seu apoio através da carta a seguir:

S.E. Reverendíssimo Senhor Bispo

Dr. Stefan Oster

Passau

16 de maio de 2015

Reverendo Bispo de Oster, querido irmão Stefan:

Agradecemos a sua tomada de posição contra o documento aprovado pela assembleia de primavera do grupo ZdK intitulada: “Construindo pontes entre o magistério e a realidade da vida – a família e a Igreja no mundo de hoje”. Nós aderimos totalmente e em seu conjunto a seu argumento acerca do Magistério sobre a visão cristã da pessoa e sua relação com o significado que tem o ser mulher e o ser homem e, sobretudo, o significado que tem para o matrimónio cristão. Sua argumentação está fundamentada nos ensinamentos de Jesus, na Escritura e na Tradição da Igreja.

Na Alemanha vivemos agora em uma sociedade altamente secularizada. Isso não deve desencorajar-nos nem levar-nos a buscar uma acomodação com a corrente dominante (mainstream), mas deve ser entendido como uma oportunidade para redescobrir a singularidade da vocação cristã no mundo de hoje. O anúncio franco e aberto do ensinamento de Jesus no Evangelho e o acesso a uma relação com ele como riqueza para a nossa vida, tal com exposto na sua resposta, constituem uma condição indispensável para ele.

Portanto, estamos convencidos de que muitos fiéis também estão enormemente agradecidos por suas palavras claras.

Em solidariedade fraterna te saúdam aos Bispos de

Augsburg: Dr. Konrad Zdarsa

Eichstätt Gregor M. Hanke OSB

Görlitz: Wolfgang Ipolt

Regensburg: Dr. Rudolf Voderholzer

Würzburg: Dr. Friedhelm Hofmann

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Alegrias e dores do magistério de Francisco


Segue comentário feito pelo vaticanista Sandro Magister a análise de um teólogo católico australiano a exortação apostólica “Evangelii Gaudium” do Papa Francisco. A tradução do comentário é do §|Olhar Católico|§. O original foi publicado em seu blog chiesa.espressoonline.it. O comentário do teólogo segue logo após sem tradução.

A novidade do método da “Evangelii Gaudium” comentada por um teólogo australiano. Mas nem sempre o Papa é interpretado corretamente. Nem mesmo pelo diretor de “La Civiltà Cattolica”. O caso emblemático do batismo de Córdoba.

ROMA, 15 de abril de 2014 – Dos chefes do discatério da cúria romana, chamados pelo papa para fazer um relatório no começo deste mês de abril, o Papa Francisco quer saber uma única coisa, assim resumido em comunicado oficial: “as reflexões e reações suscitadas pela Exortação Apostólica ‘Evangelii Gaudium’ e as perspectivas que se abrem para sua implementação”.

Que a “Evangelii Gaudium” é efetivamente o roteiro programático do pontificado de Jorge Mario Bergoglio está agora fora de qualquer dúvida.

Por isso é importante sua compreensão. E ao mesmo tempo é difícil, porque a forma em que está escrita a “Evangelii Gaudium” não é nada conforme aos cânones clássicos do magistério eclesiástico, bem como tampouco o é o discurso público cotidiano do papa Francisco.

No ensaio exclusivo publicado nas linhas abaixo, Paul-Anthony McGavin sustenta que Francisco evita a abstrações, proíbe o que chama de “silogismos frios”, ama um pensamento e uma ação “holísticos”, ou seja, global. E mostra como precisamente esta é a novidade do método da “Evangelii Gaudium”.

McGavin, australiano, de 70 anos de idade, é sacerdote da Diocese de Camberra e Golburn e assistente eclesiástico na Universidade de Camberra. Publicou em 2010 no L’Osservatore Romano um comentário amplo e profundo a encíclica “Caritates in veritate” Ed Bento XVI.

No papa Francisco – escreve McGavin – “encontramos uma mentalidade arraigada no empirismo pastoral, que integra as circunstâncias concretas de uma compreensão estruturada e fundamental do Evangelho”.

Mas o mesmo McGavin reconhece que esta mentalidade “não fragmentada” expõe o Papa a consideráveis riscos de mal-entendidos, especialmente quando algumas de suas afirmações são tomadas pelos grandes meios de comunicação como aforismos autônomos e transformados em chaves interpretativas globais do atual pontificado.

Dois exemplos recentes constituem uma prova destes mal-entendidos.

*

Num período de 36 horas, entre os dias de quinta-feira, 10, e sexta-feira 11 de abril, o Papa Francisco lançou-se acima de tudo – e não é a primeira vez – contra a “ditadura do pensamento único” que suprime “a liberdade dos povos, das pessoas e das consciências”.

Depois defendeu com força “o direito das crianças a crescer em uma família com um pai e uma mãe, em relação com o que é a masculinidade e a feminilidade de um pai e de uma mãe, preparando assim a maturidade afetiva”.

Em seguida também expressou condenações duríssimas “[a]os horrores da manipulação educativa” que “com a pretensão de modernidade obriga jovens e crianças a trilhar o caminho da ditadura do pensamento único”. E acrescentava o testemunho de um “grande educador” que disse a poucos dias “As vezes não se sabe se com estes projetos – referindo-se a projetos concretos de educação – se manda a criança à escola ou a uma campo de reeducação”.

Por fim, ele manifestou sua contrariedade em relação ao assassinato de todo “nascituro no seio materno”, citando a lapidar declaração do Concílio Vaticano II: “O aborto e o infanticídio são crimes abomináveis”.

As referências a fatos, leis, sentenças judiciais, campanhas de opinião que levam à ideologia de gênero, presente em recentes reportagens de jornais na Itália, França e outros países foram evidentes nas palavras do Papa Francisco.

No entanto nos meios de comunicação em geral, estas advertências têm tido impacto praticamente nulo. Como se fossem pura abstração, sem nenhuma influência na realidade e desligadas de qualquer juízo, porque a chave de explicação de tudo – na narração que os meios de comunicação fazem do Papa Francisco – converteu-se agora em “quem sou eu para julgar?”, pronunciado pelo mesmo Papa pela primeira vez na conferência de imprensa realizada no avião em que regressava do Rio de Janeiro e pela segunda vez na entrevista a “La Civiltà Cattolica”, ao referir-se ao homossexual “que busca ao Senhor e tem boa vontade”.

*

O segundo exemplo mostra como um uso distorcido e extenso do “quem sou eu para julgar?” tem aberto brechas também dentro da igreja e inclusive em quem deveria ser intérprete confiável do pensamento do Papa Francisco.

Em 01 de abril, numa conferência lotada em Roma, o diretor de “La Civiltà Cattolica” e entrevistador do Papa, o padre Antonio Spadaro, disse textualmente:

“se não  Francisco Papa não teria sido fácil batizar uma criança nascida de um casal de lésbicas”.

O jesuíta se referia ao batismo anunciado com grande ênfase e logo efetivamente administrado em 5 de abril na Argentina, na catedral de Córdoba, a filha de uma mulher unida em “matrimônio” civil com outra mulher, ambas presentes no rito como “mães” e assistidas com “madrinha” pela presidente Cristina Kirchner.

Mas isso, segundo o padre Spadaro, era a feliz novidade propiciada pelo papa Francisco, dizendo que não há nada de novo, mas sim algo muito antigo e tradicional no batismo de uma recém-nascida, recém-chegada ao mundo. São somente algumas correntes católicas progressistas e anticonstantinianas que se opõem a prática multissecular do batismo de crianças.

A novidade, para a Igreja, foi, fora todo o resto, a muito solicitada cerimônia de Córdoba, onde tudo – desde a “família” antinatural com as duas mães, a “madrinha” Kirchner, ativa promotora da lei que permitiu às mulheres unirem-se em “matrimônio”, e o pai biológico oculto da recém-nascida – expressava submissão total justamente a este “pensamento único” tão enfrentado pelo Papa Francisco.

¿QUÉ ES LO NUEVO EN “EVANGELII GAUDIUM”?

por Paul-Anthony McGavin

El papa Francisco atrajo muy fuertemente la atención de los grandes medios de comunicación con sus enunciaciones cortas y sus entrevistas en estilo coloquial, propio de las revistas. La prensa popular ha elogiado muchísimo sus expresiones, escuchando lo que se quiere oir, propagando lo que se desea escuchar y omitiendo su estribillo recurrente: “soy hijo de la Iglesia”.

“Evangelii gaudium” es la primera declaración extensa y puesta por escrito que incluye mucho de lo que el Santo Padre ha estado diciendo en formato oral. Lo que pretendo mostrar es que lo nuevo en la “Evangelii gaudium” es lo que llamo método, el modo de pensar y de razonar.

El papa Francisco no se presenta a sí mismo como un intelectual, y sus comentarios breves y deslizados en forma simple en una conversación son frecuentemente realizados con un lenguaje llano y sencillo. Pero lo que se torna evidente en la “Evangelii gaudium” es que él posee una inteligencia acrisolada. Su forma de pensar es sofisticada y tiene un método o metodología distintos que pueden ser visualizados en la “Evangelii gaudium”. Este método no es nuevo, lo que es nuevo es la simplicidad y claridad de sus afirmaciones.

Pero lo irónico es que este método suyo es a la vez simple y complejo.

Es simple porque es llano, franco. Es simple porque hay referencias constantes a situaciones concretas, más que a abstracciones que abarcan todas las situaciones o varias de ellas.

Es complejo porque está situado en un conjunto de conceptualizaciones. Los comentarios cortos y sencillos del Papa, citados con frecuencia, se sitúan de hecho en una mente que ve un conjunto de conceptualizaciones, y no simplemente perspectivas unidireccionales que se corresponden con la mentalidad que encontramos en la lógica del silogismo. El papa Francisco es un pensador sistemático.

Decir “un pensador sistemático” parece abstruso, cuando el papa Francisco no es un hombre abstruso. Dicho en otros términos, el papa Francisco tiende a pensar “holísticamente”. Él tiende a ubicar las cuestiones con las que trata observándolas en el contexto de la comprensión global de la obra de Dios en Cristo (el Evangelio, “Evangelium”), y visualiza esa comprensión global en las diversas situaciones que se suscitan, es decir, en las circunstancias concretas en las que él está considerando la recepción y vivencia de lo que Dios ha hecho y está haciendo en la Iglesia. Su pensamiento está situado siempre pastoralmente, nunca es abstracto. Pero al mismo tiempo ve y examina las cuestiones que lo obligan a concentrarse en una forma de visión integral que es compleja.

Veamos un ejemplo de esto en la “Evangelii gaudium”:

“Existe también una tensión bipolar entre la idea y la realidad. La realidad simplemente es, la idea se elabora. Entre las dos se debe instaurar un diálogo constante, evitando que la idea termine separándose de la realidad. Es peligroso vivir en el reino de la sola palabra, de la imagen, del sofisma. De ahí que haya que postular un tercer principio: la realidad es superior a la idea. Esto supone evitar diversas formas de ocultar la realidad: los purismos angélicos, los totalitarismos de lo relativo, los nominalismos declaracionistas, los proyectos más formales que reales, los fundamentalismos ahistóricos, los eticismos sin bondad, los intelectualismos sin sabiduría” (n. 231).

Uno podría colgarse de la lista de ejemplos de amplio espectro que está al final de este párrafo, una lista diversificada que incluye cosas que muy probablemente provoquen un “Ouch!” en la mayoría de los lectores. Pero nuestra atención debe focalizarse en la distinción entre la idea y la realidad.

El Papa propone que la idea se construye o es “producida”, mientras que la realidad simplemente “es”. En sentido estricto, su dicotomía puede ser cuestionada, porque el sujeto debe focalizarse visualmente en la “realidad”, debe asumir una epistemología en orden a comprender la “realidad”, pero a la vez el sujeto debe asumir una epistemología en orden a dar forma mental a algo que es noético, es decir, a la “idea”. Pero introducir estas cuestiones estrictamente filosóficas y psicológicas podría desviarnos del punto central que el Papa está tratando.

Lo fundamental de lo que está diciendo es que hay una tensión entre el mundo conceptual y el mundo práctico, y que esta tensión nos llama a dialogar. Es un ejemplo de lo que antes he mencionado como algo a la vez simple y complejo. Las personas pueden captar rápidamente que muchas veces hay una disyuntiva entre el mundo de las ideas y el mundo de la realidad. Es una proposición simple, pero una vez que se asume esta perspectiva, ella lleva a la complejidad. Ésta podría ser la complejidad del conflicto o la de las sendas que llevan a una resolución. El Papa propone esto último, propone un diálogo que es típicamente complejo y culturalmente situado.

Para mencionar simplemente tres de los ejemplos del Papa, simplemente pensemos lo complejo que es moderar la posición de alguien que ha edificado un ascetismo que no está encarnado (“purismo angelical”); o moderar la posición de alguien que ve el orden moral en su totalidad como auto-definido (los “totalitarismos de lo relativo”); o moderar la posición de alguien cuya postura se sitúa fuera de la comprensión histórica de la providencia de Dios en el mundo (una “versión ahistórica del cristianismo”).

El Papa desciende al plano de la “realidad”, al decir que “la realidad es superior a la idea”. Esto parecería estar en desacuerdo con su énfasis sobre la tensión y sobre el diálogo. Pero no es en realidad una desviación de los puntos de tensión y diálogo, es un acercamiento que proviene del Evangelio como arraigado primero en la “realidad”, antes que en las “ideas”.

El Evangelio asume primero la “realidad” – los hechos – de la encarnación de Nuestro Señor, su vida terrenal, su pasión, su resurrección y su ascensión. Es decir, el Evangelio asume primero los hechos de la acción de Dios en Cristo. “¡Ha resucitado!” no es inicialmente la proclamación de una idea sino de un hecho, un hecho experimentado (n. 7, en el que cita “Deus Caritas est,” n. 217). El Evangelio es predicado por un testigo: “lo que hemos oído, lo que hemos visto con nuestros ojos, lo que hemos contemplado y tocado con nuestras manos acerca de la Palabra de Vida” (1 Jn 1, 1). El poder maravilloso de la idea cristiana es que articula la realidad del hecho histórico con lo atestiguado por los testigos.

Esta es la “realidad” que precede a la “idea” en el esquema cristiano de las cosas. Para el cristiano – utilizando simplemente tres de los ejemplos del Papa – el pecado es una realidad; la salvación en Cristo es una realidad; las injusticias son una realidad (por supuesto, muchos piensan erróneamente en las injusticias como algo perceptivo más que objetivo, pero no me refiero a eso); la falta de amabilidad es una realidad (aunque, por supuesto, sensibilidades desorientadas pueden atribuir erróneamente carencia de amabilidad). En cada uno de estos tres ejemplos, se puede ver el peligro que encierra el separar de la cuestión empírica de los hechos las nociones de pecado, injusticia o falta de amabilidad: “Es peligroso vivir en el reino de la sola palabra…” (n. 231).

Estos comentarios suscintos del Papa se sitúan en una perspectiva general, en una perspectiva holística que está apoyada sobre una experiencia fundamental del Evangelio y de su reconocimiento. Es una perspectiva que es a la vez simple y compleja. Es una perspectiva que implica diálogo. Es una perspectiva que desenmascara actitudes arrogantes de una u otra especie (ya sean las arrogancias de una religiosidad artificial o de un relativismo humanista). El “evitar [las] diversas formas de ocultar la realidad” (n. 231) puede parecer una forma desagradable de expresarse, y aquí yo me remitiría a la imagen no textual del lenguaje corporal del papa Francisco (n. 140): es difícil que él pueda mantener una postura corporal cerrada, la cual está constantemente abierta; el gesto típico suyo es hacia un encuentro, hacia una conversación, hacia un diálogo. Tomando de nuevo esa parte del texto, es un diálogo honesto, de una honestidad que va con naturalidad al encuentro de la realidad.

Se ve en este ejemplo que la dirección del modo de pensar y actuar del Santo Padre no es lo que llamo unilineal. Él no está atenazado por proposiciones unilineales (“fríos silogismos”, n. 142), sino que tiende hacia el pensamiento y la acción que son holísticos –hacia una comprensión total del Evangelio, y a asentar esa comprensión total en circunstancias reales que evitan las abstracciones. Él no está atado a una “teología de escritorio” (n. 133). Su instinto lo lleva hacia una teología pastoral.

Se puede hacer evidente el centro de la teología pastoral del papa Francisco con otras dos citas claves:

“Una pastoral en clave misionera no se obsesiona por la transmisión desarticulada de una multitud de doctrinas que se intenta imponer a fuerza de insistencia” (n. 35). “Ante todo hay que decir que en el anuncio del Evangelio es necesario que haya una adecuada proporción” (n. 38).

Nuevamente vemos en estas breves citas una implícita comprensión holística del Evangelio; de nuevo vemos que los significados de aspectos de la proclamación o de los corolarios de la proclamación se sitúan en una totalidad que les da proporción. Lo que el Papa presenta se deriva de la comprensión sistemática. No se trata de una sistematización intelectualista, sino de una comprensión sistemática que se funda en la experiencia pastoral.

Se malinterpretará al Papa si se toman sus diversas declaraciones (particularmente las que se apropian los medios de comunicación como “frases pegadizas”) como dictados unilineales, pues el intelecto del Papa no es el de una mente fragmentada. En el papa Francisco encontramos un intelecto que se sustenta en el empirismo pastoral, pero un empirismo que está en diálogo totalmente sistemático con los fundamentos de la fe católica, de tal forma que inserta las circunstancias concretas en el interior de una comprensión estructurada y fundamental del Evangelio.

Esto no quiere decir que en cada uno de los aspectos y en todos ellos sea perfecta esta inserción. Una Exhortación Apostólica forma parte del magisterio pontificio, pero no es inmutable. El papa Francisco conserva un pasaporte argentino y su contexto cultural más amplio es Latinoamérica. Y América latina y América central están compuestas sin excepción por naciones que están marcadas por la pobreza y la inestabilidad política. La propia perspectiva del Papa sobre esto (su propia “visión”) está más bien “culturalmente formada”, es decir, está formada en la experiencia, más que conceptualmente. En síntesis, el papa Francisco no es un científico social, y no presenta una visión científico-social de la pobreza y de la inestabilidad política de su ámbito cultural. Se lo podría escuchar decir que la comprensión tiene que comenzar “con la realidad”, no “con la idea”. Pero los “hechos” de un siglo atrás es que Argentina y Australia tenían similares configuraciones de la economía y de la sociedad, pero ahora Australia está materialmente más avanzada, y es más igualitaria y con relativamente poca pobreza. Considero que las razones para esta divergencia entre Australia y Argentina (mi hogar y el hogar del Papa) son principalmente “culturales”, y son divergencias culturales que reflejan conceptualizaciones (“ideas”) muy diferentes de la economía y de la sociedad civil.

No voy a lanzarme a un excursus sobre economía y sociedad. Hago estas observaciones para subrayar que todo lo dicho en “Evangelii gaudium” no está dicho con igual firmeza. Son puntos que, como científico social y como teólogo, he comentado ampliamente la “Evangelii gaudium” en algunos pasajes de calidad (particularmente nn. 48-50 y 144-147, y 152 y ss.). Pero inclusive en las secciones así comentadas se encuentra una reafirmación de la tesis central del papa Francisco. Por ejemplo:

“¿Para qué complicar lo que es tan simple [como las exhortaciones bíblicas a dar limosna]? Los aparatos conceptuales están para favorecer el contacto con la realidad que pretenden explicar, y no para alejarnos de ella [y desalentar la acción directa para aliviar la pobreza]” (n. 194).

Se puede ver en esta afirmación condensada la urgencia del llamado del Papa para teorizar en forma fundamentada, lo cual coincide con las generalizaciones que hice antes. Pero en su contexto textual se puede ver una perspectiva que no está bien informada en términos científicos sociales (no quizás en términos bíblicos, si la perspectiva en las parábolas lucanas es tomada como paradigma).

Esto sugiere que al leer “Evangelii gaudium” debemos involucrarnos en una “conversación”, en un diálogo (nn. 31, 133, 137, 142, 165). Es decir, no debemos tomar al texto como “la última palabra”, sino que debemos tratar de involucrarnos con las tensiones presentes en el texto en la forma de una conversación que modera las posiciones.

En la Exhortación hay muchas cosas que reflejan las posiciones personales del Papa (su “personalidad”) y su cultura latinoamericana (el principio de la fundamentación cultural es crucial a su paradigma: ver nn. 115, 123, 132-33). Sus lectores tendrán personalidades diferentes y perspectivas culturales diferentes. La fuerte contribución de “Evangelii gaudium” es la forma que demuestra un método holístico que tiene diversas aplicaciones para la vida y para comunicar la alegría del Evangelio. Ya se trate de la comprensión de temas de economía, sociedad y ciencias sociales; o con temas de herencia litúrgica y expresión contemporánea; o con temas complicados de discernimiento moral; o con temas complicados en los que hay que dar buenos argumentos en situaciones particulares de la fe de la Iglesia… necesitamos encontrar tanto la simplicidad como la complejidad que implican tensión y que llaman a un diálogo comprensivo.

Éste es un llamado a la caridad, y la “caridad cubre multitud de pecados” (St 5, 20). La Exhortación del papa Francisco es, por cierto, un llamado a la caridad y a la alegría –la alegría en el Evangelio, “Evangelii gaudium”.

A verdadeira falsa entrevista de Francisco ao La Repubblica!


Eugenio Scalfari, fundador do La Repubblica, admitiu ter atribuído ao Papa palavras que este não disse!

Jean-Marie Guénois, em Le Figaro

Publicado em 22/11/2013

Tradução Montfort 

Eugenio Scalfari, antigo diretor do La Repubblica, finalmente reconheceu ter atribuído ao Papa Francisco afirmações que esse último nunca fez em uma entrevista publicada na Italia em 1º. de outubro último.

 

imbroglio da verdadeira-falsa entrevista do papa Francisco, em 1º. de outubro, no La Repubblica, quotidiano de esquerda italiano, continua a provocar ondas. O site oficial do Vaticano acaba de retira-la para evitar toda confusão entre “texto jornalístico” e “magistério do Papa”. Quanto ao autor da entrevista, Eugenio Scalfari, 89 anos, fundador desse jornal, ele reconheceu, ontem, ter ”posto entre aspas” frases que nunca foram pronunciadas pelo Papa, afirmando, entretanto, ter reportado fielmente o essencial do que lhe tinha dito Francisco em uma conversa espontânea. E, sobretudo, que ele tinha recebido o sinal verde, antes da publicação, de um dos dois secretários pessoais do Papa.

Contudo, vê-se agora, claramente, que o encontro concedido por Francisco a esse jornalista era de ordem pessoal e que jamais fora previsto como uma entrevista propriamente dita. Sem anotações e sem gravação, Eugenio Scalfari, portanto, reconstruiu uma entrevista, como reconheceu quinta-feira em Roma, afirmando que sempre trabalhou assim ao longo de sua brilhante carreira.

Um imbroglio embaraçoso

Ficou claríssimo também que um dos dois secretários do Papa, acusado publicamente por Scalfari, deu sinal verde à publicação. O jornalista fizera questão, de fato, de submeter o texto final à aprovação, antes da publicação, mas Francisco, posto diante do fato consumado, não teria tomado o tempo de reler, “confiando”, segundo Scalfari, no seu trabalho.

Resumindo, um imbroglio do começo ao fim, que constrange hoje profundamente o Vaticano: utilização e manipulação de uma conversa particular para transforma-la à revelia do Papa em uma entrevista; autorização evidentemente subtraída ao Papa para a publicação de um texto que ele não reviu pessoalmente; escusas do autor, uma das referencias do jornalismo italiano, para encobrir o fato de que ele escreveu de memória, do começo ao fim, essa pseudoentrevista.

Na Igreja Católica, essa “entrevista”, publicada em três páginas do La Repubblica tinha suscitado uma profunda incompreensão e um grande mal estar. As formulações chocantes e sem nuance do Papa Francisco o faziam aparecer como um verdadeiro “progressista”, na linha do chamado “espírito do Concílio Vaticano II”, portanto, em ruptura total com o pontificado de Bento XVI. Em outras palavras, como digno herdeiro daquele que foi o adversário do Papa alemão – o Cardeal Martini. Esse último, hoje falecido, era amigo próximo de Scalfari, o qual é, por sua vez, declaradamente laico [ou seja, ateu!]. São encontradas, aliás, formulações “martinianas” características na entrevista, que nunca antes tinham sido pronunciadas pelo Papa Francisco! Eis aí o inconveniente da memória, que não hesita em projetar e a tomar seus desejos pela realidade…

Teria sido uma posição extremada do Papa Francisco, que não combinava nem com o exame dos fatos e gestos, nem com os discursos efetivos de seu pontificado. No dia seguinte dessa estranha publicação, Le Figaro, que havia logo e diretamente verificado junto a Eugenio Scalfari as condições de seu encontro com o Papa, foi a primeira mídia a questionar a autenticidade e a credibilidade desse “documento” que merece, como um caso modelo, o título de “verdadeira falsa entrevista”.

O Papa celebrou uma Missa versus Deum

Homilia do Santo Padre na Santa Missa Crismal


Amados irmãos e irmãs,

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afeto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos «Ungidos»: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei David e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção «é para» os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma «é para» no Salmo 133: «É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes» (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.

As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula actual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgicoque não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge «as periferias». O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, «as periferias» onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé. As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: «Reze por mim, padre, porque tenho este problema», «abençoe-me, padre», «reze para mim»… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens. O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido – por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) –, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na «periferia existencial», vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se ativa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo «nada», porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor «já receberam a sua recompensa». É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o «cheiro das ovelhas» – isto vo-lo peço: sede pastores com o «cheiro das ovelhas», que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.

Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas «periferias» onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amem

Explicação heráldica do brasão do Papa Francisco


MISERANDO ATQVE ELIGENDO

Com misericórdia o elegeu

O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. Nele estão representadas armas da Companhia de Jesus, a qual pertence o pontífice, sendo que a cor blau (azul) simboliza o firmamento e o manto de Maria Santíssima e, heraldicamente, significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza; o sol representa Nosso Senhor Jesus Cristo, o “Sol da Justiça”, reforçado pelo monograma de Cristo: IHS (adotado por Santo Inácio em 1541) sobreposto pela cruz, que sendo de goles (vermelho) simboliza: o fogo da caridade inflamada no coração do Soberano Pontífice pelo Divino Espírito Santo, que o inspira diretamente do governo supremo da Igreja, bem como valor e o socorro aos necessitados, que o Vigário de Cristo deve dispensar a todos os homens. Os cravos, enquanto instrumentos da paixão, lembram a nossa redenção pelo sangue de Cristo e sua cor, sable (preto), representa: sabedoria, ciência, honestidade e firmeza. A estrela, de acordo com a antiga tradição heráldica, simboliza aVirgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja; enquanto a flor de nardo simboliza São José, patrono da Igreja Universal, que na tradição daiconografia hispânica, é representado com um ramo de nardo nas mãos. Sendo ambos de jalde, têm o significado heráldico deste metal, já descrito acima. Colocando no seu escudo tais imagens, o Papa pretendeu exprimir a própria particular devoção a Nossa Senhora e ao seu castíssimo esposo. Somadas as três representações, têm-se a homenagem do pontífice à Sagrada Família: Jesus, Maria e José, modelo da família humana que devem ser defendidas pela Igreja. Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa. As duas chaves decussadas, uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro , relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: “Dar-te-ei aschaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu” (Mt 16, 19). Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A mitra pontifícia usada como timbre, recorda em sua forma e esmalte, a simbologia da tiara, sendo que as três faixas de jalde (ouro) significam os três poderes papais: Ordem, Jurisdição e Magistério, ligados verticalmente entre si no centro para indicar a sua unidade na mesma pessoa.O pálio papal (omofório), muito usado nas antigas representações papais, simboliza ser o Papa pastor universal do rebanho que lhe foi confiado por Cristo. No listel, o lema ” MISERANDO ATQVE ELIGENDO ” (Com misericórdia o elegeu), foi retirado de uma homilia de São Beda, o Venerável, (Hom. 21; CCL 122, 149-151) que, comenta o evangelho de São Mateus (Mt 9,9), escrevendo “Vidit ergo lesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me’ (“Viu Jesus a um publicano e como o olhou com sentimentos de amor o elegeu e lhe disse: siga-me”). Este lema, presente na Liturgia das Horas da festa de São Mateus, é um tributo à misericórdia divina, tendo um significado espcial e particular na vida e no itinerário espiritual do pontífice.

Fonte: Wikipédia

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X sobre a eleição de S.S. Francisco


No anúncio da eleição do Papa Francisco, a Sociedade de São Pio X ora a Deus para dar abundantemente para o novo Pontífice as graças necessárias para o exercício de sua pesada carga.

Que sustentado pela Divina Providência, o novo papa possa “confirmar os irmãos na fé” [1] , com a autoridade que São Pio X declarou no início do seu pontificado: “Nós não queremos ser, e com a ajuda de Deus, Nós não seremos mais nada, no meio da sociedade humana, o ministro de Deus para nós autoridade revestida. Seus interesses são os nossos interesses para dedicar nossa força e vida, esta é a nossa determinação inabalável. ” [2]

São Francisco de Assis com o novo pontífice chamado, ouviu o divino crucificado o dizer: “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja”. É com esse espírito que os bispos, sacerdotes e religiosos da Sociedade de São Pio X fornecem o Santo Padre seu desejo filial para “restaurar todas as coisas em Cristo, para que Cristo seja tudo em todos” [ 3] , de acordo com seus meios, por amor da Santa Igreja Católica Romana.

Menzingen, 13 de março, 2013

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Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

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