Montfort: O Dom de Línguas


PERGUNTA

Nome:
Fábio


Querido Professor Orlando, como vai?

Espero que esteja tudo bem! É com grande satisfação que venho lhe enviar esse e-mail.
Recebi esse texto, sobre o Dom de Línguas, e gostaria que o senhor analisasse.
Um grande abraço, e fique com Deus!
Fábio

Um dom chamado Línguas Neste primeiro estudo, você fica conhecendo o dom de Línguas. Para que serve? Como Recebê-lo?
Existe muita confusão na mente das pessoas a respeito do dom das línguas. Muitos pensam que falar em línguas significa ter o dom de ensinar a palavra de Deus em linguagem humana não aprendida anteriormente, como aconteceu em Pentecostes (At 2). Outros tiram do contexto certos textos de São Paulo e afirmam que Paulo desencoraja o uso deste dom. Embora provavelmente bem intencionadas, estas pessoas se enganam, porque um estudo discernido da Escritura vai mostrar-nos que há três aspectos no dom de línguas: em alguns casos é um sinal (miraculoso), freqüentemente é uma mensagem normal de Deus à assembléia, e na maioria dos casos é um belo dom de oração. Além disso, longe de menosprezar o dom, Paulo o tinha em alta consideração por seus vários usos.
Uso público A maioria dos conselhos de Paulo sobre as línguas, na 1a Carta aos Coríntios, fala sobre o uso disciplinado das línguas nas reuniões públicas dos discípulos para oração e partilha. Ao dar este conselho, Paulo estava indo ao encontro das necessidades da Igreja de Corinto e respondendo às perguntas que lhe faziam (1Cor 7,1;11,18;12,1). Longe de desencorajar o uso das línguas, Paulo estava encorajando a usá-las com propriedade, para beneficio comum. No contexto público, duas funções possíveis eram preenchidas por este carisma: mensagem e sinal. Quando o dom é usado para levar uma mensagem, o que é falado à assembléia em línguas, deve ser inteligível. Dai Paulo aconselhar sobre a necessidade do carisma de interpretação (1Cor 14,5 e 27). Interpretação não é tradução, pois quem interpreta não compreende os sons estranhos pronunciados. Mas o intérprete é inspirado pelo Espírito a partilhar na fé a intuição ou a idéia do que seja a mensagem; nisto, é semelhante à operação da profecia. Paulo encoraja aquele que fala em línguas a pedir para si mesmo o poder de interpretá-las (1Cor 14,13).
O dom pode, também, servir de sinal: os sons estranhos articulados são, às vezes, inteligíveis por si mesmos, miraculosamente, sem a necessidade de interpretação. Neste caso, a pessoa para quem, o sinal é dirigido (1Cor 14,22) poderá compreender os sinais, porque eles são verdadeiramente linguagem humana de seu conhecimento. Isto é o que parece ter acontecido no dia de Pentecostes e, talvez, na conversão de Cornélio (At 2,4-12; At 10,45-46; ver também Mc 16,47). Vemos também os exemplos atuais disto.
O uso na oração pessoal "Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito… (1Cor 14,2). Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto. (Outra tradução: minha mente não contribui em nada) (1Cor 14,14)".
"Outrossim, o Espírito vem em auxílio de nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis." (Rm 8,26).
As línguas são uma ajuda à oração, feita para aqueles que em várias ocasiões se sentem "enfraquecidos" e incapazes de orar bem da maneira comum. É uma oração que não se baseia em conceitos. Daí, poder ajudar uma pessoa a orar a qualquer hora, mesmo quando estiver distraída, cansada ou ocupada em trabalho mecânico. Dá descanso à atividade frenética da mente, um valor apreciado pelos mestres espirituais de todas as tradições.
Tem muita semelhança com a oração de Jesus e com a oração de silêncio que é descrita no livro "The Cloud of Unknowing" (A Nuvem do Desconhecimento). Embora não seja conceitualmente compreendida por quem a usa, Paulo nos afirma que Deus, a quem a oração é dirigida, a compreende (Rm 8,27).
Podemos ver quão pura é esta oração. Em outras formas de oração, usamos pensamentos e imagens como meios de chegar a Deus. Nesta oração, vamos além deles, deixamos que eles fiquem para trás, à medida que nós chegamos ao próprio Deus. É um ato de fé muito puro. Talvez, nesta oração, pela primeira vez nós realmente agimos em "pura" fé. Muitas vezes nossa fé está apoiada em conceitos e imagens da fé. Aqui vamos, além deles, ao objeto da fé, deixando todos os conceitos e imagens para trás.
Também podemos notar quão cristã é esta oração. Pois realmente morremos para nós mesmos, ao nosso ser mais superficial, ao nível dos pensamentos, imagens e sentimentos, para podermos viver para Cristo. "Morremos" para os nossos pensamentos e imaginações, não importa quão bonitos sejam ou quão úteis possam ser. Deixamos que fiquem todos para trás, pois queremos um contato imediato com o próprio Deus, e não um pensamento, uma imagem ou visão dele somente a experiência de fé em Deus.
O dom é para uso no louvor a Deus, quando uma pessoa fica sem palavras ou idéias, e na oração de intercessão. Quando não se sabe o que pedir ou para quem orar, o Espírito está pronto para interceder através de nossos sons articulados (Rm 8,26).
A experiência dos que estão na Renovação Carismática diz que esta oração é eficaz e frutífera.
O dom é também útil como um meio de entrar na oração de contemplação, como têm testemunhado monges beneditinos e Trapistas, e também para combater eficazmente na batalha espiritual (Ef 6,10-11 e 18). Paulo nos lembra que estamos todos engajados na batalha espiritual. Nossa batalha continua não é com realidades humanas, mas com forças sobre-humanas contra as quais somos incapazes por nós mesmos. Daí nossa necessidade de usar toda a armadura de Deus e nos apoiar totalmente em seus dons e em seu poder. Este poder atingimos pela fé.
A experiência de Paulo e a experiência atual dos que estão na Renovação Carismática nos dizem que usar o dom das línguas é um bom meio de lutar contra o inimigo efetivamente devastador, e de vencer suas tentações.
Não é para menos que tantas vezes sejamos tentados pelo mentiroso a minimizar este dom e a deixar de usá-lo.
Uma Oração de Fé Pelo fato de construir a nossa fé, o dom das línguas é, muitas vezes, chamado de porta de entrada para os outros dons – "o carisma limiar".
Para receber e usar todos os carismas, como a profecia, a cura, a palavra de ciência, e os demais, a pessoa precisa ter uma fé ativa e expressa.
Receber – entregar-se – ao dom das línguas dá à pessoa a experiência do que isto significa. Desta forma é o limiar para os outros dons.
No entanto, entregar-se ao dom das línguas não é pré-requisito para receber os outros dons. "Aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo… ora, desejo que todos faleis em línguas" (1Cor 14,4-5). Edificar significa construir, fazer firme e forte. Orar em línguas é um modo importante de construir nossa fé. Como exercitamos nossa fé, usando-a, seu uso freqüente torna-a mais forte. Quanto mais regularmente usamos o dom, rejeitando todas as tentações de dúvida e cansaço, mais nossa fé é edificada e construída. Por isso Paulo, cuja fé era tremenda, podia proclamar publicamente: "Graças a Deus que possuo o dom de línguas, superior a todos vós" (1Cor 14,18).
Naturalmente, orar em línguas é apenas uma das muitas formas de oração. Os que estão na Renovação Carismática também usam muito a oração litúrgica, a Eucaristia, o oficio divino e outras formas tradicionais de devoção pública e particular. Paulo encoraja isto também, dizendo: "Orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento (1Cor 14,15)".
A oração em línguas não pode ser julgada por si mesma. Porque vai além do pensamento, além da imagem, nada fica pelo qual ela possa ser julgada. Na oração ativa conceitual podemos fazer alguns julgamentos depois que oramos: "Tive umas sensações boas", ou "Tive muitas distrações". Mas tudo isto é irrelevante a esta oração. Portanto, nada fica pelo qual ela possa ser julgada.
Existe, porém, uma forma que permite ao que é bom nesta oração ser confirmado para nós. Nosso Senhor disse: "Podeis julgar a árvore por seus frutos". Se formos fiéis a esta forma de oração, tornando-a uma parte regular do nosso dia, rapidamente iremos discernir o amadurecimento dos frutos do Espírito em nossas vidas.
Experimentei isto em minha própria vida e vejo-o sempre na vida dos outros.
Como receber o Dom Este dom, em seus três aspectos, é um meio e uma oportunidade de nos entregarmos totalmente mesmo o nosso intelecto! – ao senhorio de Jesus. "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba, quem crê em mim, como diz a Escritura:"Do seu interior manarão rios de água viva" (Jo 7,37-38).
Se queremos receber este dom, devemos: l. ANSIAR PELO DOM Reflita sobre as Escrituras e esteja convencido, na mente e no coração, de que este dom é de Deus, dado à Igreja hoje, e à disposição dos fiéis. Lembre-se das palavras de Paulo: "Aspirai igualmente aos dons espirituais… desejo que todos faleis em línguas… graças a Deus, que possuo o dom de línguas superior a todos vós… aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus… aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo… orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento… orai o tempo todo no Espírito" (1Cor 14,15; Ef 6,18).
2. VIR A JESUS E PEDIR O DOM DA ORAÇÃO.
Conte-lhe o desejo de seu coração. Peça com amor e fé.
3. ACEITAR O DOM DE JESUS NA FÉ E COMEÇAR A USÁ-LO.
Saiba que Deus ouviu sua oração. (Lc 11,13) Fale deliberadamente em sons ininteligíveis enquanto sua atenção se concentra inteiramente em Deus.
Deve-se ter a intenção de que estes sons sejam para oração de louvor ou de intercessão. Inicialmente o dom pode ser muito rudimentar – as mesmas duas ou três silabas repetidas sempre. Mas o uso regular e persistente do dom – digamos uns quinze minutos todos os dias – levará em poucos dias a uma língua mais desenvolvida e satisfatória.
Nossa base para este método é a fé expectante tantas vezes ilustrada e encorajada na Escritura; por exemplo, em Jo 2,7-1 O; Lc 17,12-16; Mt 14,22-31. Aqui, as pessoas envolvidas tinham que dar o primeiro passo. Elas tinham que agir, sem levar em consideração o risco de que nada pudesse acontecer, e apoiando-se inteiramente na bondade de Deus e no desejo de agir. E porque acreditaram e agiram nesta fé, descobriram, para sua felicidade, que haviam realmente sido abençoadas "Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado" (Mc 11,24).
4. CONTINUAR A CRER E USAR ESTE DOM PARA ORAÇÃO.
Não há provas humanas possíveis para encorajarnos a esta entrega ao dom. No entanto, seremos convencidos pela evidência que se seguirá ao seu uso constante. Por seus frutos em nossa vida, seremos capazes de julgar seu valor e sua autenticidade.
Fio Mascarenhas Revista Jesus Viva e é o Senhor

RESPOSTA

Prezado Fábio, salve Maria.
Você me propõe que examine um texto a respeito do "dom de línguas". Embora se diga que o texto é de um grupo da chamada Renovação Carismática Católica, infelizmente não fica claro no que esse texto se diferencia de um texto carismático protestante. E essa confusão já mostra o mal desse carismatismo: ele é tão semelhante ao protestantismo que praticamente se identifica com ele.
De fato, o que mais diferencia o catolicismo do protestantismo é a fé, e esta se expressa em conceitos e verdades claras. Ora, o autor do artigo demonstra que coloca o carisma acima da fé.
Por exemplo, o pretenso dom de línguas, tal como é descrito nesse texto que você me envia, se declara mais além das verdades conceituais: "Muitas vezes nossa fé está apoiada em conceitos e imagens da fé. Aqui vamos, além deles, ao objeto da fé, deixando todos os conceitos e imagens para trás."
Recusando uma linguagem conceitual, recusam-se as verdades que são expressas pelos conceitos. Fica então patente que esse pretenso carismatismo é algo que se coloca fora da fé, fora da verdade, fora da religião tal como Deus a fundou.
E se não há mais uma verdade que fundamente a religião, todas as religiões podem se misturar à vontade. Cai-se no indiferentismo religioso. Os protestantes que alegam ter carismas e o dom das línguas serão vistos, então, como tão cristãos quanto os católicos. Por que, então, não freqüentar a Assembléia de Deus, ou a Congregação Cristã Brasil, nas quais se afirma haver também o dom das línguas?
O que importaria, desse modo, seria falar um blá blá blá que nem mesmo numa câmara de vereadores — a matriz do blá blá blá — se entende. Funda-se uma Nova Igreja: a Igreja do Blá-Blá-Blá, ou do Nhã-nhã-nhã.
E depois, como se distingue o "dom de línguas", proveniente de Deus, de uma possessão diabólica na qual o demônio se alegra exatamente em demonstrar seu conhecimento linguístico, soltando grunhidos ininteligíveis pela boca do possesso? Ora, a Igreja sempre apresentou como sinal de possessão o falar uma língua estranha ou pronunciar sons ininteligíveis.
No texto que você me manda, se afirma ainda que: " duas funções possíveis eram preenchidas por este carisma: mensagem e sinal. Quando o dom é usado para levar uma mensagem, o que é falado à assembléia em línguas, deve ser inteligível." Uma mensagem para a assembléia para quê?
Deus já não revelou à Igreja tudo o que era necessário para nossa salvação?
Se Deus precisa nos mandar mensagens através desse meio esquisito, então a a Igreja fica desnecessária.
Para que o Papa e os Bispos, se o Espírito Santo nos fala diretamente?
Para que ir à Igreja, se temos o dom de línguas a domicílio, numa espécie de sistema de "delivery" espiritual?
A Sagrada Escritura nos diz que é preciso obedecer antes a Deus do que aos homens. Ora, se o Espírito Santo fala pela boca de qualquer um, para que ouvir o Papa? Ouve-se o Espírito Santo diretamente sintonizado por cada um.
O carismatismo destrói a Igreja como instituição, substituindo-a por um agregado de pretensos alumbrados. Por isso, a Igreja sempre condenou os movimentos carismáticos que se colocam como intermediários normais entre Deus e os homens. Deus fundou a Igreja para nos ensinar a sua revelação e administrar os sacramentos pelos quais Ele, normalmente, nos dá as suas graças.
Você veja, meu caro Fábio, como o autor do artigo despreza a Fé tal como a Igreja a apresenta — conjunto de verdades reveladas por Deus e confirmadas pela Igreja em que somos obrigados a acreditar — pois ele escreve: "Podemos ver quão pura é esta oração. Em outras formas de oração, usamos pensamentos e imagens como meios de chegar a Deus. Nesta oração, vamos além deles, deixamos que eles fiquem para trás, à medida que nós chegamos ao próprio Deus. É um ato de fé muito puro. Talvez, nesta oração, pela primeira vez nós realmente agimos em "pura" fé. Muitas vezes nossa fé está apoiada em conceitos e imagens da fé. Aqui vamos, além deles, ao objeto da fé, deixando todos os conceitos e imagens para trás." Repare, mais uma vez, como o carismatismo pretende ir além dos conceitos, isto é, além das verdades que constituem o tesouro da Fé. Uma fé sem conceitos é uma fé sem conteúdo. É uma fé vazia e sem nenhum valor. No carismatismo, tal como é exposto nesse artigo, a pessoa já não crê naquilo que Deus ensinou, mas acredita apenas que, por nós mesmos, "chegamos ao próprio Deus".
Isso é falso.
Se chegamos ao próprio Deus, por nós mesmos, recebendo diretamente os carismas, para que existe a Igreja?
Depois da revelação de Cristo e da instituição da Igreja sobre Pedro, chegamos a Deus, normalmente, apenas por meio da Igreja. Embora, excepcionalmente, Deus possa conceder a alguém o conhecimento da Fé por modo milagroso, através de uma graça especial, isso não é a lei normal instituída por Cristo. O meio normal é chegar a Deus pela Igreja, pelos sacramentos. O carismatismo crê que é normal chegar a Deus pelos carismas, tornando a Igreja desnecessária.
O autor apresenta ainda o dom de línguas como uma forma de oração que não se fundamenta em conceitos, em verdades. Diz ele textualmente: "É uma oração que não se baseia em conceitos.". De novo, a renúncia ao conceito, à verdade.
Uma oração sem conceitos é uma oração sem amor, porque só podemos amar o que conhecemos, e o conhecimento se exprime em conceitos. Se não tenho conceito para quem oro, ou o que oro, estarei só fazendo barulho com a boca, como um simples animal faz.
Deus porém nos disse: ‘Amará o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento, e com todas as tuas forças" (Marc. XII, 30). Devemos amar a Deus com toda a nossa inteligência, isto é, compreendendo o que fazemos ao amá-Lo ou quando rezamos para Ele.
A pretensão de unir-se imediatamente a Deus, dispensando qualquer meio — portanto dispensando a Igreja, os sacramentos e a graça sacramental — fica evidente na seguinte frase desse artigo que você me envia.
"queremos um contato imediato com o próprio Deus, e não um pensamento, uma imagem ou visão dele somente a experiência de fé em Deus". Os carismáticos pretendem ter não uma crença em verdades, mas sim — e somente — uma experiência de fé. Como os hereges modernistas, e como todos os hereges gnósticos, o autor afirma que a fé é uma experiência, e coloca a experiência pessoal acima da fé: "A experiência dos que estão na Renovação Carismática diz que esta oração é eficaz e frutífera".
Para os carismáticos, então, o fundamento não está na fé, mas numa experiência interior.
Daí o autor do artigo escrever: "A experiência de Paulo e a experiência atual dos que estão na Renovação Carismática nos dizem que usar o dom das línguas é um bom meio de lutar contra o inimigo efetivamente devastador, e de vencer suas tentações". Embora o autor afirme que "Para receber e usar todos os carismas, como a profecia, a cura, a palavra de ciência, e os demais, a pessoa precisa ter uma fé ativa e expressa", ele afirma , logo em seguida, que o carismatismo é uma experiência que se fundamenta em sua própria experiência e não na Fé. Por isso diz o autor que analisamos: "Receber – entregar-se – ao dom das línguas dá à pessoa a experiência do que isto significa".
Portanto, para o autor, a "fé" não é a crença em verdades reveladas por Deus e confirmadas pela Igreja, verdades que se exprimem conceitualmente, mas a "fé" seria a crença numa experiência, crer em si mesmo, no que se experimentou, e não em Deus e na Igreja. Isso é Modernismo, heresia que foi condenada na encíclica Pascendi de São Pio X.
Por colocar a "experiência da fé" acima dos conceitos e das verdades, o autor assevera que o carismatismo não pode ser julgado à luz da doutrina, de um modo conceitual, porque ela vai além do pensamento, só pode ser experimentada: "A oração em línguas não pode ser julgada por si mesma. Porque vai além do pensamento, além da imagem, nada fica pelo qual ela possa ser julgada. Na oração ativa conceitual podemos fazer alguns julgamentos depois que oramos: "Tive umas sensações boas", ou "Tive muitas distrações". Mas tudo isto é irrelevante a esta oração. E repare que o autor não tem clara a distinção entre sensações e conceitos.
Para praticar o carisma de línguas, o autor recomenda que se fale de maneira ininteligível, louca, sem sabedoria: "Fale deliberadamente em sons ininteligíveis enquanto sua atenção se concentra inteiramente em Deus". Enfim, o artigo declara que "Não há provas humanas possíveis para encorajarnos a esta entrega ao dom. No entanto, seremos convencidos pela evidência que se seguirá ao seu uso constante". Portanto a fé deixaria de ser um obséquio racional, para ser um fideísmo completo, uma "crença" irracional.
Isso é o contrário do que sempre ensinou a Igreja.
Esperando tê-lo ajudado, me despeço.
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Cinco perguntas a que nenhum protestante consegue responder


1 – Por favor, diga-me uma razão para aceitar a Bíblia que um muçulmano não poderia usar para considerar o Corão inspirado por Deus.

R – Os católicos aceitamos a Bíblia como Palavra de Deus porque a Igreja que Cristo fundou e confiou a São Pedro (Mt 16,18), e que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,15), diz que a Bíblia é Palavra de Deus. Como dizia Santo Agostinho, "creio nos Evangelhos porque a Santa Madre Igreja me diz para crer neles".
2 – Por favor, diga-me porquê você aceita apenas uma parte da Bíblia (afinal, a lista de livros que compõem o Novo e o Antigo Testamento foi determinada ao mesmo tempo – aliás, junto com o título de Mãe de Deus para Nossa Senhora – e você aceita apenas parte do Antigo Testamento), e com que autoridade você o faz.

R – Os católicos aceitamos a Bíblia em sua íntegra porque a lista de livros que a compõem foi definida pela Igreja em 397 d.C., sob a autoridade do Sucessor de Pedro, Papa São Dâmaso I.

3 – Por favor, diga-me porque a Bíblia teria precisado de quase 1600 anos para ser entendida corretamente, se ela é teoricamente algo que qualquer um pode ler e entender.

R – Os católicos sabemos que a Bíblia não é algo que qualquer um pode ler e entender sem ajuda (2Pd 3,16, At 8,31), e sabemos que Cristo confiou a São Pedro, o primeiro Papa, a tarefa de tomar conta de Seu rebanho, a Igreja (Jo 21,15-17). Nós seguimos o que os Sucessores de Pedro nos transmitem.

4 – Por favor, explique como alguém pode saber se entendeu a Bíblia corretamente, se ele só pode confiar na Bíblia, e em mais nada; afinal existem cerca de 30.000 seitas protestantes no mundo, cada uma entendendo a Bíblia de maneira diferente e todas achando que estão certas.

R – Os católicos sabemos que é a Igreja que Cristo fundou e confiou a São Pedro (Mt 16,18), e que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,15), quem tem a missão de ensinar (Mt 28,19), e que as Escrituras não devem sofrer interpretação particular (2Pd 2,20), pois quem o faz comete erros que o conduzem à perdição (2 Pd 3,16). Assim, sabemos que a explicação feita pela Igreja está certa, e está errada qualquer interpretação diferente desta.

5 – Por favor, prove usando apenas a Bíblia que ela é o que você considera que ela seja (ou seja, a única fonte de Verdade Revelada, composta pelos livros que você aceita, todos eles e só eles). Claro que todo mundo sabe que a Bíblia é Palavra de Deus, boa para o ensino, etc. e tal, mas por favor, tente provar que ela é a única fonte de Palavra de Deus, composta pelos livros que você aceita, todos eles e só eles.

R – Ao contrário dos protestantes, que acreditam na heresia chamada "Sola Scriptura", segundo a qual apenas a Bíblia é Palavra de Deus, os católicos sabemos que além da Bíblia, que não tem toda a Palavra de Deus e não está completa, (Jo 20,30-31; Jo 21,25; 2Ts 2,14), há ainda a Tradição Oral, também revelada por Deus, que deve ser seguida (2 Ts 2,15; 2Ts 3,6; 2Tm 1,13; 1 Cor 11,2; Gl 1,14, 1Tm 6,20; 2Tm 1,14; 2Tm 2,2, etc.). O próprio São Paulo, em At 20,35, cita palavras de Cristo que não estão em nenhum dos Evangelhos , dizendo aos bispos de Éfeso que eles devem lembrar-se delas. Sabemos ainda que os livros que compõem a Sagrada Escritura são os que a Igreja determinou em 397 d.C., mais de mil anos antes dos primeiros protestantes arrancarem sete livros de suas bíblias em 1517 d.C.

O que são as seitas protestantes?


O que são as seitas protestantes?

Dr. Udson Rubens Correia

O protestantismo negando tanto a Tradição quanto o Magistério sofre desde os seus primórdios uma desintegração doutrinária assombrosa. Onde Cristo fundou a Igreja Católica sobre a Rocha, Lutero e Cia fundaram a igreja Evangélica sobre a areia movediça da sola scriptura e do livre exame. E logo nas primeiras ventanias, pôs-se a casa dos reformadores a desabar fragorosamente: tábuas lançadas aqui e ali, telha lá e acolá, junturas e cacos em todas as direções.

Vejamos como no princípio deste século, o Reverendíssimo Pe. Leonel Franca já chamava a atenção para este fato, descrevendo lucidamente o processo de desagregação doutrinária do protestantismo, baseado no método da sola scriptura e do livre exame: “Na nova seita (protestantismo) não há autoridade, não há unidade, não há magistério de fé. Cada sectário recebe um livro que o livreiro lhe diz ser inspirado e ele devotamente o crê sem o poder demonstrar; lê-o, entende-o como pode, enuncia um símbolo, formula uma moral e a toda esta mais ou menos indigesta elaboração individual chama cristianismo evangélico. O vizinho repete na mesma ordem as mesmas operações e chega a conclusões dogmáticas e morais diametralmente opostas. Não importa; são irmãos, são protestantes evangélicos, são cristãos, partiram ambos da Bíblia, ambos forjaram com o mesmo esforço o seu cristianismo” ( In I.R.C. Pg. 212 , 7ª ed.).

Vejamos alguns exemplos práticos: um fiel evangélico quer mudar de seita? Precisa-se rebatizar? Umas igrejas dizem sim, outras não. Umas admitem o batismo de crianças, outras só de adultos, umas admitem a aspersão, infusão e imersão. Aquela outra só imersão, e mesmo há grupelho que só admite batismo em água corrente e sem cloro! Aqui e ali as fórmulas de batismo são tão variadas como as cores do arco-íris. Quer o sincero evangélico participar da Santa Ceia? Há seitas que consideram o pão apenas pão (pentecostais) outras que o pão é realmente o corpo de Cristo (Luteranos, Episcopais e outros). Uns a praticam com pão ázimo, outras com pão comum, aqui com vinho, lá com vinho e água, acolá com suco de uva. A Santa Ceia pode ser praticada diariamente, mensalmente, trimestralmente, semestralmente, anualmente ou não ser praticada nunca. Trata-se de ministérios ordenados? Esta seita constitui Bispos, presbíteros e diáconos. Àquela só presbíteros e pastores, alí pastores e anciãos, lá Bispos e anciãos, acolá presbíteros e diáconos, outras não admitem ministro nenhum. Umas igrejas ordenam mulheres, outras não. E por aí, atiram os evangélicos em todas as solfas quando o assunto é ministério ordenado.

Após a morte, o que espera o cristão? Pode um crente questionar seu pastor sobre isto? E as respostas colhidas entre as denominações seria tão rica e variada quanto a fauna e a flora. Há Pastor que prega que todos estarão inconscientes até a vinda de Cristo quando serão julgados; outros pregam o “arrebatamento” sem julgamento; outros, uma vida bem-aventurada aqui mesmo na terra; aqueles lá doutrinam que após a morte já vem o céu e o inferno; no outro quarteirão, se ensina que o inferno é temporário; opinam alguns que ele não existe; e tantas são as doutrinas sobre os novíssimos quanto os pastores que as pregam. Está cansado o fiel da esposa da sua juventude? Não tem importância, sempre encontrará uma seita a lhe abrir risonhamente as portas para um novo matrimônio. E de vez em quando não aparece um maluco aqui e ali aprovando a poligamia?

Lutero mesmo admitiu tal possibilidade: “Confesso, que não posso proibir tenha alguém muitas esposas; não repugna às Escrituras; não quisera porém ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos” ( Luthers M.., Briefe, Sendschreiben (…) De Wette, Berlin, 1825-1828, II. 259 ). Não há uma pesquisa nos Estados Unidos que demonstra que entre os critérios para um evangélico escolher sua nova igreja está o tamanho do estacionamento? Eis o que é hoje o protestantismo.

Vejamos neste passo a afirmação de Krogh Tonning famoso teólogo protestante norueguês, convertido ao catolicismo, que no século passado já afirmava: “Quem trará à nossa presença uma comunidade protestante que está de acordo sobre um corpo de doutrina bem determinado ? Portanto uma confusão (é a regra ) mesmo dentre as matérias mais essenciais” ( Le protest. Contemp., Ruine constitutionalle, p. 43 In I.R.C., Franca, L., pg 255. 7ª ed, 1953)

Mas o próprio Lutero que saiu-se no mundo com esta novidade da sola scriptura viveu o suficiente para testemunhar e confessar os malefícios que estas doutrinas iriam causar pelos séculos afora: “Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças” (Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ). Um outro trecho selecionado, prova que o Patriarca da Reforma tinha também de quando em quando uns momentos de bom senso: “Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm” ( Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289).

Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/983-o-que-sao-as-seitas-protestantes

 

Cruz credo!

Respota a [Resposta a [Frutos do “Livre Exame” Protestante]


Queridos leitores, a paz de Jesus e o amor de Maria!

Publicamos os comentários feitos por um leitor protestante ao post Resposta a [Frutos do “Livre Exame” Protestante, e logo após a nossa resposta.

LEITOR PROTESTANTE

 Prezado Moisés,não sinto ódio por ninguém.Essa palavra realmente não faz parte da minha vida.Eu procuro seguir o que diz a palavra de Deus:”Não retribuam a ninguém o mal por mal.”(Romanos 12:17).O que faz cair Continue lendo »

Resposta a [Frutos do “Livre Exame” Protestante]


Queridos leitores, a paz de Jesus e o amor de Maria!

Publicamos os comentários feitos por um leitor protestante ao post Frutos do “Livre Exame” Protestante, e logo após a nossa resposta.

 

LEITOR PROTESTANTE

Caríssimo Moisés,você manifestou sua opinião acerca dos protestantes e eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas acerca do assunto.A primeira: Quem lhe disse que a única instituição que tem Continue lendo »

Frutos do “Livre Exame” Protestante


          

Pra quem não sabe, o livre exame, é uma das teses do herege Lutero, que o mesmo inventou em sua revolta contra a Igreja de Jesus Cristo. Dentre outras teses, e resumidamente falando sobre esta (o livre exame), ele ensina que todo cristão é inspirado pelo Espírito Santo ao ler a Sagrada Escritura, e que não precisa de ninguém que o oriente e que cada interpretação dali retirada é válida (pelo fato deste estar “inspirado” pelo Espírito Santo). Ora, sabemos que o Espírito Santo não se contradiz (isso é impossível para Deus), então por que será que cada denominação protestante (pra dizer seita protestante mesmo) tem sua própria interpretação da Bíblia e cada uma diferente das outras? Será que o Espírito Santo se contradiz, ou será que o espírito que anima a interpretação dos protestantes não é o Santo? E se não é o Espírito Santo, de quem é o espírito que gera dúvidas, erros e divisões?

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Paródias de uma professora cedrense!

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Vida, dom de Deus

Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

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