Frei Boff renega e abjura a Teologia da Libertação


O @freirojao tem que saber disso!

É isso mesmo minha gente que acabo de informar. O frei Boff renega a malfadada Teologia da Libertação.

Mas calma, não é o frei Leonardo Boff, e sim seu irmão frei Clodovis Boff, que com o primeiro foi um dos “fundadores” da Teologia da Libertação. Abaixo publico um texto de sua pena:

(…)
Que acontece então na prática teórica da Teologia da Libertação (TdL)? Acontece uma “inversão” de primado epistemológico. Não é mais Deus, mas o pobre, o primeiro princípio operativo da teologia. Mas, uma inversão dessas é um erro de prioridade; por outras, é um erro de princípio e, por isso, de perspectiva. E isso é grave, para não dizer fatal.

Que o pobre seja um princípio da teologia ou uma perspectiva (ótica ou enfoque), é possível, legítimo e mesmo oportuno. Mas apenas como princípio segundo, como prioridade relativa. Se assim é, a teologia que arranca daí, como é a TdL, só pode ser um “discurso de segunda ordem”, que supõe em sua base uma “teologia primeira”.

Contudo, não parece que a TdL tenha essa consciência, pois se pensa, para todos os efeitos, como uma teologia inteira à parte, substituindo ou dispensando a “teologia primeira” e fundindo ou, melhor, confundindo o nível “transcendental” com o “categorial”. Em sua prática teórica, continua a pôr o “pobre” como seu princípio, centro e fim. E ainda que não o faça com plena consciência e consentimento epistemológico, o resultado, na prática, é o mesmo, e isso, como dissemos, por causa da ambiguidade com que esta questão essencial é aí tratada.

Ora, quando o pobre adquire o estatuto de primum epistemológico, o que acontece com a fé e sua doutrina no nível da teologia e também da pastoral? Acontece a instrumentalização da fé em função do pobre. Cai-se no utilitarismo ou funcionalismo em relação à Palavra de Deus e à teologia em geral.

Que a fé seja útil, isso é certo, mas essa não é sua parte maior nem a mais importante. Uma fé usada principalmente de modo instrumental, sofre fatalmente uma capitis diminutio: é submetida a uma seleção e a uma interpretação de acordo com o que interessa à “ótica do pobre”. Sem dúvida, a fé preenche plenamente também esta ótica, mas também dela transborda por todos os lados, infinitamente.

Contra as críticas de que estaria usando “olheiras ideológicas”, a TdL apela para ideias como “margens de gratuidade” e “reserva escatológica” para afirmar seu respeito à transcendência da fé. Na verdade, a parte da transcendência é, nesta teologia, a parte menor e menos relevante, a “parte de leão” cabendo, como sempre, à “leitura libertadora” da fé.

O resultado inevitável é a redução da fé e, em especial, sua politização. Fala?se aqui também, criticamente, da transformação da fé em ideologia. Isso procede toda a vez que se dá à ideologia o sentido preciso que lhe dá o Magistério: o de uma fé que decai de seu nível transcendente para a imanência da política.

De onde eu tirei isso? Lá do Reinaldo Azevedo. Clique no link e lá você lerá também uma interessante entrevista do frei Boff, o católico 🙂 , sobre a renúncia de S.S. Bento XVI, bispo emérito de Roma.

Bento XVI e eu


Sou dele, e ele é meu

Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo

Bento XVI é o meu papa. Em 2005 quando assumiu o ministério petrino, em datas marcantes na minha vida particular, este papa era tão relevante pra mim quanto para um ateu. Não que eu fosse ateu. Pelo contrário, era membro da RCC, e procurava atuar na Igreja como um jovem “revolucionário”, no melhor sentido da palavra, e devo admitir, a RCC – da qual atualmente não sou tão “partidário” – me ajudava e impulsionava a isto. Sim caro leitor, é isso mesmo, estou elogiando a RCC, mas não é dela que estou tratando neste post. Não tive tempo suficiente para conhecer João Paulo II, apesar de na sua morte eu já contabilizar meus 18 anos, era um imaturo doutrinal.

O tempo passou, conheci a Montfort (apenas pelo site), deixei a RCC, virei “tiete” do saudoso professor Orlando, depois me solidifiquei mais um pouco na lista tradição católica e hoje cá estou eu a escrever neste blog que quase ninguém lê. Onde entra Bento XVI nesta história? Ora, toda esta trajetória de mudanças radicais em minha vida foi sob a sombra dele. O professor Orlando Fedeli me ensinou a amar este papa. Sim, há muitos contra o professor, há muitos contra algumas coisas que ele ensinou, mas não estou aqui a julgar o professor, também não é o assunto deste post – Orlando Fedeli não era perfeito, mas fincou alguns tijolos na catedral de minh’alma que está em construção. Bento XVI também. Muitos tijolos foram postos por Bento XVI em minh’alma. Spes salvi muito me ajudou neste período de mudanças em minha vida. Deus caritas est conheci quando ainda estava na RCC, e tentei ainda fazer com que se estudasse este documento por lá. Caritaits in veritati me foi elucidadora!

Bento XVI é o meu papa! O seu discurso à cúria de dezembro de 2005! A liberação da Santa Missa em 2007! A corajosa atitude do levantamento das excomunhões posteriormente! O valente combate a pedofilia e homossexualismo, este pai daquele. A defesa da família! A defesa do embrião! O valente combate à AIDS na África e no mundo! Os puxões de orelhas nos prevaricadores bispos brasileiros nas visitas ad limina! A facada na moribunda Teologia da Libertação, seja quando ainda cardeal ao lado de João Paulo II, seja na sua visita ao Brasil para a abertura do CELAM. A facada na ainda viva e atuante Maçonaria, quando ainda era cardeal da Congregação para Doutrina da Fé!  A defesa da vida e da civilização ocidental em processo de autodestruição. Ah Bento XVI… o meu papa! Meu! Que diria eu se diante dele pudesse estar? Obrigado! Era o que diria. Obrigado por me confirmar na fé. Ó doce Cristo na Terra! Sou muito grato, imerecedor, de ter em nossa época um Papa como este. Não, nós não merecemos Bento XVI. Precisamos, é verdade, mas não merecemos.

Quando em um sitiozinho próximo a minha cidade natal, a mais de 400km da capital Fortaleza, e a milhares de quilômetros da Europa do Vaticano recebo a notícia de minha esposa que por telefone havia recebido a notícia de uma prima minha que Bento XVI havia renunciado, o que pensei? Com espírito mundano e cheio de conspirações logo pensei: foi a Maçonaria! Eles deram um jeito de derrubar o papa. Mas quando, de volta a civilização (ou ao que resta dela), leio o discurso do santo padre logo me acalmo, inquieto, triste e frustrado é bem verdade, mas mais calmo. Assim que leio as suas palavras me vêm a mente aquele papa que havia renunciado para ser monge, o qual no momento se quer lembrava o nome, mas assim respondi para a minha esposa quando me perguntara se algum papa já havia tomado semelhante decisão. Acolhi conformado, pois não tinha mais jeito, a sua escolha. Me entristeci. Me senti órfão, abandonado ao relento de um mundo tomado por lobos modernistas. Temi pelo futuro da Igreja. Agora não temo mais. A promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo me alenta, mas também as ultimas e fortes palavras do melhor pontificado da minha breve vida me acalmam, me conformam e me fazem ter confiança no sucessor do papa da minha vida!

Este texto está uma porcaria. Não é o que tinha em mente. Não consegui expor o que realmente queria. Mas não consigo mais do que isso. Não era somente isso que queria falar de Bento XVI. É muito mais. Mas não consigo. Não sei. Não tenho intelecto para mais. Sou um limitado cristão católico vítima da modernidade que viu em S.S. Bento XVI uma luz no fim do túnel. Sou um velho jovem de Bento XVI. Sou dele e ele é meu, e nós somos da Igreja que é de Nosso Senhor Jesus Cristo. É isto. Podem ir agora. Tchau.

Íntegra da ultima audiência de S.S. Bento XVI: “Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão”


Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Autoridades ilustres!
Queridos irmãos e irmãs!

Obrigado por ter vindo em grande número a esta minha última audiência geral.

Obrigado! Eu estou realmente tocado! E eu vejo a Igreja viva! E eu acho que nós também temos que agradecer ao Criador para o clima agradável que nos dá, mesmo agora no inverno.

Como o Apóstolo Paulo no texto bíblico que acabamos de ouvir, eu sinto no meu coração ter de agradecer especialmente a Deus que orienta e edifica a Igreja, que é a semeadora de sua Palavra e, portanto, alimenta a fé em seu povo. Neste momento, meu ânimo se alarga e abraça toda a Igreja em todo o mundo; e eu agradeço a Deus pela “notícia” de que neste ano de ministério petrino eu haver podido receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e o amor que circula realmente no corpo da Igreja que a faz viver no amor, e da esperança que se abre e se orienta para a plenitude da vida, em direção à pátria celeste.

Sinto que trago todos em oração, em um presente que é aquele de Deus, onde eu coleciono cada reunião, a cada viagem, a cada visita pastoral. Tudo e todos se reúnem em oração para confiá-los ao Senhor, porque temos pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual, e por que nos comportamos de maneira digna Dele e de Seu amor, frutificando em toda boa obra (cf. Col 1 0,9-10).

Neste momento, há uma grande confiança em mim, porque eu sei, todos nós sabemos, que a palavra da verdade do Evangelho é o poder da Igreja, que é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, dá frutos, onde a comunidade de crentes ouve e recebe a graça de Deus na verdade e na caridade. Esta é a minha fé, esta é a minha alegria.

Quando, em 19 de abril de quase oito anos atrás, eu concordei em assumir o ministério petrino, tive a firme convicção de que sempre me acompanhou: esta certeza da vida da Igreja, a Palavra de Deus. Naquele momento, como já havia expresso outras vezes, as palavras que foram ditas em meu coração foram: Senhor, por que me pedes isso e que coisa me pedes? É um grande peso que me põe sobre os ombros, mas se Tu me pedes, a tua palavra lançarei as redes, confiante de que vais me guiar, mesmo com todas as minhas fraquezas. E oito anos depois, posso dizer que o Senhor me guiou, me estava próximo, eu podia sentir a sua presença todos os dias. Ela foi uma parte do caminho da Igreja, que teve momentos de alegria e luz, mas momentos também difíceis, eu me senti como São Pedro e os Apóstolos no barco no Mar da Galiléia, o Senhor nos deu muitos dias de sol e uma brisa leve, os dias em que a pesca é abundante, e havia também momentos em que a água era agitada e o vento contrário, como em toda a história da Igreja, e o Senhor parecia dormir. Mas eu sempre soube que naquela barca está o Senhor e eu sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas dEle. E o Senhor não vai deixá-la afundar, é ele quem a conduz, certamente através dos homens que ele escolheu, porque ele queria. Esta foi e é uma certeza de que nada pode ofuscar. E é por isso que hoje meu coração está cheio de gratidão a Deus porque ele não sente falta de toda a Igreja e para mim o seu consolo, a sua luz, seu amor.

Estamos no Ano da Fé, o que eu queria para fortalecer a nossa própria fé em Deus, em um contexto que parece coloca-la mais e mais em um segundo plano. Eu gostaria de convidar a todos para renovar a firme confiança no Senhor, confiar como crianças nos braços de Deus, a certeza de que seu braço nos apoia e é o que nos permite caminhar todos os dias, mesmo na fadiga. Eu gostaria que todos se sintam amados por Deus, que deu o seu Filho por nós e nos mostrou seu amor sem limites. Eu quero que todos sintam a alegria de ser cristão. Em uma bela oração recitada diariamente no período da manhã se diz: “Eu te adoro, meu Deus, eu te amo com todo o meu coração. Agradeço-lhe por ter me criado, feito cristão”. Sim, estamos felizes pelo dom da fé; é a coisa mais preciosa, que ninguém pode tirar de nós! Agradecemos a Deus por isso todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que nós o amamos!

Mas não é só Deus que eu quero agradecer neste momento. Um Papa não é só na liderança do barco de Pedro, mesmo que seja sua a principal responsabilidade. Não tenho estado nem nunca estive só na alegria e peso do ministério petrino; o Senhor me colocou ao lado de muitas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram e estiveram próximas. Primeiro de tudo vocês, queridos Irmãos Cardeais:  vossa sabedoria, vosso conselho, vossa amizade foram preciosos para mim; meus colaboradores, começando com meu Secretário de Estado que me acompanhou fielmente ao longo dos anos, a Secretaria de Estado e toda a Cúria Romana, bem como todos aqueles que, em diversas áreas, deram o seu serviço à Santa Sé: são muitas faces que não aparecem, permanecem na sombra, no silêncio, no seu trabalho diário, em um espírito de fé e humildade foram o meu apoio seguro e confiável. Um sentimento especial para a Igreja de Roma, a minha diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, pessoas consagradas e todo o Povo de Deus nas visitas pastorais, nas reuniões, nas audiências, viagens, em que sempre recebi grande cuidado e afeto profundo; eu também amei todos e cada um, sem exceção, com a caridade pastoral, que é o coração de todo pastor, especialmente o Bispo de Roma, Sucessor do Apóstolo Pedro. Todos os dias eu trouxe cada um de vocês em oração, com o coração do pai.

Eu queria que meus cumprimentos e os meus agradecimentos chegasse a todos então: o coração de um Papa se estende a todo o mundo. E eu gostaria de expressar minha gratidão ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, o que torna esta uma grande família de nações. Aqui eu também acho que de todos aqueles que trabalham para uma boa comunicação e agradeço-lhes por seu serviço importante.

Neste ponto, eu gostaria de agradecer de todo o meu coração a muitas pessoas ao redor do mundo, que nas últimas semanas me enviaram comoventes provas de amizade, atenção e oração. Sim, o Papa nunca está sozinho, agora eu pude experimentá-lo novamente de uma forma tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e a tantas gente me sinto muito próximo a elas. É verdade que eu recebo cartas de grande parte do mundo – por parte dos chefes de Estado, líderes religiosos, representantes do mundo da cultura e assim por diante. Mas eu também recebo muitas cartas de pessoas comuns que escrevem para mim simplesmente a partir de seu coração e me fazem sentir seu afeto que nasce da nossa experiência com Jesus Cristo, na Igreja. Essas pessoas não me escrevem como se escreve a um príncipe ou a um importante que não conhecem. Eu escrevem como irmãos e irmãs, filhos e filhas, com o sentido de laços familiares muito afetuosos. Aqui você pode tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, uma associação para os religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunidade de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. Experimente a Igreja dessa forma e você quase pode tocá-la com as suas mãos o poder de sua verdade e seu amor, é uma fonte de alegria, um momento em que muitos falam de seu declínio. Vejamos como a Igreja está viva hoje!

Nos últimos meses, eu senti que a minha força diminuiu, e eu pedi a Deus fervorosamente em oração para que me iluminasse com a sua luz para me fazer tomar a decisão certa não para o meu bem, mas para o bem da Igreja . Tomei este passo com plena consciência de sua gravidade e também inovação, mas com uma profunda paz de espírito. Amar a Igreja também significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante o bem da Igreja e não a si mesmo.

Aqui permita-me para voltar mais uma vez a 19 de abril de 2005. A gravidade da decisão foi justamente no fato de que a partir daquele momento eu estava ocupado sempre e para sempre do Senhor. Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem qualquer privacidade. Sempre e totalmente pertence a todos, a toda a Igreja. Sua vida é, por assim dizer, totalmente privada da esfera privada. Eu pude experimentar, e experimento precisamente agora, que um recebe a vida como Ele dá [tradução incerta]. Eu disse antes que muitas pessoas que amam o Senhor também amam o Sucessor de São Pedro e gostam dele, que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas de todo o mundo, e que ele se sente seguro no abraço de a comunhão, porque já não pertence a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.

O “sempre” é também um “para sempre” – há um retorno para o privado. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério, não o revoga. Não retorno a vida privada, a uma vida de viagens, reuniões, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas estou em um novo modo  unido ao Senhor crucificado. Eu não uso mais do poder de Oficio para o governo da Igreja, mas no serviço da oração, por assim dizer, no pátio de São Pedro. São Bento, cujo nome porto de Papa, me será um grande exemplo disso. Ele nos mostrou o caminho para uma vida que, ativa ou passiva, pertence inteiramente à obra de Deus

Agradeço a todos e a cada um pelo respeito e compreensão com que têm recebido esta importante decisão. Vou continuar a acompanhar o caminho da Igreja, através da oração e da reflexão, com a dedicação ao Senhor e à sua esposa, que tentei viver até agora todos os dias e que quero viver para sempre. Eu peço que lembrem-se de mim diante de Deus, e acima de tudo rezem para os cardeais, que são chamados para uma tarefa tão importante, e pelo novo Sucessor de Pedro: o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito.

Invoco a materna intercessão de Maria, Mãe de Deus e da Igreja que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial, para que nós, confiança profunda.

Queridos amigos! Deus guia Sua Igreja sempre, e especialmente em tempos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vocês, há sempre a certeza alegre que o Senhor está próximo, não nos abandona, perto de nós e nos envolve com seu amor. Obrigado!

___________

Logo após estas palavras, o Santo Padre fez sua saudação em diversas línguas.

Traduzido do original em italiano do site da Santa Sé.

Tradução não oficial e não autorizada feita por mim.

Superior do distrito alemão da FSSPX: “Se quiser chegar a uma acordo Roma tem que mudar suas exigências”


Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: §|Olhar Católico|§

 

FRANZ SCHMIDBERGERFranz Schmidberger, superior do distrito alemão da Fraternidade São Pio X e primeiro sucessor de Dom Lefebvre na guia dos lefebvrianos, explicou o estado da questão sobre as relações com a Santa Sé, e revelou alguns detalhes sobre a carta que Bento XVI enviou ao bispo Bernard Fellay em junho deste ano. A entrevista de 18 de setembro é esta aqui.

Schmidberger insistiu sobre as exigências feitas pela Fraternidade para chegar à normalização das relações com Roma: "Acima de tudo, que haja a permissão para continuar a denunciar certos erros do Concílio Vaticano II, ou seja, para falar abertamente. Segundo, que concordem em não usar os livros litúrgicos de 1962, incluindo o missal. Em terceiro lugar, que sempre haja um bispo na hierarquia da Fraternidade, escolhido em seu interior."

O superior do distrito alemão, próximo de Fellay e representante da ala mais aberta ao diálogo da Fraternidade, também falou na entrevista de uma "mudança" que teriam ocorrido em 13 de junho, durante a última reunião entre Fellay e o Cardeal William Levada, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. "Nos apresentou um documento doutrinário novo que, por um lado, concorda com o texto proposto pelo bispo Fellay, mas por outro lado, contém algumas mudanças significativas que nos colocam em um problema real: Isto criou uma situação nova."

Franz Schmidberger confirmou ademais que a carta de Bento XVI à Fellay é "uma resposta a uma pergunta que havíamos formulado ao Papa". E, pela primeira vez, revela o conteúdo desta pergunta: "Nós queríamos saber se estes novos requisitos foram adicionados com a sua aprovação, se provinha realmente dele ou se, em vez disso, provinha de algum de seus colaboradores". O Papa, afirmou o religioso tradicionalista, "assegurou-nos que era sua vontade que tivéssemos de aceitar essas novas demandas".

Schmidberger também criticou o novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, que seria "hostil" à fraternidade. Ele expressou o seu apreço pelo vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei, Dom Augustine Di Noia, com quem a Fraternidade está em contato constante. Também atacou o novo secretário da Congregação para o Culto Divino, Dom Arthur Roche, dizendo que era um dos que se opuseram ao motu proprio que havia liberalizado a Missa Antiga.

O lefebvriano acrescentou que não acha que uma nova excomunhão acontecerá no caso da FSSPX responder negativamente a dois pontos (sobre a validade da Missa Nova e continuidade da doutrina) exigidos no preâmbulo: "O Papa, em 2009, retirou a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos da Fraternidade", sendo assim uma nova excomunhão "representaria uma falta de coerência entre o seu pensamento e suas ações… Visto que a Fraternidade é, de certa forma, a coluna vertebral, o ponto de referência para todos que apoiam a tradição da Igreja", uma nova excomunhão "seria um desastre". Não tanto para a Fraternidade, "mas para a igreja".

Um congresso teológico sem Missa. Ou: Teologia da Libertação: viva e atuante no Brasil


Como podem notar a Teologia da Libertação continua viva e atuante na América Latina. Seria talvez seu último extrebucho? Acho que não. A notícia é do Vatican Insider, os negritos e a tradução são meus.

 

Por ANDRÉS BELTRAMO ÁLVAREZ – Vatican Insider | Tradução: §|Olhar Católico|§

A Teologia da Libertação marxista não está morta na América Latina. Apesar de suas teses e slogans terem evoluído, escondem os mesmos objetivos de sempre: demolir o “pensamento único romano” e propondo “outra igreja possível”. Seus expoentes mais polêmicos se reunirão de 7 a 11 de outubro no Brasil, com a desculpa de recordar o Concílio Vaticano II. Embora, na realidade, será uma oportunidade para afinar a agenda do “progressismo católico”.

Na Santa Sé se acenderam os alarmes, e não é para menos. O congresso Continental de Teologia, que será acolhido pelo Instituto Humanitas Unisinos da Companhia de Jesus, na cidade brasileira de São Leopoldo, também tem como objetivo celebrar o 40 º aniversário do livro “Teologia da Libertação. Perspectivas” de Gustavo Gutiérrez . Um texto que foi corrigido em muitas passagens a mando da Congregação para a Doutrina da Fé.

Entre os palestrantes estão Jon Sobrino e Leonardo Boff, sobre os quais se mantém vigentes as sanções eclesiásticas por difundirem doutrinas contrárias ao magistério da Igreja. Mas outros teólogos também de ortodoxia duvidosa como Andrés Torres Queiruga, que – em março ultimo – foi convocado pelos bispos espanhóis a esclarecer seu pensamento que, em vários aspectos, não pode ser considerado católico.

Embora os organizadores tenham se esforçado para sustentar que o congresso não procura provocar um “duelo teológico” com o Vaticano, na prática, será. Porque iniciar-se-á no mesmo dia da abertura em Roma do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, durante o qual Bento XVI abrirá o Ano da Fá, em uma cerimônia pelo aniversário de 50 anos do Concílio.

Nestes termos a Unisinos vai fortalecer ainda mais seu caráter dissidente. Não apenas por uma questão de datas coincidentes, mas especialmente pelos temas em que as discussões vão girar nesses dias.

A Fundação Ameríndia, organismo convocante, incluiu no programa os temas mais defendidos pelos movimentos radicais da esquerda: desde a ideologia de gênero até os direitos humanos, da justiça à migração, desde a miscigenação até à “releitura libertadora da história latinoamericana”, da economia e ecologia aos sistemas políticos emergentes.

Apesar do número discreto de sacerdotes que assistirão aos trabalhos, não está agendada qualquer celebração religiosa. Não há Missa prevista , se quer no domingo. Tampouco foi considerada uma cerimônia ecumênica. Apenas se reservou meia hora para um “momento de espiritualidade” dedicado, cada dia, a uma situação diferente: a “entronização da Bíblia”, “o ecumênismo”, o “testemunho do martírio” e “os indígenas”.

O movimento teológico que vai dar vida ao Congresso Continental é discreto em seus números e atrevido em suas doutrinas. Nenhuma das quatro reuniões preparatórias para a conferência, realizadas em 2011 na Guatemala, México, Chile e Colômbia somou mais de 300 participantes. O resultado destas é um teste das idéias a serem impostas em São Leopoldo.

Por exemplo, na Guatemala o padre brasileiro Ermanno Alegri, coordenador da agência Adital, sustentou “a necessidade de elaborar uma agenda teológica para o futuro que nos levará a abrir-nos a um Deus vivo e livre, ao contrário da visão de um Deus preso em dogmas , ritos, normas morais e patriarcalismos” [Nota do §|Olhar|§: esse “deus” já existe: foi o que se rebelou e bradou “non serviam!”]. O jesuíta Sobrino disse: “fora dos pobres não há salvação” e “a Igreja traiu Jesus Cristo”.

Em suma: o encontro do Brasil será uma mistura de algumas idéias teológicas, pensamentos ecléticos vários e propostas culturais que são como uma manta de retalhos, com um forte matiz política. Tudo acolhido por uma instituição católica, dirigida por uma congregação religiosa cujo quarto voto é o de fidelidade ao Papa (os jesuítas).

Uma situação que preocupa a Cúria Romana. Como assim o confirmou Boff através de sua conta no Twitter em 14 de setembro: “Vejam a vontade persecutória do Vaticano: pressionam para queo Congresso sobre a Teol.da Lib.a se realizar em outubro no Sul não se realize. O Vaticano pensa que com os dois documentos(ruins)que escreveram sobre aTeol da Libertação a mataram e enterraram.Mas os oprimidos continuam. Enquanto houver um oprimido gritando vale se engajar por sua libertação,inspirados pelo Cristo Libertador.Só uma Igreja cínica se faz surda.”

“Não se pode ceder em plena batalha”: Bispo Tissier de Mallerais da FSSPX revela existência de carta do Papa Bento XVI enviada ao Superior da Fraternidade puco antes do Capítulo


Existência de carta de Bento XVI é revelada durante conferência do bispo lefebvriano Tissier de Mallerais, que havia dado como impossível o acordo com a Santa Sé.

Por Andrea Tornielli – Vatican Insider | Tradução: §|Olhar Católico|§

Em 30 de junho, poucos dias antes do capítulo geral da Sociedade de São Pio X, Bento XVI escreveu uma carta ao superior lefrebvista, o bispo Bernard Fellay. A existência da carta foi revelada por Dom Bernard Tissier de Mallerais, um dos quatro bispos da Fraternidade de posições conhecidas contrárias ao acordo com Roma, durante uma conferência realizada em 16 de setembro, na França, Priorado St. Louis- . Maria Grignon de Montfort traduzida em italiano aqui.

O bispo disse que: “Em 30 de junho de 2012 – é um segredo que irá revelar, mas que será tornado público – o Papa escreveu de próprio punho uma carta ao nosso Superior Geral, monsenhor Fellay: ‘Lhe confirmo efetivamente que, para serem realmente reintegrados na Igreja precisa aceitar realmente o Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar’”

“Trata-se propriamente – disse Tissier de Mallerais – de um ponto de parada, porque para nós não é aceitável, e não podemos assinar uma coisa dessas. Pode-se fazer alguns esclarecimentos, porque o Concílio é tão grande que você pode encontrar algumas coisas boas, mas esta não é a essência do Concílio. “

O bispo lefebvriano durante a conferência pronunciou palavras muito duras: “Não se pode ceder em plena batalha, não tentaremos o armistício [N.T.: trégua] enquanto a gerra seb enfurece: com Assis 3º ou 4º no ano passado; com a beatificação de um falso beato, o Papa João Paulo II. Uma coisa falsa, uma falsa beatificação. E com a exigência ,constantemente lembrada pelo Papa Bento XVI, de aceitar o Concílio e as reformas do magistério pós-conciliar. “

Tissier de Mallerais também disse que “a colegialidade, que destrói o poder do Papa, que já não se atreve a resistir às conferências epicscopais”; destrói “o poder dos bispos, que não ousam a resistir às conferências”. Acrescentou ainda que o ecumenismo “defende os valores da salvação de falsas religiões e do protestantismo, coisas que são falsas”, enquanto a liberdade religiosa “deixa de boa vontade construir livremente mesquitas em nossos países.”

“Obviamente – disse o bispo lefebvriano – estas questões não se pode assinar. Sobre este ponto não há acordo e não haverá acordo”. E não obstante a insistência da “Roma modernista”, Tissier assegura: “Pessoalmente, eu não vou assinar nunca estas coisas, é claro. Eu nunca vou dizer que a Missa Nova é legítima ou legal, vou dizer que muitas vezes é inválida, nas palavras do Arcebispo Lefebvre. Eu nunca vou dizer: ‘O Conícilio, se o interpreta-se bem, talvez fosse possível corresponder com a Tradição, se poderia encontrar um sentido aceitável’.”

Depois de definir como “mentiroso” o texto do preâmbulo doutrinal apresentado em 12 de junho pelo Cardeal William Levada para Fellay, o bispo lefebvriano disse que o Capítulo Geral da Sociedade reunido em julho passado tomou “decisões muito doce, suave”, de modo a “apresentar a Roma os obstáculos de Roma que ninguém se atreve a importunar”, dispondo de “condições praticamente impossíveis de impedir que nos leve a novas propostas. Mas o diabo é mau, e eu acho que eles vão voltar para o ataque e eu me preparo com cuidado também para proteger e defender a Fraternidade “.

Youcat x Catecismo Romano


Apesar de não concordar com todo o conteúdo do texto, que pende muito para o sedevacantismo, achei interessante estas comparações feitas pelo Carlos Nougué entre o Youcat e a Doutrina de Sempre. Confiram:

(…)
a1) Youcat sobre as Sagradas Escrituras: “Como pode a Sagrada Escritura ser ‘Verdade’, se nem tudo o que nela se encontra está correto? […] Também os autores [das Escrituras] eram filhos de seu tempo. Eles partilhavam as concepções culturais de seu ambiente, em cujos erros, por vezes, estavam presos. [Isso porque] a Bíblia não caiu do céu feita, nem Deus a ditou [senão] a verdadeiros autores”.
a2) Catecismo Maior sobre as Sagradas Escrituras: Não pode haver erro na Sagrada Escritura? Na Sagrada Escritura não pode haver erro algum, porque, sendo toda inspirada, o Autor de todas as suas partes é o próprio Deus.[1] Isso não obsta a que nas cópias e traduções da mesma Sagrada Escritura se tenha dado algum engano ou dos copistas ou dos tradutores” [destaque nosso].
b1) Youcat sobre o inferno: O que é o inferno? A nossa fé designa por ‘inferno’ o estado do definitivo distanciamento de Deus. […] Dito à nossa maneira, ele é mais frio que quente”.
b2) Catecismo Romano sobre o inferno: “A expressão ‘infernos’ designa os ocultos receptáculos em que são detidas as almas que não conseguiram a bem-aventurança do céu. […] Um [desses receptáculos] é a horrenda e tenebrosa prisão em que as almas réprobas são atormentadas num fogo eterno e inextinguível, juntamente com os espíritos imundos. Chama-se também ‘geena’ e ‘abismo’. É o inferno propriamente dito”.
c1) Youcat sobre o pecado original: “O que temos nós a ver com a ‘queda’ de Adão e Eva? A expressão ‘pecado original’ refere, portanto, não o pecado pessoal, mas o estado nocivo da humanidade em que nasce o indivíduo…”
c2) Catecismo Maior sobre o pecado original: “Que é o pecado original? O pecado original é aquele com que todos nascemos, exceto a Santíssima Vigem Maria, e que contraímos pela desobediência de nosso primeiro pai, Adão” [e que, portanto, foi um pecado pessoal deste].
(…)

[1] Enquanto tal, com efeito, o escritor sagrado humano é instrumento de Deus, e não “verdadeiro autor” como quer fazer crer o Youcat. Cf. o magnífico La causalité instrumentale dans l’ordre surnaturel (T. R. P. Edouard Hugon, Paris, Pierre Tequi Libraire-Editeur, 1924).
FSSPX - Portugal

Tudo por amor a Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Movimento Magistrados para a Justiça

"Uma visão conservadora de temas relacionados ao Direito"

O Legado d'O Andarilho

opiniões, considerações políticas e religiosas.

Roberta Acopiara's Blog

Just another WordPress.com weblog

Blog do Curso Técnico em Informática do IFCE - Campus Iguatu

Blog do Curso Técnico em Informática do IFCE - Campus Iguatu

pregarevangelho

Só mais um site WordPress.com

:.:Paródias da Professora Décia:.:

Paródias de uma professora cedrense!

Fratres in Unum.com

Ecce quam bonum et quam jucundum habitare fratres in unum.

Compartilhar é preciso.

Sinta-se livre para conhecer, aprender e compartilhar

§|Olhar Católico|§

Um Olhar Católico sobre o mundo!

Pacientes na tribulação

Apologética católica

Grupo S. Domingos de Gusmão

Fiéis Católicos de Maringá

Missa Tridentina em Brasília

Santa Missa no Rito Romano Tradicional

Vida, dom de Deus

Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostri infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui encarnationem cognovimus, per Passionem eius et Crucem, ad Resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

%d blogueiros gostam disto: