Seis bispos alemães saem em defesa da fé católica


Mons. Stefan Oster, bispo de Passau (Alemanha), recebeu o apoio público de outros cinco bispos alemães para a sua resposta à tese herética do Comitê Central dos Católicos Alemães, que solicitou que a Igreja abençoe uniões civis de ambos os divorciados como as uniões homossexuais. Mons. Oster lembra que a fé e a Escritura se “baseiam na revelação, no próprio Cristo. Ele não é um ‘valor’, mas a Palavra de Deus” e pergunta “por que justo nestes temas cruciais relativos ao casamento e sexualidade hão mudar a vontade de Jesus após dois mil anos”.

Publicado por InfoCatólica | Tradução: §|Olhar Católico|§: O prelado parte do seguinte texto da agência de notícias católica KNA:

O Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK) exige que se criem formulários para a bênção tanto de casais do mesmo sexo como de casais separado. Para isso se deveriam desenvolver ritos litúrgicos, de acordo com um documento aprovado no sábado passado em Würzburg por unanimidade da assembleia geral, em vistas ao sínodo dos bispos do próximo outono. Além disso, seria necessário alcançar uma “aceitação incondicional da coabitação de casais divorciados ​​do mesmo sexo, bem como uma posição clara contra a marginalização, ainda existente, dos homossexuais”. O comitê dos católicos salienta que também em outras formas de vida em comum se podem dar os valores do matrimônio, como o “sim” inabalável em direção a outra pessoa ou a constante vontade de reconciliação. “Essas formas de vida familiar devem ser valorizadas expressamente embora não correspondam a forma de um casamento sacramental” (KNA).

Mons. Oster adverte que “se alguém quiser obter informações mais detalhadas sobre o que diz a fé de nossa Igreja sobre o casal, a família e a sexualidade, se alguém quiser formar a sua consciência na fé da Igreja e quer saber o quê, do ponto de vista da fé, temos nestas questões sobre o que é certo ou errado”, deve contestar as exigências da ZdK.

O prelado recordou que “a Igreja acredita, baseada na Revelação, que o gozo da prática sexual encontra a sua verdadeira e, em definitivo, o único lugar legítimo no casamento entre um homem e uma mulher, em que ambos são abertos à transmissão da vida e pelo que se contrai uma união indissolúvel até a morte de um dos dois”.

Mons. Oster explica que “do ponto de vista das Escrituras, qualquer outra forma de efetivação da prática sexual fora do casamento é considerado fornicação e adultério, com consequências dramáticas para aqueles que se aventuram na mesma”.

Ele acrescenta:

“Se agora se exige que outras formas de convivência entre as pessoas sejam reconhecidas porque neles se vive a fidelidade, a vontade de reconciliação e o compromisso mútuo, é de se supor, então, que esta exigência da ZdK inclui a prática sexual e não a exclui, porque, caso contrário estaríamos falando sobretudo das relações de amizade e não de casais. Na minha opinião não há nenhum problema em reconhecer que a Igreja tem visto sempre com bons olhos e até mesmo abençoando a autêntica amizade. Em vez disso, o que vemos, estas questões que estamos discutindo dizem respeito essencialmente ao sexo entre duas pessoas”, pelo qual apela a total coerência com ZdK para incluir “abertamente a exigência de que também abençoemos a prática da sexualidade nas relações fora do casamento”.

O Bispo argumenta que, se “temos de organizar celebrações litúrgicas para abençoar relações de todo tipo diferentes do matrimônio sacramental, me vêm a mente a pergunta: por que apenas dois? Se, por exemplo, três ou mais pessoas, de sexos iguais ou distintos, uma vez que compartilham a mesma cama querem formar um lar acolhedor e confiável para as crianças, por que não abençoamos também esta união?”

“A fé e as Escrituras”, recorda o bispo “não se baseiam de forma primária em  valores, mas sim na Revelação, no próprio Cristo. Ele não é um “valor”, mas a Palavra de Deus, é aquele que ama o homem pessoalmente, o toca, o capacita para alcançar outra vida e, sobretudo, para um amor e uma fidelidade que o homem não possui em si mesmo, senão por meio de Cristo. Agora, se o critério é o mesmo Cristo, e se através da Escritura, da Tradição e do Magistério temos tido conhecimento confiável da Sua vontade (ver por exemplo, 1 Cor 7, 10-11), então, na minha opinião, necessitaríamos de uma explicação muito maior que as simples apelações a valores, que nos argumentem de maneira conclusiva por que é justo que estes temas cruciais relativos ao matrimônio e a sexualidade tenham que mudar a vontade de Jesus depois de 2000 anos”.

Quanto ao argumento dos “sinais dos tempos”, o prelado alemão pergunta: “Quem decide quais são estes sinais e por que precisamente nesta área deve produzir novos resultados?”

“Em minha opinião”, escreve o bispo, “o que propõe o ZdK com esta declaração é deixar abandonar aspectos essenciais da imagem bíblica do homem e do conhecimento bíblico da revelação. E acho que é realmente alarmante que, aparentemente, se aventurou por esse caminho com o apoio da imensa maioria dos seus representantes”.

Ele adverte que “as forçadas referências constantes ao Papa Francisco que sustentariam este novo programa não justificam de modo algum a dramática mudança de rumo que se quer levar a cabo”. Além disso, ele acredita que “há uma alta probabilidade de que o próximo sínodo no mostre que tanto o nome quanto o programa do Papa Francisco foram instrumentalizadas aqui em favor da própria agenda política, que não é bíblica, do ZdK”.

Mons. Oster concluiu assegurando que “o fato de que muitos católicos, depois de ler artigos como este, não se sentem representados pela ZdK, não acho que seja culpa destes católicos”.

Apoio de cinco bispos alemães

Poucos dias após a publicação do texto de Mons. Stefan Oster, cinco bispos alemães mostraram-lhe o seu apoio através da carta a seguir:

S.E. Reverendíssimo Senhor Bispo

Dr. Stefan Oster

Passau

16 de maio de 2015

Reverendo Bispo de Oster, querido irmão Stefan:

Agradecemos a sua tomada de posição contra o documento aprovado pela assembleia de primavera do grupo ZdK intitulada: “Construindo pontes entre o magistério e a realidade da vida – a família e a Igreja no mundo de hoje”. Nós aderimos totalmente e em seu conjunto a seu argumento acerca do Magistério sobre a visão cristã da pessoa e sua relação com o significado que tem o ser mulher e o ser homem e, sobretudo, o significado que tem para o matrimónio cristão. Sua argumentação está fundamentada nos ensinamentos de Jesus, na Escritura e na Tradição da Igreja.

Na Alemanha vivemos agora em uma sociedade altamente secularizada. Isso não deve desencorajar-nos nem levar-nos a buscar uma acomodação com a corrente dominante (mainstream), mas deve ser entendido como uma oportunidade para redescobrir a singularidade da vocação cristã no mundo de hoje. O anúncio franco e aberto do ensinamento de Jesus no Evangelho e o acesso a uma relação com ele como riqueza para a nossa vida, tal com exposto na sua resposta, constituem uma condição indispensável para ele.

Portanto, estamos convencidos de que muitos fiéis também estão enormemente agradecidos por suas palavras claras.

Em solidariedade fraterna te saúdam aos Bispos de

Augsburg: Dr. Konrad Zdarsa

Eichstätt Gregor M. Hanke OSB

Görlitz: Wolfgang Ipolt

Regensburg: Dr. Rudolf Voderholzer

Würzburg: Dr. Friedhelm Hofmann

Decência no vestuário


Fonte: A dignidade da mulher católica 

    «Deseja São Paulo que as mulheres devotas (e o mesmo se diga dos homens) se vistam com decoro e se adornem com decência e sobriedade. Nesse sentido, a decência no vestuário e nos ornamentos depende da matéria, da forma e da limpeza.
    Quanto à limpeza, esta há-de ser sempre a mesma nas nossas roupas, nas quais, na medida do possível, não haveremos de tolerar nenhuma mancha ou negligência.
    A limpeza exterior é, de certo modo, o reflexo da honestidade interior. O próprio Deus deseja a decência corporal dos que se aproximam do altar e dos que têm principalmente a seu cargo a devoção.
    Relativamente à matéria e à forma do vestuário, a decência há-de ser avaliada segundo as diversas circunstâncias de tempo, de idade, de condição, de companhias, de ocasiões. Ordinariamente, estamos acostumados a vestirmo-nos melhor nos dias festivos, segundo a importância da solenidade que se celebra; em tempos de penitência, como na Quaresma, vestimo-nos com mais simplicidade; para os casamentos, levamos trajes nupciais, alegres; nos actos fúnebres, empregam-se roupas de luto; diante dos príncipes, é necessário dar maior realce ao vestuário, realce que diminui na presença dos próprios familiares.
    A mulher casada pode e deve adornar-se diante do seu esposo; se o faz quando está longe dele, então cabe perguntar a que olhos quer agradar com esse cuidado singular. Às donzelas são permitidas maiores atenções com a aparência, porque podem licitamente pretender agradar a muitos, ainda que não seja mais do que para conquistar um só, para o Santo Matrimónio. Também não é reprovável que as viúvas que querem casar-se de novo se adornem discretamente, com tal que não se mostrem levianas, pois, tendo já sido mães de família e tendo já passado pelas tristezas da viuvez, considera-se que o seu espírito é mais maduro e sensato. Mas, quanto às verdadeiras viúvas que o são não só de corpo mas também de coração, nenhum adorno é mais adequado que o da humildade, o da modéstia e o da devoção; pois, se querem dar amor aos homens, não são verdadeiras viúvas e, se o não querem dar, para quê tantos enfeites? O que não deseja hóspedes, tem de tirar o anúncio da sua casa.
    Rimo-nos sempre dos mais velhos, quando querem vangloriar-se. E porquê? Porque isso é uma insensatez, unicamente tolerável na juventude.
    Sejas correcta, filoteia; Que não haja em ti negligência nem desleixo: isso seria desprezar aqueles com quem convives, apresentando-te diante deles com roupas ofensivas; mas guarda-te cuidadosamente da afectação, vaidades, curiosidades e frivolidades. Inclina-te, sempre que te seja possível, para o lado da simplicidade e da modéstia, que são indubitavelmente o mais precioso ornamento da beleza e a melhor escusa da fealdade. São Pedro alerta, de modo particular, às donzelas que não usem os cabelos ondulados. Os homens que são tão fracos ao ponto de se deleitarem nestas superficialidades são chamados, em toda a parte, hermafroditas; e as mulheres que se envaidecem por isso, são tidas por negligentes e pouco respeitosas da castidade; se a guardam, não é o que demonstram, no meio de tantas trivialidades e miudezas. Dizem que o fazem sem pensar mal, mas eu digo que o demónio pensa sempre mal.
    Gostaria que o meu devoto ou devota fosse sempre a pessoa mais bem vestida de uma reunião mas que, ao mesmo tempo, fosse a menos pomposa e afectada; e, como se lê nos provérbios, estivesse ornada de graça, modéstia e dignidade. Diz brevemente São Luís que cada um há-de vestir-se segundo o seu estado, de modo que os discretos e modestos não possam dizer «é demasiado», nem os jovens «é muito pouco». E, se estes últimos [os jovens] não quiserem alegrar-se e resignar-se com a decência, haverá que inclinar-se ao parecer de alguém prudente.»
(São Francisco de Sales, “Filoteia ou introdução à vida devota”, parte III, capítulo XXV).

Padre Fábio de Melo envergonha católicos


Fonte: Fidei Depositium

padre fábio de meloSe o padre Fábio de Melo se limitasse a cantar, teríamos dos males o menor. Infelizmente, com o passar dos dias, o que acontece é que ficamos cada vez mais horrorizados e até mesmo surpreendidos ao extremo ao ouvir as loucuras teológicas que o cantor bem asseado dispara com a sua voz mansa e aveludada nos meios de comunicação.

Rondam o absurdo algumas de suas declarações. No programa do Jô Soares que foi ao ar no dia 21 de maio de 2009, aos 10:45 minutos, o cantor teve a ousadia de afirmar que teve experiências sexuais antes de se tornar padre e, pior, chamou a isso de «amar completamente» e que «pra gente ser padre, é preciso ter amado na vida». Declara ainda que «é impossível fazer a opção de ser padre e viver o celibato sem ter amado alguém». O assunto dizia respeito às suas muitas experiências sexuais escondidas e, claramente, o padre entende isso como «experiências de ter amado alguém» Como se não bastasse ele completa, explicando que é preciso ter vivido a experiência (neste caso, o pecado contra a castidade!) para poder falar a respeito. Segundo o padre, ele não pode ser um «homem teórico», pois ele precisa falar de coisas que «ele experimentou na carne». Continue lendo »

Fábio de Melo, fala de mel


Fonte: http://blog.veritatis.com.br/

por Maite Tosta

chargefabio21
(arte: Emerson H. Oliveira, sobre pintura de Caravaggio)

A entrevista de Fábio de Melo – o chamo assim, já que seu site o faz, omitindo o título “padre” – no programa do Jô Soares na sexta-feira (dia 22) tem criado polêmica na blogosfera católica, não sem motivo.

O motivo da controvérsia é o grande número de declarações contrárias à doutrina feitas pelo “padre pop”, bem como sua incompetência para defender a Igreja de acusações feitas pelo apresentador, embora não tenha sido pego de surpresa, uma vez que faz parte de suas exigências para entrevistas que todas as perguntas sejam aprovadas previamente por sua assessoria… Isso sem contar o terninho de grife, o relógio Diesel, as sombrancelhas feitas, a testa paralisada de botox… vaidade das vaidades, tudo é vaidade…

Mais lamentável, no entanto, do que o discurso açucarado e carregado de relativismo do showman eclesiástico são as justificativas que seus defensores usam para defendê-lo. Continue lendo »

O governo Lula e o combate a castidade


Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
A vida deve ser respeitada ainda antes da concepção. O respeito à vida deve começar pelo respeito à sexualidade, que é a fonte e a raiz da vida. A cultura da vida coincide com a cultura da castidade. O aborto é o fundo de um abismo que se inicia com o desregramento sexual.
 
No governo Lula, a causa pró-aborto — que ataca diretamente a vida humana — anda de mãos dadas com a causa pró-homossexualismo — que ataca frontalmente a virtude da castidade, sobre a qual se funda a família. Desde o início de 2003, o governo vem fazendo todo o possível, seja internamente, seja perante a comunidade internacional (ONU e OEA), para glorificar o homossexualismo e tratar como criminosos (“homofóbicos”) os que se opõem à conduta homossexual.
 
Ao mesmo tempo em que oferece aos pobres a chamada “bolsa-família”, o governo investe pesadamente em destruir os valores da família. Nas escolas, os alunos são convidados a escrever, às ocultas de seus pais, suas experiências sexuais na cartilha de pornografia chamadaO caderno das coisas importantes – confidencial”, uma iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação[1]. Segundo anúncio do Ministro José Gomes Temporão de 26/06/2008, as primeiras 400 máquinas de distribuição de preservativos estão para ser instaladas em escolas públicas participantes do programa “Saúde e Prevenção nas Escolas[2].
 
Examinemos a seguir a cronologia da promoção do homossexualismo durante os dois períodos de governo do atual presidente:
 
Abril 2003 – A delegação do governo Lula apresenta à Comissão de Direitos Humanos da ONU uma proposta de resolução proibindo a discriminação com base na “orientação sexual”. A discussão é adiada, por decisão da maioria dos países.
 
7 e 8 dez. 2003 — O governo Lula, pelo Secretário Especial dos Direitos Humanos Nilmário Miranda, lança o “Brasil sem Homofobia: Programa de Combate à Violência e à Discriminação contra GLTB e de Promoção da Cidadania Homossexual[3].
 
30 mar. 2004 – O governo Lula, em um “recuo estratégico”, desiste de reapresentar na ONU a proposta apresentada em 2003.[4]
 
22 maio 2006 – O Partido dos Trabalhadores, em seu 13º Encontro Nacional, aprova as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores (Eleição presidencial de 2006)”, contendo como propósito para o segundo mandato a “descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35).[5]
 
27 set. 2006 – Atendendo às propostas do 13º Encontro Nacional do PT, o presidente Lula inclui em seu programa de governo 2007- 2010 a legalização do aborto: “Criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação(Programa Setorial de Mulheres, p. 19).[6] À promoção do homossexualismo é dedicado um caderno de 14 páginas:Lula presidente: construindo um Brasil sem homofobia: Programa Setorial Cidadania GLBT 2007 / 2010 . Sem o menor escrúpulo, o presidente se compromete a aprovar a “união civil entre pessoas do mesmo sexo, estendendo aos casais homossexuais os mesmos direitos que os casais heterossexuais possuem. Inclusive o reconhecimento e proteção de suas famílias, garantindo o direito à adoção” (p. 13).[7]
 
28 nov. 2007 – O Presidente Lula assina um decreto[8] convocando a I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), sob os auspícios da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, com o tema: “Direitos Humanos e Políticas Públicas: O caminho para garantir a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais”.
 
3 jun. 2008 – Em Medellín, Colômbia, a Assembléia-Geral da OEA, por iniciativa do Brasil, aprova a resolução “Direitos Humanos, Orientação Sexual e Identidade de Gênero” (AG/RES. 2435 (XXXVIII-O/08))[9].
 
5 jun. 2008 – Em Brasília, participando da abertura da I Conferência GLBT, o presidente Lula, segurando uma bandeira com o arco-íris, afirma que a oposição ao homossexualismo “talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano[10]. Essa conferência pró-homossexualismo “é a primeira do Brasil e do mundo realizada com apoio governamental”.[11]  

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
PLC 122/2008: podar ou extirpar?

(com o apoio do governo Lula e com a omissão dos cristãos, uma nefanda lei “anti-homofobia” pode ser aprovada)
Suponhamos que alguém fizesse a proposta de uma lei em defesa dos fumantes. A injúria – que já é crime – seria um crime especial, com pena maior, se fosse cometida contra alguém em razão de ser fumante. O crime de constrangimento ilegal – por exemplo, impedir alguém de se locomover em um local público – teria uma pena agravada se o fosse praticado em razão do tabagismo da pessoa constrangida. A dispensa de um empregado sem justa causa – que não é crime – passaria a ser crime se o empregado fosse tabagista e se fosse dispensado em razão do fumo.
Certamente surgiriam objeções a essa proposta legislativa. Afinal – diriam – os direitos das pessoas, fumantes ou não, já estão elencados na Constituição Federal. O fumante, na qualidade de fumante, não tem direitos. O tabagismo é um vício que não pode acrescentar direito algum a alguém.
* * *
Está para ser apreciado no Senado Federal um projeto (PLC 122/2006) que pretende defender os que praticam atos de homossexualismo. A injúria – que já é crime – será um crime especial, punível com reclusão de 1 a 3 anos e multa, se cometida contra alguém em razão de seu comportamento homossexual (cf. art. 10). A dispensa de um empregado sem justa causa – que não é crime – passará a ser crime punível com 2 a 5 anos de reclusão se o empregado for homossexual e se for dispensado em razão de atos de homossexualismo (cf. art. 4º). A proibição de ingresso ou permanência de alguém em um estabelecimento aberto ao público será crime punível com 1 a 3 anos de reclusão se a pessoa impedida for homossexual e se a causa do impedimento for sua conduta homossexual (cf. art. 5º).
Que significa isso? Que além dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal a todas as pessoas, os praticantes do homossexualismo terão direitos em virtude do homossexualismo por eles praticado. O projeto pretende dar aos homossexuais direitos, não na qualidade de pessoa, mas na qualidade de homossexuais. Ora, o homossexualismo (entendido como prática da conjunção carnal entre pessoas do mesmo sexo) é um vício contra a natureza, que não pode acrescentar direito algum a alguém.
 
* * *
 
O PLC 122/2006, que recebeu parecer favorável da relatora Senadora Fátima Cleide (PT/RO), tem sido alvo de inúmeras críticas. Fala-se da perseguição que sofrerão aqueles que, comentando passagens bíblicas, condenarem o homossexualismo; da punição que sofrerá uma mãe de família ao dispensar a babá que cuida de suas crianças, após descobrir que ela é lésbica; da sanção penal que sofrerá o reitor de um seminário ao não admitir um candidato homossexual. Tudo isso é verdadeiro, mas não constitui o cerne da questão.
Fala-se também que as penas propostas para os novos crimes (chamados crimes de “homofobia”) serão enormes, o que também é verdade. Mas também isso não é o ponto central do problema.
O núcleo do PLC 122/2006 é que ele, pela primeira vez na história legislativa brasileira, pretende dar direitos ao vício. Em nosso país isso é inédito, embora já existam coisas semelhantes em leis estrangeiras, com efeitos desastrosos.
 
* * *
 
Os pecadores têm um lugar especial no Cristianismo. Jesus disse textualmente: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. […] Com efeito, eu não vim chamar justos, mas pecadores” (Mt 9,12-13). Ele, que acolheu a mulher adúltera que estava para ser apedrejada (Jo 8,2-11) e o ladrão que fora crucificado ao seu lado (Lc 23,39-43), não rejeitaria um homossexual penitente. Certamente, Ele o perdoaria dizendo: “Vai, e de agora em diante, não peques mais” (Jo 8,11).
O auxílio que Jesus veio trazer aos pecadores é libertá-los do pecado. Afinal, disse Ele, “quem comete pecado é escravo” (Jo 8,34).
O PLC 122/2006 pretende, não libertar os homossexuais, mas consolidar sua escravidão. Longe de estimular uma verdadeira mudança de conduta (“conversão”), o projeto pretende glorificar o vício contra a natureza. Numa total inversão de valores, ele pretende que sejam punidos como criminosos aqueles que censuram o comportamento antinatural.
Ora, orgulhar-se do pecado cometido e exigir que seja reconhecido o “direito de pecar” é uma das atitudes que se chamam pecados contra o Espírito Santo.[12] É um endurecimento do coração, que fecha o pecador à misericórdia de Deus. É justamente esse pecado que o PLC 122/2006 pretende prestigiar.
O PLC 122/2006 não é uma árvore, em si boa, mas com alguns ramos muito altos, que precisam ser podados. É uma erva daninha, que precisa ser extirpada pela raiz.
O erro do PLC 122/2006 não está nos meios que pretende usar para defender uma boa causa. O erro do projeto está em seu próprio fim: dar direitos ao vício. Por isso, é inútil fazer emendas para tentar aproveitar alguma coisa. É preciso rejeitá-lo totalmente.
Anápolis, 2 de julho de 2008.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
Caixa Postal 456
75024-970 Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
“Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto”

 


[1] SUWWAN, Leila. Cartilha escolar compara beijo a chocolate. Folha de São Paulo, São Paulo, Caderno Cotidiano, p. 27, 7 fev. 2007. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0702200727.htm&gt;
[2] ESCOLAS públicas terão 400 máquinas de preservativos. UOL Noticias. São Paulo, 26 jun. 2008. Disponível em <http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/06/26/ult4528u392.jhtm&gt;
[3] Disponível em<http://www.mj.gov.br/sedh/ct/004_1_3.pdf&gt; Acesso em: 9 jun. 2006. A sigla GLTB significa “Gays, Lésbicas, Transgêneros e Bissexuais”.
[4] Cf. CIMIERI, Fabiana. Brasil recua e não reapresentará na ONU proposta antidiscriminação. Folha de S. Paulo. São Paulo, Caderno Cotidiano, p. 12, 30 mar. 2004.
[8] Publicado no Diário Oficial da União em 29 nov. 2007.
[9] Disponível em inglês em <http://www.oas.org/dil/AGRES_2435.doc&gt;
[10] BORGES, Laryssa. Lula: preconceito contra gays é ‘doença perversa’. Brasília. Terra Notícias. 5 jun. 2008. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2931692-EI306,00.html>
[11] CONFERÊNCIA GLBT é a primeira a receber apoio governamental. Agência Brasil. 6 jun. 2008. Disponível em <http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/06/05/materia.2008-06-05.0316692978/view&gt;
[12] Cf. Catecismo do Papa Pio X, que enumera seis “pecados contra o Espírito Santo”.

 


    Para citar este texto:

Pe. Luiz Carlos Lodi da CruzO governo Lula e o combate a castidade
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=vida&artigo=lula_castidade&lang=bra
Online, 06/07/2008 às 09:00h

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