Padre Claude Barthe: “fazer frutificar a liturgia tridentina para a missão da Igreja”


Fonte: Associação Cultural Montfort

Padre Claude Barthe (foto: Radio Courtoisie)

Peregrinação Summorum Pontificum, difusão do Motu Proprio e o papel da Liturgia Tridentina no pontificado de Francisco na entrevista à Montfort, concedida pelo Padre Barthe.

Padre Barthe, como capelão da Peregrinação do Povo Summorum Pontificum deste ano de 2013, poderia nos falar de suas impressões sobre esse evento? Quais seriam os pontos positivos e negativos a serem considerados? Podemos contar com a sua realização também para o próximo ano?

A finalidade dessa peregrinação era conduzir a Roma, ao Túmulo do Apóstolo e junto do Sucessor de Pedro, os representantes de todos esses, padres, seminaristas, fiéis, que no mundo praticam a liturgia tradicional, chamada forma extraordinária do rito romano a partir do Motu Proprio Summorum Pontificum. Eles conhecem, para si mesmos e para a Igreja, a importância dessa liturgia no que concerne a expressão da Fé, a estruturação espiritual dos fiéis, a fecundidade em obras cristãs e em vocações sacerdotais e religiosas. Eles queriam dar graças a Deus e testemunhar: tratava-se portanto de uma manifestação de piedade, de um ato de presença, de uma expressão de vitalidade que aspira apenas a se estender para a maior glória de Deus. Essa peregrinação de 25 a 27 de outubro de 2013 foi a segunda. Ela aconteceu quase mais facilmente do que a de 2012, sob Bento XVI, com toda espécie de facilidades que nos concederam as autoridades romanas do Papa Francisco. A liturgia foi muito bonita, a música vocal, de grande qualidade. Da piedade dos fiéis, Deus é o único juiz. Como ponto negativo, seria preciso prevenir uma informação insuficiente. Embora houvesse ao menos tantos participantes quanto no ano passado, menos anglo-saxões mas mais italianos, é importante que o programa seja estabelecido com antecedência suficiente para anunciar melhor a peregrinação e permitir a todos preparar a viagem. No momento, para responder a sua questão sobre o futuro: se Deus quiser, haverá outra peregrinação em 2014.

2. Na situação atual, que recomendações o senhor daria para aqueles que trabalham para aumentar o conhecimento da Missa Antiga, conforme o desejo expresso por Bento XVI?

Eu recomendaria rezar muito, agir com paciência, e não negligenciar nenhuma oportunidade que nos oferece a Divina Providência. Entre a reforma litúrgica de 1979 [na verdade de 1969], que parecia ter eliminado a Missa tradicional e o Motu Proprio de 2009 [de 2007], que devolveu a ela, sob certas condições, seu pleno direito de cidadania, passaram-se [mais de] trinta anos, ou seja, um pouco mais de uma geração. O tesouro ela constitui não é mais visto hoje como era no fim dos anos 70: não se trata mais apenas de salvar um patrimônio de culto e de doutrina vital, mas de fazê-lo frutificar para a missão da Igreja em uma paisagem devastada pela secularização. O que representa essa liturgia é, igualmente, mais difícil a perceber para nossos contemporâneos hoje e, ao mesmo tempo, no deserto onde eles se encontram, um instrumento excepcional da graça, de crescimento espiritual e de catequese. Eu sempre me espanto de ver o número de fiéis  e de padres das novas gerações, que não conheceram nada do “antes” litúrgico, que descobriram a tradição litúrgica romana como uma novidade, que, por vezes, se converteram graças a ela, e que vivem dela. Um padre francês, que se tornou bispo, que celebrava uma e outra liturgia, fazia notar que nessa missa não há nada de isolado: há a missa e “tudo o que a acompanha”, ou seja, catecismo, obras de juventude, formação sacerdotal estruturada etc. Na obra de longo fôlego na qual nós devemos participar, a difusão da missa tradicional deveria, por exemplo, sempre ser seguida do estabelecimento de um curso de catecismo para adultos e adolescentes.

3. Vários setores, sobretudo aqueles ligados à esquerda católica, apresentam o Papa Francisco como alinhado ideologicamente à Teologia da Libertação. Essa visão corresponde à realidade?

Continua difícil entender bem o Papa Francisco. Mas é absolutamente certo que ele é, como mostra sua história pessoal, um inimigo da Teologia da Libertação. Suas origens políticas, sua vida muito difícil no seio da Companhia de Jesus no tempo do Padre Arrupe, sua nomeação ao episcopado e sua elevação à frente da Igreja da Argentina sob João Paulo II, mostram isso claramente. Não é de forma alguma um “progressista”, no sentido histórico do termo. É verdade que prelados “avançados”, como o Cardeal franciscano Claudio Hummes, estiveram entre seus grandes eleitores, e é certo que o Papa não tem uma sensibilidade “restauracionista”. Não se pode nunca esquecer que ele foi eleito na sequencia à demissão de Bento XVI, que foi entendida, especialmente pelos cardeais eleitores, como a constatação do fracasso, não de um pontificado, mas de um certo estilo de pontificado. Pontificado no decorrer do qual o Papado se tornou uma espécie de cidadela sitiada. Mas nada indica que esse Papa, que tem outro estilo pastoral, possa e mesmo queira responder diferentemente às questões profundas que coloca a situação da Igreja nesse começo de Século XXI. A resposta “restauracionista” do pontificado anterior era, aliás, suficiente? O cisma “mole” que aflige a Igreja há décadas parece arrastá-la para um irresistível despedaçamento à moda anglicana, cada um tendo seu próprio credo. A menos que se diagnostique, ao invés disso, o surgimento de uma religião mais sentimental que doutrinária, onde o dogma é secundário e a moral, especialmente a moral do casamento, não é realmente obrigatória. Mas os elementos de renascimento estão mais vivos do que nunca. Deus dirige todas as coisas, sem que, por outro lado, cesse de ser necessária a cooperação dos pastores, dos quais a Igreja espera que tomem com a mão firme o timão magisterial.

5. Recentemente, o Cardeal Castrillón Hoyos declarou que o Papa não tem nenhum problema em relação ao rito antigo nem tampouco com os grupos de leigos que o promovem. O senhor acredita que essas afirmações representam convenientemente a posição do Papa Francisco?

Eu acredito. De fato, me parece que não se deve examinar em detalhes as palavras pronunciadas pelo Papa Francisco, vírgula por vírgula, como se podia fazer com as de Bento XVI. Não há também do que se espantar nele com eventuais hesitações conforme os tempos e os momentos. É preciso, portanto, lembrar-se também de que ele tinha dito em sua entrevista às revistas jesuíticas: “A maneira de ler o Evangelho, atualizando-o, que foi própria ao Concílio, é absolutamente irreversível. Há, em seguida, questões particulares como a liturgia segundo o Vetus Ordo. Eu penso que a escolha do Papa Bento foi prudencial, ligada à ajuda de pessoas que tinham essa sensibilidade particular. O que é preocupante é o rico de ideologização do Vetus Ordo, sua instrumentalização”. E entre essas reflexões muito distantes e as palavras ao Cardeal Castrillón, havia essa resposta dada por ocasião de uma visitaad limina dos bispos da Puglia, em maio passado: esses bispos se queixavam da “obra de divisão criada no seio da Igreja pelos campeões da missa no antigo rito”. O Papa lhes respondeu que era preciso “estar vigilantes sobre o extremismo de certos grupos tradicionalistas, mas também se apoiar sobre a tradição e fazê-la viver dentro da Igreja ao mesmo tempo em que a inovação”. No total, pode-se notar no Papa uma espécie de crescimento positivo em seu julgamento diante da missa tradicional e dos grupos que a promovem. Sobretudo se se acrescenta a mensagem muito favorável endereçada à Fraternidade São Pedro, por ocasião de seu 25º. aniversário, mensagem que não foi evidentemente redigida pelo Papa, mas que foi assumida por ele. Entretanto, se o reconhecimento pelo Papa da liberdade da missa tradicional é uma coisa importantíssima, o problema mais grave para a Igreja ainda é que sua liturgia “de todos os dias” é uma liturgia profundamente ferida.

Montfort – Consequencias do Pecado


 Responsabilidade pelas consequencias do pecado
PERGUNTA
Nome: Leandro Batista da Silva
   
Local: Curitiba – PR, Brasil
Religião: Católica
Escolaridade: Superior concluído
Profissão: Administrador

Salve Maria

Gostaria de parabenizá-los por dar continuidade ao trabalho do Professor Fedeli e tentar esclarecer uma dúvida em relação ao pecado.
Sei que os pecados que cometemos devem ser expiados e nosso julgamento dependerá da gravidade de cada um deles.

Minha dúvida é a seguinte: Alguém que comete um pecado como, por exemplo, assassinato de um pai de família, deverá responder por esse pecado diante de Deus, mas a família que sofreu a perda além disso começa a enfrentar dificuldades financeiras, a mãe não consegue dar conta da educação dos filhos, eles mais tarde se envolvem com drogas e crimes, outras pessoas são afetadas por estes atos como um efeito dominó. O assassino responderá também pelos efeitos tardios de seu pecado?

Leandro

RESPOSTA
Muito prezado Leandro,
     Sim, todos nós seremos julgados no juízo particular e no juízo universal. As conseqüências dos nossos atos serão conhecidas no juízo universal, quando, em função de um pecado particular cometido, conheceremos seus desdobramentos históricos. Conheceremos então o “pecado de conseqüência“.
     Segue o texto do Catecismo Romano para Párocos que evidencia esses ensinamentos:
(Versão Portuguesa baseada na edição autêntica de 1566, traduzido por Frei Leopoldo Pires Martins, O.F.M.
Catecismo redigido por decreto do Concílio de Trento (Infalível), e publicado por Ordem de São Pio V
Edição: Serviço de Animação Eurcarística Mariana.)
     Na página 146 (I Parte: Do Símbolo dos Apóstolos) Capítulo Oitavo: Sétimo Artigo do Símbolo (Credo) “Donde há de vir julgar os vivos e mortos” 
(…)
Motivos para o juízo universal: Abrir todas as consciências;

Será então necessário mostrar por que, além do Juízo Particular para cada um, se fará ainda outro geral para todos os homens.
Ora, os mortos deixam às vezes filhos que imitam os pais; parentes e discípulos que seguem e propagam seus exemplos em palavras e obras. Esta circunstância deve aumentar os prêmios ou castigos dos próprios mortos.
Tal influência, que a muitos empolga, em seu caráter benéfico ou maligno, não acabará senão quando romper o último dia do mundo. Convinha, pois, fazer então uma perfeita averiguação de todas essas obras e palavras, quer sejam boas, quer sejam más. O que, porém, não seria possível sem um julgamento geral de todos os homens.
     Meditar sobre o pecado de conseqüência é um bom instrumento para entendermos mais perfeitamente a ofensa cometida contra Deus com um único pecado, às vezes um mal conselho, uma decisão ruim ou ainda o mal uso do tempo, são atos que ofendem a Deus Nosso Senhor muito mais do que podemos imaginar.
     Só para ilustrar podemos pensar em uma alma que pratica o aborto, essa alma infeliz, não somente impediu que uma pessoa vivesse, mas, interrompeu toda uma descendência de pessoas que poderiam nascer daquela criança.
     Outro exemplo: quando um católico deixa de dar um argumento a favor da religião para alguém somente por respeito humano, ou por medo, pode estar dificultando a ação de Deus pela conversão, não somente daquela pessoa, mas de toda uma família que poderia se converter em função do argumento ora omitido.
     Também nossas ações boas têm conseqüências boas, e às vezes méritos maiores devido aos seus bons desdobramentos: rememoremos o episódio da samaritana no Evangelho de São João. Depois que Cristo a convence o evangelho assim continua:
 
A mulher, pois, deixou o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àquela gente: Vinde ver um homem, que me disse tudo que tenho feito; será este porventura o Cristo? Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele. (Mt 4, 28-30)
(…)
Ora muitos samaritanos daquela cidade creram em Jesus, por causa da palavra daquela mulher, que dava este testemunho: Ele disse-me tudo que tenho feito(Mt 4, 39)

In Corde Jesu, semper, 
Bruno Oliveira
 
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