DÊ LICENÇA, SR. J. A. BOECHAT


Não gosto de entrar em palestra alguma sem antes pedir o devido consentimento: dê licença, Sr. Boechat, e que durante o silêncio da Sra Maria Eduarda também eu diga umas palavrinhas sobre Pedro, a rocha inabalável onde está alicerçada a Igreja de Cristo.

Começo duvidando um pouco do apoio dado por Santo Agostinho à interpretação protestante do texto : “Tu és Pedro…”

Eu creio ter razões bastantes para tal. Não foi uma só vez que Papas e Bispos se atribuíram nesta mesma folha palavras nunca proferidas por eles. Santo Agostinho pode ser um destes inocentes e mal traduzidos. Declara ele sem rebuços e sem rodeios a supremacia de Pedro: “Pedro, antes de Paulo O havia confessado Filho de Deus, foi nesta mesma confissão chamado de Pedra, sobre a qual se edificaria a Igreja.”(Enarrat. In Os. 69. n. 4 – ML. XXXVI, 869).

Não culpo tanto o Sr. Boechat pela infelicidade da citação. Mais culpas têm os seus autores que vivem ressuscitando objeções, todas refutadas no admirável livro: “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, do grande filósofo e polemista brasileiro, Pe. Leonel Franco.

“Bem aventurado és, filho de Jonas… e eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela”(Mt XVI, 16-20) A interpretação protestante sobre esta passagem é simplesmente chocante! Ei-la como nô-la apresenta o Sr. Boechat: “Em outros termos: Eu edificarei a minha Igreja sobre Mim que Sou Filho de Deus vivente; eu te edificarei sobre Mim e não eu sobre ti”.

Cristo diz: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” e o Sr. Boechat traduz: “(tu és Pedro) e eu edificarei a minha Igreja sobre mim, que Sou o Filho de Deus”.

A liberdade de interpretação possui também seus limites e observa certas regras. Basta ler sem preconceito e com naturalidade, e veremos que em todo texto Jesus se dirige a Pedro: te digo, tu és, dar-te-ei, o que ligares, etc.O demonstrativo “esta” refere-se forçosamente ao sujeito antecedente. A interpolação “sobre mim”desalinha a frase, tira-lhe toda a beleza e é verdadeiro atentado contra o sentido convencional dado às palavras. Onde, em que língua se emprega corretamente o demonstrativo “esta” solto, desajeitado e sem antecedente? Em nenhuma língua onde se respeitam ainda as regras fundamentais da gramática e da hermenêutica . “Todos os textos se articulam, se compaginam num todo, cuja continuidade não é possível interromper sem lhe quebrar as harmonias divinas… Se na frase “tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja’, pedra não designa antes e depois o mesmo sujeito, ponhamos um cadeado nos lábios, quebremos a pena porque não haverá palavra falada ou escrita que possa traduzir com fidelidade nosso pensamento.”(Pe. Leonel Franco – F.R.C. .páginas 28 e 29; 5a edição – Agir)

Para reforçar sua opinião cita o articulista um trecho de São Pedro: “chegai-vos a Jesus, como pedra viva, na qual também vós, como pedras vivas, na qual também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual.” E conclui com o Reverendo. Ernesto: “A vista dessa declaração formal do próprio São Pedro não podemos duvidar de que seja Jesus Cristo a pedra fundamental e a coroa do Sagrado Edifício, a menos que não estejamos destinados a claudicar da Palavra de Deus.”

Se Cristo é a Pedra o Príncipe dos Apóstolos não pode ser pedra. Eis aí, em poucas palavras, onde chegou nosso amigo. Seguindo sua lógica encontrarei nesta própria “Palavra de Deus”que ele julga claudicada por nós uma feia contradição. Logo após se referir a Cristo como “pedra viva”o apóstolo afirma que sobre ela estão edificados os fiéis como “pedras vivas”.

Desejava me explicasse o Sr. Boechat porque todos os fiéis podem ser pedra, menos São Pedro! É pena que quando se trata de atacar o Papa se passe de olhos fechados por cima de contradições tão berrantes. Seguindo ainda a lógica do Reverendo Ernesto concluo que se Cristo é a Luz, nenhum outro homem pode ser luz. No entanto, o mesmo Cristo que diz: “Eu Sou a Luz do mundo”(J. XIII _ 12), diz também se dirigindo aos apóstolos: “Vós sois a luz do mundo”(Mat. V – 14). Porque , Sr. Boechat, Cristo e os apóstolos podem ser luz, e Cristo e São Pedro não podem ser pedra?Basta conhecer o Mestre e os apóstolos para dar ao mestre o que é do Mestre, e aos apóstolos o que é dos apóstolos. Cristo é a pedra fundamental que se fundamenta em si mesma, inconcussa e inquebrantável por própria essência. Pedro é também pedra fundamental, mas que se firma em Cristo, inconcussa e inquebrantável por VIRTUDE E VONTADE DIVINA: “tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Cyro Monteiro
Jornal “O Norte Fluminense”- 1-8-1954

O que significa “Igreja Católica”?


Se alguém lhe interrogar sobre sua religião, creio eu que você será pronto em responder: “-sou católico!”. O triste é que após essa pergunta vem logo outra: “-praticante?”. Mas o que quero analisar nesse breve artigo não é isso (quem sabe em outro), mas sim sobre a palavra católico. Também não é sobre o que é ser católico, mas restritamente, o significado desta palavra, e, para ser fiel ao título deste artigo, o siginificado de “Igreja Católica”.

Na Bíblia encontraremos a palavra “igreja”  85 vezes, e todas elas no Novo Testamento. A primeira vêz que esta palavra é citada na Bíblia é por nada mais, nada menos que Nosso Senhor Jesus Cristo, veja:
E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt. 16, 18)

Recorrendo ao Catecismo da Igreja Católica, e esta sitação você poderá encontrar também lendo o post sobre Ser Igreja, temos que:
A palavra “Igreja” [“ekklésia”, do grego “ekkaléin” – “chamar fora”] significa “convocação”. Designa assembléias do povo, geralmente de caráter religioso. (…) Ao denominar-se “Igreja” a primeira comunidade dos que criam em Cristo se reconhece herdeira dessa assembléia. (CIC 751)

Então fica bem claro, que a palavra Igreja significa chamado, convocação, no nosso caso, convocados/chamados por Jesus Cristo. Aí entramos na segunda palavra: Católica.

Chamados por Jesus para fazer o quê e a quem? Êis a resposta:

Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mt. 28, 19)

“(…)e ensinai a todas as nações” ou seja a todo mundo, ao universo. Jesus confia a Sua Igreja sua missão, seu chamado, sua convocação de anunciar o Evangelho, repito, ao universo, e é aí que por este motivo sua Igreja recebe o nome de Igreja Católica. Ainda não ficou claro né. Lendo esta citação do Catecismo da Igreja Católica ficará melhor de entender:

• A palavra “católica” significa “universal” no sentido de “segundo a totalidade” ou “segundo a integralidade”. (…) (Confira CIC 830)” e consequentemente “Por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos. (CIC 767)

Repito mais uma vês: “A palavra “católica” significa “universal” .

 

Unindo então, caros leitores, o significado da palavra Igreja à palavra Católica temos que ela é “convocação” de todos os homens para a salvação“.

E é exatamente por isso que na Bula Unam Sanctam de 1302, o papa Bonifácio VIII diz: “Una, santa, católica e apostólica: esta é a Igreja que devemos crer e professar já que é isso o que a ensina a fé. Nesta Igreja cremos com firmeza e com simplicidade testemunhamos. Fora dela não há salvação, nem remissão dos pecados, como declara o esposo no Cântico: “Uma só é minha pomba sem defeito. Uma só a preferida pela mãe que a gerou” (Ct 6,9). Ela representa o único corpo místico, cuja cabeça é Cristo e Deus é a cabeça de Cristo.

Tendo em vista o expoto, se alguém se deparar com você e lhe interrogar: “-Onde existe a palavra católica na Bíblia?” você estará pronto a responder “-Leia Mt. 28, 19, e lá você verá, não a palavra católica, mas o seu significado:Universal, a todas as nações

Que Maria, Nossa Senhora, Nossa Mãe e Mãe da Igreja de Jesus Cristo, interceda por nós e pela salvação dos homens, Amém!

Qeu Deus nos abençoe e Maria nos guarde!

Moisés Gomes de Lima, catquista da Paróquia de S. João Batista, Cedro-CE.

Os papas e a Inquisição – MONTFORT


Nome: Antonio
Enviada em: 17/07/2004
Local: Canoas – RS,
Idade: 42 anos
Escolaridade: Superior concluído
Profissão: Func. Público

Gostaria de saber se os Papas sabiam dos crimes cometidos pelos inquisidores em nome da Igreja Católica Romana?

RESPOSTA
Prezado Sr. Antonio, salve Maria,
 
Não entendi a que “crimes da Inquisição” o sr. faz referência, poderia ser mais específico?
 
Os papas não só apoiavam o procedimento da Inquisição como foram seus fundadores.
 
A origem da Inquisição está diretamente ligada com o progresso da heresia cátara. Dominando extensas regiões do sul da França, sendo favoráveis ao suicídio, contrários ao casamento e ao juramento – o que dissolvia respectivamente: o indivíduo, a família e a sociedade –  saqueando as fazendas e Igrejas, os cátaros, além de um atentado à doutrina católica, representavam uma ameaça social. Por isso, os hereges passaram a ser, não só uma preocupação do clero, mas do Estado, incorrendo em penas civis.
 
Ocorre que algumas vezes os governantes entregavam os suspeitos de heresia à justiça comum sem averiguar direito sua culpabilidade. Ou ainda, taxavam inimigos injustamente de hereges para tirar vantagens. Foi este o caso de Frederico II, que desejando conquistar a Lombardia, condenou à morte, desterrou e confiscou os bens de vários habitantes da região, acusando-os de hereges (ironicamente, fez sua cruzada contra a heresia com um exército de árabes, o que mostra bem o seu zelo pela fé).
 
Para impedir esses abusos, o papa Gregório XI resolveu fundar o Tribunal da Inquisição, reivindicando o direito exclusivo de julgar heresias. Só esse Tribunal poderia declarar alguém como herege.
 
O Papa visava também impedir que a população fizesse justiça com as próprias mãos. Muitas vezes os suspeitos de heresia eram atacados sem esperar a atuação das autoridades.  Em Soissons, em 1120, por exemplo, demorando o bispo para punir alguns hereges, o povo os arrancou de sua guarda para queimá-los na fogueira. Em Colônia, o próprio povo arrombou a prisão e massacrou hereges que aguardavam julgamento. Pedro Bruys foi assado na Sexta-feira Santa, quando assava carne para insultar os cristãos.  Há uma infinidade de outros casos.
 
Assim, o Tribunal criado pelo Papa visava proteger o réu, ou seja o acusado de heresia, dentro de normas jurídicas e eclesiásticas. Era uma oportunidade para que ele se defendesse antes que fosse entregue às penas aplicadas pelo Estado.
Depois de fundado por Gregório XI, o Tribunal da Santa Inquisição foi aprimorado e acrescido de poderes pelos Papas seguintes, recebendo sempre apoio da Igreja.
 
Espero ter respondido sua questão.
 
Salve Maria,
 
Laura Palma.

Dom Vital vs. Maçonaria


D. Vital
D. Vital – clique na imagem para ler o artigo

 

“A monarquia brasileira, protegida pelo Grande Oriente da rua do Lavradio, admitia ainda a união dos dois poderes e mantinha a Religião Católica como religião de Estado — ainda que esta situação significasse antes uma submissão perniciosa da Igreja à Coroa. Ora, o imperador Pedro II, apesar de ter formação católica, e apesar de dizer-se católico perante os bispos, era liberal, defendia a liberdade de pensamento, e acreditava que a maçonaria brasileira, diferentemente da Européia, não era perversa. Várias eram as leis do Império que prejudicavam e perseguiam a Igreja, como o fechamento dos noviciados, os decretos que reduziam os bispos a meros funcionários públicos, leis que limitavam inclusive a escolha dos professores dos seminários diocesanos” (continue lendo clicando neste link: http://www.permanencia.org.br/revista/politica/Intro.pdf ou na imagem acima)

A anticoncepção em perguntas e respostas


1. Para que serve a união sexual?

Para exprimir o amor entre os cônjuges e para transmitir a vida humana.

2. Toda relação sexual tem que gerar filhos?

Não necessariamente. Mas ela deve estar sempre aberta à procriação. Senão ela deixa de ser um ato de amor para ser um ato de egoísmo a dois.

3. Uma mulher depois da menopausa não pode mais ter filhos. Ela pode continuar a ter relações sexuais com seu marido?

Pode. Pois não foi ela quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que a tornou infecunda.

4. Um homem que tenha o sêmen estéril não pode ter filhos. Mesmo assim ele pode ter relação sexual com sua esposa?

Pode. Pois não foi ele quem pôs obstáculos à procriação. Foi a própria natureza que o tornou infecundo.

5. E se o homem ou a mulher decidem por vontade própria impedir que a relação sexual produza filhos?

Neste caso eles estarão pecando contra a natureza. Pois é antinatural separar a união da procriação.

6. Quais são os meios usados para separar a união da procriação?

Há vários meios todos eles pecaminosos:

a) o onanismo ou coito interrompido: consiste em interromper a relação sexual antes da ejaculação (ver Gn 38,6-10)

b) os métodos de barreira, como o preservativo masculino (condom ou “camisinha de Vênus”), o diafragma e o preservativo feminino.

c) as pílulas e injeções anticoncepcionais, que são substâncias tomadas pela mulher para impedir a ovulação.

7. Como é que a pílula anticoncepcional funciona?

A pílula anticoncepcional é um conjunto de dois hormônios – o estrógeno e a progesterona – que a mulher toma para enganar a hipófise (uma glândula situada dentro do crânio) e impedir que ela produza o hormônio FSH, que faz amadurecer um óvulo. A mulher que toma pílula deixa de ovular, pois a hipófise está sempre recebendo a mensagem falsa de que ela está grávida.

8. A pílula é um remédio para não ter filhos?

Você não chamaria de remédio a um comprimido que alguém tomasse para fazer o coração parar de bater ou para fazer o pulmão deixar de respirar. O que a pílula faz é que o ovário (que está funcionando bem) deixe de funcionar.

Logo ela não é um remédio, mas um veneno.

9. Quais são os efeitos desse veneno?

Além de fechar o ato sexual a uma nova vida, a pílula – conforme estudos realizados – expõe a mulher a graves conseqüências para a sua saúde. Eis algumas delas:

   – ·         doenças circulatórias: varizes, tromboses cerebrais e pulmonares, tromboflebites, trombose da veia hepática, enfarto do miocárdio;

   – ·         aumento da pressão arterial;

   – ·         tumores no fígado;

   – ·         câncer de mama;

   – ·         problemas psicológicos, como depressão e frigidez;

   – ·         obesidade;

   – ·         manchas de pele;

   – ·         cefaléias (dores de cabeça);

   – ·         certos distúrbios de visão;

   – ·         aparecimento de caracteres secundários masculinos;

   – ·         envelhecimento precoce.

 (Cf. GASPAR, Maria do Carmo; GÓES, Arion Manente. Amor conjugal e paternidade responsável. 2. ed. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1984, p. 50-51.)

10. É verdade que as pílulas de hoje têm menos efeitos colaterais do que as de antigamente?

Leia o resto deste post »

Fábio de Melo ou S.S. Pio XI, com quem ficar?


Fábio de Melo diz:

“A proposta de Jesus é socialista, né? O socialismo tem sido mal interpretado. Bem aplicada, sem os exageros da antiga União Soviética, a proposta socialista só edifica” (Fonte)

Fábio de Melo acha o socialismo lindo

Fábio de Melo acha o socialismo lindo

O Papa Pio XI diz:

Papa Pio XI condenou o Socialismo

Papa Pio XI condenou o Socialismo

” (…) O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como “ação”, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso a verdade cristã. (…) ” (Quadragesimo Anno, nos. 117 e 120)

“Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro” (Quadragesimo Anno, no. 119)

 

A pergunta é:

Com quem ficar?

Comentários estão abertos… É só responder.

Não preciso de dizer com quem eu fico, “né”?

O Vaticano não é rico


“”O Vaticano não é rico””. Entrevista com John L. Allen Jr.
Instituto Humanitas Unisinos

Para que John L. Allen Jr., 44 anos, chegasse aonde está, um Papa teve que morrer. Porque foi só quando João Paulo II faleceu que esse jornalista, que se dedicava à docência em um colégio na Califórnia, enfrentou os microfones. Nessa oportunidade, foram os da CNN, onde ele hoje é analista do Vaticano. Mas depois, Allen começou a publicar colunas e comentários em meios de comunicação como o New York Times e o National Catholic Reporter. Não foi preciso muito tempo para que ele se convertesse no vaticanista mais respeitado do meio. Alguém que sabe, por exemplo, como chega e como é administrado o dinheiro santo.

Como a Igreja e a Santa Sé se financiam?

O orçamento anual do Vaticano é de US$ 300 milhões. Basicamente, eles têm três fontes de renda: a primeira são as doações de igrejas locais e conferências de bispos em todo o mundo. As paróquias são obrigadas a entregar dinheiro às dioceses, e as dioceses são obrigadas a entregar dinheiro para o Vaticano.

Qual é a segunda?

Os investimentos. Em 1929, a nova República italiana pagou ao Vaticano uma enorme quantia por todas as propriedades que ela lhe havia confiscado. Essa quantidade, que hoje seriam de várias centenas de milhões de dólares, foi investida em uma carta de investimentos de bônus e ações que ainda existe e que, a cada ano, entrega renda ao Vaticano.

Resta a última.

O Vaticano é dono de cerca de 700 propriedades, principalmente em Roma, mas também em toda a Itália. Muitas delas são arrendadas a companhias e a pessoas, como lojas ou departamentos. Então, a cada ano, há dinheiro que chega por esse caminho.

Isso é suficiente?

Todo ano, em geral, eles andam muito apertados com esse orçamento, e não se sabe se ganharão o suficiente para pagar os gastos do Vaticano.

Falo das doações. São muito fundamentais?

Cobrem 50% do orçamento anual. As outras duas contribuem com 25% cada.

Em quanto estão avaliadas as propriedades?

O Vaticano diz que seu patrimônio, que inclui bens raízes, chega a US$ 770 milhões. O grosso dessa cifra são as propriedades. Então, no total, a avaliação deveria se aproximar dos US$ 500 milhões.

Eles estão com números vermelhos ou azuis?

Desde o final da década de 70 até o começo dos 90, eles estavam com números vermelhos quase todos os anos. Depois, chegou um cardeal norte-americano de Detroit encarregado da operação financeira, que era conhecido por ser alguém habilidoso com o dinheiro. Ele corrigiu o déficit, e eles obtiveram números azuis por vários anos. A partir daí, veio uma crise financeira, e voltaram a ter números vermelhos, mesmo que o déficit não tenha sido muito grande. Em geral, a Igreja não obtém excedentes significativos.

Então não se poderia dizer que a Igreja é rica.

Eu colocaria desta forma: o orçamento operativo da Igreja é de US$ 300 milhões. Nos Estados Unidos, a Universidade de Notre Dame – que é a maior universidade católica do país – tem um orçamento operativo de mais de US$ 1 bilhão. Isto é, pode financiar o Vaticano três vezes. O patrimônio do Vaticano – quase US$ 800 milhões – é semelhante ao que é entregue às organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos como doação. Meu ponto é que, se medirmos pelos padrões das organizações sem fins lucrativos, o Vaticano não é particularmente rico. O que acontece é que, diferentemente das organizações sem fins lucrativos – em que o item que absorve mais capital é o pagamento de salários –, no Vaticano, a maioria dos “empregados” são sacerdotes ou freiras que ou não recebem salário ou paga-se-lhes o mínimo. Essa é a forma pela qual o Vaticano pode manter as coisas andando com um orçamento que, no mundo das organizações sem fins lucrativos, seria considerado bastante modesto.

Qual é o departamento encarregado das finanças da Santa Sede?

A Prefeitura dos Assuntos Econômicos.

Como ela funciona?

Um cardeal – Sergio Sebastiani – é o presidente emérito. Ele tem uma junta de consultores. Além disso, existe um conselho de cardeais que assessora a Prefeitura na administração financeira. Esse conselho, por sua vez, tem uma junta de consultores que são profissionais financeiros, especialistas em investimentos etc.

Que perfil tem a pessoa que chega a esse cargo?

O Papa o nomeia. Quase sempre é um bispo italiano veterano que tem reputação de saber lidar com o dinheiro. Informalmente, se subentende que deve ser italiano porque há muita interação com o sistema bancário desse país.

Como você descreveria a atual gestão?

São imensamente conservadores. Fazem investimentos de muito baixo risco. Sei que, muitas vezes, foi frustrante para os cardeais que proveem especialmente dos Estados Unidos e da Europa, porque a Santa Sé demora em adotar algumas das práticas básicas para a administração e investimentos que são usadas em outras partes do mundo. Eles publicam um balanço financeiro anual. Mas não é divulgado. Não há uma auditoria independente das finanças. Ao longo dos anos, muitos cardeais queixaram-se privadamente comigo de que obteriam melhores retornos de investimento se pudessem atrair pessoas externas que tomassem decisões responsáveis, mas ligeiramente mais audazes.

O problema passa pela modernização, então.

É preciso entender que isso é o Vaticano. O problema de fundo, acredito, é que se trata de uma instituição cuja aproximação ao dinheiro é pré-moderna.

Em que sentido pré-moderna?

Anterior às práticas modernas de contabilidade. Que não se sente cômoda com estratégias de investimento do século XXI. Estamos falando de uma aproximação ao dinheiro que se formou na Alta Idade Média. No entanto, estão lidando com católicos de todo o mundo, que têm sim altas expectativas enquanto a transparência, gestão e responsabilidade.

A reportagem é de Andrew Chernin, publicado na revista Qué pasa e no sítio Religión Digital, 31-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.
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